Coisas De Garotos E Garotas

9 Capítulo 8 - Porque eu fugi?


Notas iniciais
Aí está mais um capitulo. Espero que gostem

Quando acordei, Bernardo não estava ao meu lado na cama. Espreguicei-me, contorcendo-me toda; estalei meus dedos e olhei ao redor. O quarto dele era típico de um garoto. Havia roupas espalhadas pelo chão e num canto do quarto, sapatos e tênis estavam amontoados. Em sua escrivaninha: papeis, seu pc, a tv num canto, carteira, celular, tudo jogado. Levantei-me e pegando o edredom, o dobrei. Calcei meu tênis, coloquei meu casaco dentro da bolsa e sai do quarto. Chegando ao final do corredor, vi Bernardo dormindo no sofá. Em que momento ele havia saído da cama e vindo pra cá? Por que não ficou do meu lado? Ele dormia com o braço pendendo do sofá, de bruços; estava sem camisa e o edredom o cobria até o cós da calça. As linhas de suas costas marcavam bem sua definição. Ele era definitivamente lindo.

Sem querer acordá-lo, deixei minha bolsa num canto da sala e fui ao banheiro. Olhei-me no espelho; estava com uma cara horrível. Meu rímel havia manchado a parte superior de meus olhos e a parte debaixo, me deixando como a um panda. Lavei o rosto, tirando o resto de rímel da cara. Peguei papel para secar meu rosto, não sujaria a toalha de rímel preto. Fiz meu xixi e por fim, peguei uma escova e escovei meus cabelos. Achei uma chuquinha no bolso da calça e prendi meu cabelo em um rabo de cavalo. Quando me achei apresentável, sai do banheiro. Não encontrei Bernardo no sofá.

- Ah, você está aí. – disse ele, atrás de mim. Virei-me para olhá-lo, ele ainda estava sem blusa, apenas de calça e sorria pra mim.

- Oi.

– Quer comer alguma coisa? – perguntou ele, passando por mim e parando na soleira da porta da cozinha.

- Ahn, não, obrigada. – peguei minha bolsa onde havia deixado e a coloquei no ombro. – Na verdade, acho melhor eu ir embora. – ele ficou me olhando e baixando os olhos, por fim, assentiu.

- Eu te levo em casa. – disse ele, vindo até mim.

- Não precisa. – passei por ele, indo até a porta. – Obrigada por me deixar dormir aqui Bê. – lancei um sorriso de lado. – Mas minha mãe pode ficar preocupada e ela acha que estou na Maíra. É melhor eu ir.

- Tudo bem. – Bernardo me olhava quando abriu a porta pra mim. – Espero que tenha dormido bem.

- Dormi sim. Sua cama é boa. – sorri. Ele acabou sorrindo pra mim e passando os braços pela minha cintura, me abraçou. Larguei a bolsa no chão e apertei seu pescoço, o abraçando forte. Como era bom aquele abraço!

Soltando-me, sai de sua casa. No corredor, olhei para trás e ele estava lá, me olhando ir embora. Por que eu me privava de estar com ele? Eu não queria ir embora, queria ficar e tomar café com ele. Passar o dia com ele, em sua cama... que droga!

O elevador chegou e entrei. Quando a porta ia se fechando, Bê ainda estava lá, me olhando. Reprimi um impulso de sair do elevador e correr até ele, abraça-lo, beijá-lo. A porta fechou e o maldito elevador desceu, chegando ao térreo. Sai e fui para o ponto de ônibus. Quando este chegou, subi, sentando-me nos últimos bancos. Coloquei o fone de ouvido e pus a musica no volume máximo. O que eu queria naquele momento era abafar meus pensamentos.

Chegando em casa, fui recebida por um escandaloso cachorro, pulando e granindo pra mim. Fiz carinho em sua cabeça e chamei pela minha mãe. Ela estava no seu quarto, guardando umas roupas.

- Ei! Tudo bem? – perguntou ela quando me viu. – Como foi ontem?

- Foi bem legal, foi muita gente. – falei, me largando em sua cama.

- Chegaram bem na casa da Maíra?

- Chegamos sim. – menti, mal olhando pra ela.

- Já tomou café?

- Ainda não. Preferi vir comer com você.

- Já é quase meio-dia. Vai tomar um banho que o André vai passar aqui pra irmos almoçar. – André era meu padrasto há treze anos, minha mãe e ele se separaram, mas decidiram voltar.... a namorar. Moramos separamos, mas, eles tão juntos. Levantei-me da sua cama, fui em meu quarto, deixei minha bolsa na cadeira e pegando uma roupa limpa, rumei para o banheiro. Tomei meu banho e saindo arrumada do banheiro, minha mãe já estava pronta, falando ao telefone. – Ele pediu para descermos daqui a dez minutos.

- Tá bem. – fui para meu quarto e liguei o pc; ele ligou e entrei rapidamente no facebook. Tinham muitos comentários do grupo e um novo grupo foi criado – só tinha gente que estava na social, até os veteranos. Entrei e um álbum de fotos apareceu logo de cara. Nem sabia que tinham levado câmera. Fui ver as fotos.

- Marina, vamos! – chamou minha mãe. Fechei o facebook e desliguei o pc. Depois veria aquelas fotos com calma.

Depois de ter comido muito numa churrascaria, cheguei em casa exausta e cheia. Liguei o pc e entrei direto no facebook. Tinham mais comentários no grupo da minha sala e no da social. Os veteranos comentaram que havia sido uma social ótima e que nunca haviam bebido tanto – e que os calouros não são tão burros assim, por terem feito uma social estupenda! Alguns amigos postaram e comentaram elogios e foi até lançado a ideia de fazermos outra no próximo período. Cheguei ao álbum de fotos e fui ver.

Varias fotos de gente que eu mal conhecia – devem ser os veteranos. Fotos dos meninos jogando sueca; das meninas dançando; dos meninos olhando as meninas dançarem; da Pamela com Peter se agarrando e dançando juntos; Matheus e Marcelo com Sophia; Juliana, Maíra, Camila, Arthur, Lucas, todos numa foto. Bernardo com Caio e Bento. Achei umas minhas também: com as meninas, com Matheus, Marcelo e Sophia – quando tirei essa foto? E por fim, uma foto minha com Bernardo – não me lembro de ter tirado foto com ele! Muito menos que tenham levado câmera. Enfim. Tá aí uma foto nossa. Como ele é lindo! Estava ali admirando nossa foto quando vejo uma janelinha piscando do chat. Salvo todas as fotos dos meus amigos e as que eu apareço e vejo quem estava me chamando: Maíra, Sophia, Juliana, Camila, Pilar. Todas em janelas separadas, falando sobre o mesmo assunto. Por que não juntar numa só? Fiz isso, chamei todas para uma só.

“Não acham mais fácil assim? Já que todas querem saber a mesma coisa?” – falei, mandando para todas.

“Se todas querem saber o mesmo, pode falando.” – disse Sophia.

“Façam perguntas, uma de cada vez, e eu vou respondendo. Não lembro de tudo” – enviei.

“Você saiu da social com o Bê.” – mandou Juliana.

“Isso.” – falei.

“Para onde foram?” – perguntou Maíra.

“A principio eu achava que ia pra casa. Eu não estava me sentindo bem, então pedi pra ele me levar em casa.” – mandei.

“Então você foi pra casa?” – perguntou Pilar. “Como se eu estava monitorando a portaria?”

“Como assim?” – perguntei.

“Pedi pro porteiro interfonar caso você chegasse.” – falou Pilar. Revirei os olhos para a tela do pc. Essa era a Pilar!

“Deixe ela contar” – pediu Sophia.

“Tá bem. Eu não fui pra casa. Ele me levou pra casa dele. Não tinha ninguém lá” – mandei imaginando a reação de cada uma, e me xingando por não ter sido mais especifica.

“O QUE?” – mandaram, todas.

“Calma gente” – mandei. – “Também achei estranho ele ter me levado até a casa dele. Só que ele disse que me levou pra lá por que queria ter certeza que eu estava bem... que eu ficaria bem. Não tinha ninguém na minha casa, minha mãe havia saído. E ele não quis me deixar sozinha em casa”.

“Então ficaram vocês dois lá? Sozinhos? – perguntou Camila.

“E não fizeram nada????” – perguntou Pilar.

“Não.” – mandei. – Tudo bem, eu admito que fiquei tentada a ficar com ele, a fazer qualquer coisa com ele.” – mandei. – “Ele me deixou dormir no quarto dele, eu até pedi que ele dormisse ali também.” – mandei. – “Mas quando acordei hoje de manhã, ele não estava. Quando fui ver, ele dormia no sofá.”

“Acho que ele não fará nada sem você quiser.” – deduziu Maíra.

“É” – mandou Camila.

“Na minha humilde opinião...” – mandou Pilar. – “acho que ele só vai fazer algo, tipo, tomar iniciativa, se você estiver disposta também. Tipo, se você mostrar que também quer.”

“Mas eu pedi pra que ele ficasse comigo na cama.” – falei.

“E mesmo assim nada?” – perguntou Juliana.

“Não.” – enviei.

“É gay!” – mandou Camila.

“Gente...” – mandou Maíra. – “vai ver ele quer ter certeza que a Marina gosta dele. Por que veja bem, você ontem estava bêbada... aí vai... você dá pra ele ou qualquer outra coisa... no mínimo ele ia achar que você ia acordar arrependida”

“Que você tenha pedido pra ele ficar contigo na cama por que você não tava em si. – disse Pilar.

“Efeito do álcool” – mandou Sophia.

“Mas eu já estava bem... lucida o bastante pra me lembrar disso... e não me arrepender” – falei.

“Mas vai que pra ele você não estava?” – mandou Juliana.

“Você quer ficar com ele?” – perguntou Camila.