Colégio Interno

67 Acertos, drogas e recaídas.


Notas iniciais
Gente Eu to muito apaixonada por esse capítulo Tipo MESMO muitíssimo

Joguei um sapato em Rafael para que entendesse que estava indo embora. Resmungou um ‘tchau’ e me devolveu o sapato. Beijei a testa de Nich e o deixei lá, capotado.

Quando cheguei ao nosso quarto, Bruna estava deitada na minha cama fitando o post-it.

— Que caralho é isso, Amanda? – perguntou, apontando para a folhinha amarela.

Escalei a cama me sentando ao lado dela. Soltei um longo suspiro antes de começar a explicar toda – sim, eu disse toda. Incluindo os podres de Lis e os meus também – a tramoia esquisita que estava rolando desde antes da reunião de pais e que se agravou quando comecei a ser chantageada. Bruna ouviu pacientemente abrindo a boca em forma de “o” durante as partes mais tensas. Mas não me julgou em momento algum.

— C’est fini – exclamei, fazendo-a esboçar um sorriso – Pronto, pode me apedrejar.

— Eu meio que entendo – ela disse, dando os ombros – Passar por tudo o que você passou realmente é barra, Amanda. Não vou te julgar. Não é pra isso que eu tô aqui. To aqui pra te apoiar e cuidar de você. Como se sente?

— O Nich é legal – disse, dando os ombros – Ele está me chantageando e me fez terminar meu namoro, mas tirando isso, eu juro que ele...

— Amanda, não termine essa frase – ela disse, muito séria. Quando fiz beicinho ao encará-la, soltou uma risada de porquinho – É que é estranho um cara te ameaçar e te fazer terminar com o cara que ama e mesmo assim ele ser legal, entende? É meio paradoxo.

— Eu sou paradoxal – respondi, dando ênfase em “eu”.

Ela riu e se deitou ao meu colo. Contei a ela sobre Eulália e ficamos discutindo o porquê daquele nome para um roedor. Simplesmente a pequena chinchila tinha cara de Eulália. Não havia uma explicação científica para nomes, não é? Será que ela nunca leu Marcelo, Marmelo, Martelo?

Eu sentia que estava de volta. Pelo menos, para com Bruna. Ainda não tinha Bernardo ou Gabriel, mas já podia ticar todos os itens dos meus afazeres do post-it, e então resolvemos ir até o quarto dos garotos visitar Lali.

Chegamos ao dormitório quando um cheiro forte de maconha.

Mais essa, agora. Desde quando meus garotos eram noiadinhos que deixavam o quarto empesteado pelo aroma desagradável de marijuana?

— Mas o que é isso?! – perguntei, com a voz fanha devido ao fato de estar tapando o nariz – Quem foi o 4 e 20 que...?

— Seu ex – disse Thiago, simplesmente – Se quiser ir lá falar com ele, Gabriel tá no banheiro.

— Mostra a Eulália pra Bruna que eu vou ter uma conversa com ele.

Bati na porta e não obtive resposta. Bati mais forte e Gabriel soltou um resmungo. Da terceira vez que soquei aquele pedaço inútil de madeira, ele a abriu com tanta voracidade quanto eu a espanquei. Então eu vi uma das cenas mais deprimentes em que Gabriel já esteve inserido: o garoto estava sentado no chão, com uma garrafa de uísque de um lado e o cigarro de maconha na mão, todo vomitado, dentro do box do banheiro. Suspirei, sentando-me ao seu lado, sem me importar com o fato de estar molhando a calça jeans – provavelmente com vômito e urina –, pois no momento havia um garoto à minha frente que era prioridade.

— Você quer conversar sobre isso? – perguntei, afagando seu joelho.

— Sai daqui – rosnou – Eu detesto que me veja assim.

— Você não tem a mínima moral par me expulsar, ok? Vem, eu cuido de você.

— Amanda, por favor.

— Gabriel. Para.

Ele não conseguiu olhar pra mim. Tragou o cigarro e soprou para o alto, jogando a cabeça pra trás e mordendo o lábio. Foi nesse momento em que o garoto começou a chorar.

Gabriel fungava e seu nariz escorria e aquilo estava nojento e deplorável. Eu estava com tanta dó e com tanto peso na consciência que não fazia a menor ideia do que fazer. Então fechei o box e liguei o chuveiro, porque vê-lo sujo era mais agoniante do que vê-lo chorando.

— Tira a camisa – ordenei. Ele não obedeceu – Tira essa porra dessa camiseta, Gabriel! – daí foi um berro.

— Mas o que tá acontecendo aí dentro?! – gritou Thiago – Não vá estuprar meu irmão!

Eu ri e ajudei Gabriel a levantar. Tirei sua camisa e o deixei debaixo d’água. A esta altura, eu já estava encharcada. São esses momentos clichés em que você se pergunta porque diabos não foi com uma blusa preta. Sentei-me atrás de Gabriel para lavar seus cabelos, imundos. Ele se inclinou pra trás e me prensou na parede, fazendo-me gemer.

— Que tá fazendo? – resmunguei, apertando seu tronco com as pernas – Para com isso!

Ele riu e deitou a cabeça no meu ombro. Suspirei enquanto o cheiro do sabonete e do xampu dele – não mais de drogas e bebidas – me embriagavam. Santo Deus, Gabriel era insubstituível. Empurrei sua cabeça pra enxaguá-la e ensaboei seus ombros e costas, empurrando-o com os pés para frente para que a água escorresse por si. Levantei-me quando julguei que estava limpo o suficiente e peguei sua escova de dente na pia. Depois de eu mesma conferir se o hálito estava aceitável, fechei o chuveiro. Ele, que estava aos poucos retomando a sobriedade, coçou a nuca daquela forma charmosa que só ele fazia e sorriu pra mim.

— Obrigado, pequena – sussurrou, e então eu dei os ombros – Não, sério. Obrigado.

Assenti, fitando a minha amada imensidão oceânica. Ele afagou meus cabelos molhados e os colocou para trás. Estávamos sentados no box encharcado, porém agora limpo, nos encarando tão intensamente que tive que retomar o fôlego. Ele me puxou para mais perto e me fez sentar em seu colo, e eu não recuei em nenhum momento. Tinha como? Como fugir dos olhos azuis penetrantes, das mãos ágeis, macias e firmes que já conheciam meu corpo há quase um ano, dos lábios que faziam com que eu me sentisse uma latinha perto do Magneto? Era impossível.

O que havia ali era mais que química, tesão ou paixonite. Era amor. Era um encaixe tão perfeito e tão inquestionável que parecia besteira fugir dele por causa de uma maldita chantagem, ou de uma atraçãozinha besta que eu sentia por outro.

Ele me beijou e eu não o impedi. Pelo contrário, lhe dei o maior apoio e arranhei seu pescoço e costas de leve como incentivo para que continuasse. Quando separamos nossos corpos – depois de uns 10 minutos de amassos e beijinhos pelo pescoço, ombros e rosto – eu sorri.

— Eu te amo – sussurrei.

— Eu também – sussurrou de volta, encostando a testa na minha – E vou ficar chapado mais vezes pra te ter cuidando de mim.

— Voce sabe que isso não pode se repetir.

— Amanda, isso é inevitável. Eu e você, quero dizer. Nós somos... Nós nos tornamos um só.

Notas finais
NÃO TEM COMO NÃO AMAR O GABRIEL E vocês que torcem pro Nicholas: Ainda tem coisa com ele, relaxxx