Notas iniciais
Boa noite!

Santana acordou com uma dor de cabeça horrível. Sentia-se como se tivesse acordado de ressaca. O problema é que ela não bebeu. A latina levantou da cama em um salto e correu para o banheiro. Brittany acordou assustada e seguiu a morena. A latina inclinou-se para vomitar e Brittany rapidamente segurou seus cabelos.

Santana sentia dores por todo o corpo e uma ânsia de vômito constante. Brittany pegou a latina nos braços e a carregou para fora do quarto, direto para a enfermaria. A morena ardia em febre, o que estava matando Brittany por dentro. Ela foi o mais rápido que suas pernas permitiam, diminuindo a velocidade apenas na porta da enfermaria. Bateu desesperadamente e uma mulher logo veio atendê-las. Brittany repousou o corpo de Santana em uma das macas, segurando a mão da garota. A latina tinha uma careta no rosto, enojada do gosto em sua boca e sentindo-se pior do que das outras vezes que ficara doente.

– Está tudo bem, San. Elas vão cuidar de você, eu vou cuidar de você. – Brittany sussurrou, apertando a mão da latina.

A enfermeira tirou a temperatura de Santana e constatou que a morena estava com 40° de febre. Brittany ficou apavorada, apertando a mão de Santana com mais força.

– Tenho que leva-la para o hospital. – A enfermeira disse.

– Eu vou junto. – Brittany respondeu apertando a mão da garota. – Ela precisa de mim. Por favor. Eu juro que vou me comportar.

A enfermeira arqueou uma sobrancelha e por fim suspirou.

– Tudo bem. Vá se vestir e pegue algumas roupas para vocês duas. Não sei quanto tempo ela ficará lá. – a enfermeira disse – Vá rápido enquanto eu pego o carro.

Brittany assentiu e voou escada à cima. Vestiu-se o mais rápido que pode e colocou roupas em uma mochila. Pegou a escova de dentes e estava prestes a sair quando lembrou-se das amigas. Rabiscou um bilhete que não seria entendido pelas freiras, mas qualquer uma das Troubletones poderia compreender. Voltou para a enfermaria e encontrou a mulher já tentando erguer Santana.

– Eu cuido dela – Brittany disse, pegando a morena nos braços e a carregando até o carro.

Brittany sentou no banco de trás, deitando a cabeça de Santana em seu colo. A latina gemia baixinho, como se não quisesse que Brittany ouvisse. Sem pensar duas vezes, Brittany inclinou o rosto e beijou os lábios de Santana. Quando percebeu o que havia feito, levantou o rosto em direção à enfermeira. Ela havia visto. Mas ao mesmo tempo, um sorriso doce estava em seus lábios.

– Eu não vou contar. – Ela disse.

– Obrigada – Brittany respondeu, suspirando aliviada.

– Qual é o seu nome, garota? – A mulher perguntou.

– Brittany. Brittany Pierce. E esta é Santana Lopez.

– Sua namorada?

– Eu... Não tenho certeza. – Brittany respondeu.

– Entendo. Bom, meu nome é Olivia. Eu vou cuidar de vocês, não se preocupem. – a mulher assegurou.

Brittany sorriu em resposta. Desceu os lábios novamente em direção à Santana e os tomou. A latina pousou a mão no rosto de Brittany e acariciou sua bochecha, fazendo a loira sorrir. Santana procurou a mão da garota e a segurou em seu peito. Brittany tranquilizava Santana. A latina sentia-se segura nos braços da loira. Ou melhor, da sua loira.

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Olivia era uma mulher jovem, com seus trinta e poucos anos. Tinha olhos castanhos, assim como os cabelos sempre presos em um rabo de cavalo. Usava óculos de grau forte, devido a uma doença que fora conseguira retardar na infância antes que ficasse cega. Era magra, tinha feições joviais delicadas e a voz suave. Era uma mulher extremamente séria, desde a morte do marido recusava-se a sorrir. Desde que ele se fora, não buscara mais o amor.

Antes, era médica de um renomado hospital. Mas depois, transferira-se para o internato. Lá, nunca haveria amor. Não haveria pessoas mentindo uma para as outras por interesses mundanos, não haveria dor e sofrimento por alguém. Ela não acreditava no amor. Não acreditava que ele pudesse ser encontrado, principalmente em um lugar tão infeliz.

Mas agora, via-se frente com o amor mais puro que já havia visto. Via duas meninas, que conseguiram encontrar um sentimento que durante tantos anos ela julgara inexistente em um lugar onde elas tinham tudo para nunca ficarem juntas, nunca serem felizes. Mas elas ultrapassaram barreiras improváveis, lutaram contra o preconceito no colégio, e ali estavam. Olivia sentia que talvez pudesse acreditar novamente.

Santana fora levada para a ala de observação. Seria examinada e diagnosticada, e provavelmente teria que passar um dia ou dois no hospital. Brittany andava de um lado para o outro, mexendo nos cabelos louros nervosamente. Olivia a observava, sem saber ao certo como confortá-la. Caminhou até Brittany e levou-a para a revistaria do hospital. Olivia a convencera de que Santana demoraria ainda, então tinham tempo suficiente.

– Há quanto tempo estão juntas? – Olivia perguntou.

– Um mês e meio – Brittany respondeu abrindo um sorriso.

– E vocês não estão namorando? – A mulher perguntou.

Brittany sacudiu a cabeça.

– Eu queria ter as alianças para pedir, sabe? San gosta de coisas românticas.

Olivia sorriu para ela. Há tempos não sorria tanto.

– Então amanhã vamos compra-las. O que me diz? – Olivia perguntou.

– M-m-mas eu não tenho nenhum dinheiro. – Brittany gaguejou.

– Eu pago – Olivia retrucou calmamente.

– O quê? Não me leve a mal, mas eu não posso aceitar. Não teria nem como te pagar.

– Você me deu mais do que muita gente, Brittany. Você e Santana me mostraram que o amor existe sim, vocês me fizeram voltar a acreditar. Eu nunca poderia te pagar por isso. – a mulher falou.

Brittany olhou com um olhar duvidoso para a mulher à sua frente. Ela parecia ser sincera no que dizia, parecia realmente querer fazer aquilo, mas ainda assim não conseguia entender o porquê. Elas mal se conheciam, e mesmo assim a mulher queria ajuda-las.

– Brittany, por favor, aceite. – a mulher pediu.

– Eu... Eu não entendo – A loira disse.

– E não tente. Apenas saiba que se você tivesse passado por tudo o que eu passei, não acreditaria mais no amor. Eu passei anos sem esboçar um sorriso, sai de um renomado hospital para me isolar de qualquer possibilidade de encontrar o amor. E então vieram vocês. É a primeira vez em seis anos que eu sorrio de verdade. Eu sei que soa confuso, mas é difícil de explicar. Me deixe ajudar, Brittany. Você quer fazê-la feliz, que mal há?

Brittany suspirou e logo em seguida abriu um sorriso.

– Tudo bem, eu aceito.

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Santana acordou sem tantas dores, apenas um pouco enjoada. Conseguia sentir a anestesia em sua corrente sanguínea, deixando-a levemente tonta. Virou a cabeça para o lado e deduziu que estava em um hospital. Não sabia nem como havia parado ali, só lembrava de Brittany a carregando nos braços para algum lugar. Depois, ficou semi-desacordada. Lembrava-se vagamente de estar em um carro e de sentir os lábios da loira pressionando os seus, mas mais nada.

Revirou-se na cama e instantaneamente sentiu-se sozinha. Brittany não estava, e ela sentiu um vazio enorme no peito. De repente, ouviu o som da descarga no banheiro e a porta abriu-se, revelando uma loira com a aparência cansada. Santana abriu um sorriso brilhante ao vê-la e estendeu os braços. Brittany sorriu de volta e foi em direção à latina, abraçando-a com força.

– Você me deixou preocupada – Brittany falou contra o pescoço de Santana.

– Me desculpe Britt. – a latina falou, afastando-se do corpo da garota e selando seus lábios.

– Não foi sua culpa, você estava com uma infecção. Mas já está melhor, San. Amanhã você terá alta.

Santana assentiu e puxou o rosto da loira para beijá-la. A morena deu espaço para que Brittany deitasse ao seu lado, passando o braço ao redor do pescoço da garota.

– Britt, você comeu alguma coisa? – Santana perguntou no instante em que a porta abriu.

– Não, ela não comeu, mas vai comer agora antes que nós tenhamos que ficar mais alguns dias no hospital. – uma mulher desconhecida falou.

– San, essa é Olivia. Ela é enfermeira da escola e trouxe você para cá. – a loira disse acariciando a bochecha da morena.

– P-p-prazer. – Santana gaguejou.

– Não se preocupe, querida. Eu sei sobre vocês. – Olivia disse tranquilamente, entregando um pacote para Brittany. – Coma, ou eu vou mandar te internar por Bulimia.

– Sim senhora – Brittany respondeu puxando o pacote.

A latina deitou a cabeça no ombro da loira e fechou os olhos, voltando a sentir o efeito da anestesia. Assim que a morena dormiu, Brittany olhou para Olivia.

– Tudo pronto? – ela perguntou.

– Perfeito – a mulher respondeu, entregando uma caixinha para a loira.

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– Não é possível, sabe-se deus o que aconteceu com essas duas! – Quinn disse enquanto caminhava em direção ao quarto das amigas.

– Vai ver dormiram demais, Quinn – Rachel respondeu.

– Santana nunca dorme demais, Rachel. Não a esse ponto, pelo menos. Eu conheço a minha melhor amiga.

– Ok. Mas Brittany... Bem, não posso dizer o mesmo.

Quinn bateu na porta uma, duas, três vezes. Nada. A loira puxou a chave que tinha do quarto das amigas e entrou. Encontrou a cama de Santana arrumada e a de Brittany completamente bagunçada. Ela olhou ao redor e encontrou um pedaço de papel com alguns símbolos desenhados nele. A loira leu e rapidamente compreendeu a mensagem.

– Santana está no hospital – Quinn falou, amassando o papel.

Notas finais
Aprovado?