Notas iniciais
Oi gente, mais um! Esse é bem curtinho. Escrevi inspirada no livro/filme A Insustentável Leveza do Ser. Recomendo os dois, sem exitar. Espero que gostem do texto!

Eu simplesmente não tinha do que reclamar. Minha vida estava caminhando, caminhando não, podia muito bem dizer que estava dançando, em um ritmo todo novo e calmo que eu não experimentava há muito tempo. Os dias pareciam deslizar, correr como água fluente. Nem rápidos nem lentos de mais, mas na medida exata para que meu coração se apaixonasse por cada pequeno momento, mas o esquecesse com a mesma rapidez suave, para que pudesse me apaixonar mais uma vez pelo instante seguinte. Cada minuto era tão leve e insignificantemente belo como uma pluma à brisa quente de verão. A vida me levava no colo, me ninando e me mimando com todas as belezas desse mundo dispostas diante dos meus olhos, para que eu me banhasse na beleza e singularidade das coisas.

Mas aconteceu aquela tarde de outono, em que senti os segundos pararem, o tempo se fixar, as folhas interromperem seu lento trajeto de queda até o chão e tudo ao meu redor se tornar imóvel e desfocado por um instante. Um instante que durou mais que qualquer um já havia durado. Quando meus olhos encontraram os seus no meio daquele minuto, senti que aquele momento ficaria comigo pra sempre, e continuaria guiando as batidas do meu coração até que esse resolvesse se silenciar. Mas então as folhas voltaram a cair, o vento continuou a soprar e as pessoas a respirar. Todos, menos eu.

Notas finais
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