Colecionadora de Universos
7 Invasão
Passei um tempo
Sem recaídas
Havia dias sem que o vento
Aparecesse em locais fechados.
Um, dois, três tapas em minha cara
Sete medos, setes dores.
E em minutos o fogo consumiu as flores.
A invasão
A corrosão
E em questão de segundos,
nada mais era tesão.
São essas minhas memórias?
Ou de outro alguém que esbarrou comigo?
Corro perigo,
Ou estou segura aqui contigo?
Não, não, não
Pare, por favor!
Não vê que já estou a tremer de dor?
Não
Não
Não.
Não quero explicar
Nem chorar
Ou andar, falar, gritar.
Só quero estar sozinha por um minuto
Para que a ferida se cicatrize
Ela nunca vai fechar
Aquele zumbido nunca vai me deixar?
Aquele fantasma vai sempre comigo estar?
Oh, vida
É necessário ser tão cruel?
Eu, a ti sempre fui fiel.
Mesmo nos momentos que desejei juntar-me a morte
No final não te deixei
É muito pedir que tenha dó de mim?
Que leves ao menos essas memórias
Essa sombra que pesa em meu ombro.
Diante do grande templo
Invadido, saqueado,
Encontro-me sozinha
E identifico-me com sua situação
Tento dizer ao medo:
“Já tem mais de dez anos
Vá embora!”
Mas as palavras não saem
Tento gritar:
“Veja, já sei atirar”
Mas o revólver se transforma em pó
E minha mão treme
E minha alma treme
E meu corpo todo treme enquanto desmorona
O templo desmorona
Seria eu o próprio templo?
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