Notas iniciais
Noite!

- E quem foi? – A latina perguntou.

Brittany engoliu em seco e respirou fundo.

- Jennifer.

Brittany fechou os olhos com força, arrependendo-se de ter iniciado aquela brincadeira. Esperou pelas palavras raivosas de Santana, por um ataque de ciúmes, mas não aconteceu. Abriu os olhos receosa e encontrou as íris escuras a encarando com certa mágoa. Para Brittany, aquilo era pior que um tapa.

- Não... – ela murmurou estendendo os braços para Santana e a puxando para o seu peito. A latina entregou-se ao abraço e deitou a cabeça no peito da loira, sentindo-se consumida pelo ciúme e tristeza.

Brittany afastou o rosto de Santana de seu peito e o segurou entre suas mãos, acariciando suas bochechas. A latina tinha os olhos marejados, o que destruiu Brittany por dentro.

- Eu não vou continuar com esse jogo se estiver te machucando. – a loira sussurrou, afastando algumas lágrimas que escorreram na bochecha da latina. – Eu amo você, Santana. Eu juro que o que aconteceu entre mim e a Jennifer não foi nada de mais, mesmo. Você é a única pessoa que eu amo, e eu não quero que fique assim.

A latina assentiu e inclinou-se na direção dos lábios de Brittany. A loira sentiu o gosto amargo das lágrimas de Santana ainda escorrendo por suas bochechas. Sabia que a latina estava sentindo ciúmes da ruiva, e também sabia que não seria uma boa ideia apresenta-las tão cedo. Brittany odiava o fato de que Santana simplesmente não conseguia descontar sua raiva nela. Odiava o fato de que o único jeito de Santana se sentir um pouco menos frustrada era chorando.

- Eu quero continuar. – Santana disse com mais firmeza na voz, afastando-se dos lábios de Brittany.

- Não – A loira disse cruzando os braços – Você vai chorar de novo, e eu odeio te ver triste. Principalmente quando a culpa é minha.

Santana riu do beicinho que Brittany fez e puxou-a em um abraço apertado.

- Birrenta – Santana disse, apertando a loira em seus braços – Vamos continuar sim.

- Não. – Brittany teimou, virando o rosto.

A latina riu mais alto e pulou em cima da namorada, derrubando-a de costas. Brittany tentou afastar a latina, mas Santana segurou seus braços acima de sua cabeça.

- Britt, eu estava pensando... Tem uma coisa que eu queria muito saber sobre você. – Santana disse com um sorriso torto no rosto.

- O quê? – A loira perguntou, desistindo de lutar com a namorada.

- Você tem cócegas? – Santana perguntou sorrindo.

Brittany arregalou os olhos azuis e negou freneticamente com a cabeça. Santana arqueou as sobrancelhas, deixando um sorriso malandro tomar o lugar das lágrimas e segurou Brittany com só uma das mãos.

- Eu posso conferir? – A latina perguntou.

Brittany tentou desvencilhar-se, mas Santana manteve-se firme. A latina rapidamente começou a fazer cócegas no pescoço de Brittany, fazendo a loira se contorcer e ter um ataque de risos. Santana ria da namorada e descia as mãos por seu corpo, fazendo Brittany ficar sem ar. Em um ágil movimento, a loira segurou Santana pela cintura e derrubou-a na cama, ficando por cima dela. Brittany ficou alguns segundos ofegante, tentando recobrar o fôlego.

- Isso foi maquiavélico – Brittany reclamou, arrancando uma risada de Santana.

- Nunca me diga “não”, Brittany Susan Pierce. – Santana retrucou, puxando a loira para o seu lado.

Brittany riu da namorada e abraçou-a pela cintura, pousando o rosto na curva do pescoço de Santana.

- Nunca teve uma namorada? Nem um namorado? – Brittany perguntou e Santana negou com a cabeça – Não posso crer! A latina mais linda e gostosa de todo o planeta nunca namorou? Não pode ser verdade, você está inventando para eu não ficar com ciúmes.

- É verdade, B! – Santana disse, em meio a uma gargalhada – Minha irmã costumava a me incomodar por isso. Ela arrumou um namorado antes de mim, ai ficava me enchendo a paciência.

- Irmã mais velha ou mais nova? – Brittany perguntou.

- Mais nova. – a morena respondeu.

- Ah! Eu sei bem como é! Meu irmão vivia me incomodando por qualquer coisa.

- Você tem um irmão? – Santana perguntou, virando-se para a loira.

Brittany engoliu em seco, desviando os olhos de Santana. A morena franziu a testa e aproximou-se da namorada, acariciando sua bochecha.

- B, o que há de errado? – Santana perguntou preocupada.

- Eu tinha um irmão. Ele morreu – a loira disse com os olhos cheios d’água – E a culpa foi minha.

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Quinn divertia-se mirando bolinhas de papel nas pessoas que passavam pelo corredor. Para a sua sorte e tédio, a luz ainda não havia voltado, fazendo com que a loira fizesse as mais variadas estupidezes que pudesse pensar. Havia cogitado jogar água fria em Santana enquanto ela dormia, mas Brittany não pensaria duas vezes antes de pular em seu pescoço, então deixou fora de cogitação.

Preparou mais algumas bolinhas de papel com cola e voltou para a escuridão. Esperou a próxima vítima, que não tardou a chegar. Uma menina, oitava série provavelmente. Quinn colocou as bolinhas na ponta do canudinho e soprou. Bingo! A menina nem percebera.

Preparou mais algumas outras e ficou em posição assim que ouviu passos no corredor. Estava prestes a soprar quando viu quem era. Uma velhota com uma corcunda bem visível nas costas. Quinn deu seu melhor sorriso e preparou-se para abrir fogo nas costas da desagradável Megera. A velha parou no corredor, examinando um quadro antigo. Para Quinn, aquele foi o sinal. Mirou na mulher e começou a soprar as bolinhas. Jogou tantas que as costas da diretora ficaram completamente brancas e gosmentas. A loira abafou um riso e deu-se por satisfeita, juntando suas coisas e correndo para fora da escola.

Encontrou a professora Holiday observando a montanha de neve que se formara nos longos dias da nevasca. A mulher a cumprimentou com um sorriso e Quinn fez sinal para que ela a seguisse.

As duas loiras caminharam pelo internato silenciosamente. Assim que Quinn viu uma sombra no corredor, puxou a professora para a parede e fingiu estar conversando com ela. Quinn mordeu o lábio inferior para não gargalhar quando a velhota passou e as cumprimentou.

- Boa tarde Srta. Holiday. Srta. Fabray.

- Boa tarde, Sra. Lewis. – As duas loiras responderam em uníssono.

Quando a velha deu as costas, Quinn cutucou a professora e apontou para a sua obra de arte. A mulher mordeu os lábios com força para abafar o riso quando viu as costas da roupa da freira completamente cheias de cola.

- Você não presta, Fabray.

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O jantar foi relativamente tranquilo. Quinn tentava se concentrar na comida, mas tudo no que conseguia pensar era na cara da velha quando visse sua roupa repleta de cola. Rachel e as outras meninas do coral também acharam graça da brincadeira e ajudaram a loira a dar um fim nas “armas” do crime. Quinn sentiu falta de Santana. Ela teria brigado com a amiga por não tê-la convidado para participar.

- Onde está a Lopez e sua namorada? – Quinn perguntou, mordendo um pedaço da sua pizza.

- Devem estar se agarrando em algum canto da escola. – Sugar respondeu, dando de ombros.

Quinn estava prestes a retrucar quando a velha diretora adentrou no refeitório com cara de poucos amigos.

- Eu já vi o que fizeram! – A mulher esbravejou – E eu vou achar a culpada, nem que seja a última coisa que eu faça!

Notas finais
Aprovado?