Coisas do meu mundo
1 Capítulo 1
Acordei mais uma noite gritando, era quatro da manhã quando vi minha avó entrando no meu quarto, novamente sonhei com os meus pais, quero dizer com a noite em que os perdi. Vovó logo viu a razão dos gritos e já foi buscar o meu remédio, mas ela sabia que eles não me ajudavam tanto, por isso ficava no meu quarto ate que eu dormisse novamente, ela mesma tinha esses pesadelos à única diferença é que eu estava lá naquela noite. Logo depois da morte dos meus pais fui morar com a minha avó Edith e meu avô Marcos, ela é dona de uma confeitaria em uma cidade bem pequena chamada Verdeel e meu avô trabalha em uma biblioteca. Eu nasci no Brasil, mas quando completei quatorze anos eu me mudei junto com a minha mãe para Los Angeles, tive que me mudar com a minha irmã Dalena, por motivos de segurança e por não ter ninguém que cuidasse da gente.
Amanhã vai começar as minhas aulas, ainda é difícil falar com as pessoas por causa do meu trauma, mas faço o possível, por mais que não tenha muita pessoa para conversar, na verdade só tem a minha avó, o meu avô, a Dalena que ainda tem dois anos e os clientes que atendo na confeitaria. Logo pela manhã meu avô entrou no meu quarto me puxando da cama.
- Haley, vem aqui tenho uma coisa para você! Vem logo bicho preguiça!- Ele falou com um sorriso no rosto todo animado- Vamos logo!
-Já vou, se acalme. – respondi me levantando e colocando a minha pantufa –
Quando cheguei à área eu vi uma moto preta, com uma fita, vovó estava sentada em um banco perto dela com a Dalena no colo.
- Como a sua escola é longe daqui pensamos em comprar ela para você. – Vovó Edith falou – fiquei sabendo que você tinha uma lá em Los Angeles.
- Não precisava ter gastado o dinheiro de vocês.
- Larga de ser boba menina, é melhor do que ir com a sua avó, essa ai é doidinha no volante, por isso que eu vou á cavalo todo dia. – Vovó falou me dando a chave da moto –
- Marcos! Haley, ele gosta de ir á cavalo porque ele fala que fica parecendo àqueles galãs, liga não seu avô é doido! – Vovó falou –
- Obrigado, muito obrigado. – Não consegui segurar e soltei uma gargalhada quando os abraçava- Meu Deus! Vim morar com dois doidos, mas meus doidos. Vou dar uma volta com ela.
- Vai de pijama mesmo?- Vovó falou-
- Por que não? Eu não vou longe, só vou até a porteira.
Cheguei, guardei a moto, subi, tomei um banho, porque hoje vou comprar meus materiais e alguns livros. Terminei o banho, coloquei uma calça jeans preta, um all star vermelho, uma blusa branca de manga longa com uma coruja estampada, meu cabelo batia na minha cintura, então para não me dar muito trabalho fiz um coque, quando terminei fui arrumar a Dalena.
-Vamos logo Haley, se não, não vai dar tempo de comprar tudo! – Vovó deu um grito que dava para escutar de longe –
- Calma Edith, ainda é 10 horas, acho que dá para compra tudo e ainda comprar. – Eu descia as escadas, quando estava saindo vovô me deu um dinheiro – Compra umas roupas, vai ser bom fazer algo com a doida da sua avó e quando você chegar posso te levar para andar á cavalo ou se preferir podemos ir pescar.
-Obrigado vovô, que tal fazermos as duas coisas? – Ele deu um grande sorriso, então dei um beijo e um abraço nele e sai com a Dalena no colo-.
Entrei no carro vovó esta vermelha, o seu cabelo esta lá em cima, foi o prazo de colocar a Dalena na cadeirinha e me sentar para ela começar á imitar o vovô “Calma Edith, ainda é 10 horas!”, ela ficou repetindo a frase e só parou porque eu dei uma gargalhada.
-Esta rindo do que menina?- Ela falou quando dava partida no carro-
-Nada, é só que vocês provocam muito um ao outro.
-É o doido do seu avô – ele respirou fundo me olhou-, mas o pior é que mesmo depois de quarenta e dois anos eu ainda amo aquele velho doido.
-Eu sei- terminei de responder ela, fechei os olhos por dois minutos e quando abri já estávamos chegando, sem duvida eu nunca vi ninguém que corria mais do que ela em toda a minha vida-.
Quando chegamos veio uma senhora nos atender, depois de comprar todos os materiais veio a minha parte preferida, fui comprar alguns livros, cheguei e fui correndo para a estante dos gibis da minha serie preferida, The Walking Dead, me virei para ver onde a vovó estava, mas reparei que tem dois garotos me encarando, um deles deve ter mais ou menos 1,70 de altura, ele tem a pele negra, olhos verdes e um cabelo bem alto, já o outro deve ter 1,75 de altura, é moreno dos olhos escuros, com o cabelo preto e liso. Eu comecei a ficar com muito medo e fui atrás da minha avó, por ultimo peguei dois do Sidney Sheldon. Depois de pagar os livros fui comprar as roupas, a loja não é muito grande, mas mesmo assim comprei uma calça, uma blusa de frio e umas três blusinhas, vovó comprou algumas roupas para a Dalena e umas para ela, quando eu olhei no relógio já estava dando 15 horas, logo depois de pagar fomos para uma lanchonete lá perto e depois fomos para casa, quando cheguei vovô estava conversando com um homem muito estranho e arriando o cavalo.
-Essa que é a Haley e suponho que esse bebe seja a Dalena, muito lindas, é bom ter cuidado- aquele homem me olha com o olhar muito estranho-.
-Pode deixar, eu sei me cuidar e cuidar da minha irmã também.
-Não tenha tanta certeza, mas não pense que isso é uma ameaça.
-Eu tenho certeza sim e não encaro, com licença- subi ate o meu quarto troquei de blusa e depois desci de novo-.
Olhei por volta e não vi ninguém, montei no cavalo, eu e o vovô andamos por uma hora e ele não falou nada, sinceramente preferi assim. Voltamos, deixamos os cavalos em casa e fomos pescar, por um momento achei que a pescaria iria ser igual á cavalgada, totalmente silenciosa.
-Sabe Haley, você vai gostar muito daqui, quem sabe goste tanto quanto você gosta da sua antiga cidade- ele falou tentando me animar- minha princesa, eu e sua avó vamos fazer de tudo para você e a Dalena serem muito felizes.
-Meu rei, eu já gosto muito daqui e já sou muito feliz.
-Você é igual a sua mãe- virei o rosto, não queria falar sobre ela- desculpa saiu sem querer, é que você fala igual a ela- balancei a cabeça em concordância- eu sei que você não quer falar sobre eles, mas não tem como fugir do seu passado.
-Eu sei, eu só quero esquecer tudo.
-Eu sei o que esta acontecendo com você- ele passou a mão nas minhas costas-.
- Não! O senhor não sabe- eu aumentei o tom da minha voz- o senhor não estava lá, o senhor não sabe o que é ter que se esconder, não foi o senhor que escutou os gritos baixos dela! –comecei a chorar-.
- Haley meu bem, vou te contar uma coisa, no dia em que o seu pai pediu a mão da sua mãe em casamento, nós dois estávamos pescando, subiu uma raiva que me fez jogar ele dentro do rio, mas o desgraçado sabia nadar, quando ele chegou lá na beira do rio ele gritou “Desculpa se eu amo a sua filha, mas eu amo e quero casar com ela!”, foi ai que eu comecei a rir e vi que ele era o homem perfeito para ela, você sabe onde eu quero chegar com essa história?
-Não faço a mínima idéia.
-É, eu também não sei, mas sabe minha princesa a gente não pode ficar lembrando as coisas ruins, a gente tem que se lembrar dos bons momentos, dos momentos felizes, não se lembre das brigas, lembre das desculpas e do tanto que você os amava.
-Desculpa por ter gritado com o senhor, eu só me estressei.
-Vamos nadar um pouco?
-Senhor?- na hora em que eu olhei para ele, ele me pegou e me jogou dentro do rio, mas caiu dentro do rio junto-.
Quando voltamos para a canoa ele não parava de rir e eu segui o ritmo, acabamos que não pegamos nenhum peixe. Fomos chegando em casa e vovó veio gritando mandando eu e o vovô irmos tomar banho. Enquanto tomava banho me lembrava do homem que eu vi mais cedo e de tudo que ele falou, sai do banho coloquei meu pijama, arrumei minhas coisas do colégio e desci para jantar, estava chegando perto da sala de jantar ouvi a vovó falando com o vovô.
-É melhor ele ficar longe dela, pelo menos ate ela ficar mais velha!
-Eu sei e ele também, aquilo foi um acidente, para mim você iria demorar mais- vovô respondeu-.
-Que cheiro bom é esse? Se eu não me engano acho que alguém fez torta- entrei na sala fingindo que não tinha escutado nada- amo torta!
-Parece que alguém está com fome! Podem comer, eu fico com a Dalena- vovó pegou a Dalena e sentou no sofá-.
Comi, peguei a Dalena, subi, coloquei ela para dormi e acabei pegando no sono também, desde a morte dos meus pais essa foi a primeira noite que eu não acordei gritando ou tive algum pesadelo.
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