Notas iniciais
ÚLTIMO CAPÍTULO! Espero que gostem!

MAX

Ele estava sentado em sua cama, analisando a parede de madeira à sua esquerda.

Sua vida tinha saído de controle desde o incêndio no refeitório, no natal do ano passado. Ele tinha matado dez pessoas naquele incêndio. E se arrependia completamente de tudo aquilo.

Depois, ele terminou seu relacionamento com Chanel. Suas razões eram óbvias: culpa e arrependimento.

Como se isso não bastasse, Finn, seu melhor amigo, estava apaixonado por ele.

Max não podia pensar em algo mais nojento do que entrar em um relacionamento sério com seu melhor amigo homem.

O garoto tinha se afastado do amigo, imaginando que assim essa situação passaria.

Mas não foi o que aconteceu.

Levantou-se da cama, com esforço.

Estava mais magro, não se alimentara direito nos últimos meses. Não saia do chalé. Não falava com mais ninguém. Não via a luz do sol.

Max estava morrendo por dentro.

Foi até a pequena sala de seu chalé e decidiu, finalmente, abrir as cortinas para ver o acampamento novamente. Já passava das dez da noite, não tinha ninguém lá fora.

Era quase dezembro, então o tempo já estava esfriando, mas isso não o impedia de olhar melancolicamente para fora, lembrando se sua vida perfeita antes dele entrar para o acampamento...

... Antes de seu melhor amigo estar apaixonado por ele.

Max sentia raiva do amigo.

Como ele podia fazer algo assim com ele?
Depois de cinco minutos observando o caminho de terra que cruzava todo o acampamento, fechou as cortinas e saiu da janela, indo até o banheiro, tomar um banho para tentar esquecer os problemas, nem que fosse por alguns segundos.

Deixou a porta do banheiro aberta, porque não tinha mais ninguém no chalé além dele...

E ninguém ia visitá-lo fazia meses.

Tirou suas roupas e ligou a água gelada. Entrou nela alguns segundos depois, já se sentindo relaxado.

Alguns minutos se passaram, quando ele ouviu a porta de seu chalé ser arrombada.

Desligou o chuveiro e imediatamente pegou uma toalha e enrolou em sua cintura.

Correu até a sala, ignorando a água que caia de seu corpo, molhando todo o corredor.

Quando chegou à sala, se deparou com o Red Devil colocando a porta no lugar certo.

Aquilo não estava certo.

O Red Devil era Hester.

E Hester estava morta.

Max recuou alguns passos, encontrando-se com a parede da sala.

O assassino pareceu, finalmente, notá-lo no chalé. Inclinou a cabeça para o lado, como se estivesse sorrindo.

Sacou uma faca do cinto de armas e foi até ele.

Max não perdeu tempo e pegou um abajur e jogou ma cabeça do assassino.

Aquilo não era um grande golpe, mas serviria para retardá-lo por um tempo.

O Demônio Vermelho caiu no chão, por onde permaneceu por 4 segundos até se levantar e agarrar a perna direita da vítima.

Max gritou e, aproveitando que ainda estava molhado, conseguiu se soltar rapidamente das mãos do assassino.

Foi até a porta arrombada e a jogou para o lado, com muito esforço, porque ainda estava fraco.

Correu para a casa de Mr. Joseph, para procurar abrigo “seguro”.

Bateu à porta e ninguém o atendeu. Desistiu antes de bater uma segunda vez. Talvez Mr. Joseph fosse o assassino.

Correu até a floresta, onde poderia, pelo menos, se camuflar entre as árvores. Olhou para trás e não viu ninguém o seguindo.

Não perdeu tempo.

Max sabia quem era o assassino.

E acabaria logo com isso.

***

FINN

Finn estava indo embora.

Ele ficaria em um hotel próximo ao acampamento, chamado Pacific Paradise Ocean. Finn já tinha até reservado um quarto.

Juntou todo o seu dinheiro dos últimos três anos e decidiu que era hora de sair dali.

Sua mala estava aberta na cama, e ele jogava todas as suas roupas ali dentro, com a maior pressa que ele poderia ter.

Estava tudo embolado, mas ele pouco se importava. Finn só queria sair dali.

As gavetas do armário estavam quase vazias.

Terminou de guardar todas as roupas e passou a guardar os objetos pessoais que estavam espalhados por todo o chalé. Pegou um relógio em sua cabeceira e o jogou na mala.

Foi até a sala para pegar um sapato que tinha deixado ali, quando se deparou com Max, em pé, olhando por sua janela.

Finn não sabia como ele tinha entrado em seu chalé.

Ele estava só de toalha e parecia que tinha corrido uma maratona.

Grama e terra estavam grudados por todo o seu corpo, manchando a pele.

Finn pegou a manta do sofá e levou até ele.

— O-o quê você está fazendo aqui? – perguntou, nervoso.

Max não respondeu, apenas se virou para ele e pegou a manta...

... E a jogou longe.

Passou as mãos pela sua cintura e desfez o nó da toalha, deixando-a cair no chão, ficando nu.

— MAX! – gritou Finn, tampando os olhos (contra a sua vontade).

De novo, ele ignorou o amigo e partiu para cima dele, agarrando-o pela cintura e o jogando-o contra a parede, como se fosse beijá-lo.

Aproximou os lábios dos dois, mas parou em seguida, deixando apenas dois centímetros de distância.

Max falou baixinho, seu hálito quente batendo no rosto de Finn:
— Eu sei que foi você.

Finn, que estava em êxtase, ficou tenso.

— Eu fiz o quê?

— Você é uma pessoa horrível, Finn.

E então, Max tirou as mãos da cintura do amigo e direcionou-as para seu pescoço, apertando com toda a força que tinha.

— Max, o quê você está fazendo? – o grito saiu mais como um latido esganiçado.

Os olhos de Finn se arregalaram e o rosto ficou vermelho.

Max foi levantando o amigo do chão, ainda apertando o pescoço dele.

Finn se debatia e chutava Max, na tentativa de sair dali.

Max apertava o pescoço dele cada vez mais forte.

Ele olhou para Finn uma última vez, antes de quebrar seu pescoço, não dando nenhuma chance dele sair com vida.

Jogou o amigo morto no chão, gostando do barulho que a cabeça dele fez ao se chocar com o chão.

Arrastou o corpo até o corredor e o deixou pro ali.

Max tinha, finalmente, exterminado o Red Devil...

... Pelo menos, ele pensava que fosse Finn.

Olhou uma última vez para o corpo inerte do antigo amigo e cuspiu na cara dele.

Andou até a sala e pegou a toalha e a manta do chão.

Não quisera trocar de roupa, pois queria provocar o amigo, ficando nu na frente dele.

Ainda que não sentisse culpa pelo que fez, até que gostou de se esfregar em Finn.

Enrolou a toalha na cintura e colocou a manta na cabeça.

Voltou ao chalé correndo, para que não fosse visto.

***

ELLIE

Ela tinha parado o carro para Chanel fazer xixi em um posto de gasolina a um quilômetro do acampamento.

Chanel disse que explodiria se esperasse mais um segundo.

Então foi correndo até o banheiro e se trancou lá.

E já tinham se passado sete minutos.

Talvez Chanel não estivesse fazendo xixi.

Pegou seu celular e viu a hora.

Eram quase quatro da manhã.

A Kappa Kappa Tau ficava a oito horas de distância do acampamento.

Elas teriam chegado mais cedo, se Chanel não a tivesse obrigado a parar em um shopping para comprar algumas roupas da nova coleção de inverno.

Óbvio que Ellie também tinha comprado algumas coisas.

Estava com a cabeça apoiada no vidro do carro, quando Chanel apareceu, correndo.

Ela abriu a porta e sentou-se no banco do passageiro.

— Eu estava pensando em uma teoria para quem é o assassino.

— Chanel, nós já sabemos quem é. É ele, se lembra? Violet confirmou que ele esteve na Kappa para ser o mascote.

— Mas e se...

— Chanel, não precisa se preocupar com isso, tudo será revelado na hora certa.

Elas não falaram mais nada até estarem no acampamento. Cada uma seguiu para seu chalé.

Chanel ainda remoia as palavras de Ellie. Tudo será revelado na hora certa.

Ela não queria admitir, mas as palavras da amiga soaram suspeitas para ela.

***

ANNE

— Mas que merda você acabou de dizer? – gritou Mr. Joseph, ainda apontando a arma para ela.

— Não grite comigo, papai. Sou sua única filha.

Mr. Joseph olhou com ódio para ela.

— Eu só tenho um filho, e ele se chama Alec.

Anne soltou uma risada amarga.

— Você não se lembra, papai? Chicago, 1998?

— Não sei do que você está falando. Nunca estive em Chicago. Muito menos em 1998.

— Assim você vai ferir os sentimentos da mamãe. — Anne fez um bico, imitando uma criança triste. – Você não ia querer isso, não é?

— Nunca ouvi tanta besteira sair de uma boca quanto estou ouvindo agora.

Anne sorriu, mexendo os ovos na tigela.

— É melhor você lembrar, porque seu tempo está se esgotando.

— Sou eu quem controla as coisas por aqui.

E então Mr. Joseph se lembrou do que a garota estava falando.

***

CHANEL

Aquilo tudo foi muito estranho.

Ela foi até o chalé de Finn, perguntar se ele tinha algum absorvente para dar-lhe, quando se deparou com o corpo dele estrangulado no corredor.

Mas é claro que ele estava morto. Quem deixava a porta da frente destrancada quando se tinha um serial killer à solta?

Eram quatro da manhã e ela pensava em quem tinha matado Finn, enquanto voltava ao chalé.

Eles não se davam muito bem, obviamente.

Chanel tinha contado para Max que o garoto estava apaixonado por ele. Isso era motivo para ele odiá-la? Talvez.

Insatisfeita, Chanel fez um post no facebook, informando aos parentes do menino que ele fora encontrado morto.

E, claro, que ela colocou um p.s, avisando a todos que Finn era gay.

Eles precisavam saber.

Ainda com os pensamentos a mil, Chanel foi dar uma espairecida. Saiu do chalé e andou até a fogueira, bem devagar.

Tudo parecia normal, até que ela viu Ellie conversando com o Red Devil.

Não conversando de verdade.

Ellie gritava e socava o Red Devil no peito.

A garota estava chorando, como se tivesse descoberto uma coisa terrível.

Pela atitude de Ellie, Chanel tinha 100% de certeza de quem era o assassino.

Chanel correu até a amiga, no momento em que o Red Devil estava puxando uma faca de seu cinto.

Ellie foi puxada por Chanel e as duas caíram na terra, sujando-se.

O assassino pareceu surpreso ao notar que Chanel estava ali.

Partiu para cima das duas, empunhando seu facão.

Chanel se levantou, agarrou os braços de Ellie e começou a arrastá-la pela terra, numa tentativa desesperada de se salvarem.

Quando chegaram à frente da casa de Mr. Joseph, Chanel parou.

Olhou para o vulto vermelho que estava se aproximando e largou os braços da amiga, partindo para cima do assassínio, chutando-o nas partes íntimas.

Aquilo não pareceu incomodá-lo.

Chanel achou que estava ganhando, até que ele pegou-a pelo braço e a jogou contra a parede da casa.

O braço de Chanel se dobrou em uma posição que não era muito normal. Qualquer um poderia ter ouvido os ossos se partindo.

Ela gritou de dor.

Red Devil pegou-a pelo pescoço e bateu com sua cabeça na parede.

Chanel desmaiou.

***

Ellie estava em pé, correndo para a floresta.

Ela ouvia os passos atrás dela, se aproximando cada vez mais rápido.

A garota se escondeu atrás de uma árvore. O assassino passou por ela, correndo a uma velocidade incrível.

Segundos pareceram horas.

Minutos pareceram séculos.

Quando Ellie teve certeza de que tinham se passado cinco minutos, ela deu meia volta. Saiu da floresta...

... E sentiu a faca se alojar em suas costas.

O sangue escorreu por seu vestido branco, já manchado de terra e folhas.

Red Devil saiu da floresta, correndo.

Ellie tentou correr, mas tropeçou em uma raiz de uma árvore.

Ela caiu no chão, virada de costas para o assassino. Estava se arrastando pelo chão, agarrando-se a pedras e galhos para tentar se defender.

Tentou se levantar, mas não conseguiu.

Sua última visão foi a luva de Red Devil em sua frente.

E depois, sentiu sua garganta ser cortada.

O corpo sem vida de Ellie foi deixado no chão.

O sangue manchou toda a terra em volta da garota.

***

JOSEPH

Era verão.

1998.

Chicago.

O sol queimava sua pele, fazendo-os ficarem bronzeados.

Ele estava andando de mãos dadas com Alec, que tinha quatro anos, enquanto olhava para uma mulher loira, grávida.

Eram gêmeos.

Seus filhos.

Suas outras metades.

A rua se estendia, sem nenhum carro.

Sorte a deles.

***

Dois meses depois, eles nasceram.

Um menino e uma menina.

Annalise e Jacob.

Anne e Jake, como foram apelidados.

***

Elize.

Era esse o nome dela.

Ela era apenas mais uma amante na vida de Joseph LaMont.

Mr. Joseph, como era conhecido, tivera vários casos com diversas mulheres por todo o mundo.

Mas nunca tivera filhos com elas.

Com exceção de Alec.

Alec era seu único filho.

Seu preferido.

A mãe do garoto morreu no parto, sem ao menos olhar para o rosto do filho.

Elize tinha sido mais um de seus casos.

Mr. Joseph não pretendia ter mais filhos, quem diria dois!

Ficou com a amante até que os bebês fizessem dois anos.

Em uma madrugada, Mr. Joseph pegou Alec no colo, guardou tudo o que tinha em sua mala e partiu.

Nunca mais viu Elize ou os gêmeos...

***

... Pelo menos até o momento.

Anne era sua filha.

Isso significava que Jake também era.

Mas, Jake estava morto.

Como ele poderia ter sido tão idiota e não percebido isso antes?

Ele olhava para Anne com tristeza carregada nos olhos. Notou que seu nariz era igual ao seu.

Mr. Joseph não se arrependia de ter deixado os dois bebês.

— Anne, eu...

— Sem desculpas. Não quero nada de você.

Mr. Joseph ficou encarando-a.

Anne foi até o armário, abriu uma gaveta e pegou um facão.

— O quê você está fazendo?

Ela sorriu, apontando a faca para ele.

— Não vou te machucar. Pelo menos não até ele chegar. – ela não disse quem era ele.— Nós queremos que isso acabe logo. Mas, pode deixar papai— ela praticamente cuspiu essa última palavra – não vai ser nada rápido... E vai doer muito.

Como se eles estivessem ensaiado a cena, a janela da cozinha (que ia do chão até o teto, tendo uma vista incrível para a fogueira no centro do acampamento) se quebrou e o Red Devil passou por ela, empunhando uma faca.

Anne sorriu.

— Agora que estamos todos reunidos, por que você não tira a máscara, querido?

***

ALEC

O plano finalmente estava chegando ao fim.

A máscara já estava apertando seu rosto, deixando-o vermelho.

A faca em sua mão estava suja do sangue de Ellie, que ele tinha acabado de matar.

Alec sorriu por baixo da máscara.

Com cuidado, levou a mão livre para trás de sua cabeça e começou a retirar a máscara, bem lentamente.

Quando ela já estava completamente fora de seu rosto, ele jogou-a no chão.

Mr. Joseph (ou melhor, seu pai) olhava-o fixamente, como se não acreditasse no que via.

— A-A-A-Alec? – ele gaguejou.

— Surpreso? – Alec sorriu. – Achei que já soubesse.

— M-m-mas e os depoimentos? Eles levavam direto para Max!

— Nossa, pai... Você é tão burro que não consegue perceber que tudo foi manipulado debaixo do seu nariz?

Mr. Joseph ficou calado, como se analisasse os depoimentos em sua cabeça, um por um.

— Chega de enrolar. Vamos direto ao final do plano? – cantarolou Anne, puxando a faca das mãos de Alec.

Mr. Joseph encarava os dois, fixamente.

— Por quê?

— Ah, pai... Não me faça sentir pena de você. – disse Alec, sorrindo falsamente.

Anne deu uma risada.

— Tudo foi planejado há anos.

— Quando nós nos encontramos em Londres.

— Jake e eu estávamos de férias e, coincidentemente, encontramos Alec hospedado no mesmo hotel em que nós estávamos. Ficamos amigos e só depois percebemos que tínhamos o mesmo pai! – Anne disse a última frase como se fosse uma piada.

— Jake estava nesse plano também? –perguntou Mr. Joseph.

Alec olhou para a janela, impaciente.

— Foi ele quem deu a ideia, mas, infelizmente, não pode estar conosco nesse grande dia.

— Eu o matei. – disse Anne, tranquilamente.

— Espere... O quê? – Mr. Joseph engasgou.

— Ele fugiu do plano quando matou aquela tal de Demetria, com a serra elétrica. Não fazia parte do plano. Jake só a matou porque ela negava sexo a ele.

Alec parecia tenso. Foi até o fogão e, discretamente, acendeu uma de suas bocas.

— No dia do incêndio do refeitório... Tive que garantir que ele não faria nenhuma besteira de novo, então enfiei um pedaço de madeira em chamas no peito dele. Depois o joguei no fogo. Pronto.

— Você é doente. – disse Mr. Joseph.

— Obrigada. – agradeceu Anne, como se aquilo fosse um elogio.

Alec virou-se para o pai.

— Anne e Jake queriam vingança pela mãe deles,que ainda está em depressão, depois que você abandonou-a.

Mr. Joseph permaneceu calado.

— Agora eu quero vingança por ela! – gritou Anne.

Mr. Joseph disse novamente:

— Você é doente!

Anne partiu para cima do pai, quando Alec pegou-a pela cintura e pressionou o rosto da meia-irmã no fogo que saía pela boca do fogão.

A garota gritou, enquanto seus olhos queimavam. Ela chutou Alec, que caiu para trás.

Anne caiu no chão, gritando de dor.

Alec levantou-se e foi até a meia-irmã, chutando-a.

Pegou um dos cacos de vidro que vinham da janela. Ele era um pouco maior que sua mão.

Sentia pena de Anne, que agora estava cega.

Com o caco em mãos, levantou-o e cortou a garganta dela, perfurando o mais fundo possível.

Só parou de pressionar o caco de vidro quando os gritos de dor da garota pararam.

Mr. Joseph assistia a cena, horrorizado.

— Por que você fez isso?

— Ela matou Jake. Injustamente.

Mr. Joseph se segurou para não dizer que o filho tinha feito a mesma coisa.

Alec olhou para o pai, mergulhando as mãos na garganta da irmã, arrancando tudo que podia arrancar.

O cheiro de sangue dominou o ambiente.

Alec gritou.

Mr. Joseph sentou-se no chão, sem forças.

Arrastava-se para trás, tentando se afastar do filho.

Chamaria a polícia e seu filho seria preso.

Aquilo tudo finalmente acabaria.

Chegou ao corredor, quando Alec surgiu à sua frente.

— Anne pode estar morta, assim como o ridículo plano de se vingar pela mãe. Mas, eu tenho outros motivos.

— Que seriam?

— Eu quero esse acampamento para mim. Eu quero toda a sua fortuna para mim. Eu quero ser o único dono de toda essa merda!

Mr. Joseph olhou com pena para o filho.

— Ah, Alec...

O garoto estava todo sujo de sangue e segurava o facão que estava nas mãos de Anne.

Apontou-o para a testa do pai.

— Se você morrer... Eu posso ser a pessoa mais rica desse país. Eu posso ser a pessoa mais rica desse mundo!

Por um minuto, os dois ficaram em silêncio.

— Eu não preciso de você, assim como você nunca precisou de mim. Você nunca me amou! –

— Alec, eu sempre te amei... Você sempre foi meu filho favorito...

— Não! Você nunca tinha tempo para mim!

— Alec, não exagere...

— Eu não estou exagerando! – ele gritou.

E então, enfiou a faca entre os olhos do pai.

Mr. Joseph pareceu surpreso.

O sangue brotou do ferimento.

Em questão de segundos, Mr. Joseph era apenas um corpo na sala.

Alec não queria ter feito aquilo.

Pelo menos não naquele momento.

Olhava fixamente para a faca projetando-se na testa de seu pai.

Ele tinha matado o pai.

Ele tinha matado seu próprio pai.

Aquilo tinha sido o combinado desde sempre.

Mas... Por que se sentia tão... Vazio?

Estava levantando-se, quando sentiu algo pesado bater em sua cabeça.

— Eu não jogo para perder! – gritou Chanel, atrás dele.

Alec perdeu o equilíbrio e caiu no chão, com a forte pancada na cabeça.

Chanel sentou-se em seu colo e, com o braço que não estava quebrado, bateu em sua cabeça diversas vezes com um pedregulho.

Alec tentava se levantar, mas a cada vez que a pedra batia em sua cabeça, ele ficava mais zonzo.

Chanel já estava cansada de bater no garoto, mas só parou quando teve certeza de que ele estava morto.

Seu crânio tinha sido amassado de uma forma indescritível.

Ela largou a pedra no chão e se apoiou na parede.

Seu braço quebrado ainda doía.

Ela tinha matado o Red Devil!

Chanel sempre tinha desconfiado de Alec, mas só teve certeza quando certa vez, o viu andando misteriosamente de madrugada, pelo acampamento.

E então, teve a confirmação quando viu a foto na Kappa Kappa Tau.

Chanel era demais.

Mal podia esperar para ser entrevistada como a única sobrevivente daquele massacre... Enão ela se lembrou de Max.

— Droga! – ela disse.

Foi até o corpo de Mr. Joseph e puxou a faca da testa dele. Seus olhos ainda estavam arregalados, então, carinhosamente (ou não) fechou-os.

O corpo caiu para o lado, batendo a cabeça no chão.

Chanel desviou dos dois corpos e saiu pelo buraco da janela, por onde tinha entrado.

Foi cambaleando até o chalé de Max.

Ela ainda tinha uma coisa para resolver.

***

A porta estava aberta, o que facilitou a entrada de Chanel.

Ela foi sorrateiramente, procurando Max por todos os quartos.

Ela não o encontrava em lugar nenhum.

Saiu do chalé e viu o menino bem longe dela, andando pelo caminho que levava até o lago.

Chanel não hesitou e foi atrás dele, sem fazer barulho.

Só depois de alguns minutos seguindo-o, que Chanel percebeu que ele estava nu.

Aquilo poderia ser voltado a favor de Chanel.

Uma ideia acendeu em sua mente.

Ela sorriu maliciosamente.

Quando chegaram ao lago, Max foi até uma pedra e sentou-se, de costas para Chanel.

Aquilo seria divertido... Se ela não estivesse com o braço quebrado e toda suja de sangue.

Tirou a camiseta, com muita dificuldade, tentando manter o braço quebrado imóvel.

Retirou seus shorts e ficou apenas de lingerie.

Passou as roupas pelo corpo, para tirar a maior parte do sangue que estava sujando sua pele.

Quando passou pelo baço quebrado, ela quase gritou de dor, mas mordeu a parte interna da bochecha, para evitar fazê-lo.

Quebrou o cabo de madeira da faca, ficando apenas com a lâmina, que usou para prender o seu coque.

Quando se julgou pronta, Chanel foi até Max, cambaleante.

— Max! – ela gritou.

O garoto instantaneamente virou-se para ela, sorrindo.

Não se levantou, apenas ficou parado, observando-a.

— Chanel. – ele disse.

— O Red Devil está morto. Está tudo acabado. – ela tentava manter a voz o mais inocente o possível. – Acho que merecemos uma recompensa, depois disso tudo, não acha?

Max sorriu, entendendo o que ela queria dizer.

Chanel sentou em seu colo.

Eles começaram a se beijar.

Chanel passava as mãos pelo corpo de Max, e o garoto passava as mãos pelo corpo dela, até retirar as duas peças que cobriam o corpo dela.

Quando ela estava nua, Max deitou-a na pedra e ficou por cima dela, beijando-a.

Chanel inverteu as posições, ficando por cima de Max.

Quando os dois se transformaram em um só corpo, quando não havia mais nenhum espaço entre eles, os movimentos se tornaram sincronizaram-se.

Chanel estava adorando aquilo...

... Uma pena que seria temporário.

Com o braço quebrado retraído, Chanel levou o braço bom até o coque (que, incrivelmente, não tinha se desfeito) e puxou a lâmina.

Max, que estava de olhos fechados, aproveitando cada segundo, em êxtase, não sentiu a lâmina descendo sobre seu peito.

Ele abriu os olhos e gritou.

O sangue se espalhou por seu peito e pela pedra.

Chanel enfiou a lâmina no peito dele oito vezes. Na nona, ela percebeu que ele estava morto.

Saiu de cima dele, olhando para seu corpo.

— Você era bonitinho. É uma pena que esse corpo tenha sido desperdiçado. Mas a televisão só dá atenção para um sobrevivente. E essa sobrevivente se chama Chanel Oberlin.

***

DOIS MESES DEPOIS

Chanel tinha conseguido.

Tinha voltado para a Kappa Kappa Tau e se candidatado à pledege. Quando ganhou a confiança da presidente, andava com ela para todos os lados, como se fosse sua sombra.

Até que um dia, Chanel empurrou Violet da escadaria principal da KKT e fez parecer que a presidente tinha sofrido um grave acidente.

Jogou o corpo no freezer de carne e disse a todos que Violet tinha ido fazer uma cirurgia em um médico no Japão.

Com a presidente morta, Chanel assumiu o comando da Kappa Kappa Tau novamente.

Durante a Hell Week, Chanel escolheu três meninas para serem suas novas cópias e passou a chamá-las de Chanel #7, Chanel #8 e Chanel #9. As três se pareciam muito com suas antigas minions.

Chanel tinha pulado o número 6 porque sentia que aquele número pertencia a Hester.

Uma de suas primeiras providências depois de reestabelecida, foi dar entrevistas de como tinha sido horrível viver naquele acampamento.

Ela explicou que, por motivos de sobrevivência, teve que matar o assassino, antes que ele a assassinasse.

Quanto ao corpo de Max... Aquilo tinha sido fácil.

Chanel disse a todos os policiais que estava tendo uma noite perfeita com Max, quando o assassino apareceu e o matou.

O acampamento tinha sido abandonado. Ninguém queria voltar para lá depois de tudo o que aconteceu.

Depois de vários dias de buscas, acharam todos os corpos enterrados em um fosso a dois quilômetros do acampamento.

Todos os corpos foram cremados.

Chanel compareceu a todas as cerimônias.

Um memorial tinha sido feito na estrada perto do acampamento, com os nomes de todos os mortos e o nome de Chanel Oberlin, bem grande e reluzente, acima de todos. Dizendo que ela era a salvadora.

O braço da garota ainda estava engessado, mas logo estaria de volta ao normal e ela poderia desfilar pelo campus com suas novas minions ao som de “Rumour Has It” novamente.

***

Ela estava de volta ao acampamento.

Ele a estava perseguindo.

Red Devil estava de volta.

Ele empunhava uma faca e iria matá-la.

Era o fim.

Ela morrerria.

Ela corria...

E corria...

E corria...

***

E então seu despertador tocou.

Ela, rapidamente acordou, batendo no despertador até que ele caísse no chão e parasse.

Retirou sua mascara de dormir e sentou-se na cama.

Encarou suas três novas minions, com seu melhor olhar de vadia e disse:

— Bom dia, vadias.

Elas responderam em uníssono, como sempre faziam:

— Bom dia, Chanel.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Até a próxima! *Ivashkov desligando* NOSSA, ISSO FOI MUITO RUIM UASHUAHSUAHSUAHUHA
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!