Notas iniciais
Boa noite! Capítulo demorado, mas saiu.

O sol da tarde batia forte no quarto 689. Santana estava provavelmente sentada na aula de física, tentando decorar mais uma das impossíveis fórmulas, das quais não iria lembrar-se mais em poucas semanas. Brittany, por sua vez, estava sentada na escrivaninha do quarto, encarando fixamente uma carta que chegara há poucos dias. A loira estava estática, não sabia o que fazer ou o que dizer. Suas mãos tremiam, assim como o resto do seu corpo. Não podia ser verdade, não podia acreditar que estava acontecendo.

A loira sentiu os olhos marejarem. Havia lutado tanto tempo para esquecer do que acontecera e agora, em questão de minutos, tudo viera à tona. Caminhou até o seu armário e pegou a caixa que sempre mantinha trancada. Pegou a pequena chave e a abriu, após quase três anos sem sequer olhar para ela. Pegou algumas fotos e permitiu-se derramar algumas lágrimas, as que acumulara dentro de si por tantos anos. Guardou as fotos e junto delas a carta, trancando a caixa. Ela estava seguindo em frente, queria prosseguir assim. Mas daquele jeito, as coisas seriam impossíveis.

Brittany deitou-se na cama, olhando fixamente para o teto. Abraçou o travesseiro da namorada, que tinha seu perfume impregnado, e escondeu o rosto nele, como se quisesse sumir do mundo. Embriagou-se com o cheiro do cabelo da morena, a única droga que poderia fazê-la esquecer da vida lá fora por alguns momentos. Santana era sua Heroína, a única pessoa no meio de bilhões que poderia fazer com que Brittany se sentisse especial. E era sua.

A loira acabou por pegar no sono, abraçada ao travesseiro da latina. Sonhou com as imagens do dia que destruíra a sua vida, o real motivo de estar em um internato. Há tempos não acontecia isso, para ser mais exata, desde que Santana começou a dormir com ela. As noites de chuva costumavam atordoar seus sonhos, fazendo-a lembrar. Mas quando dormia com Santana, seu corpo relaxava, e ela se permitia sonhar com algo que não a deixasse tão mal.

Santana entrou no quarto e encontrou o corpo da loira trêmulo, como se estivesse febril. Brittany chorava desesperadamente, soluçando alto e debatendo-se na cama. Santana atirou a mochila no chão e correu para o lado da loira, abraçando sua cintura. A latina segurou os braços de Brittany um pouco acima de sua cabeça e beijou os lábios da loira, fazendo-a parar de soluçar. As lágrimas continuaram rolando por seu rosto, assustando Santana. Quando Brittany finalmente abriu os olhos, Santana sentou-se por cima da loira e puxou-a para seus braços.

- Britt, o que houve? – Santana perguntou afagando os cabelos louros.

Brittany apenas fungou e escondeu o rosto na curva do pescoço da morena. Santana afastou-se e beijou os lábios da loira, arrancando um pequeno sorriso dos mesmos.

- E-eu tive um pesadelo. – Brittany sussurrou.

- Quer conversar? – Santana perguntou calmamente.

- N-n-não. – Brittany gaguejou – A-a-agora não, San.

A morena apenas assentiu, sentando-se na cama e puxando o corpo da loira contra o seu peito. Brittany ajeitou-se melhor e beijou o pescoço de Santana, encostando a cabeça em seu ombro.

- Quando quiser conversar... – Santana disse – Eu vou estar aqui. Eu vou sempre estar, Britt-Britt.

- Eu sei, San. Eu sei.

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Holly Holiday caminhou pelos corredores escuros da escola mais uma vez aquele ano. Estava mais frio do que o normal, e ela daria tudo para ficar no aconchego de sua cama, mas teve que ficar até tarde em sua sala corrigindo pilhas de provas. Agora, no meio da noite, finalmente conseguiria voltar para a segurança e conforto de seu quarto.

A professora estava prestes a subir o último lance de escadas quando uma menina loira passou correndo por ela. Holly franziu a testa e seguiu a garota até o pátio. Estava congelando, e a menina trajava apenas uma calça de moletom e uma regata, deixando a professora ainda mais preocupada.

A loira entrou correndo no bosque, sendo seguida por Holly. Ela ainda não conseguira reconhecer o rosto da menina, mas sabia que era sua aluna. Caminhou silenciosamente atrás da garota e parou, observando-a cair de joelhos na grama e chorar ruidosamente. Seu corpo tremia, provavelmente por causa dos soluços e do frio. A professora hesitou em se aproximar, mas logo reconheceu o rosto da menina. Caminhou calmamente até o seu lado e tirou o casaco de seus ombros, colocando nos da loira.

A menina virou o rosto para ela e levantou-se em um salto, com o corpo ainda tremendo. A professora aproximou-se calmamente e depositou um braço ao redor dos ombros da menina, abraçando-a. A loira não hesitou em chorar ainda mais, recebendo o abraço da professora.

- Vamos entrar. – A professora disse – Você precisa se aquecer.

- Não – A loira respondeu fungando – Eu preciso de ar.

- Eu prometo que eu abro a janela para você. – A mulher disse, com um sorriso doce nos lábios – Mas se você for ficar aqui embaixo, devo alertá-la que também vou ficar.

- Por favor, me deixe sozinha. – a loira pediu.

- Não. Eu não posso deixar uma aluna sozinha à essa hora na rua. Além do mais, você pode pegar uma pneumonia com esse frio.

- Prometo que não vou – A loira respondeu.

- Deixe de ser teimosa. – a professora retrucou – Vamos subir. Não precisa conversar se não quiser, mas me recuso a te deixar aqui embaixo.

- Srta. H, eu preciso...

- Precisa parar de me contrariar, Srta. Pierce. – A professora interrompeu – Você pode subir comigo e eu não direi nada a respeito, a não ser que queira conversar. Ou você pode ficar aqui embaixo e eu peço para a sua namorada vir te buscar.

- Não faria isso.

- Vai pagar para ver?

Não. Brittany não iria. Apenas aceitou o braço acolhedor da professora e subiu para o dormitório, com os olhos ainda vermelhos de tanto chorar.

A professora abriu a porta e indicou para que Brittany entrasse. A loira sentou-se na beirada da cama, abraçando os joelhos e escondendo o rosto. Holly sentou-se ao lado da menina, passando os braços ao redor de seu corpo.

- Ela vai voltar, Srta. H. – Brittany murmurou – Ela vai voltar e vai trazer tudo à tona. Eu... Eu estava melhorando. Santana estava me ajudando a melhorar. Eu não estava mais tendo pesadelos, nem em noites de temporal. E hoje eu dormi de tarde, e sonhei com tudo aquilo de novo.

- Sabia que não conseguiria fugir disse para sempre, Brittany – A professora falou – Conte a ela. Ela é sua namorada, merece saber. Você sabe disso.

- Eu não consigo. – Brittany disse – Ela nunca iria gostar de mim novamente.

- Não é verdade. – A Srta. Holiday disse.

- É sim. Você gostaria de alguém como eu? Depois do que eu fiz? – Brittany perguntou chorosa.

- Brittany, foi um acidente. Você nunca faria aquilo por mal. Precisa parar de se culpar por isso.

- Fala como se fosse fácil – a loira disse magoada – Você conseguiria esquecer?

A professora abriu a boca, mas se calou. Brittany sorriu amargurada.

- Não. Não conseguiria – A loira disse – Não foi minha culpa? Foi sim! E eu vou eternamente me culpar por isso, não importa o que diga.

Holly abraçou a aluna que voltou a chorar compulsivamente. Não sabia bem o que dizer, porque não havia o que ser dito. Brittany levantou-se subitamente, tirando o casaco e entregando à professora.

- Aonde vai? – Holly perguntou.

- Para o meu quarto – Brittany respondeu – Vou dormir com a minha namorada. Eu preciso dela agora, Srta. H. Como nunca precisei de ninguém.

Notas finais
Aprovado?