Notas iniciais
Resolvi tentar algo novo, espero que gostem

Santana ficou parada em frente à entrada do colégio com as malas depositadas ao seu lado. O lugar era grandioso, com uma aparência rústica bem destacada.

Não era a primeira vez que iria Santana para um internato. O último em que esteve fechou as portas, obrigando-a a transferir-se junto com algumas outras meninas para o colégio interno mais próximo que havia, o American Boarding School.

Quinn Fabray, sua melhor amiga, parou com suas malas ao lado da morena. Santana mordia os lábios carnudos nervosamente, passando os dedos pelos cabelos morenos presos em um rabo. A descendência latina da garota era perfeitamente notável, principalmente pela pele mais escura.

– Bem, então é isso. – Quinn disse, com um sorriso torto formando-se em seus lábios – Pronta, Lopez?

– Já nasci pronta, Fabray – A morena respondeu, puxando as malas do chão.

Seguidas por algumas meninas, as duas entraram no American. Santana observava discretamente cada detalhe do saguão, desde as colunas de mármore até as longas escadas que provavelmente levariam aos dormitórios.

Uma das freiras da escola esperava no saguão pelas meninas. Ela não tinha uma cara muito amigável e amedrontava as meninas.

– Boa noite, senhoritas. – a velha se apresentou – Eu sou a Sra. Mays, coordenadora do internato. Vou chamar seus nomes e peço para que deem um passo à frente para que eu possa indicar seus dormitórios.

A velha começou chamando algumas das meninas. O coração de Santana batia muito rápido, como se quisesse libertar-se de seu peito. Hanna, Harmony... Nunca chegava sua vez. E Santana Lopez odiava esperar.

– Lucy Quinn Fabray! – A mulher chamou. Q deu um passo à frente com a cabeça erguida – Quarto 516, pode subir.

Santana soltou um suspiro. Ninguém havia ocupado o quarto ainda, mais chances para ela.

– Santana Marie Lopez. – A mulher chamou.

O corpo da latina estremeceu, mas ela se manteve firme. Santana deu um passo à frente e cruzou os dedos.

– Quarto 689, pode subir.

A latina saiu praguejando em espanhol. Apenas torcia para que não ficasse com nenhuma das meninas irritantes do seu antigo colégio, isso seria de mais. A latina subiu as escadas e atravessou o corredor escuro da escola. Quarto 612, 649... 689.

Ela abriu um sorriso ao encontrar a porta a qual procurava e pegou a chave para abri-la. A latina entrou silenciosamente, buscando o interruptor. Ela o acendeu, iluminando o quarto e o corpo de uma menina magrela estirado na cama.

A garota abriu os olhos sonolentos e encarou Santana, abrindo um leve sorriso. Os olhos da latina perderam-se percorrendo o corpo da garota. Pele pálida, cabelos louros bagunçados, grandes olhos azuis e algumas sardas no nariz. Ela era a versão feminina de um anjo.

– D-d-desculpe. – Santana gaguejou – N-n-não sabia que teria gente no quarto.

– Tudo bem. – a loira respondeu sentando na cama. – Eu sou Brittany Pierce. Você é uma daquelas garotas que vieram do outro internato, certo?

– S-s-sim. Ahn, eu sou Santana Lopez.

– Prazer, Santana. – Brittany disse sorrindo.

– Prazer, Brittany. – A latina respondeu. – Eu, ahn, vou apagar a luz e deixar você dormir.

– Está tudo bem, não me importo. Arrume suas coisas, depois apague a luz. Não vai me incomodar, Santana. – A loira disse voltando a deitar.

Santana abriu um sorriso suave e colocou suas malas no chão. Rapidamente colocou seu pijama e apagou as luzes, entrando por baixo das cobertas.

– Boa noite, Santana. – Brittany murmurou.

– Boa noite, Brittany.

Xxxxxxxxxx

Santana acordou com os sinos altos da igreja badalando em seus ouvidos. A capela ficava perto o suficiente do quarto para que a latina tivesse uma sensação desagradável cada vez que os sinos tocassem.

A latina abriu os olhos castanhos sonolentos e sentou-se na cama, resmungando em espanhol. Seu rosto estava marcado do travesseiro e inchado pela longa noite de sono. Ela esfregou os olhos e deparou-se com uma loira sorridente.

– Muito incômodo? – Brittany perguntou.

– Desculpe? – Santana retrucou, olhando para a loira.

– Os sinos. – Brittany esclareceu – Muito incômodos?

– Ah! Sim, sim, quer dizer, não, digo, um pouco... – Santana disse atrapalhada.

– Você acostuma – a loira disse com um sorriso largo – Quer dizer, eu os odiava quando vim para esse quarto. Mas agora... Não sei. Acho que gosto deles, na verdade.

– Gosta?

– Gosto. A música impressa no badalar, a melodia dos sinos... Me da vontade de dançar.

– Você dança? – Santana perguntou arqueando uma sobrancelha.

– Danço. Ou dançava. Desde que mudou a direção não danço mais. O coral foi fechado, assim como os outros grupos culturais. Isso é um saco.

– Quem é a diretora?

– Ah, você não a conheceu? – Brittany perguntou com um sorriso amargurado – É a irmã Margaret Lewis. Sra. Lewis, ou Velhota Megera para os mais íntimos.

– Não a conheci. – Santana respondeu

– Então se considere sortuda.

A latina resolveu não insistir no assunto, pois percebeu a mudança no feitio da loira. Brittany levantou e pegou o seu uniforme, começando a despir-se rapidamente. Santana perdeu os olhos na pele pálida da loira, no corpo malhado e na barriga definida.

– Não quero te apressar, mas temos café em quinze minutos. – Brittany disse de costas para Santana – E a Megera não gosta de atrasos.

Santana corou furiosamente e levantou para se arrumar. Vestiu seu uniforme novo rapidamente e penteou os cabelos longos. A morena lutava com a gravata, tentando desesperadamente acertar o nó.

– Deixa eu te ajudar com isso – Brittany disse, aproximando-se de Santana.

A loira prendeu a gravata vermelha no pescoço moreno e começou lentamente a fazer o nó. Santana tentava controlar a respiração acelerada, mas não conseguia tirar os olhos dos lábios da loira.

– Prontinho – Brittany disse sorrindo de leve – Em pouco tempo você pega o jeito. Eu demorei um pouco, mas sempre tive alguém para me salvar e... Bom, você tem a mim.

Santana sorriu e pegou seus materiais, seguindo Brittany em direção à porta. As duas caminharam conversando calmamente até o refeitório, onde algumas pessoas já sentavam. Brittany caminhou em direção a algumas meninas e Santana ficou perdida no meio, sem saber muito o que fazer e rezando para encontrar Quinn quando sentiu um braço puxá-la para as mesas.

– Vem, senta com a gente. As meninas não mordem. – Brittany disse com um sorriso brincalhão.

Santana deixou-se levar pela mão de Brittany até a mesa onde uma menina asiática e outra de cabelos castanhos claros estavam sentadas.

– Santana, essas são Sugar e Tina. Meninas, esta é Santana, minha colega de quarto. – Brittany disse, fazendo rápidas apresentações.

– Você veio daquela escola que fechou, certo? – Tina perguntou.

– Certo – respondeu Santana.

– Olhem quem vem lá. E trás companhia! – Sugar disse alegremente.

Santana olhou para trás e viu uma menina baixinha com o nariz avantajado e ao seu lado, ninguém mais, ninguém menos do que Quinn Fabray.

– Lopez! Sentiu muito a minha falta? – Quinn perguntou abrindo um sorriso ao ver a amiga.

– Não imagina o quanto. – Santana respondeu ironicamente, mas retribuindo o sorriso.

– Aposto que a sua colega nova não é tão legal quanto eu. – Quinn retrucou.

– Não. Ela é mais. E não ronca a noite. – Santana respondeu sorrindo – Quinn, esta é Brittany, minha colega de quarto. Brittany, essa é Quinn, o pária na minha vida.

– A sua melhor amiga... – Quinn cantarolou – Prazer Brittany.

– Ok! Quinn, estas são Sugar, Brittany, Tina e vejo que já conhece Santana. Mas eu não. Santana, sou Rachel. – A baixinha disse, apresentando-se.

Santana estava prestes a responder quando uma mulher adentrou o refeitório, fazendo com que todas se calassem. Santana sentiu um frio na espinha ao ver a freira e sentou-se ao lado de Brittany.

Essa é a Megera. – A loira sussurrou.

A mulher era realmente velha. Parecia ter saído de um museu, do meio da sessão das múmias. Todas as pessoas pareciam temê-la, inclusive a coordenadora. Santana baixou os olhos e Brittany pousou a mão perto da sua. A morena ficou tentada a segurá-la, mas não o fez. Apenas desviou os olhos para Quinn.

– Quem é a velhaca? – A loira perguntou.

– Cale a boca. – Santana respondeu – Ela não gosta de ouvir conversas.

– E desde quando você se importa?

– Desde que descobri que ela é pior que a nossa ex-diretora.

Quinn engoliu em seco e voltou os olhos para seu prato. O café da manhã fora realizado em silêncio.

Xxxxxxxx

Santana caminhava pelos corredores da American Boarding School tentando desesperadamente achar o caminho certo para a aula de Latim. A morena já estava prestes a desistir quando sentiu uma mão pressionar seu ombro.

– Perdida? – Brittany perguntou ajeitando a alça da mochila.

– Como vocês se acham aqui? Os corredores são todos iguais. Tenho quase certeza de que é a quarta vez que passo por aqui. – Santana respondeu.

Brittany soltou uma risada alta e aproximou-se de Santana.

– Nós damos um jeito. Qual é a sua próxima aula? – A loira perguntou.

– Latim.

– Sorte a sua. Vai ficar na melhor turma.

– Vou?

– Vai. Qualquer aula comigo é sempre a melhor. – Brittany retrucou sorrindo.

– Convencida. – Santana disse antes de começar a seguir a loira que ria sozinha.

As duas chegaram à sala um pouco antes da professora entrar. Santana tentava ao máximo concentrar-se, mas ficava desviando seus olhos para Brittany o tempo todo. No fim da aula, as duas saíram juntas. Brittany acompanhou Santana até a aula de Inglês, e depois foi busca-la. Assim fizeram o dia inteiro.

Xxxxxx

– E ai, Santana. O que achou da escola? – Brittany perguntou.

– Não é tão ruim. E você tem razão, os corredores não são todos iguais. Mas eu ainda não consigo me achar por aqui – Santana respondeu, vestindo o pijama.

– Eu disse que você ia gostar.

– Ponto para você.

A latina deitou-se na cama, cobrindo-se com os cobertores. A noite estava horrível, com um temporal por toda a cidade. Santana estava prestes a levantar para apagar a luz quando um raio cortou os céus e a energia caiu.

– Ótimo – A latina resmungou, voltando para a cama.

Santana aconchegou-se e murmurou “Boa noite”, mas não obteve resposta.

– Brittany? – chamou. Sem resposta.

A latina levantou-se de sua cama e caminhou até onde estava a loira. Ela tateou pelo colchão até encontrar seu corpo magro em posição fetal.

– Não gosta de tempestades? – Santana perguntou.

– N-n-não.

– Então vai para o lado.

– O q-quê? – Brittany perguntou.

– Eu vou dormir com você. Não quero que fique sozinha agora. – ela disse deitando ao lado da loira. – Boa noite, Brittany.

Brittany deu lugar para a morena que se aconchegou e a abraçou pela cintura. A loira sorriu e apertou a mão de Santana, aconchegando-se no peito da morena.

– Boa noite, Santana.

Notas finais
Aprovado?