Colégio Interno
32 Tretas - desfecho
Quando eu terminei, todos estavam me fitando um tanto assustados. Se eles me achavam explosiva, não me viram com raiva de verdade. Na verdade, Bruna já. Mas ela não parecia tão surpresa quanto os demais.
Os olhos de Natalie encheram d’água, e eu não estava nem aí. Odeio gente sonsa. Odeio. E ela nem sabe se fingir de doída.
— Você realmente é uma pessoa muito deprimente.
—E eu sou seu fã, cara – disse Henrique, rindo baixinho.
Nem me deu ao trabalho de responder. Não estava fazendo aquilo pra humilhá-la, apenas pra mostrar a ela que eu tava cansada de ser trouxa e de bajulá-la e deixar de fazer coisas para deixá-la feliz. Voltei pra cama e fechei os olhos.
— Mandie? – disse Rodrigo – Você dormiu?
— Estou treinando pra morrer.
— Ah, tá – disse ele dando os ombros.
— Ih, caralho! – gritei- lembrando que dia era amanhã – A Clara ta vindo pra cá.
— Com todo mundo nesse clima de paz e união? Com essa vibe maravilhosa? – disse Gustavo, rindo.
— Eu saio e ela fica na minha cama – disse Natalie, fitando o vazio.
— Cala a boca e deixa de se fazer de coitadinha – disse, rolando os olhos – Vai fazer o quê? Se hospedar na cafeteria?
Ela me encarou e não respondeu, se deitando em sua cama. Pulei da minha e preparei um cappuccino com uma dose de vodka.
— Preciso lembrar a Clara de trazer mais.
— Quer o celular? – disse Rodrigo, jogando-o em mim.
— Isso, Bartzen! – gritou Bruna – Incentiva mesmo, desgraçado!
Ri baixinho e disquei o número de Clara. Caiu na secretária, então deixei uma mensagem na secretária e desliguei. Após uns quatro copos de Vodkapuccino (invenção de Rodrigo Bartzen e Amanda Froidefond) caí no chão, suspirando.
— Isso é bom — disse, rindo – É como unir o melhor dos dois mundos.
— Quero experimentar! – gritou Rodrigo.
— Não! – miei.
Ele fez bico e eu o abracei. O garoto abriu um meio sorriso e eu beijei seu nariz, entregando o copo de bebida pra ele.
— Mas...
— Tudo bem, bebe aí.
Ele bebeu um gole e devolveu logo depois, de cara feia.
— Detesto café. Achei que a vodka fosse amenizar esse gosto horroroso, mas nem isso.
— Vai se fuder, vai – resmunguei.
Ele mostrou a língua e eu me sentei ao lado de Gustavo, que jazia muito quieto. Mordi o lábio e me deitei em seu colo.
— Tá bem? – miei.
— To sim – ele respondeu, sorrindo e beijando minha testa – Que foi?
— Quero um abraço.
Ele sorriu e me abraçou, beijando demoradamente a pontinha do meu nariz.
— Abraço meu ela não pede – resmungou Bruna.
— Cala a boca – disse Gustavo, jogando uma almofada nela – Deixe-me abraçá-la em paz.
— Ela é sua melhor amiga? Eu acho que não!
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