Cold - Lar de sentimentos
2 O retorno a música
Notas iniciais
O resto da aula passou até que rápido. Acabamos combinando de nos encontrar na casa deles durante a tarde.
Descobri que a casa dos gêmeos ficava próxima a minha, a apenas um quarteirão de distância. Ao chegar ao prédio, mandei uma mensagem para Isabela, que me respondeu dizendo que já estava descendo para abrir a porta da construção.
Ao chegar a casa deles, a primeira coisa que me chamou a atenção foi um teclado encostado em uma parede da sala.
— Teclado legal.
— Sabe tocar? – me perguntou a garota.
— Um pouco, meus pais me forçaram a aprender quando era menor.
— Então toca pra mim ouvir.
— Certo – me sento na cadeira em frente ao instrumento e começo a tocar a música “Sweater Weather”, da banda The Neighborhood, uma das poucas que sabia. Logo após começar a tocar, ouço Isabela cantando a música:
“ All I am is a man
I want the world in my hands
I hate the beach but I stay
In California with my toes in sand”
Encantado com a voz dela, continuo a tocar, prestando mais atenção na música que ela cantava, do que no instrumento.
Ao finalizar a música, pude sentí-la me puxando, e com nossos rostos quase colados, ela grita:
— Você têm que entrar na banda da escola! Você toca muito bem! Pena que já temos um tecladista.
— Eu também sei tocar contrabaixo.
— Então é isso! Nós precisamos de um baixista na banda e você é perfeito para isso!
— Acho que não, nunca toquei em conjunto antes, e nem sou tão bom assim.
— Vêm do mesmo jeito. Os ensaios são toda quarta, as três. Só leva o teu baixo.
— Hihihi, se não é o casalzinho apaixonado! – diz Augusto, ao ver que nossos rostos estavam quase se tocando.
Ao ouvirmos a fala do irmão de Isabela, ambos coramos e nos separamos rapidamente.
— Vamos. A gente têm que fazer o trabalho.
O resto da tarde passou rapidamente. Fizemos o trabalho até que rápido, e ficamos a maior parte do tempo apenas conversando ou enrolando. Bem, eu pelo menos já tinha algo para fazer, que era tocar na banda da escola.
Ao chegar em casa, a primeira coisa que faço é procurar meu baixo. Após procurar por um bom tempo, o encontro escondido entre algumas caixas por causa da mudança. Rapidamente, ligo-o no amplificador e começo a afiná-lo.
— Bem, vamos ver se ainda me lembro como se toca – passei algumas vezes as posições dos dedos, e resolvi começar a tocar. Optei por algo simples, a música “Seven Nation Army”, da banda The White Stripes.
“sete, sete, dez, sete, cinco, três, dois”, repassei mentalmente as casas que deveriam ser tocadas, posicionei minha mão esquerda na haste do instrumento, e comecei a tocar.
Mesmo longe do instrumento por alguns meses, me senti extremamente confortável, de um certo modo relaxado, como se esquecesse do mundo ao meu redor, da minha timidez, dos meus problemas com ansiedade e me envolvesse com a melodia, mesmo ela sendo um rock.
Sem nem mesmo perceber, estou cantarolando a música no quarto, um ambiente pequeno com minha cama, uma escrivaninha, uma televisão e paredes brancas com uma janela na parede oposta a porta, além de uma série de pôsters colados com fita adesiva na porta do guarda roupa. Estes pôsters eram de várias bandas de rock, como Rolling Stones, Beatles e Queen, além de bandas mais voltadas para o metal, como Metallica, System of a Down, ACDC e Black Sabbath.
Eu estava sentado na cama, tocando sem prestar atenção ao meu redor, quando minha mãe abre a porta do quarto.
— Filho, o jantar está pronto! Voltou a tocar baixo?
— Já chegou em casa, mãe?
— Não, isso é um clone meu. Agora vem comer.
— Eu hein, nem te ouvi chegando em casa.
— Anda logo antes que a comida esfrie.
Fale com o autor