Coleção De One-shots.
35 Capítulo 35 - Draco & Astória
Notas iniciais
Draco vestiu o traje preto que estava separado em cima da cama, penteou os cabelos loiro-platinados e se olhou no espelho. Não era mais o mesmo, não exalava a arrogância Malfoy, na verdade, não exalava arrogância nenhuma. Suas vestes eram as mesmas, sua aparência era a mesma, contudo não se sentia o mesmo. Voldemort o destruíra. A guerra o destruíra.
Após a batalha de Hogwarts, Harry Potter se sentou para ter uma longa conversa com algumas famílias de comensais da morte, ou suspeitos, só para então decidir quem era mesmo culpado e quem seria inocentado de todas as acusações. A família Malfoy, junto com Zabini, Nott, Greengrass, e Parkinson, foram inocentadas. Segundo Potter ele já haviam “sofrido o suficiente”.
“Sofrido o suficiente”? Como se Harry Potter soubesse de alguma coisa. Harry Potter não chorava até conseguir dormir, todas as malditas noites, só para depois ter pesadelos sobre as consequências de seus atos. Harry Potter não teve sua vida inteira tacada no lixo. Harry Potter tinha um filho, uma esposa, uma família. A vida de Harry Potter era perfeita.
Draco levou a mão direita, que segurava a escova, para trás, em seguida impeliu o objeto contra a parede. O impacto da peça com a quadrela foi bombástico, esta que quicou duas vezes no chão e se estabeleceu ali, de cabeça pra baixo.
Malfoy se dirigiu para fora do quarto, caminhando lentamente, observando cada mínimo detalhe da mansão de seus ancestrais. Naquele dia seria o enterro de seu pai, Lucius. Narcisa optou por enterrá-lo nos jardins da mansão, assim não ficaria sozinho. Poucas pessoas viriam para o velório, pois poucos eram os amigos de Lucius que ainda estavam vivos ou não estavam em Askaban.
Pelo menos Astória viria. Ela vinha sendo de grande ajuda, conversava com Draco, ouvia suas queixas quando mais ninguém ouviria, não o questionava, nem julgava, somente aceitava um convite para o chá, sentava-se à mesa do jardim, observando os pavões e escutava, na hora de ir embora dizia a Draco para chamar-lhe no dia seguinte se precisasse de alguma coisa. E ele assim o fazia, todos os dias. Draco era muito grato à loira por isso.
Quando desceu as escadas da mansão seus colegas de escola já estavam lá. Blásio Zabini foi o primeiro a vir em sua direção, apertou sua mão e acenou com a cabeça e, assim foi passando atéjá ter cumprimentado todos os presentes.
—Onde está Astória? – perguntou sua mãe. – A moça estava aqui agora a pouco.
—Ela foi procurar por Draco, deve voltar em alguns minutos, Sra. Malfoy. – respondeu Nott.
Draco arqueou a sobrancelha direita. Procurar por ele? Pansy percebeu sua confusão e sussurrou só para ele escutar.
—Ela queria conversar com você antes do enterro. Parece que precisava lhe contar algo urgente. – então deu de ombros.
Draco pensou por um minuto, deveria ser realmente importante, caso contrário ela o deixaria para depois. Pediu licença sem realmente se importar com a resposta e foi para o jardim. Astória não estava lá, como também não estava na biblioteca, no banheiro, na cozinha e em nenhuma das salas de visitas. Por alguma razão os pés de Draco o levaram de volta para seu quarto. E lá estava ela observando um espaço vazio na parede.
—Ah, olá Draco. – disse ela sorridente, ela olhou para a vestimenta de Draco e seu sorriso sumiu. – Meus pêsames.
—Obrigado, Tori. O que está fazendo no meu quarto?
—Vou me mudar. Fui aceita no Programa Americano de Ensino de Magia Branca, por isso te comprei uma penseira. – Astória disse voltando a observar a parede vazia. – Estou pensando em coloca-la aqui. O que acha?
—Tori, porque o fato de você se mudar implica em me comprar uma penseira?
— Porque eu vou pra América, Draco, não vou poder vir aqui todos os dias como estou fazendo agora. Não vou poder vir aqui nem uma vez por semana. – Draco desabou, sem mais Astória? Não, já era ruim perder seu pai, agora perder a mulher de sua vi.. Malfoy olhou para a senhorita parada a sua frente. “Mulher da sua vida”? Não, impossível.
—Entendo. – disse Draco. – Puxa, magia branca? Não sabia que queria se tornar MediBruxa. Isso é incrível.
Astória se sentou na cama.
—Nem eu, mandei uma carta para o programa de brincadeira, só para ver o que aconteceria, tenho todos os N.O.M.s e N.I.E.M.s necessários. Mas quando recebi a resposta percebi que eu realmente queria aquilo. Então me lembrei de você e todos os nossos momentos de chá. – ela riu. – E me peguei pensando se você ficaria bem com isso, quer dizer, eu indo embora.
—Não. – Draco respondeu rapidamente. – Não vou ficar bem com isso. Mas é uma oportunidade única na vida, Tori. E nós podemos trocar cartas, posso ir te visitar, ou conversar por flú. Quando você vai?
—Hoje. O programa começa amanhã. Já estou com as malas prontas. Só queria me despedir de você antes de ir.
Hoje, Astória partiria hoje? Mas já? Draco pegou-lhe pela mão, a fez levantar da cama e a abraçou. Passado um tempo Narcisa veio chamar os dois para a cerimônia. Astória desceu na frente a pedido de Draco. Ele se sentou na cama, seguido por sua mãe.
—Ela vai embora. – Narcisa olhou para o filho com pena. – Eu gosto dela mãe.
—Eu sei querido. – Narcisa depositou um beijo na cabeça do filho. – Eu sei.
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