Coletânea de Falsas Poesias
2 Pecado nosso

É estranho estar aqui do outro lado,
e esperar ansiosa um teclar teu
É loucura imaginar-te
enquanto meus dedos descrevem outro
É insano ter-te tão perto,
sabendo que estás tão longe
E mesmo assim ouvir tua voz
enquanto são letras que meus olhos desvendam
Tento antecipar teus pensamentos,
imaginar teu coração
Suas palavras são para outra
Mas cá estou, ouvidos, olhos, corpo...
Tudo em mim esperando teu aviso,
uma luz brilhante no fim da estrada
Que me trás a vida mesmo sem querer
Algumas palavras que me acordam
e que me mostram o que meus olhos se negam ver
Palavras que me negam quem és
e me recordam que nada sou
Letras que descrevem tuas paixões
e simplesmente me desmancham a alma
Escrevo então seu amor
dizendo-te enfim de quem amo
Descrevo teus gestos em transfiguradas frases,
e peço pra que os deuses não o deixem perceber
Peço que as estrelas te guiem
ofusquem seus pensamentos tristes
E choro calada pelas suas dores
grito de ódio pelo amor que não o quer
Reclamo entre os versos
e sussurro entre gritos
Rezo para que tua dor desista
e que de teus olhos não deleitem mais tristezas
Que teu coração desfaça as teias
que teus lábios, não sorvam mais aquele gosto de mel,
Que tua mente esqueças dela
mesmo que saibas do amor que ela tem
Fecha teus olhos e não a vejas
deixo a inveja falar por mim,
Enquanto meus dedos te afagam
abro mão de meu dever
E me encolho em meu canto
Ah, quem dera amor fostes bom comigo
Unindo a solidão numa gota qualquer
Deixo minha alma sofrer contigo
e nesta escuridão juro acalmar-te
Que minha alma não sofra castigo
por simplesmente te entender.
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