Colégio Interno - Brittana

22 Revistando os quartos


Notas iniciais
Boa noite! Obrigada pela recomendação:)

A professora Holiday lançou um olhar preocupado para a mesa de suas alunas. Quinn tentou acalmá-la com uma expressão sorridente no rosto, como quem diz que está tudo certo, mas não era essa a preocupação de Holly. Santana e Brittany estavam no quarto, na mesma cama, fazendo sabe-se lá o que. E mesmo que conseguissem escapar com alguma desculpa esfarrapada, Holly duvidou que pudessem explicar as pequenas alianças em seus dedos anelares.

Quinn continuou com os olhos fixos na loira, que murmurou sem som o nome de Santana. Quinn arregalou os olhos esverdeados e cutucou Rachel.

- A latina besta e a loira gigante estão no quarto. – a loira sussurrou.

Rachel assentiu e repassou a mensagem para o grupo. As meninas ficaram atentas ao sinal da professora para agirem. Tinham alguns planos já criados para esse tipo de situação, assim como para algumas outras. Quinn aguardou, e assim que a professora fez um sinal com a mão, Sugar levantou-se da mesa e fingiu um desmaio. As freiras desviaram a atenção das alunas para a menina, correndo em seu auxílio. No meio da confusão, Quinn levantou-se e correu para fora do refeitório, esperando chegar ao quarto das duas a tempo.

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Brittany tinha um choro compulsivo e alto naquele momento. Santana já não sabia o que fazer, tinha ficado imóvel com a confissão da loira. Brittany levantou-se da cama e Santana foi atrás. Ela parou no banheiro e vomitou, caindo de joelhos e chorando ainda mais alto. Santana ajoelhou-se ao lado da loira e a abraçou, desejando com todas as suas forças que os medos e as inseguranças de Brittany passassem para ela.

- Britt, vem aqui. – A latina chamou, ajudando a loira a levantar.

Brittany a seguiu, ainda em meio ao choro, de volta para a cama. Santana a sentou ao seu lado e envolveu seu corpo em uma espécie de casulo protetor. A morena tentava manter-se firme, mas esta era uma tarefa quase impossível. Queria, assim como Brittany, desabar em lágrimas.

Santana esperou que Brittany se acalmasse um pouco para afastar-se do corpo da namorada. A loira ainda fungava um pouco, mas parecia visivelmente mais calma.

- Ele estava na banheira. – Brittany sussurrou. – Ele era tão pequeno, Santana! Eu deveria estar tomando conta dele, mas não achei que alguma coisa fosse dar errado. Jennifer estava comigo, então ficamos no meu quarto nos agarrando. Eu juro que podia ouvir a risada dele na banheira, San. Quando eu me dei por conta, não havia mais risada. Eu corri para o banheiro, mas já era muito tarde. E-eu não sei bem o que aconteceu, eu não sei se ele passou mal ou escorregou, mas ele se afogou. Eu tentei acordá-lo, mas ele não respirava mais, San.

Brittany voltou para o casulo protetor que a morena oferecia, soluçando ainda mais alto. Santana chorou baixinho junto com a loira. Não entendia aquilo, não entendia aquele tipo de dor. Queria tirar o peso do peito da loira, mas não sabia como. Queria faze-la sentir-se melhor, mas não sabia nem por onde começar.

- Britt, foi um acidente – A latina sussurrou – Não foi por mal, podia ter acontecido com qualquer um. Não foi sua culpa, culpa dos seus pais, da Jennifer ou do seu irmão. Ele... Britt, aconteceu porque tinha que acontecer. Não há a quem culpar.

Brittany sentiu a bigorna em seu peito um pouco menos pesada. Já tinha ouvido essas mesmas palavras de algumas outras pessoas, mas saindo dos lábios de Santana pareciam mais verdadeiras.

- E-eu tinha progredido, San. E-eu n-n-não tinha m-m-mais tantos pesadelos, n-n-nenhum quando v-v-você começou a dormir c-c-comigo. M-m-mas ai a Jennifer m-m-mandou aquela c-c-carta dizendo q-q-que ela estava v-v-voltando para o internato, e-e-e tudo voltou. E-eu vou entender se você não quiser ficar mais comigo, San.

Santana sentiu o corpo tencionar. Ela segurou os ombros molengas da loira e a apertou contra seu peito.

- Eu nunca vou te deixar, lembra? – Santana disse com a voz firme – Eu amo você, e é isso que importa. Só eu e você. E pelo amor de deus, Britt. Eu nunca te odiaria por um acidente. Você é a melhor pessoa do mundo, nada vai mudar o que eu sinto por você.

Brittany voltou a deitar a cabeça no peito de Santana, sentindo-se enfim mais leve. A morena acariciou os fios louros desajeitados e beijou o topo da cabeça de Brittany.

- Promete que nunca vai deixar isso te afetar assim de novo? – Santana disse – Promete que não vai mais se culpar? Britt, eu posso te ajudar a ver que não foi sua culpa. Mas você precisa me deixar entrar por completo no seu coração. Me deixa ajudar você a melhorar.

- Eu prometo.

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Quinn voou escada acima pelos corredores. Alguns quartos já estavam sendo revistados pelas freiras, e a loira arrependeu-se amargamente da brincadeira que fizera. Passou como um raio pelo segundo andar, em direção às escadas. Passou pelos quartos 523 e 564 o mais rápido que suas pernas permitiam, mas congelou ao parar perto do quarto das meninas. Uma freira já estava parada na frente do quarto, com uma chave mestra. A loira arregalou os olhos e correu em direção ao quarto.

- Ei! Espere! – Quinn esbravejou, fazendo a freira parar.

- O que é? – A mulher com sotaque alemão perguntou ríspida.

- Eu, ahn, bem, a Srta. Holiday e eu estamos fazendo uma pesquisa...

- Não tenho tempo para isso! Saia! – A mulher cortou a loira, empurrando-a para o lado.

Quinn apenas rezou baixinho para que o barulho feito na porta fosse ouvido pelas meninas. Assim que a freira abriu a porta, a loira inclinou-se para checar as meninas. Brittany fingia dormir tranquilamente em sua cama enquanto Santana apenas desviava os olhos como quem não quer nada de seu livro mal iluminado pelas velas.

- Boa noite – A morena cumprimentou – Posso ajudá-las?

Quinn abriu um sorriso aliviado para a amiga e juntou-se a ela no quarto. A freira revistava os armários, e Brittany fez-se de desentendida abrindo os olhos azuis sonolentos.

- Perdi alguma coisa? – A loira perguntou calmamente.

Santana abriu um sorriso para Brittany que o retribuiu. A loira rapidamente desviou os olhos para a freira que ainda remexia em seu armário. A mulher parecia estar dando-se por vencida quando encontrou uma caixa de Brittany.

- O que tem aqui? – A mulher perguntou.

- Nada de mais – Brittany respondeu o mais natural que conseguiu – Fotos, cartas... Lembranças de família.

- Prove.

- Com prazer.

A loira levantou e abriu a caixa. Santana viu de relance uma foto de Brittany mais nova segurando um menino muito parecido com ela no colo. A latina desviou os olhos da foto, achava que aquilo seria invadir demais a privacidade da loira. A freira deu-se por vencida e saiu do quarto das meninas, deixando-as a sós. Quinn levantou-se da cama de Santana, seguida pela mesma que envolveu Brittany em seus braços.

- Sumam com essas alianças. – Quinn disse, entregando dois cordões de prata para as duas. – Não quero nem pensar no que elas fariam se descobrissem sobre vocês.

Santana assentiu e tomou os cordões da mão da amiga. Tirou o anel do dedo de Brittany e prendeu em seu pescoço. A loira repetiu o mesmo gesto, fazendo com que Santana a beijasse lentamente,

- Eu ainda estou aqui, pelo amor de deus. – Quinn resmungou, dando as costas para as duas.

- Ei, Q. – Santana chamou – Obrigada. Sério.

- De nada. Vocês me devem uma. – Completou, com um sorriso travesso e saindo do quarto.

Notas finais
Aprovado?