Colégio Interno - Brittana
69 Decisões
Notas iniciais
As meninas demoraram mais alguns minutos até se vestirem e se arrumarem mais propriamente. Brittany tinha um sorriso satisfeito nos lábios, tentando acompanhar os passos apressados de Santana até o quarto das amigas. A loira havia feito Santana se atrasar ainda mais, pois cada vez que ela tentava colocar uma peça de roupa, Brittany a puxava de volta para a cama. Foi uma luta para conseguir se vestir, mas no fim ela conseguiu convencer Brittany que precisavam procurar as amigas, antes que ficasse muito tarde e aumentassem as possibilidades de elas serem pegas vagando sozinhas pelos corredores.
Antes que pudessem bater na porta, Quinn a abriu, quase se chocando contra o corpo de Santana.
– O que vocês estão...
– Entra, loira azeda. – Santana cortou, puxando Quinn para dentro. – Berry, desliga o rádio.
– Mas eu quero ouvir a Barbara e...
– É mais importante do que essa mulher, acredite. – Brittany disse, sentando ao lado de Rachel. – É sobre a Megera.
Brittany não tomou muito tempo explicando todos os detalhes, apenas disse o necessário para as amigas. Quinn olhava para a loura com uma expressão confusa no rosto, enquanto Rachel mexia nervosamente no fecho do casaco.
– E mais, a Sra. H disse que nós podemos confiar nela. – Santana reforçou. – Vocês precisam vir.
– Eu não sei, Santana. – Quinn murmurou.
– Você não está falando sério, está? – Santana indagou, parecendo nervosa. – Quinn, nós estamos juntas em tudo há anos! Você não pode simplesmente me abandonar agora.
– Você ainda tem a Britt... – Quinn argumentou.
– É, mas a Britt é a Britt, você é você. – Santana devolveu. – Eu amo a Brittany, e eu quero que ela fique comigo, mas eu não vou abrir mão de você. – Enfatizou. – Quinn, eu preciso que você venha.
– Você não entende, Santana.
– Não, eu não entendo. – ela retrucou. – Sinta-se à vontade para me explicar.
Quinn respirou fundo e procurou os olhos de Rachel. Ela assentiu para a namorada, como se quisesse encoraja-la a discutir o assunto com Santana.
– Meu pai veio me procurar hoje. – Quinn contou. – Ele me pediu desculpas. E me ofereceu um recomeço. Para mim, Rachel e Beth.
Santana voltou a desabar na cama. Nem percebeu o instante que havia levantado, ou que os dedos de Brittany haviam prendido o seu pulso, como se estivesse com medo do que ela pudesse dizer ou fazer.
– E o que você disse? – Brittany perguntou, acariciando as costas da namorada suavemente.
– Eu disse que ia pensar. – Quinn murmurou em resposta. – E-eu não sei o que eu vou fazer. É tudo muito confuso. Quer dizer, ele esperou esse tempo todo pra me dizer que queria ter uma família comigo de novo? É confuso.
Santana permaneceu inerte na cama, deixando que Brittany envolvesse sua cintura em um abraço reconfortante. Estava irritada com Quinn. Ela não podia voltar a confiar naquele homem. Não depois do que ele havia feito. E ela não podia simplesmente abandona-la assim, não depois de tudo o que passaram juntas. Ela era a sua família. Ela nunca havia a deixado para trás. E agora, Quinn estava a ponto de esquecer tudo isso porque o seu pai voltara com uma história mirabolante e um estúpido pedido de desculpas por ter tentado matar a própria neta e ter jogado a filha em um internato só para não ter que aguenta-la.
Aquilo tudo era demais para Santana. Ignorando o pulso firme de Brittany, ela levantou da cama e, sem dizer mais nenhuma palavra, saiu do quarto batendo a porta com força.
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Já havia passado mais de uma hora desde que Santana e Brittany haviam deixado Annie com Holly para buscar a mala da menina. E aquilo estava começando a enlouquecer a mulher.
Não que ficar com Annie fosse um esforço. Mas quanto tempo se leva para pegar uma mala? Elas não tinham nenhuma deficiência nos braços, que Holly soubesse.
– Já chega, eu vou atrás delas. – Ela disse decidida, levantando da escrivaninha. – Vocês ficam bem sem mim?
– Mhm. – Olivia concordou. – E tome cuidado.
Assentiu distraída e abriu a porta do quarto. No instante em que botou o pé no corredor, sentiu seu corpo chocando-se com alguma outra pessoa, lançando-a para trás. Cambaleou um pouco até recuperar o equilíbrio e levantou os olhos, surpresa ao ver Quinn.
– E-eu preciso de ajuda. – A loira gaguejou, caminhando até a professora e fechando a porta do quarto. – Eu não sei o que eu faço.
– Quinn, não é uma boa hora. – Holly disse, tentando tirar a loira do caminho. – Eu preciso achar Santana e Brittany, e...
– Elas estavam no meu quarto, — Quinn disse apressada, antes que a mulher abrisse a porta. – E é sobre isso que eu quero falar. Elas me contaram da Megera.
Holly parou ao ouvir o apelido, o qual ela mesma havia espalhado, e voltou-se para Quinn. Sentou ao lado de Olivia e fez sinal para que a loira prosseguisse.
Quinn não demorou muito na história. Tentou contar os detalhes de forma mais completa possível, desde que descobrira a morte da mãe até as ofertas que recebera para finalmente conseguir sair da escola.
– Eu não sei com quem eu fico. – Quinn explicou. – Santana é praticamente uma irmã para mim, eu não posso deixa-la para trás. Mas ele é o meu pai. E eu quero confiar nele, eu quero dar uma segunda chance a ele, mas eu não sei se eu posso. E eu conheço a Santana. Se eu for embora, ela nunca vai me perdoar. Mesmo que ela queira, o orgulho dela é muito maior do que isso.
– Eu não sei o que te dizer, Quinn. – Holly respondeu. – Você tem duas famílias, e vai ter que escolher uma delas. A não ser que queira ficar aqui até se formar.
Quinn soltou um gemido frustrado e enterrou o rosto nas mãos. Concentrou-se na própria respiração, tentando não surtar. Holly levantou e sentou ao seu lado, encostando a mão no ombro da loira.
– Eu não posso ajudar nisso, — ela murmurou. – mas, talvez eu conheça alguém que possa.
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Aquela devia ser uma das piores ideias que Quinn já havia tido na vida. Mas agora era tarde demais para voltar atrás. E além do que, ela não tinha nada a perder. Inspirou profundamente, tentando se recompor ao máximo, e bateu na porta.
Ouviu um resmungo mandando aguardar, e segundos depois, uma mulher apareceu na porta, parecendo surpresa com a presença de Quinn. A loira também estava surpresa consigo mesma. Ainda não conseguia acreditar que, de todas as pessoas do mundo, havia vindo até ela.
– Será que nós podemos conversar?
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