Colecionadora

1 Colecionadora de pessoas


Notas iniciais
Eu com mais um desabafo aqui, é como eu disse, se eu parar é pq eu eu tive coragem pra terminar com tudo, era isso, boa leitura

Ela era uma colecionadora. Colecionava histórias, desabafos, decepções e alguns momentos felizes. E a maioria nem eram ao menos seus.

Sempre fora uma boa ouvinte, cheia de empatia e compreensão, sabia entender os outros. Ela podia abraçar-lhes calorosamente enquanto choravam alguma perda em seus braços. E ela se sentia bem em ser o porto seguro de alguém, gostava de que as pessoas mais importantes pra si pudessem desabafar com ela. A garota gostava de ser o tipo de pessoa confiável, que sabiam que sempre podiam contar.

O problema de colecionar as histórias dos outros vinha do fato que ela não tinha ninguém com quem pudesse fazer o mesmo. Não por falta de oferta, ela não sentia que podia confiar nas pessoas. Por mais que amasse-os, por mais que sentisse afeto, ela tinha medo. Lhe aterrorizava que a conhecesse verdadeiramente. A verdade é que ela pensava que ninguém seria capaz de entender. Porque a verdade sobre si mesma era obscura.

A garota, amiga fiel, sorridente e companheira, no fim das contas odiava a si mesma, como ninguém jamais a odiou. Ela tinha um medo de contar seus segredos e medos mais profundos, o que pensariam sobre si se ela dissesse que tudo que queria era apenas estar morta? Ela não se sentia bem nesse plano, não sentia que tinha lugar em um mundo como esse. Estava cansada, física e mentalmente. Porém, como diria isso para pessoas que eram dependentes de si? Como diria que não suportava mais acordar todo dia e fazer e mesma coisa sempre? Ela nem sequer queria mias respirar.

Não queria de jeito algum ouvir mais alguém dizer o quanto ela era importante, o quanto tinha pessoas que a amavam, isso só piorava tudo, só a deixava cada vez mais decadente.

A garota tentava não conversar com ninguém além do seu circulo já formado, mas as vezes era inevitável, e lá estava ela fazendo amizades sólidas, pessoas que poderiam contar com ela. Como ela terminaria com a própria vida se tinha tantas pessoas que sofreriam por si? Como ela podia criar coragem de tomar aqueles remédios que estavam guardados em seus quarto, ou se jogar na frente de um carro ou de algum prédio... se sua vida interferia na de tantos outros, de pessoas que ela verdadeiramente amava.

Diziam que não fazia sentido, amar tantos, ser amada e não ser feliz.

Realmente, não faz sentido algum, mas o que fazer se era a sua realidade?

Será que se soubessem de seu desejo mais profundo, de estar abaixo do chão, seus amados a deixariam partir? Prometeriam não sentir sua falta, a apagariam de suas mentes e principalmente, não chorariam por ela? Pois, pode parecer extremamente egoísta, não? Manter alguém presa a algo que não lhe dá mais prazer, que não lhe dá mais vontade.

E a colecionadora não tinha mais nenhuma vontade de viver.

Notas finais
Hey, de novo aquele momento estranho que eu não sei se peço comentários, mas caso tenham lido peço que me digam o que acharam, sem concelhos e julgamentos, eu não escrevo pq quero chamar atenção, são meus reais sentimentos e eu posto aqui pq ninguém que me conhece le aqui, é como um diário e enfim, eu vou calar a boca
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