Colégio Interno - Brittana
60 Brigas
Notas iniciais
Sigam: @JuuPeixe
A chuva já havia voltado a cair havia um tempo. A velha olhava pela janela, assistindo a chegada dos carros caríssimos ao pátio da escola.
Um homem moreno, alto e com cabelos escuros desembarcava do carro, seguido por uma mulher e uma menina de mesma aparência. Santana Lopez, a velha lembrou. Podia ver o homem conduzindo a menina com certa grosseria para dentro da escola. A pequena nada dizia, apenas obedecia ao homem que a empurrava com uma das mãos. Holly Holiday os esperava na entrada. Um pequeno sorriso se instalou em seus lábios enquanto imaginava a quantidade de xingamentos a professora guardava para si ao ver a família Lopez entrando na escola. Um sorriso forçado estava no rosto da loira, e uma expressão nada amigável ao mesmo tempo rondava por si.
Do outro carro, um homem grisalho, com cerca de cinquenta anos, descia do carro solitariamente. Era um senhor barrigudo, com aparência tristonha e cabeça baixa. Russel Fabray, a velha lembrou. Perguntava-se onde raios estaria a Sra. Fabray. Pelo que lembrava, o homem anunciara vir acompanhado da esposa. Holly o recebeu com uma expressão curiosa, mas com o mesmo sorriso forçado dançando em seus lábios. A professora não tolerava os pais das meninas, e Margaret agora se perguntava se fora uma boa ideia coloca-la na recepção.
Observou os pais saindo de vista. Suspirou pesadamente. Sabia que no máximo em meia-hora teria de encontra-los. Pouco lhe agradava tal ideia, mas não teria escolha. E ao menos poderia garantir que as meninas estivessem relativamente seguras com ela por perto.
Mas se preocuparia com isso em alguns minutos. Agora, a sua preocupação maior era abrir as quatro cartas em sua mesa. Três de NYADA e uma de NYU. Respirou fundo e começou a lê-las.
Um sorriso largo estampou-se em seu rosto. Todas haviam sido aceitas. Aquilo era perfeito. Conseguiria mantê-las juntas e longe das famílias. Só precisava de alguém que desse as notícias para as meninas. Ou seja, precisava, mais uma vez, do auxílio de Holly Holiday.
Trancou as cartas na gaveta e contou até dez antes de sair do escritório. Precisava recompor a aparência rígida.
Caminhou com passos curtos pelo corredor. A escola parecia mais escura do que o normal, na opinião da velha. Certamente faltaria luz novamente, o que significa que ela teria que manter os meninos mais um tempo no colégio.
Quando chegou ao hall de entrada, encontrou a Srta. Holiday mostrando algumas partes do colégio para os pais das meninas. Santana segurava uma garota, a qual havia sido empurrada pelo Sr. Lopez, pelos ombros, em uma espécie de abraço desajeitado. Era uma menina muito parecida com ela, de fato. O mesmo rosto, os mesmos cabelos. Apenas uns bons centímetros mais baixa, mas era tudo o que as diferia.
- Boa tarde, — a velha cumprimentou as famílias. – meu nome é…
Antes que sequer pudesse terminar de falar, Rachel Berry irrompeu o hall de entrada ofegando. A pequena precisou parar alguns segundos para se recompor antes de falar.
- S-S-Santana. – Ela gaguejou. – B-B-Britt. Enfermaria.
Santana largou os braços da irmã e ameaçou dar um passo em direção à Rachel, mas antes que o fizesse, uma voz irrompeu no corredor.
- Posso saber o que aconteceu com a minha filha?
Todos se viraram para o homem alto que havia tomado à palavra. Tinha os cabelos louros escuros e grandes olhos azuis. A mulher ao seu lado era mais baixa, tinha os cabelos ondulados e igualmente claros. Os lábios finos da senhora estavam apertados em uma linha fina, e sua expressão era pouco amigável.
- Susan? – Holly chamou. – Mas… o que está fazendo aqui?
- Viemos ver a nossa filha. – a mulher gesticulou, apontando para o homem.
- O que aconteceu com Brittany? – o homem tornou a perguntar. – E quem é você?
Santana engoliu em seco e voltou os olhos para a professora, buscando por auxílio.
- Esta é Santana, Santana Lopez. Ela e Brittany dividem o quarto. – Holly apresentou. – E quanto à Brittany, suponho que possamos descobrir na enfermaria, certo Rachel?
- Certo. – A pequena concordou.
Quinn lançou um pequeno sorriso para a namorada, que passou despercebido pelo pai. O homem andava cabisbaixo, meio indiferente ao que acontecia ao seu redor. Isso atiçava ainda mais a curiosidade de Margaret Lewis. Mas, por agora, suas preocupações eram outras. Como achar uma boa desculpa por Santana quase ter saído correndo de encontro à Brittany.
As famílias se dirigiram apressadas pelo corredor. Santana estava visivelmente nervosa. Brittany estava possivelmente machucada, ou então doente, e ainda por cima seus pais estavam bem ao seu lado. Ou melhor, sua mãe e seu padrasto. E ainda por cima, a Megera estaria bem atrás dela. Não havia como ficar pior.
Entraram na enfermaria em silêncio. Santana tentou não parecer tão desesperada para alcançar a cama da namorada, mas foi um esforço quase que em vão. Quinn apertou o pulso da amiga, tentando mantê-la o mais calma possível.
Brittany estava deitada na maca, com a cabeça enfaixada e os olhos fechados. Olivia limpava alguns poucos vestígios de sangue do nariz da loira, o que apavorou Santana ainda mais.
- Sam Evans sacou baixo demais. – Olivia explicou. – A bola bateu na cabeça dela e ela acabou tropeçando e batendo a cabeça no poste da rede. Ela desmaiou, mas fora isso tudo bem. Foi só um susto.
- Brittany sempre foi desastrada. – Susan comentou. – Já era de se esperar que fizesse algo assim.
- Brittany é genial. – Santana retrucou. – E a culpa não foi dela.
Santana apertou a mão da namorada, e Quinn apressou-se em tomar o outro lado da cama de Brittany.
Aos poucos, a loura começou a abrir os olhos azuis. Um sorriso pequeno se formou nos lábios de Brittany ao ver que Santana a observava preocupadamente.
- Oi. – A loira murmurou.
- Oi, Britt. – Santana respondeu, sorrindo suavemente.
- Como você está? – Quinn perguntou, tentando desviar a atenção das duas.
- Bem. – A loira respondeu. – Mas a minha cabeça dói. E o meu nariz também. O que aconteceu?
- Você bateu a cabeça no jogo, Britt. – Rachel explicou.
Brittany assentiu e virou a cabeça para o lado. Os olhos azuis se arregalaram e ela apertou a mão de Santana com mais força.
- M-mãe? – Brittany gaguejou. – P-p-pai? O-o-o q-q-que vocês e-e-estão f-f-fazendo a-a-aqui?
A loira começou a ficar visivelmente nervosa com a presença do casal. Tentou desviar os olhos deles e encontrou mais rostos familiares, e ao mesmo tempo desconhecidos. Pais de Santana, supôs.
- Saiam. – Olivia ordenou. – Eu só quero as meninas aqui. E você, Srta. Holiday.
- Mas ela é minha filha. – O homem protestou.
- E esta é a minha enfermaria, e eu estou pedindo que o senhor saia agora.
A Megera acompanhou os pais para fora da enfermaria, enquanto Santana tentava acalmar Brittany. Assim que Quinn fechou a porta, Santana deitou ao lado da loira na maca e deitou-a em seu peito, apertando o corpo esguio contra o seu. Brittany respirava ofegantemente, deixando a morena mais preocupada.
Após vários minutos, Brittany conseguiu normalizar seus batimentos cardíacos. Holly estava tentando se controlar, mas também estava visivelmente nervosa.
- O que eles estão fazendo aqui? – Brittany finalmente perguntou.
- Eu não sei, meu amor. – Santana respondeu, beijando a bochecha da namorada.
- Vocês precisam ser mais discretas! – Holly explodiu. – Pelo amor de deus, Santana! Seus pais não são cegos!
- Holly, por favor… — Olivia tentou.
- Não, Olivia! – A loira gritou. – Elas têm que aprender!
Brittany encolheu-se no peito da namorada, como se quisesse se esconder. Olivia respirou fundo e se colocou entre as três.
- Saia. – ela pediu.
- O quê? – Holly perguntou incrédula.
- Você está fora de si. – Olivia disse. – Saia.
- Você não pode…
- A enfermaria é minha, Holly. E eu estou pedindo que você saia. E eu não quero você aqui até uma segunda ordem.
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