Colégio Interno

21 Melhor amiga ciumenta, amorzão e a tensão no ar


Era óbvio que ela desceria atrás dele. Eu desceria se namorasse um traste desses. Achei até que ela fosse aparecer durante o beijo e me estrangular...

— Ele quer que eu diga que eu o amo.

— Por quê?

— Só quero que ela admita, mô!

Ri incrédula, levantando e jogando o copo de café em cima do banco. Rolei os olhos, encarando Gabriel.

— Fica com essa merda.

Antes que ele pudesse responder qualquer coisa, saí andando. Comprei outro cappuccino e me sentei num banco para terminar de tomá-lo enquanto fitava meus sapatos imundos. Levantei um pouco depois e andava em direção ao quarto.

— Amanda! – gritou ele.

— Que foi agora, desgraça? – sussurrei, massageando as têmporas.

— Nada. Eu só queria ficar com você.

— Não.

— Não nesse sentido, pequenina.

— Não me chame assim.

— Tá com ciúme?

— Só detesto gente cínica.

Sim, eu estava ríspida. E acho que tenho ótimos motivos pra isso, já que ele foi um grandíssimo filho da puta, comigo e com ela. Ele me tinha nos braços. Ele conseguiu me conquistar. O único depois do Caio. Não que eu não tenha ficado com mais ninguém, mas com ele era diferente. Ou eu achei que fosse.

— Amanda...

— Que é?

— Não seja grossa.

Ele se aproximou com um sorriso doce, que diminuía ainda mais os olhinhos muito azuis. Mordi o lábio desviando o olhar. Não conseguiria passar muito tempo fitando-os.

— Me deixa, Gabriel.

Segui até o quarto e não esperei que ele desistisse. O garoto correu atrás de mim e entrou no elevador junto comigo. Saí assim que a porta se escancarou e me joguei no sofá, onde Chloe jazia sentada. Rodrigo estava parado atrás dela e arqueou a sobrancelha quando me viu.

— Que acontece?

— Nada. Só me deixa quietinha.

— Olha sua melhor amiga cheia de problema aqui, Pomme!

— Venha cá, meu anjo.

Rastejei até onde Bruna estava e me joguei em seu colo. Comecei a reclamar loucamente, solto palavrões, reclames e afins.

— O que aconteceu?

— Não quero falar sobre isso.

— Não na frente das pessoas. Levante-se.

Ela me puxou para forma do dormitório. Natalie havia subido e Gabriel já estava deitado em sua cama. Era incrível como ele conseguia ser tão... Nojento. Bruna, com seus 1.56m de altura, o puxou pela gola da camisa.

— Eu sei que a culpa de a Amanda estar assim é sua, e eu juro por Deus que se você fizer mais alguma coisa com ela, seu frango, você vai sofrer. Tá vendo essa menina aqui? – disse ela, me puxando pelo cabelo e me ricocheteando de volta depois – Ela é demais pra você. Seu babaca.

Segurou minha mão e o fitou ameaçadora. Não consegui segurar o riso, foi mais forte do que eu. Incrível como ela conseguia ser super protetora quando queria.

— Que foi?! – gritou Gabes;

— Primeiro tacou uma bola de golfe na cara da minha Amanda. Daí começou a provocá-la e depois a deixou bêbada, de ressaca e péssima. Você é um monstro.

— Você tá brava comigo, pequenina?

— Eu vou dar um jeito da Natalie, pobre garota, nunca ter filhos – sussurrou Pomme.

— Filhos meu, não mesmo.

— Gabriel...

— Ok, parei – disse, recuando.

Bruna me puxou até o elevador. Caminhamos depois até onde eu estava sentada com Gustavo mais cedo e ela suspirou.

— Conte.

— Uma síntese?

— Sim, por favor.

— Bom... Ele me beijou,me pagou um café, ficou pagando de santo quando a Natalie apareceu e eu to com muita vontade de mandá-lo tomar no cu!

— Puxa, ótima síntese.

— Obrigada.

Ri e deite-me em seu colo. Fiquei reclamando por muito tempo, enquanto Bruna apenas assentia e deslizava os dedos entre minhas madeixas. Era como se eu fosse uma criança novamente e ela fosse minha mãe. Eu amava tanto! Era como se ela, agora, fosse minha única família.

— Quero minha casa.

— Não, não quer. Você gosta daqui. Tem o Lucas, o Gustavo, o Thiago... E as meninas! Você gosta daqui. Só não gosta, ou gosta demais, do Gabriel.

— Menos, bruna.

Ela riu e eu bufei. Bu deu dois tapinhas sobre as pernas, indicando que me levantasse.

— Sente-se melhor? — assenti – Então podemos voltar?

Assenti mais uma vez. Ela me ajudou a levantar e nós caminhamos novamente até o dormitório. Joguei-me sobre a cama dela assim que cheguei e Gustavo sentou-se ao lado de minha cama.

— Ta melhor, pequena?

— To sim, Gu, obrigada – disse, sorrindo e afagando seus cabelos negros.

— Ah, pra ele você responde? – perguntou Gabriel, possesso.

— Sim. Por quê? Ciuminho?

— De você? Tem até graça.

— Então porque a indignação?

— Pela tua falta de educação.

— Sou educada com quem merece.

Dei os ombros e me levantei, parando atrás do sofá, em pé, vendo o que Chloe e Rodrigo faziam. Gu me abraçou por trás e lhe beijei a bochecha.

— Hey, amorzão! – disse, sorrindo e apertando os braços dele.

— Você o chamou de quê?!

— Amorzão.

— Sai daí, Amanda.

— Ou o que?

— Eu só não a quero perto dele. Sai.

— E o que eu tenho a ver com isso?

— Vou contar até três.

— Conta até mil se quiser, meu filho.

Ele apenas riu cínico. Contou pausadamente até três e, ao terminar, praticamente arrancou Gustavo dali.

— Vai partir pra ignorância?

— Se você não parar de me atiçar sim – disse, entredentes.

— Eu te atiçando? Vê se cresce, Gabriel.

— Tá. gosta de me ver com ciúme.

— Não tem do que você ter ciúme! Não é de mim que você tem que ter ciúme, é da...

— Eu não devo ter ciúme de quem eu gosto, porra? Porque é de você que eu gosto e é você que eu quero. E você sabe disso!