Coisas complicadas
1 Capítulo 1
Um relacionamento a dois nem sempre é fácil. O amor é sentimento complicado de se lidar, assim como uma semente, precisamos regar diariamente, cuidar, pois se não, ele está sujeito a muchar, morrer. Cabe a nós cuidar do amor.
Do que adianta amar e não saber cuidar?
E para ela, confessar aquilo era difícil. Ela não soube que isso era essencial. Ambos não souberam.
E com o passar do tempo, esse sentimento avassalador que um nutria pelo outro foi se degastando. Não sabendo bem como lidar com a vida de casados, com a diferenças que tinham.
E naquele momento, era isso que lhe causava sofrimento. Enquanto ele estava apenas concentrado em coisas triviais, ela só queria um pouco de atenção. Não como nas noites em que ele a procurava, não só aquilo. Fazia falta no dia a dia, a atenção dele voltada a si, os carinhos.
O pouco que ele lhe oferecia não lhe bastava, queria mais. Muito mais.
E isso resultava em brigas. Tantas brigas.
— Chega!! Eu não quero mais... — Gritou Mariana com lágrimas nos olhos. — N-Não quero...
Quem dera nós pudessemos voltar no tempo, poder consertar todos nossos erros. Seria tudo diferente, ela faria a diferença, por ele, somente por ele.
Um dia a pessoa cansa de certas coisas, e com ele, não foi diferente. Cansado de tanto ser maltratado por ela nas inúmeras brigas que tiveram, o sentimento forte que sempre sentia, foi adormecendo. E mesmo tendo a consciência que a amava, que sentiria falta, tomou sua decisão. A decisão mais difícil que já tomou na vida.
— Tem certeza que é isso mesmo que você quer? — Perguntou Pedro. Ele estava sentado ao lado de Mariana na cama, ambos lado a lado. No tom de voz dele era perceptível a dor que aquela pergunta lhe causava.
— Sim! Eu quero a separação... — Seu peito batia acelerado a cada palavra que saía da sua boca, e mesmo a sua mente dizendo estar fazendo o certo, seu coração parecia que ía se rachando por dentro. Era dolorido.
Ele iria embora.
Era noite, o céu estava nublado, as nuvens acinzentadas denunciava a forte tempestada que cairia na cidade.
No dia seguinte seria finalmente o dia da partida de Pedro. Ele seguia convicto em sua decisão.
Uma decisão que para Mariana estava sendo mais difícil que imaginava. A partir do momento em que ele havia lhe dito que a passagem de ida dele já tinha sido comprada, lhe bateu arrependido, aquele sentimento a sufocava, fazendo-a passar a noite em branco, secando a incessantes lágrimas que, sem permissão, escapava de seus olhos, se perdendo em seus lábios. A dor em seu peito era forte demais, muito mais forte que poderia aguentar, saber que por sua causa ele estava indo embora a machucava, estava arrependida. Naquela noite se sentiu arrependida, por tudo que fez, pelo que deixou de fazer. E mesmo com a avalhanche de sentimentos que sentia naquele instante, um era muito maior.
O orgulho.
Era orgulhosa demais para pedir que ele ficasse, para que ele não a deixasse.
— Vem aqui... — Pediu Pedro com os braços abertos.
Aquela era a pior hora para ambos. A hora da partida.
Em passos lentos, Mariana foi em direção ao ex companheiros. Os olhos castanhos, estava vermelhos e inchados pela noite que havia passado chorando ao lado dele. Relutante, se deixou ser abraçada por ele, os braços fortes a redearam, lhe trazendo aconchego. O cheiro viciante que ele tinha, invadiu suas narinas, fazendo-a fechar os olhos, querendo aproveitar ainda mais aquele momento.
— Sempre estive com você quando mais precisou de uma amiga, te denfendi quando precisava, me preocupei sempre que algo acontecia contigo.... — Um soluço escapou de seus lábios pelo choro. — E-eu... Não sou perfeita, errei muitas vezes contigo, a cada briga, palavra que me referi a você na hora da raiva... Tudo... T-tudo...
— Não precisa dis...
— N-não — Interropeu ele. — Apesar de tudo, eu sempre gostei de você, te amei, te amo! Erramos um com o outro... E eu te peço. — Encarou os olhos dele. — Peço que se existir algum sentimento por mim aqui... — Tocou o peito dele. — Fique... Por mim, por nós. E-eu prometo que será diferente....
Abracando-a mais forte, Pedro deixou um lágrima involuntária escapar de seus olhos. Sussurrando um "Eu te amo" no ouvido dela. Então ele partiu, levando consigo os cacos quebrados daquilo que um dia foi um coração, deixando para trás aquela, que ele mais amou.
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