Carne fresca

Sangue quente

Ruas tomadas por caos

E garotas morrendo de fome

Medo de viver

Fumaça e ossos quebrando

Medo de morrer

Lágrimas e suor pingando

Julgamentos mal feitos

E um milhão de dedos apontando

Autodestruição

Crianças chorando

Pais perdendo a razão.

A tez pálida, enrugada.

A alma jovem, dilacerada.

Usada

Largada

Des-va-lo-ri-za-da.

Um e dois

Todos caindo por terra

Medo de ceder

Três e quatro

Os olhos parados

Medo de perder

Cinco e seis

E a badalada final.

O sino parou.

Os meninos tremeram,

Papai chegou.

500 anos atrás

A pele do homem o chicote cortou

Agora em um loop eterno

Escravidão moderna

Cada um em seu próprio inferno

Satã sorri

Embriagando-se com vinho

Corpo e sangue dos homens

Duas putas em seu colo

Um espetáculo a sua frente

Sou comida para os leões

Doente de corpo, alma e mente.

Afogando-me na culpa

Engolindo doses de arrependimento

Cada pedaço com uma cicatriz.

Nesse tal louco casamento,

Sou a igreja matriz,

Vigiando a noiva depressão

Unir-se ao vidro de pílulas.

Uma promessa de acabar com as vozes

Um juramento de normalidade.