Colecionadora de sonhos

5 Capítulo 4 — High School


Notas iniciais
Tentei fazer uma mudança de ambientes e personagens pra sair um pouco do habitual. Vou manter os meninos ainda na história, mas darei um foco maior parar os interesses da Madison. Deem opiniões nos comentários, por favor!

Acordei com leves batidas na porta. Arrumei meu cabelo num pulo, e tendei parecer o melhor possível. Quando abri a porta, os olhos fundos de Calum estavam me encarando.

— Mad, hoje é o primeiro dia de aula em toda a Austrália. Pelo que nos contou, você não terminou o ensino médio. Então pensei que, se quiser claro, poderia te levar na escola que estudei. — disse ele.

Calum. Com certeza o mais responsável dos quatro. Ele sempre tenta me ajudar com as coisas mais simples.

— Quando saímos?

— Daqui à meia-hora.

Concordei e entrei no quarto. Tomei um banho, escovei os dentes e fiz tudo correndo. Se eu estou tendo uma nova chance de começar do zero, não vou desperdiçar. Quando já estava pronta, peguei uma maçã na cozinha e me encontrei com Calum na porta.

Chegamos em 10 minutos. Calum já tinha preparado a matrícula e eu entrei facilmente no meu primeiro dia. Me sentia totalmente exposta. Sem amigos, sem família e sem apoio. Fui em direção à sala que tinham me instruído na secretaria. Já havia alguns poucos alunos, mas tive sorte de achar uma carteira distante no fundo.

A sala foi se enchendo aos poucos, até que o professor chegou.

— Bom dia! — disse ele. — Bem, como em todo primeiro dia, não iremos fazer nenhuma atividade. E pra quem não percebeu ainda, temos muitos calouros neste ano!

A animação dele era nauseante. Ele não era aquele professor gordo e careca, mas não chegava a ser um galã que faz você viajar na matéria. Um meio-termo.

— Bem, pra quem não me conhece, meu nome é Jack e sou o diretor daqui. — e abriu um sorriso. — No primeiro período de segunda-feira vocês costumam ter cálculo, porém hoje faremos um exercício de interação entre os alunos.

Eu distraída como sempre, deixei minha caneta cair no chão. O garoto do meu lado pegou pra mim, devolvendo-a com um sorriso.

— Meu nome é Josh. — Ele não chegava a ser bonito, mas era simpático e bem estiloso. — E você é?

— Madison. — Respondi de forma grossa pra mostrar para o garoto que não estava afim de novas amizades, mas pelo visto não tinha funcionado.

— Legal o nome. É daqui mesmo? — insistiu ele.

— Não, vim do Brasil.

— Caraca, sério? Já fui pra lá uma vez. Como chama aquela cidade? Fortalesta?

Nesse momento não consegui segurar o mau-humor. Quando me vi já estava tentando tampar a boca com as mãos, para não rir alto como sempre fazia.

— Viu, pelo menos consegui fazer você rir. — e abriu um sorriso.

— Ei, vocês dois. — Jack nos interrompeu. — Se vocês já estão se interagindo tão bem, porque não vêm aqui pra frente ser a dupla cobaia?

— Não professor, estamos bem aqui — respondeu Josh, num tom irônico.

— Bem, continuando: vamos fazer um jogo de pega bandeira misturado com paintball. Pra quem não sabe, temos uma reserva florestal dentro das áreas do colégio. Iremos dividir vocês em dois times e emprestaremos armas com a mesma quantidade de munição pra cada um. Perguntas?

Como estava no fundo, consegui reparar que ninguém tinha dúvidas. E todos pareciam muito animados com o jogo. Todos, com exceção de mim. Mas pra continuar minha vida seria preciso esforço, e eu ia tentar achá-lo.

— Bem, então faremos o seguinte: da fileira dessa menina de blusa de panda pra frente é o time amarelo, e o do fundo será o time vermelho.

Pelo menos a cor do time não foi nenhuma bosta tipo rosa ou lilás.

— Venham com calma pegar as bandanas para a identificação no campo.

Pelo visto ninguém entendeu a parte do “com calma”, porque todos saíram correndo até o diretor e puxaram os panos coloridos. Torci para que faltassem bandanas, e eu pudesse ficar como reserva ou até de fora do jogo. Mas, não. Aos poucos os alunos foram saindo da sala acompanhados com alguns professores, e pude notar algumas faixas vermelhas na mesa de Jack.

— Bem, esse grupinho aí do fundo, pode vir pegar a identificação.

— Será que esse cara não consegue falar uma frase sem iniciá-la com “bem”? — sussurrou Josh. Abri um sorriso ao escutar uma crítica verdadeira.

— Eu não tenho todo tempo do mundo não, meus queridos. — retrucou Jack.

Levantei-me com Josh e descemos as escadas. Só então notei que tinham mais 3 pessoas no fundo. Uma garota alta e esguia, até bonita, com cabelos escuros e lisos que batiam nos ombros. Ela usava óculos e estava ouvindo musica de fones. Parecia estar tendo um primeiro dia de aula pior que o meu. Do outro lado da sala, desciam um casal de garotos. No começo achei que eram uma dupla de namorados, mas aí notei que eles eram muito parecidos. Irmãos. A menina tinha estatura mediana, com longos cachos loiros e um sorriso que iluminava o ambiente. Eca. Tinha aquele corpo que faz você olha para si mesma e não desejar mais sair de casa. Eca. O irmão tinha o mesmo tom de cabelo, porém era um pouco mais alto e tinha olhos verdes.

— Já que estão em um grupo pequeno, poderiam se apresentar aqui mesmo. — disse Jack.

— Meu nome é Josh. — Claro que ele seria o primeiro a se apresentar. Ele me deu um esbarrão com o ombro, como se me incentivasse.

— Eu sou a Madison.

— Me chamo Felipe e essa é minha irmã Lola. — disse o garoto loiro.

— Eu sou a Chloe. — era a menina de óculos.

— Ótimo, agora vão senão chegarão atrasados. — resmungou Jack.

No caminho, Josh e Felipe começaram a conversar sobre bandas e videogames. Como garotos conseguiam se enturmar tão rápido?

— Vocês não estão gostando muito daqui né? — a pergunta era da Lola.

— O problema não é a escola. — retruquei.

— Ah, mas então não tem motivo para ficarem excluídas assim. — disse ela. — Vocês curtem o que? Quero dizer, de matéria?

— Geografia, história e biologia. — respondi.

— Sério? Não curto muito. Sou mais cálculo, matemática e física.

“Ótimo, já provou que somos diferentes. Que tal agora parar de falar comigo? Barbie de caixa.” Pensei em dizer, mas só concordei e sorri.

Não que eu fosse dessas invejosas que é só passar alguém com um corpo bonito que já chega metendo defeito. Mas também não curto essa gente que quer ser legal com todo mundo. Não passa de, falsidade.

Chegamos do lado de fora, onde o jogo estúpido iria acontecer. Já tinha até esquecido da multidão que nos esperava do lado de fora. Gente, gente e mais gente. Já tinha até me esquecido como odiava colégios.

Infiltramos-nos no grupo vermelho e fingi que escutava as regras e objetivos. Iria ficar no ataque com o grupo de antes e mais algumas pessoas. Preferiria ficar na defesa, mas para mudar precisaria de uma discussão e de paciência. Concordei com tudo sem dar palpite. Entramos na floresta, e alguns ficaram na área da bandeira vermelha. Dirigimos-nos para o meio do nosso campo, esperando o rojão de largada. Assim que ele soou, muitos se dispersaram e acabou sobrando eu, Josh e Chloe. Nada de Ken e Barbie. Melhor assim.

— O que iremos fazer? — perguntou Chloe.

— Ué, você fala? — disse.

— Madison! — resmungou Josh.

— Foi só uma pergunta, calma. — respondi.

— Tudo bem. — disse Chloe. — É que eu não me sinto muito bem perto de muita gente. Mas duas é de boa. Vamos atacar?

— Se pisou na bosta, abre os dedos. — disse.

— Oi? Pisei quando? — Josh se confundiu.

— Seu idiota, é um ditado. Bora tentar pegar essa bandeira.

Eles concordaram e me seguiram. Percorremos uns 900m até que escutei passos. Fiz sinal para que se escondessem e me misturei nas árvores. Notei um grupo de adversários amarelos passando por nós. Eram em um total de 9. Pensei em sair do esconderijo e atirar o tanto que eu pudesse, mas o meu trabalho não era a defesa. Se me colocaram no ataque, então meu trabalho era o ataque. Me mexi silenciosamente, e mirei nas costas de uma jogadora. Pensei se deveria ou se estragaria meu disfarce. Soltei o gatilho. A bolinha explodiu exatamente entre o pescoço e o ombro da garota. Os outros olharam para trás, e meu coração gelou. Além de ter estragado minhas chances, estraguei as de Josh e Chloe também. Porém, os outros continuaram a caminhada.

— Vamos, eles já foram. — disse para os dois. Não houve movimento. — Josh e Chloe, vamos logo.

Então saíram os dois, e pude soltar o ar. Mas não demorou muito para que percebesse que eles estavam sendo imobilizados por dois outros alunos do time amarelo. Merda.

— Olha o que temos aqui. — disse o garoto que enforcava Josh, entre risos. — Um trio de nerds querendo pagar de heróis. O outro garoto riu diante da fala do amigo.

— Se vocês não sabem isso daqui é um jogo em que se elimina atirando nos adversários. Não precisa de papo. — retruquei.

— Uau, e ela é esquentadinha. — continuou o garoto. Ele apertou ainda mais o pescoço de Josh. Levantei a arma e apontei pra testa do idiota. — Como se você soubesse usar esse brinquedo. Queridinha, solta isso.

— Solta meu amigo primeiro. — minha paciência já tinha terminado pra aquilo.

— Então atira. Bem aqui. — ele fez um movimento de X na testa. — Mas se errar, eu e meu colega vamos espancar vocês três até sangrarem.

Meu coração se apertou. O garoto sorriu diante da recuada. Estava bem longe dele, agora eu tinha reparado. Bem mais longe do que a menina que eu acertei estava. Porém não tinha como voltar atrás. Mirei e atirei. O tiro tinha passado sobre o ombro do menino. Ele sorriu debochadamente.

— Trato é trato. — disse ele, ainda sorrindo. Ele era muito alto e ombros muito largos. Mesmo sobre o equipamento de proteção do jogo, eu pude reparar os músculos rígidos do garoto. Olhei pra Josh, tentando mandar um sinal de perdão. Ele o captou, e retribuiu com um sorriso. — Porém, antes de socar seus amigos, eu vou começar com você. — disse o adversário, interrompendo meus pensamentos.

Ele jogou um Josh praticamente inconsciente e a arma no chão, e veio correndo até mim.

Notas finais
Quero opiniões, expectativas, palpites e tudo mais! Obrigada por ler ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.