Colégio Interno

8 Fofices, abraços e aposta.


— Não estraga o momento, tá?

Fiz careta e ele sorriu, beijando demoradamente o topo de minha cabeça e me apertando um pouco mais.

— Olha pra mim – disse, virando-me delicadamente e olhando nos meus olhos, secando as lágrimas que caíam – Não quero que você chore. Seus olhinhos ficam vermelhos e parece que você andou fazendo uso de entorpecentes. Não combina com a sua carinha de bebê.

Ri baixinho, me aconchegando em seus braços. Era incrível como alguém tão irritante poderia ser tão doce quando queria, além de ter um abraço tão maravilhoso.

— Sabe... – sussurrei – Você faz com que eu me lembre do meu Caio. Muito mesmo. O jeito com que ele me deixava estressada tão facilmente e como ele sabia me acalmar. E o jeito com que você sorri com os olhos... E a empatia que tínhamos. Só ele conseguiu me fazer soltar a risada de porquinho e você já chegou perto disso, sabe.

— Poxa, me sinto muito especial agora – disse, sincero.

— Pois não deve. Tire esse sorriso idiota da cara.

Ele riu e continuou abraçado comigo. Percebi que já havia voltado ao meu normal e já podia soltá-lo. Suspirei.

— Você é um idiota, sabe?

— Sei sim.

— Tem um abraço maravilhoso, mas ainda é um imbecil.

— Isso aí.

— E não vá pensando que...

— Você consegue calar a boca sozinha ou eu vou ter que interferir?

Bufei, fechando os olhos e encostando a cabeça em seu peito. Sentamo-nos no banquinho, e ele começou a cantarolar “If I’m James Dean, You’re Hepburn”, me fazendo sorrir. Vi a silhueta de Rodrigo caminhando até mais e me reergui, sentando-me no braço do banco.

— Eles estão aí!

— E está com vergonha?

— Yeap. Meu momento carente acabou.

— O meu não.

E ele me puxou para seu colo, entrelaçando os braços em minha cintura e beijando o topo da minha cabeça.

— Ei! Que abuso é esse?

— Você gosta que eu sei.

Bufei, tentando me soltar. Rodrigo aparecera e nos encarou, arqueando a sobrancelha de um jeito engraçado.

— Ui, ui, ui, dona Fundos Frios... Eu o odeio, etc e tal?

— Fundos...

— É, seu sobrenome.

— Que merda, Rodrigo. Que. Merda.

— Esse é meu jeitinho – disse, dando os ombros – Enfim! Você não o odiava?

— Estou aqui a força.

— Quer ajuda?

— Por favor, cara, não corte o clima...

— Mas não tem clima nenhum se ela tá aí a força, meu filho.

Gabriel me soltou com uma cara feia e eu sorri, satisfeita. Em um ato irônico, aproximei-me perigosamente e beijei sua bochecha. O garoto corou.

— Obrigada – sussurrei, sem especificar a quem.

— É um prazer servir.

— Falei com o Rodigo.

Ri e levantei-me. O garoto me puxou de novo.

— Ok, não vou bater em você.

— Não, você vai me beijar.

— Não, eu vou quebrar esses seus dentes.

Ele riu, e assim que pude, levantei-me de novo.

— Aonde vai?

— Perdi uma aposta. Preciso encontrar Desirèe.

— Isso me inclui?

— Não – menti, naturalmente. Cínica feito o diabo, essa sou eu.

Ele riu e me abraçou de lado, mordendo meu ombro e fazendo com que eu risse junto a ele.

— Você me lembra demais meu Cainho.

— Isso é bom, você o amava e me ama também.

— Cala a boca. Não estraga as coisas.

Ele riu e continuou abraçado comigo. Caminhamos até as meninas e percebi que Lucas estava sentado numa cadeira atrás de Bruna, abraçando-a. Além disso, minha pequena jazia com a blusa e as luvas dele.

— Perdi – resmunguei.

— Oi?

— A aposta. Agora me larga – resmunguei, chutando Gabriel.

— Por quê?

— Porque a aposta envolvia isso. E sim, eu menti.

— Safada – disse ele, rindo baixinho.

Soltou-me e eu caminhei, sem graça, até eles. Desirèe me encarou maliciosamente e me deu uma leve cotovelada.

— Ganhei – cantarolou

— Uhum. Vamos lá.

— Aonde vão? – perguntou Henrique, pulando.

— Interessa?

— Tomar café. Quer ir? – perguntei, sorrindo.

— Amanda...

— Se eu tenho que levar o Gabriel pendurado no meu pescoço de cima pra baixo, você vai levá-lo também!

Ela riu e Henrique também. Pude perceber que no fundo, eles se gostavam. Era praticamente uma relação frustrada como a minha e a de Gabriel, sem o plus de uma Natalie atrás do homem dela. Não que Gabriel seja meu homem, mas enfim!

— Ok, vamos.

— Você sabe que me ama, anjo.

Ri dele e o garoto a abraçou de lado. Eles juntos eram uma graça.

— Gabriel, paga o meu?

— Oi?

— Por favor? – miei

— Claro que pago. O que eu não faço pela minha pequenina?

— Obrigada – disse, batendo palminhas.

— Eu pago o seu, Dê.

— A Mandie vai pagar.

— Pode deixar que eu pago, toco.

— Obrigada!