Olhos fixos

Olhos fixos e calculistas

Segregados por um único desejo

Viver como uma mentira

Enganando até a si mesmo

Vergonha de saber quem sou

Meu mundo há de acabar

Meu pedestal desabou

Não há nada para chorar

Minhas mãos frias e calejadas

Seguram a verdade por um triz

Minha mente alvejada

Pela lâmina matriz

Olhos sangrando por dentro

E por fora lágrimas de dor

Meu corpo não tem mais tempo

De viver uma jura falsa de amor

Sorrir não tem mais sentido

Muito menos ao caminhar

E logo percebo que estou mentindo

Até quando estou a pensar

Cansei de mim, do mundo

Das pessoas que mentem

Cansei de mentiras, de tudo

Sem um mundo, nada ou sem alguém