Cold Hell (RKKT - Season 3)
9 Let it snow
SÁBADO
CHANEL
Chanel estava parada de frente à sua janela, observando a neve cair.
Uma camada branca cobria todo o acampamento, dificultando a movimentação de todos os hóspedes.
Era dia 26 de dezembro. O velório dos mortos no incêndio seria naquele dia.
Bem, seria um velório simbólico na beira da floresta. Já que metade dos corpos não tinha se reduzido a cinzas.
Chanel notou um movimento em sua janela. Uma capa preta. Estreitou os olhos e acompanhou enquanto o vulto seguia para sua porta.
Ela a abriu com rapidez.
Parado em sua porta, estava Finn.
Chanel nunca tinha conversado de fato com o garoto. Ele era o melhor amigo de Max, seu namorado. Então, ela meio que já estava familiarizada com o garoto.
– Finn? – ela perguntou.
– Posso entrar?
– Claro.
Ele entrou no chalé, tirando a capa preta coberta de neve.
– Eu tenho uma coisa muito importante para falar. – anunciou Finn.
– O quê foi? – disse Chanel, fechando a porta. – Aconteceu alguma coisa com o Max?
Finn respirou fundo e olhou para a garota.
– Não exatamente.
Chanel olhava-o com atenção.
– E então?
– Quero que você se afaste do Max. Termine esse namoro e saia desse acampamento.
A garota ficou um segundo em silêncio. Logo depois, começou a gargalhar.
– Você só pode estar de brincadeira! Você quer mesmo que eu aceite ordens de um garoto que quer me ver afastada do meu namorado, só para dar em cima dele? Dar outras coisas para ele também, imagino.
Finn olhou para ela horrorizado.
– O quê? Não! De onde você tirou isso?
Chanel riu amargamente.
– É só notar a maneira que você olha para ele. Não adianta esconder. Se não fosse isso, por que você viria até aqui para me expulsar do acampamento?
– Porque Max está deprimido por sua causa!
– O quê eu fiz?
Chanel estava começando a ficar preocupada.
– Ele me contou que foi você quem colocou fogo naquela bruxa! Você foi a causa do incêndio! Você foi o motivo da morte de dez pessoas! Você não entende isso?
Aquelas palavras acertaram Chanel como um tapa no rosto.
Ela olhou para a porta.
– Por favor, saia.
Finn a olhou.
– Chanel, você é patética. Fique sabendo que eu vou te denunciar para o Mr. Joseph.
– SAIA!
E então, Finn saiu, batendo a porta.
Chanel sentou-se na poltrona da sala.
Aquilo tudo tinha sido culpa dela.
Ela era uma assassina.
***
ALEC
As velas pouco duravam naquele frio.
Todos os hóspedes estavam vestidos de preto, segurando velas brancas, que pouco permaneciam acesas.
Lápides de madeiras foram esculpidas com os nomes dos mortos.
Palavras bonitas foram ditas.
Lágrimas foram derramadas.
Quando o velório simbólico acabou, todos estavam arrasados.
***
Finn tinha ido até o escritório de seu pai essa manhã, acusando Chanel de ter colocado fogo no refeitório. Mr. Joseph não acreditou de início, mas Finn contou uma história que preenchia os buracos das investigações. O garoto também a acusou de ser o temido assassino do acampamento.
Nisso Alec não acreditava.
As investigações para esse caso ainda estavam abertas. Mr. Joseph tinha sugerido que fossem feitos interrogatórios para os “sobreviventes”.
Alec estava se dirigindo à diretoria com seu pai, conversando sobre essa ideia. Os dois sentaram nas poltronas de couro e organizaram os pensamentos sobre os hóspedes.
Os interrogatórios começariam na manhã seguinte.
***
ELLIE
– Como eu posso continuar aqui com esse serial killer matando pessoas por aqui, papai? – gritava Ellie ao telefone com seu pai.
– Fique tranquila. As autoridades já devem estar chegando. Não tem nada com que se preocupar. Amanhã de manhã eu mando um motorista te buscar.
Ellie revirou os olhos.
– Tanto faz. E a viagem para a Grécia? Você não desistiu dela né?
– Não, claro que não. Mas...
– Mas o quê?
– Eu e sua mãe estávamos pensando em deixá-la em casa. Você chega do acampamento amanhã. Nós saímos para a viagem no dia seguinte.
– E daí?
– Você precisa descansar, querida.
– Papai, eu posso descansar em um voo para a Grécia!
– Querida...
– Não me chame de querida! Você sabe que teremos mais oportunidades...
Ellie desligou o telefone. Olhou para a parede de seu chalé e gritou.
Seu grito parecia com o de Regina George, quando a mesma descobre que as barras nutritivas a estavam fazendo engordar.
Ellie foi até a cozinha do chalé, que ela achava desnecessário já que o acampamento tinha um refeitório (que tinha pegado fogo), e pegou um vaso de flores que estava em cima da mesa de madeira. Jogou-o na parede e o observou quebrar em centenas de pedaços.
Continuou gritando.
Gritou até Alec aparecer em sua porta, assustado.
– O quê está acontecendo? Já está quase na hora do toque de recolher e eu pensei que o assassino...
Ellie correu até ele e o beijou.
– Fica aqui essa noite? – perguntou a garota. – Estou me sentindo sozinha... Já que minha colega de quarto morreu.
– Claro. – ele respondeu, fechando a porta do chalé.
Os dois sentaram na cama e se entreolharam. Ellie assentiu para Alec. Em pouco tempo, já estavam sem roupas.
Eles tinham encontrado o País das Maravilhas.
***
ANNE
Anne não se sentia nem um pouco mal por ter matado seu irmão. Ele era só um ser humano descartável em sua vida. Ele fazia parte de seu plano de vingança, mas Anne decidiu cortá-lo. Fácil.
Como ela havia dito: descartável.
Andava pelo acampamento, agasalhada dos pés à cabeça, afundando na neve espessa que tinha se acumulado no chão do acampamento.
Foi até as ruínas do antigo refeitório, onde seria construído um novo em breve. Ela mal podia esperar por ter mais um refeitório.
Não aguentava mais cozinhar. Tinha que fazer suas refeições com alguns mantimentos que tinha em seu chalé e os ingredientes que ficavam no segundo armazém de comida no escritório de Mr. Joseph.
Ela revirou os olhos.
Em breve, quando a neve descongelasse, eles iriam reconstruir o refeitório e tudo voltaria ao normal...
... Se eles não fossem mortos antes.
Anne tinha certeza absoluta de que não iria morrer, pois ela era o cérebro da operação. Seu companheiro de vingança não seria estúpido o bastante para matá-la.
Ela sorriu, pensando na burrice de todos à sua volta.
O assassino estava tão óbvio que chegava a ser ridículo pensar que nenhum deles havia descoberto ainda.
Mas, logo aquele plano terminaria.
E sua vingança estaria concluída.
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