Coisas Que Eu Nunca Te Disse
15 A Viagem.
Notas iniciais
No hospital…
Camus: cale-se Aijima!
Cecil: mas Camus…!! Eu não quero fazer uma lavagem estomacal! Eu já to bem, olha!
Ele tentava parecer normal, mas por dentro seu estomago ainda doía muito. Camus arqueou uma sobrancelha.
Camus: eu te conheço! Acha mesmo que vai me enganar com essa cara?!
Cruzou os braços.
Cecil: mas… mas… eu não quero…!
Ele estava apavorado.
Camus: deixa de ser covarde Aijima, é só uma lavagem estomacal, não uma cirurgia.
Disse tentando acalma-lo, sem resultado. O médico entra.
Medico: então o senhor já está preparado?
A enfermeira entrou com uma seringa.
Cecil: o.o que é isso??
Enfermeira: eu preciso dar uma anestesia senhor, se não o tubo vai doer.
Cecil se desesperou tentou sair da cama a força, mas Camus segurou.
Camus: vocês poderiam, por favor, dá só mais um tempo?
Os dois concordaram. Camus suspirou e puxou o indiano o obrigando a ficar com o rosto na altura do seu.
Camus: Cecil se acalma!
O indiano parou ao notar que ele havia o chamado pelo primeiro nome, isso nunca acontecia.
Camus: não vai doer, se você deixar ela anestesia-lo.
Cecil ainda estava incrédulo o fitando.
Camus: eu vou ficar aqui, ok?
Cecil: m.mas é de madrugada…
Camus: ta na cara que você não vai nos deixar dormir hoje, então serei obrigado a ficar aqui no hospital com você.
Cecil: Camus…
Camus: eu sou seu sempai, é meu dever cuidar de você. Apesar disso dá trabalho demais.
Sorriu minimamente de canto. Cecil estava corado levemente, Camus nunca foi tão cuidadoso assim.
Cecil: tudo bem. Mas onde eles vão enfiar esse tubo?
Camus: pela boca. Por onde você queria?
Perguntou rindo da cara de Cecil, que corou mais ainda.
Cecil: para sempai!!
Camus não aguentou e riu mais.
Cecil: isso não vai prejudicar o show?
Camus: não, vai prejudicar se você continuar com essa dor. Isso foi resultado de alguma intoxicação…
Cecil suspirou.
Cecil: tudo bem, pode chama-los.
Camus sorriu e chamou o médico e a enfermeira. Cecil depois de ser anestesiado estava deitado esperando a anestesia fazer efeito.
Camus: eu vou sair, não posso ficar aqui dentro.
Cecil concordou, apesar de querer que ele ficasse ao seu lado. Camus se curvou e disse baixo ao pé do seu ouvido.
Camus: não precisa ter medo, nada de ruim vai acontecer. Um kouhai tem que confiar no seu sempai…
Cecil corou levemente se surpreendendo com aquilo.
Camus: qualquer coisa… eu vou ta lá fora. É só gritar.
Cecil riu um pouco.
Cecil: Camus…
O conde parou antes de sair pela porta.
Cecil: obrigado.
Camus ficou um tempo o olhando e acenou indo embora.
Camus: acho que nasci pra tomar conta de você…
Disse baixinho só pra si mesmo, se sentando nos bancos de espera. Passou-se muito tempo e Camus já tava começando a ficar preocupado, até que o médico saiu.
Camus: como foi?
Médico: tudo ótimo. Era uma intoxicação mesmo, mas ele ficará bem. Só precisa de um pouco de repouso.
Camus suspirou aliviado.
Camus: fico feliz.
Médico: ele é seu kouhai?
Camus: sim, faz parte da banda STARISH.
Médico: eu sei, minha filha é fã deles, assim como é fã do Quartet Night.
Camus sorriu.
Médico: você realmente se preocupa com ele né? É difícil alguém com nenhum tipo de laço sanguíneo se preocupar tanto com o outro.
Camus arregalou levemente os olhos.
Camus: bom… ele é meu kouhai. O Quartet Night ensina, cuida, se preocupa como se fossemos seus irmãos mais velhos.
Disse um pouco envergonhado.
Camus: as vezes pode até parecer que eu não me importo, mas acredite… só parece.
O médico sorriu.
Médico: ele tem sorte de ter alguém como você.
Camus se limitou a corar e se achou ridículo por isso.
Camus: eu posso vê-lo?
Médico: ele está sedado, mas se quiser entrar, fique à vontade.
Camus concordou.
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Quando o dia amanheceu…
Quarto de Tokiya e Otoya.
Otoya: Tokiya!! Acorda!
O moreno batia na mão do ruivo que o sacudia.
Tokiya: calado Otoya! Eu quero dormir.
Otoya: mas já são meio-dia! Temos que arrumar nossas coisas pra viajar hoje à noite!
Tokiya: tem muito tempo ainda…
Otoya suspirou.
Otoya: também tem o Cecil!
Tokiya: aaah o que tem ele…?
Otoya: ele não chegou até agora!
Tokiya arregalou os olhos e despertou de vez.
Tokiya: o que?! Como ele desapareceu?!
Otoya: não sei!! Todos saímos e esquecemos dele! Ren e Masa também não viram, Syo dormiu na casa do Quartet Night, ele tava muito bêbado e Natsuki não viu também! Tenho esperança que o Camus-sempai saiba dele, mas ninguém atende na casa da banda!
O menor estava a beira do pânico e Tokiya não muito atrás.
Tokiya: droga! Se ele sumir estamos ferrados!! E ele nem sabe andar muito em Tóquio!
Otoya: todos vamos lá no condomínio dos sempais! Mas pra isso o senhor dorminhoco precisa levantar!
Tokiya virou a cara emburrado.
Otoya: você fica muito lindo assim.
Tokiya: baka!
Disse sorrindo levemente. O ruivo riu e o beijou de leve nos lábios.
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Ranmaru foi o primeiro a acordar e sentiu sua cabeça meio estranha, possivelmente pela ressaca da noite anterior.
Ranmaru: que horas…?
Ele perguntou ainda meio atordoado, olhando no relógio em cima do criado-mudo e viu que era um pouco mais de meio-dia.
Ranmaru: que enxaqueca…
Suspirou pesadamente olhando para seu lado, Reiji ainda dormia com a cabeça em seu peito, a única diferença era que agora praticamente o corpo inteiro estava em cima do corpo do albino. Ranmaru riu de leve com aquela cena, Reiji se mexia muito, a sorte dele era que tinha o sono pesado por isso não acordou com o moreno.
Ranmaru: Reiji… acorda.
Ele sacudiu de leve o corpo do moreno que resmungou algo indescritível e se agarrou mais ao Kurosaki.
Ranmaru: Reiji!
Reiji: mais cinco minutinhos mãe…
Ranmaru revirou os olhos sorrindo.
Ranmaru: você é muito irritante…
Sussurrou no ouvido dele que estremeceu um pouco. O albino ficou um tempo analisando o rosto de Reiji, ele era tão lindo… Ranmaru sorriu maliciosamente com a ideia que veio em sua mente.
Ranmaru: vamos ver se sua mãe faria isso.
A mão dele foi descendo pelo corpo de Reiji vagorosamente e sorria vendo umas mini caretas que o mesmo fazia, a mão ousada do albino descia mais até que parou no quadril dando um leve aperto, mas Reiji continuou dormindo, então ele desceu mais e…
Reiji: aah!! Ran-Ran!!
O moreno deu um pulo da cama fazendo o Kurosaki rir.
Reiji: o que você ia fazer Ran-Ran??
Ele tava corado.
Ranmaru: tem certeza que não sabe?
Arqueou uma sobrancelha maliciosamente. Reiji corou mais.
Reiji: você é um pervertido.
Fez um bico manhoso fazendo Ranmaru rir mais.
Ranmaru: eu tentei te chamar, mas você não acordou e até me chamou de “mãe”, eu só fiz o que tinha certeza que te faria despertar. E acertei.
Piscou ao moreno que estava mais vermelho.
Ranmaru: a viagem do STARISH é hoje à noite, temos pouco tempo para arrumarmos nossas coisas.
Se levantou da cama e Reiji não resistiu em olhar todo o corpo do Kurosaki e corou violentamente lembrando de tudo que aconteceu entre eles na noite anterior.
Ranmaru: além disso… o pervertido aqui é você. Ou esqueceu da noite passada?
Reiji: Ran-Ran!!
Ele jogou um travesseiro no albino que entrou no banheiro rindo, fazendo o travesseiro bater na porta.
Reiji: baka…
Disse não escondendo o sorriso enorme na face. “Um jeito perfeito de começar o dia… acordando ao seu lado.” Eles, sem saberem, pensaram isso e automaticamente sorriram.
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Ai estava na cozinha preparando algo para comer, ou pelo menos tentando.
Ai: quando precisamos dos empregados eles não aparecem! Onde estão as três cozinheiras dessa casa meu kami??
Disse quase surtando em meio aquelas comidas e receitas a sua frente.
Ai: vou matar quando descobri que fez a estupidez de dar folga as três juntas! E onde o baka do Reiji e o Ranmaru se meteram também??
Ele sente dois braços envolverem sua cintura e sorriu minimamente ao reconhecer a pessoa.
Ai: acordou mais cedo do que eu pensava.
Syo: e não gostei de acordar sozinho.
Ai: sabe que horas são? E você ainda tem que voltar a Saotome pra fazer sua mala.
Syo soltou um muxoxo desanimado.
Syo: o que está fazendo?
Ai: o café.
Syo olhou rapidamente para o desastre e riu como um menino em um parque.
Syo: o termo correto: “tentado fazer algo comestível.”
O chibi riu mais da cara que o veterano fez pra ele.
Ai: vai ficar com fome então!
Virou a cara emburrado. Syo riu.
Syo: antes com fome do que intoxicado.
Ele desviou da laranja que Ai jogou nele.
Ai: idiota.
Syo se levantou da cadeira.
Syo: deixa que eu faço alguma coisa.
Ai: mas você ta…
Syo: de ressaca, não em um estágio terminal “sempai”. Relaxa ok?
Ai revirou os olhos e resolveu se sentar.
Ai: onde aqueles três se meteram? Todo mundo vai acabar se atrasando.
Syo: Rei-chan saiu com o Riki não foi? Deve ter dormido no apartamento dele. Ranmaru não saiu da boate com a Ayume?
Ai: sim.
Syo: eles já devem ta vindo.
Ai suspirou.
Ai: Ranmaru não devia ter dormido com a Ayume… ele não gosta dela e ela gosta dele, péssima combinação.
Syo ficou em silencio cozinhando e se recordou do que tinha visto um dia naquela casa.
Syo: ele gosta do Rei-chan.
Disse bem baixo, pensando que o bluenette não escutaria. Ai arregalou os olhos.
Ai: o que?
O loiro estremeceu.
Syo: nada.
Ai: quem nada é peixe! Anda Syo, me fala! Por que diz que o Ranmaru gosta do Reiji?
Syo parou de cozinhar e o olhou.
Syo: uma vez quando eu passava as tardes aqui… eu vi uma cena deles.
Ai: que cena?
Syo contou tudo o que viu e o ídolo veterano ainda não conseguia acreditar, ele desconfiava que Ranmaru se sentia atraído por Reiji, mas não que já estivesse naquele ponto.
Ai: então… ele o corresponde?
Syo: corresponde?
Ai: bem… eh… o Reiji gosta dele.
Quem se surpreendeu dessa vez foi o menor.
Syo: gosta?? Eu pensava que poderia ser só atração.
Ai: ele me disse ontem. Então um corresponde o outro e eles nem imaginam isso!
Sorriu com a descoberta.
Syo: só precisam assumir isso.
Ai suspirou.
Ai: a pior parte, principalmente para Ranmaru.
Syo terminou de cozinhar e serviu para o ídolo.
Syo: por que não conversa com ele? Tenta fazer ele confessar pra você do mesmo jeito que Reiji fez.
Ai: por que eu??
Syo: quer que o Camus faça isso? O Camus sendo o Camus?
Ai não segurou o riso.
Ai: ok. Vou tentar fazer aquele cabeça dura admitir o que sente.
Syo sorriu.
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Ranmaru tinha tomado seu banho e foi para seu quarto colocar alguma roupa, enquanto Reiji continuou na cama sonolento.
Ranmaru: droga e droga!
Ele estava desesperado ao ver as marcas que os chupões de Reiji fez no seu pescoço.
Ranmaru: isso ta muito visível! Será que…
Ele pensou e levantou a camisa examinando suas costas e viu que estavam vermelhas… resultado da mão do moreno.
Ranmaru: eu vou esfolar ele vivo!!
Disse irritado trocando de camisa, colocando uma social. Ranmaru abriu três botões e levantou a gola para esconder o pescoço, abriu dois botões de baixo também, prendendo um dos lados na calça deixando o outro solto, dando um ar mais despojado ao figurino que seria formal demais para aquele horário.
Ranmaru: assim ta melhor.
Disse se preparando pra sair do quarto e deu de cara com Reiji parado no meio do corredor.
Ranmaru: você acabou com o meu pescoço e minha costa.
Disse baixo perto dele, Reiji ficou um tempo em silencio.
Ranmaru: ta tudo bem?
Arqueou a sobrancelha achando Reiji meio estranho.
Reiji: se eu acabei com seu pescoço e sua costa… você acabou com meu corpo inteiro Ran-Ran!
Disse quase chorando.
Reiji: eu não sinto meu quadril!
O albino ficou um tempo incrédulo o olhando e de repente caiu na gargalhada deixando o Kotobuki vermelho como um tomate.
Reiji: não ria!! Eu não consigo me mexer!!
Disse emburrando, deixando-o mais fofo e fez Ranmaru rir mais.
Ranmaru: a culpa é sua. “Mais forte! aahn Ranmaru mais… me coma mais rápido! Me foda com mais força! Isso… assim… mais…”
Reiji parecia que ia ter um colapso de tão vermelho que estava com Ranmaru imitando os gemidos dele.
Ranmaru: eu só obedeci.
Disse inocentemente com um sorriso sacana na face.
Reiji: ooh nossa… como ele é obediente!
Disse sarcástico. Ranmaru sorriu mais.
Ranmaru: até parece que foi sua primeira vez Reiji… fala sério. E olha que você tem uma vida sexual ativa.
Reiji abaixou o olhar.
Reiji: bem, eh… que… como você…
Ranmaru: como eu o que?
Insistiu curioso com a resposta.
Reiji: você é tipo… bem intenso, selvagem e eu tive poucos sexos assim.
Ele não conseguia olhar para a expressão que o albino deve ter feito. Primeiro foi de surpresa e depois de satisfação, não consigo mesmo exatamente… mas por saber que foi tão bom pra Reiji como foi pra ele. Reiji só sentiu seu corpo ser imprensado na parede e seus lábios irem de encontro aos do Kurosaki em um beijo ardente, aliás tudo nele era ardente até demais.
Ranmaru: não devia falar coisas assim. Ou então eu te arrasto de novo para o seu quarto…
Reiji deu um suspiro ao sentir o hálito quente do albino em seu ouvido.
Ranmaru: por alguma razão, eu adorei sua cama.
Reiji sorriu.
Reiji: nem imagino o porquê.
Ranmaru riu.
Ranmaru: nós precisamos descer, o Ai deve estar lá na cozinha já.
A voz dele era rouca no ouvido do moreno. Reiji fechou os olhos em deleite.
Reiji: por que tenho a impressão que você não quer descer?
Ranmaru ficou um tempo em silencio inalando o cheiro gostoso que tinha a pele de Reiji, seu nariz roçava de leve na região do pescoço.
Ranmaru: ta doendo muito?
Perguntou com o rosto enterrado na curvatura entre o pescoço e a clavícula, tocando com as mãos o quadril dele.
Reiji: u.um pouco… mas passa logo, to acostumado.
Respondeu arfando por aquela proximidade.
Ranmaru: hum… espero que ele pare de doer logo.
Se afastou um pouco dele. Reiji fez uma expressão curiosa.
Reiji: por que?
Os lábios do albino se contorceram em um sorriso sacana.
Ranmaru: não vai ser bom colocar força e pressão em algo dolorido.
Os orbes acinzentados do moreno aumentaram pela surpresa do comentário dele e logo em seguida seu rosto ficou com uma tonalidade vermelho profundo.
Ranmaru: vamos?
Perguntou não escondendo muito o sorriso descarado na face, Reiji concordou com um movimento de cabeça ainda completamente corado.
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Camus e Cecil estavam saindo do hospital. O indiano apoiado ao veterano.
Cecil: estamos atrasados Camus!
Camus: calado Aijima! A culpa é sua de estarmos atrasados!
Ele gritou com o menor que se encolheu.
Cecil: desculpa.
Ele abaixou o olhar envergonhado e se lembrou de algo.
Cecil: Camus o STARISH! Eles devem ta preocupados comigo e…!
Camus: eu liguei para a academia, falei com o Jinguji. Eles já estavam prontos para irem a casa da banda atrás de mim, queriam saber se eu tinha te visto.
Cecil suspirou.
Camus: disse o que tinha acontecido e que já estava tudo bem. O tal Kisuke estava bem irritante ao telefone fazendo perguntas e mais perguntas.
Disse mudando o tom de voz para irritado.
Cecil: o que disse a ele?
Camus: nada. Meu assunto era com qualquer um do STARISH, menos ele. Pedi para passar o telefone de volta ao Jinguji.
Cecil o olhava meio incrédulo.
Cecil: m.mas Camus… ele é meu sempai e…
Ele não pode continuar porque Camus o prendeu contra o carro.
Camus: ele está apenas supervisionando vocês enquanto o Quartet Night está ocupado com a gravação. Eu sou o seu sempai!
O indiano estava pasmo com aquela atitude do Conde, ele nem reconhecia Camus direito.
Cecil: você tem ciúmes do Kisuke-sempai?
Camus se surpreendeu com a pergunta e o soltou bruscamente.
Camus: por que eu sentiria ciúmes? Você é apenas meu kouhai, não fale como se tivéssemos algo.
Disse friamente, mas por dentro estava à beira de um ataque de nervos. O coração do menor doeu com aquilo.
Cecil: eu sei, mas… me referia ao ciúme de sempai e kouhai.
Falou timidamente. Camus estreitou o cenho.
Camus: eu não sou o Kotobuki Aijima. Não seja ridículo… eu só não gosto do Kisuke.
Disse abrindo a porta do carona.
Cecil: e por que? Ele te fez algo?
Insistiu não convencido daquela resposta.
Camus: o jeito dele me irrita, apenas isso. Agora entra logo…
Cecil ficou um tempo o examinando e acabou entrando no carro. Camus deu a volta no carro, entrando no lado motorista.
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Ai e Syo tomavam café tranquilamente quando a porta é aberta e por ela entra um Reiji apoiado a Ranmaru e mancando.
Ai: o que aconteceu com você Reiji?
O moreno ficou desconcertado.
Syo: hm… a probabilidade de ser dor no quadril é de 90%. Resultado de uma grande noite.
Piscou malicioso a Reiji que já estava igual a maçã em cima da mesa. Ai riu com Syo o imitando.
Reiji: bem, eu…
Ai: o Riki é bom hein.
Ranmaru fechou a cara ajudando Reiji a sentar com muito contragosto do mesmo.
Ranmaru: posso saber o que o chibi ta fazendo aqui??
Perguntou o encarando, Syo engoliu em seco.
Ai: ele tava bêbado demais para voltar a Saotome, então eu o trouxe pra cá.
Ranmaru: dormiu aonde?
Syo corou e Ai não ficou muito atrás. Reiji sorriu com aquilo.
Reiji: ooh voltaram??
Ai: Reiji!!
O repreendeu envergonhado.
Reiji: vocês se amam!! Parem logo com essa frescura e voltem!
Syo: convence seu amigo, só falta ele querer.
Ai o olhou mortalmente.
Ranmaru: e o chifre com a ajuda do grande Satsuki que você ajudou a enfeitar a cabeça do Ai?
Syo o olhou irritado.
Reiji: Ran-Ran!!
Syo: mas eu amo o Ai! Isso não é segredo pra ninguém!! Quanto a você deve assumir o que sente!
Ranmaru arregalou os olhos e não só ele, Reiji também.
Reiji: sente?
Ai: eh… bem, o Syo não quis dizer isso e…
Reiji: você ta gostando de quem Ran-Ran??
Perguntou curioso, mas o coração se despedaçando.
Ranmaru: ninguém!
Syo: tem certeza?
Sorriu cinicamente.
Ai: Syo!!
Ele puxou Syo pra ele.
Ai: cala essa boca Syo.
Syo: ele precisa falar logo!
Reiji: o que estão cochichando aí??
Os dois se separaram.
Ai: nada.
Ranmaru ainda encarava Syo perplexo, como ele sabia??
Ranmaru: eu não gosto de ninguém e fim do assunto!
Disse se sentando irritado à mesa. Reiji ainda o olhava não convencido daquilo.
Ai: eu concordo. Fim dos dois assuntos ok? Nada de traição e de sentimentos agora.
O moreno olhou para Ai sabendo que ele tava escondendo algo.
Eles tomaram café e Syo estava no jardim esperando Ai vir para leva-lo a academia.
Ranmaru: Syo.
Ele tomou um susto e virou dando de cara com o veterano.
Syo: que foi?
Perguntou meio retraído, temia o que Ranmaru poderia fazer.
Ranmaru: por que disse aquilo na mesa?
Syo ficou calado por poucos segundos e resolveu falar o que pensava.
Syo: eu sei que gosta de alguém e sei também de quem gosta. Não adianta negar.
Ranmaru: e como sabe?
Syo: eu vi você o beijando, naquela tarde antes da festa beneficente. Ele tava deitado ali… naquele banco dormindo.
O albino chocou com aquilo, ele tinha visto?
Ranmaru: Syo aquele beijo era…
Syo: eu nunca te vi sendo daquele jeito, “carinhoso”, com ninguém. Por que não diz a ele?
Ranmaru suspirou.
Ranmaru: você acha que tudo é fácil… mas nem sempre temos a sorte como você, de ser correspondido.
Syo riu um pouco.
Syo: eu pensava do mesmo jeito quando me apaixonei pelo Ai… e olha onde paramos. E o Reiji não é de longe parecido com o iceberg ambulante que o Ai era.
Ranmaru sorriu de canto.
Ai: o que estão falando?
Perguntou se aproximando deles.
Ranmaru: nada demais. Nos vemos a noite chibi e… obrigado.
Syo sorriu.
Syo: de nada.
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O dia passou rapidamente e todos já estavam na academia Saotome esperando o ônibus para leva-los a cidade que Starish faria o show.
Otoya: nee sempai os ingressos foram vendidos?
Perguntou ansioso e um pouco corado. Reiji sorriu abertamente.
Reiji: esgotou e com direito a confusão na bilheteria!
Os membros do Starish arregalaram os olhos em surpresa.
Ren: sério??
Ranmaru: sim.
Sorriu minimamente.
Ai: a agencia até disse que em muitos anos não se via isso, a última vez foi por nossa causa.
Camus: são nossos kouhais, não é surpreendente que eles sejam bons.
Disse com os braços cruzados, Reiji, Ranmaru e Ai reviraram os olhos. Os juniores riram.
Natsuki: eu to tão feliz!!! Pensávamos que não íamos conseguir lotar aquela arena!
Exclamou animado agarrando Ai e Syo em um abraço de urso.
Syo: N.Natsukii!! B.Baka nos solte!!
Ele gritou.
Ai: Natsuki não consigo respirar.
Eles estavam quase esmagados e os outros riram.
Natsuki: desculpa Syo-chan, sempai! Mas é que vocês são muito kawaii!!
Syo bufou e Ai fechou os olhos em negação.
Otoya: o Syo é o “xodó” do Starish!
Reiji: e o Ai-Ai do Quartet Night!
Disseram rindo da carranca que eles fizeram.
Natsuki: vocês faziam o casal mais fofo e kawaii do universo! Voltem!
Os dois coraram furiosamente fazendo seus amigos rirem mais.
Reiji: aah… mas recaída já teve né Ai-Ai??
Piscou malicioso ao bluenette que corou muito mais.
Ai: calado Reiji!!
Natsuki: ooh sério?? Eu sabia que ia rolar algo! Vocês dois dormindo debaixo do mesmo teto!
O sorriso e a animação dele era contagiante. Syo deu um tapa nele.
Syo: para com isso Natsuki!
Ele tava facilmente confundido com um tomate de tão vermelho.
Natsuki: m.mas Syo-chan…
Ele choramingou se abaixando diante dos dois, surpreendendo todos ali.
Ai: Natsuki o que é isso?? Levanta!
Syo: Natsuki!!
Natsuki: só levanto se o senhor perdoar o Syo-chan sempai! Então volta ou não volta??
Ai estava paralisado e completamente envergonhado, o olhar de todos tava sobre ele.
Syo: Natsuki para com isso!
Natsuki: então sempai??
Reiji: volta Ai-Ai!
Ai suspirou.
Ai: Natsuki… se eu disser que vou pensar você levanta daí?
Syo o olhou surpreso. Natsuki esboçou um belo de um sorriso.
Natsuki: sim!! Porque se o senhor vai “pensar”, isso significa que aceitará!
Ele se levantou animado. Ringo chega perto deles.
Ringo: minna!! O ônibus chegou!!
Todos pegaram suas coisas e caminharam ao ônibus, Syo ainda olhava para Ai surpreso, o bluenette não disse nada só sorriu que fez o coração do menor saltar em uma batida.
Depois de uns minutos todos já estavam no ônibus que dirigia em direção a cidade. Na parte de cima ficavam os veteranos e na parte debaixo os membros do Starish, geralmente por dupla nos bancos.
Masato: eu to feliz que conseguimos lotar a arena.
Disse baixo para Ren que estava ao seu lado.
Ren: eu tava preocupado com isso. É bom, porque isso prova que somos tão bons como os sempais foram na época que estavam estreiando.
Masato sorriu.
Masato: você preocupado? Pensei que de todos era o que estava mais confiante. Sempre foi convencido…
Ren riu um pouco.
Ren: para a capacidade pra azaração, eu tenho confiança de sobra.
Masato revirou os olhos fazendo Ren rir mais.
Ren: mas nosso trabalho como ídolo é diferente, fora a pressão que tínhamos por estar fazendo pela primeira vez em um lugar tão grande e na mesma arena que nossos veteranos fizeram na estreia. Que por sinal foi uma estreia e tanto.
Masato: como o Kotobuki-sempai fala: para ser um ídolo você precisa ter a capacidade de superar seus mestres.
Ren sorriu de canto.
Ren: estamos indo muito bem nisso.
Ele se aproximou dele.
Ren: mas feliz estou… por você ta vivendo tudo isso comigo.
Masato corou um pouco.
Ren: eu te amo.
Disse baixinho. Masato estava um pouco retraído.
Ren: o Saotome não ta aqui Masa… os que estão, sabem da gente.
O moreno abaixou o olhar por uns segundos e depois voltou a prende-los aos do Ren.
Masato: também te amo.
O ruivo sorriu mais e o beijou.
...................
Otoya não parava quieto na poltrona.
Tokiya: Otoya quieta por favor!
Disse passando as mãos no cabelo.
Otoya: mas eu to um pouco desconfortável Tokiya! Preciso arranjar uma posição boa pra quando for dormir.
Disse manhoso. Tokiya estreitou o cenho.
Tokiya: não se preocupe. Quando for dormir eu vou pra outra poltrona e você fica nessa sozinho.
Disse fechando os olhos. Otoya o olhou surpreso.
Otoya: o que?? Mas… não! Eu quero você comigo!
Ele virou de frente para o moreno.
Tokiya: você mesmo ta reclamando e…
Otoya: por que você ta estranho comigo?? Não me ama mais??
Tokiya abriu os olhos em choque com a pergunta.
Tokiya: o que? Mas que pergunta sem fundamento é essa Otoya?!
Otoya: você ta frio!
Tokiya: eu não sou um vulcão em erupção e você sabe.
Disse sarcástico. Otoya bufou.
Otoya: sem sarcasmo Tokiya!
O moreno suspirou.
Tokiya: Otoya eu te amo ok?
O ruivo continuou o fitando.
Tokiya: não pensa besteira.
Otoya desviou o olhar.
Otoya: a culpa é sua.
Tokiya: o que é minha culpa?
Otoya: eu não te amava… ou melhor, eu não sabia. Você me fez descobrir e agora que sou completamente apaixonado por você… não ouse me deixar!
Disse corando. Tokiya o fitava surpreso e depois sorriu.
Tokiya: vem cá vem…
Ele o puxou colocando a cabeça do menor em seu colo.
Tokiya: você pensa cada coisa. Tem ideia de como minha vida é melhor desde que você apareceu?
Ele acariciava os cabelos do ruivo.
Tokiya: eu não consigo imaginar o dia que não te amaria mais.
Otoya sorriu.
Otoya: você jura?
O moreno sorriu.
Tokiya: sim.
Otoya levantou a cabeça e o beijou apaixonadamente sem se importar se alguém veria.
Otoya: acabamos de ter nossa primeira DR.
Tokiya acabou rindo da risada que o menor deu.
Tokiya: eu tava pensando… esse vai ser o nosso primeiro natal juntos, mas juntos mesmo.
O Itokki sorriu.
Otoya: espero que o primeiro de muitos.
O moreno ficou o fitando e não resistiu em mais uma vez beija-lo.
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Ranmaru estava deitado na poltrona e olhava distraidamente para a paisagem na janela. Estava nevando e muito perto do natal, seria em poucos dias. Ranmaru lembrou que naquela época quando ele era menor, adorava o período de natal pela neve, ele corria e brincava com seus primos fazendo bonecos de neve, jogando “bombas de gelo” uns nos outros… era divertido. Seus pais sempre brigavam com receio que ele ficasse resfriado, a mãe principalmente, ela sempre foi protetora demais e tinha medo até do mínimo pingo que caísse sobre Ranmaru quando criança.
O albino desbloqueou o iPhone para ver a hora em seu celular e seu olhar ficou perdido mais uma vez fitando a data daquele dia, era o aniversário do seu pai e também do casamento dele com sua mãe. O Kurosaki suspirou, fazia oito anos que ele nem ouvia a voz de seus pais, os vê pessoalmente pior ainda, tinha algumas notícias pelos jornais, revistas de alta sociedade e a única coisa que tinha certeza era que os negócios iam muito bem pra variar e que ambos estavam vivos.
Ranmaru: “será que eles esqueceram que tem um filho?”
Fechou os olhos. Ranmaru sentia saudade dos pais, as vezes relutava com a vontade de ligar, nem que fosse apenas para escutar a voz da mãe ou do pai na outra linha… mas sabendo como eles eram, ele preferia não fazer. O albino teve pra quem puxar o jeito genioso.
Sra. Kotobuki: eles podem estar magoados com você… mas eles ainda te amam Ranmaru-san. Os pais sempre amam seus filhos, não importa o que eles façam.
Ranmaru abriu os olhos lembrando do que a mãe de Reiji o falou naquele dia.
Ranmaru: “que inveja do Reiji, ele tem uma mãe fantástica.”
Reiji: o que você tem?
Ranmaru se assustou com a voz do moreno, ele olhou pra cima e viu Reiji em pé parado perto da poltrona o olhando.
Ranmaru: nada, por que?
Reiji: você ta estranho Ran-Ran. Ta horas encarando seu celular…
Ranmaru desviou o olhar para a janela.
Ranmaru: nada de importante.
Reiji sorriu minimamente e se sentou ao seu lado.
Reiji: ta me parecendo que você quer fazer algo, mas não tem certeza se é o certo.
O albino o olhou um pouco chocado pela percepção dele.
Reiji: são seus pais?
Agora mesmo que Ranmaru chocou de vez.
Ranmaru: ou você tem um dom de percepção mutante ou eu que sou transparente demais.
Reiji riu.
Reiji: eu sei por alto que você não tem uma boa convivência com seus pais. Os jornalistas investigam a fundo.
Ranmaru continuou o olhando.
Ranmaru: como sabe tanto da minha vida? Acompanhava minhas notícias antes de entrar pra banda?
Reiji quase cora, mas se controlou.
Reiji: sempre tivemos no mesmo meio Ran-Ran. Não é difícil ouvi algo sobre você.
O albino arqueou a sobrancelha não muito convencido.
Reiji: fora as perguntas que os repórteres faziam aos seus pais quando os viam e ele sempre se negavam a responder qualquer coisa, você também nunca disse nada sobre eles na mídia. As pessoas adoram falar da vida dos ídolos e você sabe.
O maior respirou fundo.
Ranmaru: você ta certo, minha relação com meus pais não é só “conturbada”, é péssima. Eu não os vejo e nem falo com eles há 8 anos.
O moreno não acreditou no que ouviu.
Reiji: 8 anos?! Mas Ran-Ran por que você não os procura?? Ou melhor… por que todo esse tempo sem se falar?
Ranmaru: eles não me perdoaram por abandonar minha casa, minhas responsabilidades como herdeiro e seguir carreira artística. É difícil nascer em uma família perfeita, quando você não é perfeito. Sabe o que eles queriam? Que eu crescesse naquele clima insuportável de família tradicional, fizesse faculdade de economia, assumisse os negócios da família com 25 anos, casasse com a Ayume e tivesse no mínimo dois filhos.
Reiji arregalou os olhos.
Reiji: o que a Ayume tem a ver com isso?
Perguntou meio enciumado.
Ranmaru: você deve saber que a família dela é de empresários não é?
Reiji afirmou.
Ranmaru: os Kisaragi’s não são tão poderosos e influentes como os Kurosaki’s, mas o pai dela é amigo de infância do meu e eles sempre sonharam casar seus únicos herdeiros para unir as famílias e dar netos perfeitos a eles. Crescemos juntos, brincávamos e até ficamos algumas vezes na adolescência… mas eu namorei com ela porque quis, até porque comecei a namorar quando já tava famoso e sem falar com meus pais.
Reiji estava calado e se antes já não gostava de Ayume, ele agora a odiava! Ela era mais importante na vida de Ranmaru do que ele pensava, era sua “prometida”, a mulher que foi destinada a ele quando pequenos ainda, a mulher que tem que dar herdeiros a ambas as famílias, sua amiga e ficante de infância e também a única que ele durou mais tempo no relacionamento.
Reiji: “como eu posso lutar contra o destino dele e dela?”
Ele tava despedaçado por dentro, aquilo doía. Saber que ele nunca seria para Ranmaru como ela pode ser, doía. Eles jamais poderiam casar, é preconceito demais, apesar de ser legalizado, sua família por ser tradicional jamais permitiria isso e Reiji era homem, como ele daria herdeiros a Ranmaru para família Kurosaki? E como homem é claro que o albino quer ser pai um dia, até mesmo ele quer isso… mas juntos, jamais poderiam ter um filho deles mesmo, com suas genéticas, suas características.
Ranmaru: mas sabe…
Reiji acabou voltando sua atenção ao maior.
Ranmaru: eu nunca me apaixonei por ela, nunca a amei.
Ele olhou direto nos olhos acinzentados do moreno.
Ranmaru: “não como estou amando você.”
Ele disse em pensamento, eles ficaram se encarando e Reiji desviou o olhar corando levemente.
Reiji: mas se é o seu destino… como pode não ama-la?
Perguntou baixo. O albino continuou o olhando apesar do moreno não conseguir manter o olhar do Kurosaki.
Ranmaru: o meu destino é a pessoa que eu amo e escolher pra ficar, não alguém que meus pais escolheram por status.
Reiji: então… se você se apaixonar por alguém, recusará esse destino?
Ranmaru sorriu de canto e voltou sua atenção a neve que caia lá fora.
Ranmaru: eu já recusei.
Reiji se surpreendeu.
Ranmaru: “desde que me apaixonei por você.”
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