Assim que passei por ele aumentei a velocidade dos meus passos, senti minha respiração ficar pesada e minhas mãos suando...Parei ao lado de uma parede numa zona sossegada de escola, onde nunca tem ninguém, encostei as minhas costas nela, deixando meu corpo descer até ao chão, sentando-me nele, agarrei meus joelhos, escondi meu rosto soluçando e fiz toda a força que tinha para não chorar...mas as lágrimas teimaram em cair, recordações evadiram todos os meus pensamentos como laminas a rasgar-me a alma de um modo brutal.

Lembrei de todos os nossos momentos e isso fez meu coração estilhaçar aos poucos... Todos os beijos, todos os abraços, todas as conversas, todas as promessas que não foram compridas, todos os planos não realizados, todas as discussões, todos os momentos em que eu confiei nele, todas as mentiras, as traições, as segundas chances, todos os erros....

Como pude eu perdoar tanto? Como pude ser tão ingénua?

Ele esqueceu-me em meros minutos, não ligou para o que eu sentia, não quis nem saber de nossa história, apenas virou a página sem sequer olhar para traz.

Apagou tudo... E eu só queria puder fazer o mesmo, se eu lhe pudesse pedir mais uma coisa seria para me ensinar a esquecer assim tão facilmente as coisas sem me importar, como ele faz...

Mas a verdade é que eu não posso, pois uma força maior vai sempre manter-me unida a ele mesmo sem eu querer, ele não foi homem o suficiente para cuidar de mim quando eu mais preciso, mas eu vou ser mulher o suficiente para cuidar da pequena coisinha que está para vir, vou ser mulher o suficiente para enfrentar tudo e todos, eu não preciso dele só preciso da minha força, e isso que está dentro de mim me dará motivos para não desistir.

Senti as lágrimas frias rolando pelo meu rosto quente e as limpei bruscamente com minhas mãos, numa tentativa falhada de as fazer parar de cair. Ouvi passos vindos do corredor, e senti alguém aproximar-se de mim lentamente...

–Ei, está tudo bem com você? -uma voz forte e segura ecoou, olhei para a frente e vi um garoto se ajoelhando a meu lado encarando meu rosto com ar preocupado, por momentos me perdi em seu olhar azul infinito de tão bonito que era...

–Porque quer saber? Nem me conhece...Apenas me deixe sozinha. -respondi asperamente, tentando evitar um interrogatório de algum desconhecido.

–Nunca na vida deixaria um donzela tão bonita sozinha a chorar num meio de um corredor deserto...- ele respondeu firme e abriu um grande sorriso, o que o deixou com uma cara de criancinha.

–Vá embora daqui, eu não preciso de pena por parte de desconhecidos...-Disse-lhe rapidamente com uma voz autoritária.

–Não há problema eu deixo de ser um desconhecido, meu nome é Miguel e o seu? -ele argumentou ainda sorrindo.

Revirei meus olhos, e me levantei do chão ajeitando o meu vestido cor-de-rosa, peguei minha mochila e comecei a andar ignorando a pergunta dele... Senti ele vindo atrás de mim, mas não liguei e acelerai o passo numa tentativa de me livrar rapidamente dele.

Vi que ele não desista e me seguia por todo o corredor até á área mais movimentada da escola, parei de andar, virei para traz e o encarei

–Querer parar de me seguir? -perguntei de braços cruzados

–Até me dizer o seu nome não...-ele respondeu com aquele sorriso de orelha a orelha

–Bem que pode esperar sentado. -disse e continuei a andar.

Ele voltou a seguir-me, que garoto mais chato e irritante...