Cold Heart
1 The Coldest Girl In Town
Notas iniciais
Não, o futuro não é como você imagina... não existe nada que nos dê uma liberdade incrível sem que aconteça algo ruim, as coisas não mudaram praticamente nada desde antigamente. Gostaria de ter nascido antes, pelo que dizem os antigos livros de história da minha família, o passado era muito melhor do que o mundo que temos hoje, as pessoas tinham liberdade e muito mais a se fazer. Hoje em dia a sociedade é separada pela personalidade da pessoa, e eu realmente acho essa descrição totalmente desnecessária e idiota, pois se você nasce em uma delas você deverá passar o resto de sua vida na mesma, a não ser que algo completamente fora do normal aconteça. Existem duas delas, e não, não existe um nome para essas divisões, porém gosto de chama-las de castas, fiquei sabendo que antigamente a sociedade um país chamado Índia se dividia assim. Mas só existem duas delas no meu país, que a propósito se chama Naíoy. Essas “castas” se resumem em: número um e número dois. A número um se resume em pessoas muito felizes que vivem a vida de um jeito totalmente errado e inusitado, o que é o contrário da número dois, onde as famílias que vivem nela são pessoas supercertas e intelectuais que procuram uma solução para esse mundo. Adivinhe só em qual eu nasci? Se você disse dois acertou. Sim, algumas vezes eu já pensei em fugir daqui e ser perseguida, mas meus pais tomaram uma decisão que facilitou muito esse meu plano, eles decidiram que eu iria para uma escola interna, na número um, o argumento deles foi que a educação da oposta é muito mais rígida, pois a casta é mais desorganizada e por necessitar de uma educação melhor o governo decidiu construir escolas internas que seriam mais rígidas do que qualquer escola da dois, mas no final eles só querem se livrar de mim... digamos que sou um pouco rebelde por não me conformar com minha vida.
– Scarlet, vá arrumar suas coisas, amanhã você já vai para a escola interna, mas só leve o necessário, não quero você levando o aparelho celular, como você sabe a escola é muito...
– Tá bom mãe, essa parte do discurso eu já sei, ok? -disse
Minha mãe iria dizer algo, porém eu já havia me levantado da mesa, para que não precisasse ouvir nenhum sermão a mais. Estava subindo as escadas da minha casa para terminar de arrumar minhas malas, pois já havia começado, então só faltava colocar roupas mais comportadas por cima das roupas que meus pais detestavam que eu usasse. Botei meu celular no bolso da minha calça, porque tinha certeza que minha mãe daria uma olhada em minha mala. Aonde vivo a maioria das coisas relacionada à internet são bloqueadas, eu mentiria se falasse que não estou ansiosa para ir à essa maldita escola.
Já estava dormindo fazia um tempo, mas para o término do meu tão esperado sono, ouço alguém batendo na porta.
– Pode entrar – murmurei tão baixo a ponto desse ser não ouvir.
–Filha, eu e sua mãe estamos tão tristes pela sua ida, mas você sabe que isso é preciso, no final nós só queremos seu bem, e você sabe bem disso. –disse a pessoa que chamo de pai
–Tristes o caramba! Vocês nunca estiveram nem aí pra mim, só pensavam em trabalho e em como ter uma boa vida, achando que me colocando em cursos e mais cursos estariam demonstrando carinho por mim? Pois a resposta é não? Quando era criança eu só aceitava fazer o que vocês diziam porque achava mesmo que isso me tornaria uma pessoa melhor no futuro, mas na verdade não! Vocês sempre me trataram como se eu fosse um objeto, algo menor que a perfeição não serve para vocês! –disse, praticamente gritando.
Sinceramente, acho que isso foi duro demais, meu pai não fez nada, nem uma expressão diferenciada, apenas saiu do meu quarto, fechando a porta e murmurando algo como “fique pronta”. Rapidamente fui ao meu guarda-roupa e escolhi algo para vestir, tentei me arrumar o mais rápido possível, pois o quanto mais rápido saísse dessa casa mais rápido me sentiria bem, dentro do possível. Coloquei uma roupa qualquer e parei para me analisar no espelho, meus cabelos pretos e extremamente lisos estavam um tanto quanto bagunçados, mas ignorei esse fato, eu tinha olhos pretos, e meu rosto era aceitável, mas nunca parei para passar produtos e coisas do tipo, eu era um tanto quanto magra. Odeio que as pessoas digam que sou bonita. Odeio com que as pessoas queiram que eu me sinta bem. Não posso dizer muito, mas uma coisa que descobri nos meus 16 anos de vida foi que não deixaria que a felicidade dos outros interferisse na minha. Desci as escadas correndo, meus pais estavam na porta, um ao lado do outro, um silêncio desconfortante predominava, provavelmente por minha causa, e não, eu não me sentia nem um pouco culpada por isso. Depois de me observarem por longos segundos, pegaram a chave do carro, essa observação deles na verdade quer dizer que não aprovaram a roupa que estou vestindo, mas dane-se, daqui a pouco são três anos sem vê-los, logo estaria nessa escola.
Estávamos no carro, restava pouco tempo até a chegada, meu pais faziam silêncio, eu usava meus fones de ouvido, quem visse essa cena acharia ela mais dramática do que realmente é. Algum tempo depois já conseguia avistar uma grande construção, que sem dúvida alguma era a escola. Era muito grande, uma típica escola interna da dois, mas via que as pessoas se divertiam, diferente das escolas que já estudei, aonde as pessoas pareciam robôs ambulantes. Meu pai estava se preparando para sair, o que qualquer um faria, porém eu não queria nada forçado.
–Eu consigo fazer isso sozinha, só trouxe uma mala –disse
–Scarlet, você pode parar de agir como uma criança? Pare de ser algo que não é. –disse ele
–Não é mais fácil dizer que estou sendo falsa? E não, eu não fingiria ser algo que realmente não sou. –disse
Depois desse curto diálogo com meu pai, eu virei as costas com minha mala e andei em direção a secretária, pois precisava pegar os documentos e outras coisas sem importância.
–Ei, garota! –disse alguém, mas ignorei
–Você mesma! –gritou novamente
Essa pessoa não deveria estar falando comigo, ela não podia estar falando comigo. Calma, provavelmente é só alguém fazendo uma aposta. Eu sou nova nessa escola, não existe um porquê de estarem falando comigo, então eu só devo seguir em frente.
Depois de ter pegado a chave do meu dormitório fui direto para o mesmo, não queria falar com ninguém, estava ansiosa para vir pra cá porque queria sair da pressão que tinha em casa, e não para ser uma garota rodeada de coleguinhas. Logo após chegar me deparei com duas camas, tudo bem, uma colega de quarto, apenas o previsível. Abri minha mala e rapidamente achei meu notebook e barras de cereal , não preciso de nada além disso para sobreviver. A primeira coisa que fiz fui ligar o notebook, que só era usado para estudar e jogar alguns jogos permitidos, mas quando o liguei e fiz uma pesquisa vi uma infinidade de possibilidades, não queria admitir, mas fiquei fascinada com tudo aquilo. Após ter comprado várias coisas com um dinheiro que eu não poderia ter gastado com isso, ouvi um aviso, pedindo para que todos os alunos que entraram no colegial se dirigissem para o auditório, e eu fui, já que estava cheia de desentendimentos e não queria mais um para a coleção. Chegando no auditório não vi nada além de adolescentes de 16 anos fingindo serem “rebeldes” para impressionarem uns aos outros. Me sentei em uma poltrona qualquer e fiquei esperando as mensagens de um diretor, ou algo do tipo.
Já havia se passado um dia desde a chegada na escola e não havia nenhuma colega de quarto junto comigo e eu nem sequer fui perguntar se alguém iria, pois no final eu poderia ganhar de fato, uma “coleguinha”. Era o primeiro dia em que teríamos aula, a primeira era de química, eu realmente pensei em faltar, mas também queria saber como era o padrão das aulas daqui, então no final decidi ir. Eu me sentei em um lugar qualquer e imediatamente a aula começou.
–Olá alunos, primeiramente bom dia, meu nome é Phill, e eu sou o professor de química de todos vocês, e como todos já devem esperar, vamos começar com uma dinâmica, eu defini as duplas deste ano, logo irei ligar a lousa e vocês verão a dupla de vocês, depois irão se apresentar, assim que sua dupla se apresentar você deverá sentar do lado da mesma, lembrando que a dupla será essa até o fim do ano, e também não será apenas para a matéria de química, e sim para todas as matérias. Então vamos começar por você!
Ele apontou para uma menina de cabelos castanhos e longos que senta ao meu lado, e ela se apresentou, dizendo o que gosta, o porquê de ter ido para escola e tudo isso que eu já havia visto e feito diversas vezes, até que minha vez chegou.
–Meu nome é Scarlet, o motivo de ter vindo para cá foi por uma decisão dos meus pais, mas me senti obrigada a vir, então estou aqui, vim da número dois.
Não ouvi sussurros, nem nada parecido, mas estava esperando por isso, logo após ter me apresentado um garoto alto de cabelos loiros e curtos se sentou ao meu lado, de maneira que eu pude ver seu alargador na orelha esquerda. De inicio estranhei, porque isso era proibido na número 2, mas não disse nada, pois sempre gostei de piercings e coisas do tipo, mas ele tinha cara de um típico garoto popular e mimado que tem tudo que quer. Um pouco após essa minha dedução chegou a vez dele se apresentar.
–Meu nome é Ethan e eu estudo aqui desde o 8º ano, por uma obrigação dos meus pais.
E agora sim, ouvi muitos sussurros como “Esse garoto não muda?” ou “Ele nunca vai tomar jeito?”, mas não liguei muito afinal eu não era muito diferente disso. Na realidade não pretendo me dar bem, ou virar amiga de ninguém.
O fim da aula foi tranquilo, mas após ter saído da aula atrai muitos olhares, acho que é por eu ter vindo da dois, afinal ninguém da classe veio dela. Estava indo em direção ao meu armário e senti uma mão em meu pulso, mas logo me desvencilhei da mesma e olhei para o sujeito. Era o garoto da aula de química.
–Garota, só queria deixar bem claro que eu sou praticamente obrigado a passar de ano, então todos meus trabalhos terão de ser feitos, se não eu vou ter que voltar pra casa, e essa é a última coisa que eu quero, só queria deixar isso bem claro. –Ele disse.
– Tudo bem, só não sonhe comigo fazendo nossos trabalhos sozinha, é mais provável que você tenha que fazê-los. –Respondi, e então sai andando, mas pude escutar uma leve risada.
As aulas do dia já haviam acabado, porém não prestei atenção em nenhuma delas, eram apenas perguntas desnecessárias sobre a vida pessoal de cada um, mas após essa última aula ter acabado fui direto para o meu quarto, tomei banho e coloquei um pijama qualquer, após isso liguei o ar-condicionado, que por acaso se encontrava no quarto, e logo após isso fui dormir.
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