Notas iniciais
Primeiro capitulo, onde tudo começa. Por favor, quem for ler essa fic, deixe um comentário, para poder interagir com vocês. Espero que gostem.

Muitas coisas por essa vida eu já passei, uma delas que ainda esta guardada até hoje em meu peito. Pode ate não parecer muito grave, mas para uma menina de apenas 16 anos, é sim. Ver seu pai largar sua família por causa de uma vagabunda qualquer, dói muito.

Minha vida é bastante confortável, vamos dizer assim, apesar de não gostar de ser dependente do dinheiro que o Antonio manda.

Apesar de ter quase tudo, eu não tenho o principal, uma família de verdade, minha mãe tenta, mas não chega nem perto de ser “A família”.

Estava em meu quarto, deitada, refletindo na vida, e em tudo o que aconteceu, pensando se todas as minhas atitudes estavam corretas, e sinceramente não consegui chegar à resposta alguma.

Escutei o despertador tocar, e já era hora de levantar, e encarar mais um dia. Levantei sem vontade alguma, fui ao banheiro e troquei de roupa e coloquei meu uniforme e desci.

–- Manu, eu não quero que você continue com essa idéia de estudar nessa escola — reclamou minha mãe, mais uma vez.

–- eu já tomei minha decisão mãe, vou continuar na mesma escola do ano passado – eu retruquei, ela não falou nada.

Eu estudo em escola publica e minha mãe insiste que eu estude em escola paga.

Mas detalhe: paga pelo Antonio, e definitivamente dele eu não quero nada.

Bom, meu nome é Manuela, ou Manu. Antonio é um homem que todos falam ser meu pai, mas que eu duvido muito. Minha mãe se chama Vitoria. E tenho uma Irma de 8 anos, Eduarda.

Peguei apenas uma maça, e sentei à mesa, esperando elas acabarem.

Levantei sem vontade e fui em direção ao carro, esperar por elas. Fiquei escutando minhas musicas preferidas, mas nada delas chegarem, resolvi ir andando mesmo, passei na casa da Bia, minha amiga que sempre esteve ao meu lado em todos os momentos difíceis que já passei.

Fomos a caminho da escola, estava um silencio que me incomodava muito, mas resolvi deixar quieto e não saber o que estava acontecendo. Ela me olhou, e eu pude ver que ela também estava estranhando esse silencio.

–- o que foi que você tem? Você nunca foi assim? — ela me olhou sem entender.

–- hoje é dia de visita do Antonio – não precisou falar mais nada, ela já entendeu que o meu dia hoje não seria nada fácil.

Todas as visitas dele, sempre me machuca, eu queria perdoá-lo,mais é mais forte do que eu, eu tento mostrar com veemência que eu não ligo de ter ou não um pai,mas sinceramente só eu sei o quanto isso me machuca.

Eu só queria ter um "colo", em que pudesse ser eu mesma, que pudesse desabafar todas as vezes que tinha vontade, a Bia era a pessoa mais indicada para ser esse “colo”, como eu sou para ela, mas sempre quando eu começo, alguma coisa em mim trava me impedindo de falar.

Estava sentada em minha mesa distraída, como em todos os dia de visita dele, mas alguma coisa me chamou atenção, e essa coisa era um papel colado no quadro-negro.

Levantei e fui ver do que se tratava, vi que era um recado, parecido com um convite, para fazermos inscrição para participar de uma seleção da melhor e mais cara escola da cidade, e com certeza, eu não perderia essa oportunidade, estudaria mais que o normal, sendo que eu já me considerava uma CDF.

Levei o papel para a Bia e ela também ficou super empolgada, e logo fomos a diretoria fazer nossas inscrições, já que a prova seria na segunda que vem.

As aulas passaram rápidas, e na saída da escola minha mãe já estava me esperando, com medo de surgir alguma oportunidade para que eu não comparecesse nesse encontro, ou seja, com medo que eu fugisse, e com certeza se surgisse algum sinal que fugir daria certo, eu fugiria.

Cheguei à porta do carro e minha mãe abaixou o vidro.

–- e mãe, nem vai rolar de ver o Antonio hoje, vou ter que estudar – olhei para a Bia para que ela me desse uma força, mas ela não falou nada.

–- nada disso Manu, você vai ver seu pai sim, depois você estuda. — ela disse com tamanha convicção, que eu nem insisti.

Entrei no carro, e fomos embora, deixamos a Bia em sua casa e seguimos o nosso rumo.

***

Estava em meu quarto, esperando que o Antonio chegasse, troquei de roupa e fiquei olhando para a janela que dava de rumo para a rua, estava sentada com as pernas cruzadas, estava com meu pensamento longe, quando escuto um barulho e por impulso olho para trás. A Duda estava na porta.

– — entra Duda -eu disse me virando pra ela.

– — quero te pedir um favor Manu- ela disse com uma voz meio que suplicando.

Ela sentou em minha cama e me olhou profundamente nos meus olhos.

–- sabe Manu, toda vez que o papai vem nos visitar você briga com ele e sempre estraga tudo, eu queria que hoje fosse um dia bom, sem briga, pelo menos hoje — ela falava com os olhos cheios de lagrimas.

Ver minha Irma desse jeito me machuca muito, mas é que tudo o que eu faço sai sem pensar.

–- eu vou tentar ta Duda? Mas não prometo nada. — eu disse, com sinceridade, porque não adianta eu prometer uma coisa que eu acho quase impossível de cumprir.

Ela se afastou de mim.

–- pelos já é alguma coisa.

Ela ia saindo e eu puxei o braço dela.

–- eu vou tentar.

Ela me olhou e saiu, e eu voltei para a mesma posição de “meditação” de antes.

O vento batia de leve em meu rosto, e isso me trazia paz e conforto, nem percebi o tempo que eu estava lá, naquela mesma posição.

Minha mãe entra em meu quarto e me tira do meu transe.

–- seu pai chegou.

Bastou ela falar isso e meu corpo todo se estremeceu.

–- já estou indo- foi apenas o que eu conseguir falar.

Ela saiu e eu fui para o banheiro, lavei meu rosto respirei fundo.

–- EU VOU TENTAR. - sussurrei isso para mim mesma, tentando acreditar naquelas palavras, mas eu sabia que ia ser difícil.

Respirei fundo novamente e segui em frente.

O inferno ia começar!

Desci as escadas e ele estava na porta,a Duda estava abraçada com ele.

–- ei filha- — ele disse olhando para mim.

–- ei — foi apenas o que eu falei.

–-- não vai nem me abraçar? — ele perguntou, mas será que ele precisava mesmo fazer essa pergunta?

–- dispenso. -respondi seca.

Ele ficou super sem graça. Ele começou a brincar com a Duda, ate que para ela, ele era um bom pai. Eu fiquei vendo TV enquanto eles faziam um papel de família feliz.

**

–- vamos ir a uma soverteria? — ele perguntou olhando para mim. E me tirando da concentração do desenho que eu estava vendo.

–- vamos — a Duda respondeu com um sorriso enorme.

–- bom sorvete – foi apenas o que eu respondi, porque é lógico que eu não sairia de casa com o Antonio.

–- você vai ir a sorveteria com seu pai sim Manuela — minha mãe apareceu do nada,suponho que ela estava na cozinha e escutando a conversa.

–- a mãe, querer que eu fique no mesmo lugar com ele – disse apontando para o Antonio- eu ate entendo e faço isso, mas agora querer que eu saia de casa com ele e passar a imagem de família feliz já é demais. Eu não vou e pronto.

Eu me exaltei e vi que eu fui muito sem educação com minha mãe, subi para meu quarto,com minha cabeça a mil, meus olhos estavam ardendo e logo apareceram lagrimas que eu tentava controlar, mas que não conseguia.

Depois de uns 10 minutos minha mãe sobe, minhas lagrimas estavam em seus devidos lugares. Minha mãe apenas me abraça e fica calada.

–- mãe me desculpe por ter sido mal educada com você e ter te respondido daquele jeito — falei com a voz mais sincera que alguém poderia falar.

–- eu te entendo filha,mas só acho que essa magoa só faz mal a você mesma, e para mais ninguém, tenta esquecer tudo o que aconteceu e pensa somente no presente. – ela falava como se fosse a coisa mais normal do mundo.

–- mãe, eu tento, mas não dá.

Ela apenas me abraçou e ficou comigo uns 30 minutos, eu contei da prova e ela me deu muita força.

*

**

Depois desse dia tumultuado eu só queria a companhia da minha cama e de mais nada. Assim que minha mãe saiu eu dormi.

Notas finais
Bom é isso, vou postar o proximo capitulo em seguida.
espero que alguem leia.