Colecionadora de sonhos

2 Capítulo 1 — Em rumo à liberdade


Notas iniciais
Então vamos lá :))

Acordei cansada e dolorida, como sempre. Ainda sentia gosto de sangue por causa do soco que Edward tinha me dado na noite passada. Não aguentava mais, tinha que fugir nessa tarde. Não sabia em que ano estava, se algum parente tinha morrido ou se algum país tinha se divido em dois. Aquilo não era vida pra ninguém. Imaginei passo a passo da fuga na minha mente, quando Edward chegou.

— E aí princesa, quer almoço? — só de escutar aquela voz, meu estômago se revirou.

Se é que aquela gororoba que ele me servia poderia ser considerada almoço. Mas precisava ter forças pra correr, então só concordei com a cabeça. Ele se aproximou de mim, e me entregou a comida.

— Me chame pelo nome, se for possível. — disse.

— Tudo bem, Madison. — ele respondeu.

— Poderia me passar os talheres, por favor?

— Tudo por minha princesa.

Quando ele se aproximou de mim, chutei seu estômago e dei uma cotovelada em sua testa. Com a força do impacto, ele caiu desmaiado. Era a minha chance. Peguei a faca que ele tinha deixado cair e cortei as cordas que me prendiam. Demorei um pouco, mas me livrei. Levantei e saí correndo. Não demorei muito pra achar a saída, porém não sabia pra onde correr. Não me lembrava de nenhum endereço em Sydney. Corri pra direita e virei umas duas esquinas. Quando fui virar a terceira, escutei os gritos de Edward. Virei-me. Ele estava no final da rua. Minhas pernas doíam e meu pulmão parecia estar em brasas, mas não poderia parar agora. Corri o mais rápido que pude, e entrei em um restaurante lotado. Desesperada, derrubei o suco que um garçom trazia em um garoto de cabelo espetado e verde, que estava acompanhado com mais três amigos.

— Mil desculpas!

— Ei, você está bem?

— Eu preciso me esconder. Por favor, é caso de vida ou morte.

O garoto de cabelo verde me deu seu casaco e uns óculos escuros, e seu amigo me emprestou um boné. Fiz um coque e me sentei ao lado do garoto loiro.

— Ei, está tudo bem.

O garoto loiro estava olhando assustado pras minhas mãos. Notei que elas estavam tremendo sem cor, de tanta pressão que eu estava fazendo. Edward entrou no restaurante gritando meu nome.

— EU NÃO SAIO DAQUI SEM A MINHA NAMORADA.

Um calafrio passou por todo o meu corpo. Se ele me encontrasse, seria uma garota morta. Ele rodeou grande parte das mesas, mas não passou perto da minha. Depois de uns dez minutos, ele se retirou, batendo a porta com força. Esperei alguns segundos, e finalmente suspirei. Não percebi que estava prendendo a respiração.

— Hã, pode nos explicar algo sobre essa situação agora? — o garoto de cabelo verde perguntou.

— Bem, digamos que esse não é o momento e nem o lugar apropriado. — disse, praticamente sussurrando.

Eu sei, soou muito cara de pau. Mas tinha receio de que Edward estivesse me esperando do lado de fora. Não poderia pôr tudo a perder, não agora.

— E? — o garoto de cabelos escuros pronunciou pela primeira vez.

— Eu juro que não vou mais incomodar vocês, mas por favor, deixem eu ficar aqui só mais um pouquinho.

— Espera, seu rosto está todo machucado. Quem fez isso? — disse o loirinho.

Ignorei a pergunta. Era a primeira vez que me perguntavam sobre isso. Além disso, não era bom explicar tudo nesse lugar lotado.

— Não é momento e nem lugar, ok, entendi. — insistiu ele. — Porém você vai com a gente, mocinha.

— Como é? — dissemos eu e os outros meninos.

— Você nos deve explicações, e a gente não tinha nada pra fazer depois daqui mesmo. Ah, já ia me esquecendo. Meu nome é Luke. — ele abriu um sorriso.

Não tinha percebido até aquele momento que ele era lindo. Não só ele, mas todos os quatro meninos. Não. Não é hora de pensar em meninos. Não depois do que você acabou de passar.

— Só mais uma perguntinha. Em que ano estamos? — só percebi que a pergunta era ridícula depois de fazê-la.

— 2014. — respondeu o garoto de cabelos encaracolados cor de mel. Dois anos. Tinha passado dois anos presa naquele pesadelo. — Você estava em algum isolamento?

— Quase isso. — respondi, com um tom mais seco do que eu esperava. Não queria parecer grossa com aquelas pessoas que me ajudaram tanto. — Mais uma coisa: vocês não podem deixar o garoto que entrou aqui me ver de jeito algum.

Os meninos já tinham pagado a conta, então saímos normalmente. Como eu havia suposto, Edward estava lá na rua.