Cold Coffee
6 Capítulo 6.
Notas iniciais
POV Emma.
– Bom dia, maninha. — Robin me provocou, bagunçando meus cabelos assim que se sentou ao meu lado, no balcão da cozinha.
– Bom dia, e tira a mão do meu cabelo! — Dei-lhe um tapa na mão, rindo ao vê-lo fazer uma careta de dor.
– Acordou cedo no sábado, que milagre é esse? — Esticou o braço — propositalmente por cima de mim, e pegou o pote de geleia.
– Você sabe que eu adoro o festival, e hoje acordei com vontade de jogar tênis. — Ele me olhou com uma expressão divertida, e depois levou sua torrada até a boca.
– Faz tanto tempo que você não joga, o que tá acontecendo? — Dei de ombros, desviando o olhar para as torradas a minha frente.
– Eu só quero jogar. — Limpei a garganta. — Quando Marian chega?
– Amanhã de manhã, e por falar nisso, irmãzinha querida. — Ele se levantou, me abraçando por trás.
– Tá, eu já sei, você quer a casa livre pra vocês amanhã. — Revirei os olhos e ouvi o som de sua risada preenchendo o ambiente.
– Só uma noite para matarmos a saudade. — Robin voltou para o seu lugar, me fazendo revirar os olhos outra vez.
– Tá bem, eu durmo na Ruby.
– Mas, voltando ao assunto. Como você vai jogar se as quadras estão fechadas? — Ele me perguntou, enquanto enchia uma caneca com café.
– Dei meu jeitinho e consegui as chaves. — Lhe dei uma piscadinha, me lembrando do quanto fora difícil convencer Sidney, o prefeito, a me dar as malditas chaves. As quadras estavam trancadas há três festivais, desde que alguns adolescentes babacas se meterem em confusão e destruíram parte do lugar. Ele havia sido reformado, porém estava trancado desde então.
– E você vai jogar sozinha?
– Não vou necessariamente fazer um jogo, só quero treinar um pouco. Estou enferrujada.
Terminamos nosso café enquanto conversávamos algumas amenidades, meu irmão tirava sarro de mim por alguma coisa e eu implicava com seu namoro. Nada anormal.
Peguei a bolsa com minhas raquetes, e vesti um boné, o sol não estava forte, mas aquilo me ajudaria a jogar sem me atrapalhar com a luz. Impliquei mais um pouco com Robin e então entrei no meu fusca, seguindo em direção ao local que ficava o festival, e também as quadras de futebol, basquete e tênis.
***
– Já disse que se não comerem, não iremos sair de casa hoje e podem se esquecer desse festival, não é? — Regina estava apoiada sobre a bancada da cozinha, com Henry e Roland a mesa, enrolando para tomar seu café da manhã.
– Mas mamãe, eu queria comer doce no festival, se eu comer isso, não vai ter espaço aqui. — O mais novo disse, enquanto gesticulava com as mãos na frente da barriga, o que fez Regina rir.
– Você pode comer doces, filho, mas primeiro o café da manhã. Ou nada feito! — Disse mais firme dessa vez, vendo-os revirar os olhos e começarem a comer o cereal e frutas que estavam em suas tigelas.
– Mary não vem hoje? — Henry perguntou, distraído com algo em seu prato. Parecia um pouco desanimado para o segundo dia do festival, em comparação à noite anterior.
– Você sabe que ela não vem aos sábados, filho. — Regina estranhou a pergunta, o filho estava mais calado que o normal.
– Tudo bem. — O garoto suspirou, voltando a se concentrar em seu café da manhã.
– Está tudo bem mesmo? — A doutora insistiu, aproximando-se e sentando em uma das cadeiras da mesa.
– Está, mãe. — Regina decidiu não insistir, sabia que não deveria pressioná-lo a nada, ainda precisava entender o que estava acontecendo com Henry no colégio.
Quando terminaram seu café, os três foram para a Mercedes da morena e seguiram o caminho até o festival da cidade novamente. Todos haviam sugerido para que voltassem no sábado, e depois de muita insistência de Roland, Regina decidiu que iriam.
O lugar parecia diferente na luz do dia. Parecia maior, havia mais pessoas do que na noite anterior e aparentemente mais barracas de jogos e comidas. O parque de diversões continuava funcionando e um pouco mais afastado dali, grades enormes cercavam algumas quadras esportivas.
Desceram do carro e logo Roland correu na frente, fazendo com que Regina tivesse que correr atrás dele e ficasse brava. Henry se divertia com aquilo, era sempre assim. Finalmente comeram os doces que os garotos tanto queriam e foram brincar em algumas barracas de jogos. A morena não conseguia evitar o olhar curioso que percorria todo o lugar o tempo todo. Não sabia exatamente o que, ou quem procurava, mas estava inquieta.
– Mãe. — Henry a chamou, despertando-a de seu pequeno transe. Ela olhou para o garoto e sorriu.
– Sim, amor?
– Vamos tomar um sorvete? — Pediu animado e, vendo aquele brilho nos olhos do filho, Regina não podia negar. Há dias não via Henry animado daquela forma. Mas olhou para frente e viu Roland ainda empolgado em um brinquedo, sabia que tirá-lo dali seria complicado e ele provavelmente faria um escândalo. Suspirou e tirou algumas notas da carteira, entregando-as a Henry.
– Olha, mamãe não pode ir agora. Mas compre o sorvete e volte para cá, está bem? — Henry fez que sim com a cabeça, pegou o dinheiro e o enfiou nos bolsos, caminhando para longe da mãe.
Estava um pouco encantado com tudo o que via no lugar. Não que em Miami não tivesse essas coisas, havia conhecido lugares incríveis com os pais. Mas, depois que o pai se foi, sua mãe os trancou em uma bolha protetora e esqueceu-se de que crianças precisam de um pouco de diversão para viverem felizes. Praticamente os fechou para o mundo e nunca mais fizeram aquele tipo de coisa. Estar ali agora, era um grande avanço para ambos, e Henry sabia disso, por isso se alegrava tanto.
Caminhou saltitante em direção à barraca de sorvete e pediu o seu favorito. Duas bolas de morango com muita cobertura de chocolate. Sorriu satisfeito quando o senhor lhe entregou, o pagou e se virou para sair dali, quando deu de cara com três garotos. Dois deles maiores do que Henry.
– E aí, pivete. — Um dos garotos provocou, dando um leve empurrão nos ombros de Henry e fazendo-o recuar para trás.
– O que é? Não vai dizer nada agora? — Provocou o mais baixo.
– Não vai começar a gaguejar e a falar como um E.T. de trás para frente? — Perguntou o terceiro, fazendo os outros dois caírem na gargalhada. Henry estava assustado, sabia do que aqueles garotos eram capazes na escola, mas lá tinha para onde correr, eles não fariam nada perto de sua professora. Mas o que ele iria fazer ali? Sem ninguém conhecido ao redor? Seus olhos marejaram rapidamente e ele segurou o sorvete com tanta força, que a casquinha quebrou e metade dele fora parar no chão.
– Olha, o mariquinha não consegue nem segurar um sorvete. — Provocaram outra vez, rindo mais alto. — Mostra pra ele, Jason, como é que se toma um sorvete. — O garoto que era aparentemente o "manda chuva" do grupinho mandou, e o mais novo se aproximou de Henry, batendo com a mão contra a sua e fazendo com que o que restava de seu sorvete batesse contra seu rosto e se esparramasse por sua roupa. O filho da doutora mordeu os próprios lábios, contendo-se para não chorar na frente deles.
– O bebezinho da mamãe vai chorar? — Continuaram a zombar dele e, quando notou que iriam se aproximar outra vez e fazerem algo pior, Henry começou a correr, não sabia em que direção estava indo, apenas corria sem olhar para trás, ouvindo o barulho dos três garotos que o perseguiram por um bom tempo, até cansarem-se e desistirem.
Mas Henry não olhou para trás, continuou a correr e a correr até que, de repente, já não tendo mais plena consciência do que fazia, bateu de frente com alguém. Pela velocidade que tinha, aquele esbarrão foi como um soco no estômago e o arremessou para longe, fazendo-o cair de costas no chão.
– Ai meu Deus, garoto, não olha por onde anda? — Ouviu uma voz estranha se aproximar e quando abriu os olhos, já não conseguia conter o choro.
– Não eu queria, desculpa me! — Falou todo enrolando, fazendo a mulher loira de frente para ele franzir o cenho, tentando entender o que estava acontecendo.
– Você está bem? Eu derramei seu sorvete? — Fez uma cara de espanto, sem saber o que fazer com a criança que chorava na sua frente. Ele negou algumas vezes com a cabeça e ainda estava sentado no chão, soluçando. — Venha, deixe-me te ajudar. — Estendeu a mão para ele e o puxou para cima. Quando olhou para trás e viu os três garotos gargalhando, rapidamente entendeu o que estava acontecendo ali.
– Eu... E-eu... — Henry tentava se explicar, mas não conseguia conter os soluços.
– Foram eles, não foram? — Perguntou com cara de poucos amigos, apontando para os três garotos do outro lado. Henry não olhou, apenas concordou com a cabeça, sabia do que ela estava falando. — Você quer que eu de um jeito nesses garotos? — A mulher perguntou, já se afastando.
– Favor por, não! — Ele gritou ainda mais atrapalhado, fazendo a mulher se virar para ele outra vez. Quando voltou a atenção para frente, os três haviam desaparecido. Henry chorava ainda mais, e tinha as mãos e roupas sujas de sorvete e de grama, onde havia caído a pouco.
– Vou te ajudar a se limpar, vem. — Estendeu-lhe a mão e, por alguma razão, Henry sentia que podia confiar naquela estranha. Então, sem hesitar, mesmo sabendo o quão brava sua mãe ficaria por isso, a segurou e caminhou com ela em direção àquelas grades que só então havia reparado.
A mulher jogou a bolsa que segurava ao lado e tirou as chaves do bolso do short, abrindo o portão e pedindo que Henry entrasse. Caminharam em direção a um banco de frente para uma das quadras, que parecia ser de tênis, pelo o que o menino já havia visto na TV, e se sentaram ali.
A loira tirou de sua bolsa uma garrafinha com água e uma toalha pequena. O ajudou a se limpar, mas ainda era visível a meleca em sua camiseta. Durante todo aquele tempo, não falaram nada. A mulher parecia não levar muito jeito com crianças e aquilo, depois de mais calmo, deixava Henry com vontade de rir.
– O que foi, garoto? — Perguntou com as sobrancelhas franzidas, Henry tinha um semblante divertido.
– Você é engraçada. — Respondeu, abrindo o primeiro sorriso desde que tudo acontecera.
– Engraçada? Por quê? — Perguntou, cruzando os braços na frente do peito. — Eu te ajudo a se limpar e agora você vai ficar tirando uma com a minha cara? — Perguntou com um tom de voz divertido, fazendo Henry sorrir outra vez.
– Gosto de pessoas engraçadas. — Ele deu de ombros e a mulher sorriu. — Sou Henry. — Disse, estendendo-lhe a mão.
– Emma. — Sorriu de volta, segurando-a e apertando-a com certa força, o que fez Henry arrepender-se daquele gesto. — Você gosta de jogar tênis, Henry?
– Hum. — O garoto torceu os lábios. — Eu acho que nunca joguei, só vi pela TV.
– O que acha de jogar uma partida comigo? Estou sem companhia. — Apontou para sua bolsa e tirou duas raquetes de lá. Os olhos do garoto brilharam, e, esquecendo-se completamente de sua mãe e de todo o tempo que já havia demorado, aceitou.
Durante vários minutos a loira apenas ensinou algumas coisas básicas para ele, dizendo como usar a raquete e quais eram as regras do jogo. Não eram muitas, mas como os únicos esportes que Henry praticava eram os eletrônicos dentro dos vídeo-games, teve um pouco de dificuldade para aprender. Mas logo os dois começaram a jogar e Emma notou que ele talvez levasse jeito para aquilo. Se davam bem e se divertiam, gargalhando a cada erro ou acerto do garoto.
Enquanto isso, do outro lado do parque, Regina se desesperava pela demora do filho. Já havia tirado Roland do brinquedo e rodado todo o lugar atrás de Henry, onde diabos havia se enfiado esse garoto?
– Ingrid! — Ela praticamente gritou ao ver a professora de Henry passando por ali. Estava acompanhada de um rapaz, que Regina imaginava já conhecer.
– Regina! — A mais velha sorriu, caminhando para perto. — Que bom ver vocês por aqui, onde está Henry? — Perguntou, deixando a doutora ainda mais nervosa.
– Exatamente isso, não sei onde está Henry! Me pediu um sorvete e eu dei dinheiro a ele, para que comprasse e voltasse logo para cá, mas já faz mais de meia hora que ele foi e até agora não voltou, o procurei em todos os lugares possíveis e não consigo encontrá-lo! Acho que aconteceu alguma coisa com o meu príncipe, meu Deus eu não deveria ter deixado-o ir! — Começou um monólogo, quando estava nervosa começava a falar rapidamente e Ingrid se esforçava para entender o que dizia.
– Calma, Regina! Fique calma. — Segurou em sua mão, fazendo-a parar de falar. — Henry pode ter encontrado um coleguinha da escola e se distraído com alguma coisa, ele vai aparecer logo, não se preocupe, não existe nenhum perigo em Storybrooke. — A loira mais velha tentou tranquiliza-la, mas Regina não tinha a cabeça de uma mãe de Storybrooke. Em Miami as coisas eram bem diferentes e ela não conseguiu se acalmar com aquelas palavras.
– Eu preciso encontrá-lo, Ingrid, por favor me ajude. — Pediu com os olhos marejados. Roland estava ao seu lado e segurava firme em sua mão, sem entender bem o que estava acontecendo. Mas sabia que quando a mãe estava nervosa daquele jeito, deveria ficar quieto para não piorar a situação.
– Como ele é? Vou ajudar a procurá-lo. — O rapaz que acompanhava a professora se adiantou. — Desculpe, sou Robin, mas acho que já nos conhecemos do café. — Regina apenas fez que sim com a cabeça, não estava em um clima de querer apresentações, só queria encontrar seu filho.
Depois de Regina descrever o garoto e, de Ingrid ver o quão nervosa ela estava, a puxou pelas mãos e a obrigou a se sentar e tomar algo para se acalmar, enquanto Robin, seu sobrinho, procurava por Henry no parque.
O rapaz revirou todo o lugar, mas não encontrou nenhuma criança com a descrição que Regina fizera. Cansado, e sem coragem de voltar para o desespero da mulher, lembrou-se que sua irmã estava por ali e que talvez pudesse ajudá-lo. Caminhou em direção às quadras e notou que o portão não estava trancado, estava apenas encostado. Suspirou aliviado e entrou, ouvindo o som de bolinhas se chocando contra raquetes e os gritos de euforia de sua irmã.
Quando a viu, abriu um enorme sorriso. Aquele era Henry? Será? Emma assustou-se com sua presença ali e caiu para trás.
– Que susto, Robin! O que você está fazendo aqui? — Perguntou, revirando os olhos e se levantando do chão.
– Esse garoto é Henry? — Perguntou, e os dois fizeram que sim com a cabeça. — Sua mãe está muito nervosa atrás de você, Henry.
O garoto engoliu a seco, enquanto se divertia e jogava na companhia de Emma, havia se esquecido completamente de sua mãe. Ela iria matá-lo! Arregalou os olhos e estremeceu. Quando Emma percebeu, aproximou-se dele e pousou as mãos em seus ombros.
– Calma, garoto, vamos te levar lá e explicar a ela o que aconteceu. — A cara de espanto de Henry foi ainda maior.
– Favor por, ela pra conta não! — E outra vez estava se atrapalhando com as palavras e falando tudo ao contrário. Emma respirou fundo e se inclinou, ficando com seu rosto de frente para o dele.
– Por favor, não conta pra ela? — Perguntou, e Henry confirmou com a cabeça.
– Entende me você?
– Entendo. — Seus olhos brilharam pela segunda vez. Alguém que o compreendia! — Mas por que você não quer que eu conte a ela? Aqueles garotos foram babacas com você.
– Comigo brigar vai ela! — Se desesperou outra vez e seus olhos denunciaram que o choro estava próximo, e, numa tentativa de acabar com aquele desconforto, Emma o puxou para perto e o abraçou.
– Fique calmo, garoto. Não vou contar, mas isso não pode ficar assim. Eu vou dar um jeito naqueles moleques! — Henry suspirou em seus braços, por alguma razão, sentia-se protegido no abraço de Emma.
– Bom... — Disse Robin, que até então observava tudo em silêncio. — Então podemos voltar? Porque Regina parece estar mesmo nervosa, e acho que precisa saber que Henry está bem.
– O quê? — Emma franziu o cenho. — Regina? Você é filho da Regina, garoto? A doutora? — Se desvencilhou dos braços de Henry e ele apenas confirmou com a cabeça. – Ai, não! Que droga! – Sem perceber, assustou o menino outra vez. – Quer dizer... Ai, vamos, vou te levar de volta pra ela antes que ela venha aqui e arranque meu coração pra fora do peito!
Juntaram as bolinhas e as raquetes, que Emma enfiou de volta em sua bolsa e, depois da loira se certificar de que tudo estava devidamente fechado, caminharam ao lado de Robin para onde Regina os aguardava. Quando viu o menino, a primeira reação que teve foi de pura emoção, correu até ele e o abraçou com tanto força, que fez Henry se sentir um boneco nas mãos daquela Felícia de Pink e o Cérebro.
– Mamãe, você está me apertando muito! – Bufou entre os peitos da doutora, que o abraçava e respirava fundo para conter as lágrimas.
– Você quer me matar de susto, Henry? Onde você se meteu? Eu pedi para que voltasse logo e você simplesmente desapareceu. – Já estava se preparando para mais um de seus monólogos quando fora interrompida.
– Ele estava comigo. – Emma disse, chamando a atenção de Regina. Só então notara a presença da loira ali. Arqueou uma de suas sobrancelhas e, depois de um curto período de tempo analisando aquela situação, já estava preparada para falar, quando Emma a interrompeu pela segunda vez. – Foi culpa minha, eu o distrai. Ele estava comprando sorvete e derrubou tudo na roupa, então me ofereci para ajuda-lo a se limpar e acabamos nos distraindo com um jogo de tênis. – Deu de ombros, como se fosse a coisa mais normal do mundo.
– Tinha que ser você, não é? – Emma já esperava por essa. – E que história é essa de jogo de tênis? Meu filho não gosta dessas coisas, fique longe dele, sua louca! – Swan respirou fundo e revirou os olhos. Por que Regina sempre a atacava daquela forma sem motivos? Tudo bem, ela estava preocupado com o filho, mas não era pra tanto.
– Ajudou me Emma, mamãe! – Henry tentou interferir, mas a mãe o apertou mais contra seu corpo e lhe direcionou um olhar de repreensão.
– Fique quieto, Henry! Você me deu um tremendo susto, vamos voltar pra casa agora! – Segurou com firmeza a mão do menino e, olhando para Roland, fez um sinal com a cabeça para que ele se aproximasse. – Me desculpe por isso, Ingrid, mas temos que ir.
Saiu dali puxando os garotos pelas mãos e nem sequer lembrou-se de agradecer Robin pela ajuda. Não entendia bem o porque, mas a presença de Emma sempre a deixava nervosa e desconcertada, fazendo-a agir por impulso. A loira, que já estava acostumada a receber seus insultos e patadas, apenas sentou-se ao lado da tia e suspirou.
– Qual o problema dela, hein? Isso é falta de sexo ou o quê? – Perguntou, recebendo um tapinha de Ingrid no braço. Robin gargalhou.
– Se for esse o problema, eu adoraria resolver. – O comentário do irmão fez seu estômago embrulhar-se. Sabia que ele era galinha e que se divertia a beça quando Marian não estava por perto, mas, imaginá-lo com Regina não lhe soou nada bem. Sabia que ela era uma mulher séria, de respeito, e, apesar de toda a agressividade e de nunca tê-la deixado se aproximar, era uma boa pessoa. Não queria saber de Robin perto dela, não mesmo.
– Fica na sua. – Rebateu, e o irmão riu outra vez, sentando-se de frente para as loiras.
– Está com ciúmes, irmãzinha? Desiste, ela te odeia. – Riu outra vez, debochando da cara de poucos amigos que a irmã tinha no momento.
– Ei, parem vocês dois! E deixem Regina em paz, está bem? Ela está vivendo um momento complicado e não precisa dos dois mulherengos da cidade em seu pé. – Robin só fazia rir, e a loira teve que segurar-se para não perguntar que momento “complicado” era esse. Tinha tanta curiosidade sobre aquela mulher, que lhe tirava o sono. Que diabos havia com Regina? E por que ela estava tão interessada em descobrir?
Fale com o autor