Cold War

Tudo me toca

o vento, a chuva, o delírio

a incerteza me acolhe

a rosa, alguém colhe

o coração encolhe.

O céu, a noite, a madrugada

uma revoada... adeus.

Tiros, gritos, o rosto incerto

meu filho, meu neto, bisneto

Um dia muito quieto.

As bombas de Afeganistão

o trânsito paulistano

os órfãos de Angola.

O negro, o branco, a faca que amola

o mundo e a esmola.

Grita novamente a incerteza em meu peito...

Desligue-se a sensibilidade.

A noite é fria, as tardes, calmas.

Prepare o jantar: quero leito,

regatos, cristais, luzes ao vento

Dentro que não sinto, tento.

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