Coletânea de Clichês

3 Mantenha em segredo (por ela)


Notas iniciais
A continuação do último capítulo, espero que gostem. XOXO, Head Wind

A única coisa que a Alice conseguia fazer era chorar.

Dizer que ela estava triste era fazer pouco caso da sua situação, ela chorava tanto que nem o travesseiro, a porta fechada e a música alta conseguiam disfarçar, e logo a dona Victoria estava batendo na porta.

— Querida? Está tudo bem? – Victoria estava preocupada com sua filha, a duas semanas que ela estava tristonha, raramente ria, ou sorria, mas agora ao ouvir sua filha chorar desse modo se desesperou, tinha medo do que poderia estar acontecendo, Alice não tinha dado abertura para uma conversa até agora, mas Victoria estava decidida, descobriria o que estava acontecendo, sua filha querendo ou não contar.

Alice não aguentava mais, doía tanto, e se ela guardasse só para ela, talvez acabasse explodindo, então abriu a porta e deixou sua mãe entrar, sua situação só não estava pior por que não estava usando maquiagem, mas ela nunca usava.

– Meu Deus Alice! O que aconteceu com você? Alguém te machucou? – Victoria se assustou com sua filha, seus olhos estavam vermelhos, seu pequeno e delicado nariz estava vermelho e inchado, ela estava mais pálida que o normal e soluçava violentamente.

– N-n-nã-o. – Foi tudo que ela conseguiu dizer antes de se jogar nos braços de sua mãe.

Dona Victoria fechou a porta do quarto e levou sua filha para a cama, e ficou acariciando os cabelos negros de Alice até que ela se acalmasse.

A jovem então se sentou na cama e colocou para fora o que lhe afligia.

— E-ele vai embora! Vai se mudar! Eu nem sei pra onde! Acho que ele vai pra Brasília mãe! Pra Minas! E eu estou indo pra São Paulo! Eu o perdi! Nem lutei por ele... – Alice voltou a chorar, estava desolada.

Enquanto Victoria pensava tentando entender o que estava acontecendo e em algo para confortar sua filha, a jovem voltou a pensar sobre ele.

Ela estava de volta aos seus 12 anos, 7º ano, estava extremamente animada com isso, tinha acabado de se mudar de Minas Gerais para o Rio de Janeiro, e estava louca para poder conhecer gente nova, nunca teve problemas com mudanças, ela costumava fazer amigos rapidamente.

Quando entrou na sala acabou sentando do lado de um garoto magricela, ele era de altura mediana, olhos mel e cabelos castanhos claro naturalmente arrepiados. Pele clara e uma pinta próxima ou olho direito, ele era lindo, e seu sorriso mais ainda, quando ela se sentou, ele olhou para ela, fazendo sua respiração ficar escassa, e sorriu, seu coração falhou uma batida, ela sabia disso.

Foi assim que ela tinha se apaixonado pelo Leo, e isso durou aproximadamente dois meses, depois disso virou amor.

Ela amava como ele bagunçava o cabelo quando entediado, ou como ele costumava piscar com um olho só para qualquer um que o olhasse diretamente por mais de 3 segundos.

Ela amava seu sorriso, e como ele nunca o tirava do rosto, mesmo durante as aulas de matemática que ele tanto odiava.

— Querida, de quem exatamente você está falando? – Alice olhou para sua mãe e de repente notou que nunca tinha contado sobre isso para ninguém, apesar de suas amigas terem o costume de fazer piadinhas e insinuações sobre os dois.

— Leo mãe, e-eu gosto dele desde que nos mudamos pra cá. – Então dona Victória sorriu de forma carinhosa para sua filha e acariciou os cabelos negros da mesma.

— Oh meu bebê, eu tinha suspeitado, mas por que tudo isso agora? Por que nunca conversou com ele?

— Eu não sei mãe! Eu tinha, eu tenho medo! – Alice diz enquanto tenta secar suas lágrimas. – O que eu faço mãe? Eu gosto muito dele! Não! Eu, eu o amo! Amo cada pedacinho dele, cada mania, cada gesto... – Sua voz já tinha voltado a ficar carregada com o choro que estava voltando, então ela abraçou sua mãe com mais força, Alice quase poderia ouvir o que sua mãe estava dizendo, mas acabou se perdendo em mais lembranças de momentos com ele.

Ela se lembrou então da primeira vez em que se abraçaram.

Eles eram próximos, não eram amigos, claro que não, Leo não iria querer ser amigo de uma garota sem graça como ela, ele nem a olharia, ainda mais agora que estava namorando uma menina de outra escola, uma linda menina loira com olhos claros e pele dourada, mil vezes mais bonita do que ela que era tão sem graça, tão comum. Já fazia algumas semanas que suas amigas começaram a fazer brincadeirinhas sobre o Leo, talvez elas tenham notado que Alice gostava dele, mas ela jamais assumiria. Ele se aproximou junto com alguns amigos, os meninos simplesmente disseram um “oi” e acenaram com a cabeça, mas ele se aproximou e abraçou a Mari, a melhor amiga da Alice, lhe deu um beijo no rosto e disse oi, isso se repetiu com todas as outras 6 garotas que estavam reunidas, seu coração começou a acelerar assim que ele estava a 3 garotas dela, todas as suas amigas conversavam com ele, eram amigas dele, mas ela? Ela não, ele provavelmente só acenaria com a cabeça, mas talvez todos estranhassem, ele iria abraça-la? Céus não! Justo hoje ela tinha que esquecer de passar o perfume? DROGA! E se ela estivesse fedida? Ele ia reparar nos cílios dela que tinha um fio que diferente dos outros era curvado para baixo? Meu Deus! Ele já está abraçando a Mel! Suas mãos tremiam tanto que ela poderia jurar que estavam fazendo barulho, sua respiração estava desregular e seu coração estava acelerado e quando ele parou na sua frente, exibindo aquele sorriso tão admirado por ela, Alice tinha certeza que estava derretendo, conteve um suspiro e sentiu seus lábios se curvarem em um sorriso também, ela quase engasgou com sua própria audácia, quando ele começou a abrir os braços foi ela quem pulou para abraça-lo, ele tinha um abraço gostoso e cheiro de canela com baunilha e algo só dele.

Alice riu, um riso baixinho, achando graça dos problemas que ela tinha inventado, riu também das semanas que se seguiram quando ela tinha surtado por ele não ter beijado seu rosto.

— Sabe, eu acho que você deveria ir até a casa dele, conversar, e se você se sentir segura, se declarar para ele, use a desculpa de que não foi se despedir dele ontem.. – Alice olhou sua mãe com uma cara interrogativa, não tinha notado que ela ainda estava falando.

— Foi a Mel que me ligou hoje de manhã perguntando o motivo de não ter ido se despedir dele, eu achei que era por causa da febre que você teve mas pelo visto...

— Não mãe, – Alice interrompeu a mais velha, abraçando seu travesseiro com cheiro de baunilha e canela. – O que você estava falando sobre ir à casa dele?

— Ah, eu estava dizendo para você ir até lá, se tiver coragem, até se declarar, se ele não corresponder você vai poder se focar completamente na sua faculdade, você vai estar morando em São Paulo daqui duas semanas, vai doer mas nada que um novo amor não cure, e uma outra cidade, com outras pessoas vai ser perfeito para te ajudar nisso... – Dona Victória ia dizer mais alguma coisa, mas quando Alice se levantou e pegou uma caixa no armário, desistiu.

— Você tem razão mãe! Se ele não corresponder eu estou indo embora de qualquer jeito, pelo menos não vou ficar sofrendo com o talvez.

Alice colocou a caixa na cama e se olhou no espelho, seus olhos não estavam mais vermelhos e seu rosto não estava mais inchado, ela secou o que tinha sobrado de lagrimas em seu rosto, desamassou seu vestido de alcinha vermelho, abraçou sua mãe lhe agradecendo, pegou a caixa e saiu correndo em direção a porta, gritou para o seu pai que voltaria logo e foi até a casa de Leo, andando devagar, tentando acalmar o furacão que se agitava dentro dela, pensando exatamente o que iria dizer e como mostraria suas diversas histórias onde ele era sempre o protagonista, de príncipe a ladrão, de herói a vilão, ele estava sempre presente até mesmo em seus momentos de paz onde ela relaxava, talvez ele gostasse das histórias certo? Eram muito boas! Era a esperança dela.

Alguns minutos depois ela já podia ver a grande casa azul onde as vezes ele se encontrava no portão, essa não era uma das vezes, ela tinha entrado na casa dele uma única vez, para fazer um trabalho em grupo, foi a primeira vez que ela viu o quão bom eram os desenhos dele, talvez, se ela escrevesse um livro que ficasse famoso, ele poderia desenhar a capa.

Alice tocou a campainha e quem atendeu foi uma garota mais ou menos da altura dela, de cabelos castanhos e os mesmos olhos mel que ela amava, Fernanda, a irmã mais nova do Leo sorriu ao vê-la e a abraçou, saber que a família dele gostava dela era quase tão bom quanto ter uma das suas histórias elogiadas.

— Oi, ahn.. O Leo está? Eu queria falar com ele...

— Ah.. Ele acabou de sair, mas disse que era super rápido e que voltava logo, para terminar de arrumar as malas. – Fernanda disse com um sorriso meigo e Alice pode sentir seu coração apertar quando se lembrou que ele iria embora.

— Por que você não espera? Eu tenho certeza que ele não vai demorar!

— Se não for incomodar eu aceito, quero mesmo falar com ele. – Alice sorriu sem graça e com um aceno de mão indicando que não era nada, Fernanda a arrastou para dentro de casa, por um minuto ela achou que seria levada até a sala, mas quando começaram a subir as escadas, Fernanda disse que a deixaria no quarto dele, e que tinha certeza que ele não se importaria. Assim que Alice entrou no quarto a garota mais nova disse alguma coisa e saiu.

Notas finais
Sim eu pausei a história em um momento bosta, me julguem! Gostaram? Odiaram? Tem mais sugestões? Deixe nos comentários ou mande uma MP. XOXO, Head Wind