Colégio Meio Sangue
4 Greeks - II
POV. Natalie Mackehell
Louca. Isso é o que Carollyn é.
Admito, não é comum romanos estarem em Manhattan e é uma ironia que estejamos na mesma escola, mas acho errado elas acentuarem ainda mais nossa rixa milenar [N/Caroline: Fale como um adolescente normal]. Não me atrapalhe!
Quando a aula terminou, Katie nos deu uma carona até a casa de Carollyn, onde nós sempre nos reunimos após as aulas.
– Olá, garotas – Sr. Black acenou para nós da cozinha – Como foi hoje? Fizeram novos amigos?
– Fizemos novos inimigos – Katie deu de ombros – Fora isso, foi tudo bem.
Subimos as escadas, Carollyn abriu a porta do seu quarto e um calafrio correu pela minha espinha. Aquele quarto era totalmente bagunçado. Era um cômodo grande e estranho. As paredes brancas eram totalmente recheadas de runas mágicas que protegiam a casa e Carollyn dos monstros, estantes lotadas de livros, criados mudos com roupas e mais livros e uma televisão. A cama estava tão bagunçada que foi impossível achar o travesseiro.
Carollyn abriu a janela, que dava vista para a janela da casa vizinha. Sentei-me à pequena mesa de estudos, tirei meus livros e comecei a fazer a tarefa de casa. Caroline também começou a fazer o dever. Katie ligou a televisão e começou a ver Friends.
Totó entrou correndo no quarto e pulou no colo da filha de Hécate, que riu e o abraçou. Já vi garotas felizes com poodles, mas com um cão infernal? É a primeira vez.
– Está com fome, garoto? – Carollyn coçou o queixo de Totó.
Ela abriu o armário, pegou um saco com ração de cachorro e encheu o pote de comida de Totó. Do que era feita aquela ração? Carne? Vegetais? Semideuses que irritaram Carollyn? Nunca saberemos.
– Olá, Marieta Alannys Pudim da Silva Pereira Rabastan Godofreda Alejandra Felton! – ouvimos uma voz vinda da janela.
Todas nós nos viramos na direção do som. Era a pessoa mais improvável do mundo.
– Drake? – Carollyn perguntou encarando o garoto na janela ao lado.
Drake Lockwood, o amigo das romanas, estava acenando para nós da janela ao lado.
– O que está fazendo aí?! – exclamou Caroline.
– Eu moro aqui – ele respondeu – Meus pais e eu nos mudamos há pouco tempo, sabe?
– Droga, meus pais falaram dos vizinhos novos – praguejou Carollyn batendo a mão na testa.
Katie se aproximou da janela e forçou a vista na direção do garoto. Ele usava uma camiseta sem mangas vermelha, que deixava uma tatuagem aparecer – a tatuagem da legião.
– Romano – Katie declarou – Filho de quem?
– Ceres! – ele falou alegre – São romanas também? Nunca as vi no acampamento!
– Somos gregas – falei.
– Oh – Drake franziu a testa – Isso é um problema. Não vão mandar um Cavalo de Tróia para mim, vão?
– Estúpido preconceito com gregos! – exclamou Katie.
– Suas amiguinhas podem te explicar mais – Carollyn debochou.
– Mas Marieta...
– MEU NOME É CAROLLYN, SEU IDIOTA!
A filha de Hécate fechou a janela e as cortinas. Totó latiu e levantou a cabeça, ansioso por ordens ou por cabeças para arrancar.
– Mais um romano – falei cruzando os braços – Isso é... Preocupante. Atrairemos muitos monstros e...
– Que se danem os monstros – Caroline murmurou – Se aqueles romanos simplesmente acham que podem sair da Califórnia e causar problemas na nossa área...
– É só evitá-los – disse Katie.
– Como? – perguntou Carollyn – Eles estão na escola e até no nosso bairro!
E foi assim que a Terceira Guerra Mundial começou. Não digam que não avisei.
* * *
Na manhã seguinte, Caroline, Katie e eu já estávamos dentro do carro da Caçadora de Ártemis esperando Carollyn sair de casa. Estavamos paradas diante da casa dos Black. Katie buzinou mais uma vez e gritou:
– CAROLLYN BLACK! VAMOS LOGO, SUA FILHA DE GÓRGONA!
Carollyn saiu saltitante da sua casa e veio dando pulinhos felizes até o carro.
– Bom dia! – cantarolou sentando-se no banco traseiro.
– Bom dia porque, criatura? – perguntou Caroline enquanto Katie dava partida e saía pela rua.
– Porque hoje eu tenho o teste para o clube de debate! – ela alisou seu casaco azul – Estou até com a minha roupa favorita para me sentir mais confiante!
Ela usava um casaco azul, uma camiseta com a foto do Perry, o Ornitorrinco, calças jeans escuras e tênis All Star. Ela sorria de uma forma como se nada no mundo pudesse dar errado.
Mas, claro, que tudo deu errado.
Quando chegamos à escola, Katie parou no estacionamento e descemos do carro. Carollyn se despediu e correu para o auditório da escola, onde seriam realizadas os testes para o clube de debate. Katie, Caroline e eu ficamos conversando na entrada da escola até faltar cinco minutos para as aulas começarem.
Acompanhamos Carol até seu armário.
– Uh, problema – murmurou Katie.
Sammy, Julieta, Anne e Debby estavam conversando na frente do armário da ruiva, que ficava ao lado do armário da nossa ruiva. Anne estava tranquilamente tomando um refrigerante de uva.
– Vamos evitá-las – falei dando meia volta.
Julieta nos viu, bufou e comentou alto:
– Bem típico dos gregos, fugir quando há algum problema.
Caroline se virou e encarou Julieta com seus olhos castanhos amarelados.
– Bem típico dos romanos, ser uma estúpida – respondeu.
– UHHHHHHH! – gritaram os mortais que passavam pelo corredor. Eles não têm noção do problema que está acontecendo aqui.
Julieta avançou triunfante e encarou Caroline. As duas ficaram se encarando venenosamente.
– Não ache que podem provocar a filha da deusa da vingança e ficarem impunes – a romana disse.
– Não ache que podem provocar uma ruiva e ficarem impunes.
– Nós também temos uma ruiva – Julieta apontou com a cabeça para Sammy — Cada acampamento tem a ruiva que merece.
– Isso aí, por isso os gregos têm uma ruiva linda como eu e os romanos têm uma ruiva falsa como ela – respondeu Caroline colocando as mãos na cintura e inclinando a cabeça, numa típica pose de “Bitch, please”.
– VOCÊ VAI VER SÓ QUEM É A RUIVA FALSA! – gritou Sammy.
– Deuses! Uma briga de ruivas! – murmurou Katie maravilhada – Traga a pipoca, Natalie.
Carollyn veio andando pelo corredor com a cabeça baixa. Ela realmente parecia muito deprimida, mas quando viu a discussão, ergueu a cabeça e veio marchando cheia de confiança.
– O que é isso?! – perguntou entrando no meio de Caroline e Sammy.
– Oh, a Rainha da Ralé chegou – Julieta revirou os olhos.
– Então tenha respeito, posso mandar cortar sua cabeça fora – ela respondeu direta – Porque não voltam para o templo de Hera de que vocês vieram?
Julieta sorriu sarcástica. Debby estava só observando a briga e incentivando Sammy ir quebrar a cara de Caroline. A filha de Nêmesis pegou o refrigerante de uva de Anne, que reclamou sobre invasão de privacidade, e deu um sorrisinho feliz.
– Isso é pela Educação Física – e virou todo o conteúdo do refrigerante na cabeça de Carollyn.
A filha de Hécate soltou uma exclamação. Todos no corredor pararam o que estavam fazendo e encararam as duas.
– Nossa – Julieta sorriu – A Rainha da Ralé se sujou. Quer ajuda, majestade?
Todos começaram a rir. Carollyn fechou as mãos em punhos e saiu correndo, provocando ainda mais risadas. O inspetor de alunos apareceu e mandou as pessoas irem para suas salas de aula, então só eu fui atrás de Carollyn.
Encontrei-a no banheiro feminino. Ela estava sentada em uma das privadas com a tampa fechada e tinha a cabeça encostada na parede.
– Hey, Carol – falei – Está bem?
– Não, não e não – ela respondeu – Ainda não são nem dez horas da manhã e o dia já está horrível. Sabe de uma coisa? Eles não me aceitaram no clube de debate! Disseram que meus argumentos eram fracos. Malditos filhos de Hera...
– Seu casaco...
– É – ela tirou o casaco azul manchado de tinta e o atirou ao chão – Grande droga. Oh, veja, minha blusa também se sujou. Que maravilha! Será que Tique não quer me ajudar ainda mais?
Atravessei o banheiro até a caixa de Achados e Perdidos. Peguei um suéter e ergui-o para Carollyn ver.
– Coloque esse suéter – falei.
O suéter era marrom escuro e tinha o desenho de renas natalinas. Ela fez uma careta.
– Isso não é nem um pouco glamoroso.
– Prefere uma roupa sem brilho ou uma roupa manchada?
Ela pensou um pouco, por fim acabou por arrancar o suéter da minha mão, praguejar em grego e entrar em uma das cabines. Carollyn saiu alguns minutos depois usando o não-glamoroso suéter, apoiou-se na pia do banheiro e tentou limpar o refrigerante do cabelo.
– Aqui – tirei um frasco de produto capilar da minha bolsa e entreguei para ela.
– O que é isso? – Carol perguntou franzindo a testa.
– Carol, sabe por que o meu cabelo nunca fica desarrumado ou fora do lugar? Por causa desse frasco. Use-o com sabedoria.
Carol olhou para o frasco como se ele fosse o bilhete da loteria. Bem, acho que ela vai ficar legal.
* * *
Fim de mais um dia de aula. Eu estava saindo da minha aula de Biologia quando Caroline chegou correndo com um sorriso enorme da cara.
– Natalie, vem! – ela exclamou – Está acontecendo a melhor coisa do mundo!
– O que?
– Estamos vendo Drake Lockwood fazendo o teste para entrar no time de futebol americano da escola!
Não entendi porque isso era tão bom, mas segui a ruiva até as arquibancadas do campo de futebol. Os atletas do time estavam correndo e gritando de um lado para o outro, e entre eles estava Drake tentando jogar. Eu também sou uma negação em futebol americano, mas Drake era realmente péssimo.
Carollyn e Katie estavam rindo assistindo ao treino. As romanas olhavam para elas com raiva, principalmente Julieta. A filha de Nêmesis tinha conseguido seu prêmio do dia ao arruinar a roupa de Carollyn, mas a filha de Hécate usou o produto capilar que eu a emprestei a agora está com esvoaçantes cachos castanhos.
– Eu estava pensando – Carollyn disse enquanto via Drake tentar pegar a bola – Querem fazer uma festa do pijama lá em casa na sexta-feira? Vai ser legal.
– Claro – Katie deu de ombros – Levo o Marshmellow.
– Levo o chocolate – falei.
– Levo a minha presença – Caroline disse.
Nós rimos. Apesar disso, sinto que algo ruim vai acontecer. E, considerando que nossa sorte é horrível, acho que isso é bem possível.
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