Tic tac

E mais um gole

Tic tac

E mais um trago

Tic tac

O homem puxa o gatilho

E não há mais nenhum som.

O relógio parou para o dono do sangue no chão.

Cronos não perdoa

Cruel passa por todos

E corre por entre os dedos

Os tics e os tacs que não param

A morte que vem

A vida que sai

O corpo, cansado, se joga na cama

A alma, pesada, se afunda em lama

O garoto, levado, que corre pela grama.

As fases

As luas, as luzes

Algo que corre em tua frente

Enquanto você se move em câmera lenta

Não chore, não grite

É só a morte que gargalha ao teu lado

Relaxe, seu velho

Não é um demônio

É só um sossego pro teu sofrimento.

É fidelidade

Mal sentirá a mudança

Enquanto a alma sai lentamente

Seu corpo descansa

(Não era isso que querias? )

Tome um vislumbre das pílulas

Uma última olhada pra dor

E durma, guria

Durma e esqueça de teu horror.

Emergência! Emergência!

AVC? Parada cardíaca?

Não, pobre coitado!

Está morrendo de amor

Rápido, o desfibrilador!

"Sem resposta, senhor"

De novo, de novo!

"Negativo..."

Como será sua lapide?

Quem era a dona do coração que parou?