Coffee with Quinn Fabray
8 Me perfile
Notas iniciais
Espero que relevem e enfim, boa leitura.
New Haven – 23 de Janeiro – Terça-feira – Yale – Campus — 13h45min
- O que você tem? – A loira pediu calma enquanto degustava um saco de batatinhas. Você a olhou e se manteve em silencio por alguns segundos. – Está quieta hoje.
- Tive um sonho. – Você a olhou suspirando frustrada. – Na verdade eu tenho esse sonho há anos, é sempre o mesmo. Havia parado sabe? Desde que vim pra NY eu não o tive mais, se repetiu domingo.
- Bem, e sobre o que é o sonho?
- Hm... eu não tenho certeza, quero dizer, de certa forma o sonho é sempre o mesmo, só que todo sonho eu vejo uma coisa a mais. É sempre uma pessoa comigo em um lago, quando comecei a ter os sonhos era sempre isso, e a cada sonho eu podia ver algo diferente, algo a mais.
- Porque não me conta como foi dessa vez? – Quinn pediu enquanto mordia um pedaço do bolinho de baunilha, você ponderou por alguns instantes, falar daquilo não era tão simples assim, das ultimas vezes em que teve esse sonho acordou um tanto quanto atordoada.
Flashback
Seus pés estavam frios. Você chegou a essa conclusão quando sentiu um arrepio subir pela espinha, ventava pouco, não o suficiente para te fazer sentir frio, era mais uma brisa fresca, no entanto você ainda se sentia gelada. Você deu um passo e olhou para os seus pés, estava descalça e pisava em folhas e flores molhadas, você olhou ao redor e notou que havia chovido há pouco. Você praguejou baixinho olhando para os pés sujos, levantou os olhos quando ouviu barulho de água, havia um lago a sua frente e você não pensou duas vezes antes de andar até la. O barulho provinha de uma pequena cascata de água que caia direto do lago, deslizou os pés até apoia-los na cascata sentindo a água escorrer por entre os dedos e assim levar os resquícios de sujeira, você só precisava de um...
- Procurando por isso? – Uma voz ressonou nos seus ouvidos e instintivamente você se virou para trás, você não pôde ver quem era porque o sol batia no rosto da pessoa ofuscando sua visão, no entanto você viu um par de sapatilhas e uma toalha branca se materializarem nas mãos da pessoa. – Pegue, você precisa secar seus pés e calçar sapatos.
- Obrigada. – Você acenou agradecida secando os próprios pés e depois calçando as sapatilhas azuis. – Não sei onde deixei meus sapatos ou como eu vim parar aqui. Onde estamos e... eu conheço você? – Você tinha certeza que suas sobrancelhas estavam vincadas e já começava a sentir a cabeça latejar tentando sem sucesso ver o rosto da pessoa. Uma risada escapou dos lábios da pessoa e você se viu confusa mais uma vez.
- Tudo ao seu tempo söt. E você não me conhece, ainda não. Para me descobrir primeiro você vai ter que me perfilar. Até la, você só precisa saber que existe alguém muito mais do que seus olhos possam ver. – A pessoa começava a se afastar lentamente, você se pôs de pé e tentava chegar o mais próximo que conseguia sem sucesso.
- Espere... eu... eu vou voltar a te ver? – Você perguntou num sussurro sem saber exatamente o porquê e se queria uma resposta, você pensou ter visto a sombra de um sorriso no rosto embaçado da pessoa antes de ouvi-la responder.
- Me perfile Rachel, eventualmente eu vou partir. Eu não posso esperar para sempre söt. – E então desapareceu.
Você se sentiu sacolejar, no entanto não conseguia sequer abrir os olhos. Seu nome ressoava pela sua mente como um sussurro e você também não conseguia distinguir a voz, sentiu a garganta apertada como se faltasse ar para respirar. A sensação sufocante só parecia aumentar quando seu nome soou de forma mais clara.
- RACHEL. – Mais um sacolejo e então você pôde abrir os olhos, a primeira coisa que você viu foi os olhos acinzentados que te pareciam muito familiares, você se viu presa por aquilo até sentir um novo sacolejo. – Rachel, ta me ouvindo?
- Tracy? – Você perguntou com a voz rouca e falha, só agora reconhecendo o rosto da garota, um suspiro de alivio foi ouvido.
- Graças a Deus, você me deixou preocupada garota. Acordei com você resmungando alguma coisa, depois quando fui olhar direito tava se debatendo toda, está toda suada, teve um pesadelo? – Tracy não estava mentindo, você levou às mãos a testa e a notou úmida, assim como seu pescoço, você não estava se vendo mais tinha certeza de que estava vermelha.
- Eu.... hm.. eu estou bem. – Pigarreou sentindo o oxigênio voltar aos poucos. – Eu só tive um sonho, já aconteceu outras vezes, eu estou bem, juro. – Você afirmou mais forte, Tracy levou as mãos até sua testa para ter certeza.
- Está quente, vai lavar o rosto garota Broadway, vai se sentir melhor. Me acorde qualquer coisa, tudo bem? – Você acenou com um sorriso cansado, Tracy fez um leve carinho na sua cabeça te dando um beijo por entre os cabelos.
- Obrigada. – Ela te respondeu com um sorriso e foi se deitar. Você se dirigiu até o banheiro e molhou o rosto com a água fresca da torneira. Sua respiração tanto como sua cor havia voltado ao normal e você agradeceu mentalmente por isso. Sentia-se cansada e confusa e irritada. Não sabia o que pensar e sua mente estava nublada. Achou que era melhor ignorar aquilo e ir deitar-se, pelo amor de Deus era só um sonho e isso não iria lhe tirar o sono. Não bastou mais que cinco minutos para você voltar a dormir e dessa vez, sem nenhum sonho lhe atormentando.
Fim do flashback.
- Sonhos costumam dizer muita coisa Rachel. Não há bem um segmento para isso que diz ser sobre o passado, o presente ou o futuro. É a única coisa da qual não temos controle.
- E a morte? – Você perguntou automaticamente, Quinn era um mistério e você adorava saber a visão dela das coisas, seja sobre política, religião, ciência, arte ou literatura, você apenas gostava de saber sobre o que ela acreditava.
- Eu acredito em livre-arbítrio até certo ponto. Quero dizer, você pode fazer tudo o que quiser, tomar decisões, só que dentro dos limites impostos. Eu queria ter a decisão de voar e eu não posso, no entanto eu posso tomar a decisão de entrar na frente de um carro e morrer. Este é o meu controle. – Explicou simples, você assentiu a mostrando que entendia cada palavra, se parasse para pensar veria que Quinn tinha total razão, que fosse ao inferno esse livre-arbítrio. – Sobre o seu sonho, ele te diz alguma coisa? Quero dizer, você não tem nem ideia de quem seja essa pessoa?
- Não, me foquei no rosto e nem sequer notei as roupas que estava usando e aposto como não conseguiria ver, o rosto ora estava ofuscado pelo sol ora estava embaçado e eu não consegui nem distinguir a voz e agora só parece um sussurro na minha cabeça. – Você bufou irritada esfregando os olhos. – É só... frustrante.
- Hey, relaxa ok. – Num gesto instintivo Quinn segurou sua mão, você se permitiu relaxar com aquilo.
- Você já ta virando um calmante natural pra mim. – Quinn sorriu sem graça e soltou sua mão, você sorriu agradecida. – Eu não te contei, minha professora está organizando uma peça que uma aluna dela de anos atrás escreveu, estou pensando em fazer audição para a protagonista é claro.
- Como se chama a peça? – Quinn franziu o cenho em divertimento.
- A vida de Angelique Benoîte. Ela é uma francesa que fugiu da casa dos pais porque não queria se casar forçada. Ela é apaixonada por música e dança e cuja vida foi sufocada pelas cobranças do pai militar, ela acredita em amor e foi o motivo de ter fugido, ela nunca se casaria com alguém que não amasse. Então ela vai para Paris, para a parte pobre onde ela encontra um Cabaré, ela se candidata como dançarina e Marie, a dona do lugar a aceita. A partir daí ela passa a se apresentar todas as noites seduzindo os homens em busca do amor da vida dela, ela julga que só o encontrará quando ele não prestar atenção nela.
- E ela encontra?
- Eu não sei. Não tem uma conclusão sobre isso, a mensagem é de que ela nunca desiste. Eu prefiro acreditar que ela termina com Joseph, ele é um dos “garçons” do Cabaré. Ele é o melhor amigo de Angelique, no final de cada noite ela está sentada no balcão, então ele a serve com alguma bebida totalmente diferente do que está acostumado e eles conversam por um tempo até que ela sinta sono e vá dormir. – Você terminou com um sorriso no rosto, Quinn assentiu em silêncio por um momento.
- Parece bonito, quando são os testes?
- Sexta-feira para os atores principais, Angelique, Joseph e Marie, sábado e domingo para os outros. A peça deverá ser apresentada no final de maio.
- Quebre a perna então. – Quinn piscou o olho e você lhe direcionou um olhar de agradecimento, ela entendeu porque te sorriu com carinho. – Ray, porque você acha que Angelique e Joseph se apaixonaram? Poderia ser apenas uma amizade ou uma admiração talvez.
- Eu vi uma cumplicidade diferente entre eles, quero dizer, do que se trata amor na verdade? – Você a olhou em curiosidade, a conversa com Tracy de algum tempo atrás voltando a sua cabeça novamente.
- Eu acredito em tantas coisas sobre o amor Ray. E vai contra todo o clichê que todo mundo fala, acredito que seja egoísta, que anda no meio termo entre forte e fraco, que é a capacidade de entender bastando uma palavra, que não seja turbulento e sim calmo, confortável, que se assemelha ao sentimento de fé.
- Quando você disse que Finn era egoísta, você não falava sobre isso não é? – Perguntou de cabeça baixa, flashes daquele dia aparecendo na sua cabeça.
Flashback
- E então, como eu estou? – Você perguntou sorrindo apreensiva, Quinn se virou te analisando de cima abaixo, ela sorriu fraco e você franziu a testa em confusão.
Você e as outras meninas do Glee estavam provando seus vestidos, você o vestido de noiva e as meninas os vestidos de madrinha, o que incluía Quinn que relutantemente aceitou. Nesse momento você estava em um cômodo diferente fazendo a prova final do vestido, Quinn te acompanhou para fazer uma avaliação, por algum motivo você confiava na avaliação dela sobre isso e valia o fato de que se ela não gostasse provavelmente ninguém gostaria.
- Quinn? O que foi? – Você tentou chamar a atenção da loira mais uma vez que parecia pensativa. – Ficou tão ruim assim? – Você própria se analisou no espelho.
- Não, você está bem. – Ela estava mentindo, você pressentia isso. Mas, não era isso que parecia a preocupar. – Eu acho que você vai cometer o maior erro da sua vida se subir naquele altar. – Soltou de uma vez, sua expressão naturalmente fechou.
- Quinn, eu sei que você não está de acordo, mais eu te pedi para me apoiar e aceitar e não para concordar. Felizmente, essa decisão não é sua. Então eu sinto muito que talvez seja você que queira ocupar o meu lugar e...
- NÃO, Rachel não é isso. – Quinn berrou frustrada, você a olhou um tanto quanto assustada enquanto ela esfregava os olhos em irritação. – Você não percebe tudo o que vai ter que abrir mão? Finn vai acabar com tudo o que você é, com tudo o que você quer. Eu não ficarei parada assistindo você arruinar sua vida se casando com Finn Hudson.
- Finn não é assim. – Você defendeu.
- Você não percebe o quanto ele é egoísta? Você é só uma desculpa, um troféu na vida medíocre que ele tem. A desculpa perfeita pra que ele não se sinta o perdedor que ele sempre foi. – Você a viu caminhar até a bolsa que repousava sobre uma cadeira. – Caso ainda não tenha ficado claro, acho que você pode lidar com isso tendo uma madrinha a menos. Eu espero que no ultimo momento algo realmente te faça mudar de ideia Rachel, só não me peça para ficar de plateia vendo você desistir dos próprios sonhos. – Quinn disse as ultimas palavras num tom amargo e você sentiu um arrepio com aquilo, os olhos marejando a medida que ela ia em direção a porta e quando a mesma saiu você só pôde cair de joelhos com lágrimas lhe cortando a bochecha.
Fim do flashback
- Sabe, naquela época eu ainda queria acreditar que você talvez quisesse Finn outra vez, mas não parecia de verdade. Ainda era estranho você acreditar em mim. – Você murmurou a olhando de relance.
- Finn não era egoísta por amor, era egoísta porque estava pensando no que era melhor só para ele. Minha opinião ainda é a mesma Ray, não acho que Finn seja bom pra você, e o fato de que por uma vez ele escolheu fazer o certo não muda o fato de que na hora de escolher, você preferiu ficar com ele do que ir para NY atrás dos seus sonhos. – Você a olhou com curiosidade e ela sorriu sarcástica enquanto negava com a cabeça. – Finn contou pra Kurt depois que você subiu no trem, Mercedes ouviu e contou pra todo mundo. Santana começou a resmungar em espanhol enquanto todo mundo tava chocado demais pra acreditar que você quase desistiu. Eu fiquei brava com você, eu não disse a ninguém mais eu comecei a questionar se deveria realmente acreditar que você poderia alcançar o que quisesse se você mesma achava que um namoro de escola era mais importante.
- Você continua acreditando? – Ela não respondeu, apenas te sorriu ternamente enquanto degustava um sorvete de frutas vermelhas que a garçonete havia trazido.
- Aqui, eu quero que fique com uma coisa. – Quinn levou as mãos ao pescoço retirando uma correntinha prata, você não a tinha notado até agora. Quinn se levantou enquanto você levantava os próprios cabelos, com cuidado a loira a colocou envolta do seu pescoço e voltou a se sentar. – É apenas um empréstimo, costuma me dar sorte.
- O que é? – Você perguntou olhando o pingente.
- Um símbolo do Egito. É um mau egípcio, a raça de um gato que era venerado, eram considerados semi-deuses, criaturas sagradas. Significa leveza, perspicácia, sabedoria, mistério, etc. Acima de tudo traz sorte. Espero que você se saia bem no teste para a peça.
- Oh, obrigada Quinn. – Você sorriu agradecida e foi até ela a abraçando forte. – Isso significa muito pra mim. – Terminou beijando-lhe a face. – E, eu tenho um convite para te fazer antes que eu me esqueça, meu aniversário é nesse final de semana. Eu não ia fazer nada, Kurt que insistiu, disse que meu primeiro aniversário em NY precisava de uma comemoração, um amigo nosso, o Jake, ele tem um apartamento e concordou em cedê-lo para fazermos uma reunião, e seria importante pra mim que você fosse.
- Uh... eu acho que posso ir, eu só tenho que ver umas coisas, te respondo oficialmente por sms, tudo bem?
- Certo, obrigada outra vez Q. – Ela assentiu com um sorriso enquanto vocês voltavam a conversar sobre algum assunto aleatório. Os minutos pareceram voar quando você teve que tomar seu caminho de volta para NY. Durante o caminho se pegou pensando que a correntinha não era só um recomeço para Quinn, de certa forma era pra você também, naquele momento colocou toda a sua fé e esperança no objeto envolto do seu pescoço.
Notas finais
Ah e me pediram msn por MP, eu respondi passando ja. Quem quiser é só pedir tanto por reviews, MP ou por twitter: @Chaveirinho26
É, isso, bye e até o próximo.
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