Colinas
1 Colinas
Do banco da praça eu vejo pessoas
Chorando ou rindo à toa
Vivendo cada uma a sua rotina
No banco do metrô eu ouço alguém
Cantando uma música sobre o futuro ao além
Questionando uma liberdade corrompida
Olhou para mim com olhos de solidão
Apontou à nossa volta pessoas já sem coração
N'outra semana, me perguntou o que eu tinha em mente
Se era, como ele, mais uma descrente
Queria saber meu nível de sensatez
Naquele dia ainda não tinha planos
Respondi que tinha cometido alguns enganos
Me abri com um desconhecido cortez
Olhou para mim com olhos brilhantes
Deixou de lado, por alguns minutos, a situação alarmante
Do topo da colina, n'outro dia, me mostrava
O lindo céu que lhe acobertava
Quando escurecia seu tom de anil
Rimava palavras doces com ruínas
Construía a mais crítica poesia
E me sorria de modo sutil
Olhei para tuas mãos sobre as minhas, unidas
E deixei que me guiasse pelas estradas da vida
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