Coffee
1 The smell, the taste, the...
Notas iniciais
Segunda one da noite (e o capitulo de TtoR que é bom, nada)
Socorro
Mas bem, é isso que Tratie faz com as pessoas.
Bem curtinha belo menos. Bobinha até, eu diria.
Aproveitem :)
Katie odiava café.
Quando ela era pequena e entrava na cozinha enquanto seu pai tomava a costumeira xícara de café matutino antes de sair para a floricultura, sentia seu estômago embrulhar, virar ao avesso e dar piruetas. O cheiro! Era horrível. Não conseguia entender nem um pouquinho porque as pessoas gostavam de café, porque elas gastariam dinheiro com uma bebida tão nojenta e dispensável.
Um dia, quando já era um pouco mais velha, ela sentiu uma súbita curiosidade pelo café. Quer dizer, não podia ser tão ruim assim, podia? Claro que não. Se tantas pessoas gostam... A lógica dizia que café devia ser no mínimo suportável. Além do mais, os benefícios anunciados eram milagrosos: ela adoraria não sentir sono pela manhã. Desde que suas aulas passaram a começar às seteemeia da madrugada, era difícil ficar acordada.
Então ela pegou a cafeteira na estante mais alta do armário da esquerda, e coou um pouco do pó com água quente. Seguiu as instruções da embalagem à risca, pelejando com as letrinhas que insistiam em flutuar daquele jeito engraçado que só os disléxicos conhecem. Escolheu cuidadosamente a xícaras que o pai menos usava, com medo de quebra-la (ele sempre dizia que ela tinha uma mania de derrubar tudo). O líquido marrom escuro, quase preto, encheu a xícara com finas linhas de vapor.
Em seguida, colocou uma colher de açúcar. Diziam que café doce era melhor. Duas colheres, só para ter certeza. Misturou bem e, ainda incerta, levou a xícara aos lábios.
Primeiro, o café queimou sua língua. Amargo, fez com que uma careta tomasse seu rosto. Conseguia sentir o gosto do açúcar, sim, mas era como uma limonada mal misturada em que o azedo apenas coexiste com o doce, sem enfraquecer-se. Seus olhos se encheram d’água. Incomodada, engoliu com força, na esperança de poupar-se maior tortura (para descobrir, em seguida, que o café também era capaz de queimar sua garganta).
Levemente traumatizada pela experiência, Katie virou o resto do conteúdo da xícara na pia. Concluiu que estava decidido: odiava mesmo café.
Pensando agora em retrospectiva, Katie reconheceu que não houve exatamente uma data certa para mudança.
Um dia, quando chegou em casa e seu pai havia acabado de ligar a chaleira, Katie percebeu que, talvez, o cheiro de café não fosse assim tão enjoativo. Talvez, fosse um pouco reconfortante. Talvez, fosse deveras agradável.
Outra vez, tomou um cappuccino em uma cafeteria do centro. Não achou ruim – tinha um gosto quase de chocolate quente, só com um leve traço amargo do café. Quando voltou no mesmo lugar, tomou outro. E outro. Em seguida, se pegou tirando a cafeteira do armário e coando café numa manhã especialmente lenta. Descobriu que café na verdade não queimava, esquentava sua boca num aconchego do paladar. Era amargo, mas o sabor não deixava de ser menos delicioso. O açúcar, mesmo em menor quantidade, era de fato contrastante. Mas acrescentava ao amargo um “quê” único, especial e familiar.
Agora, Katie tomava café todos os dias. Quase como vício, não dispensava uma xícara sequer. Era um ritual. De fato, Katie gostava bastante de café.
Tentou explicar essa mudança várias e várias vezes. A melhor teoria que conseguiu formular era que café é uma daquelas coisas que você só começa a gostar quando está mais velho, como uvas passas ou damasco. Gostar de café vem aos poucos, talvez com a própria idade. A verdade é que café está sempre lá e você o odeia, até que um dia descobre que na verdade gostava dele.
Para Katie, Travis era como café.
Notas finais
Mesmo que seja uma one tão ugh ew eca pigando amor que nem essa
Mesmo assim viu?
Não deixar review é maldade.
E juro que eu não mordo, se você leu até o final eu já gosto de você.
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