Coexist
6 Capitulo 6
Notas iniciais
—Temari –eu chamei de dentro do quarto.
—O que foi? –ela perguntou da cozinha.
—Vem aqui –pedi.
Demorou apenas alguns segundos para ela entrar no quarto.
—Que foi? –ela repetiu a pergunta.
—O que é isso? –perguntei apontando para o pano verde em cima da cama.
Tínhamos acabado de chegar de mais um dia de trabalho e, ao entrar no quarto para pegar uma roupa, sentei na cama pra tirar o sapato e senti algo molhando minha bunda.
—É uma toalha, Shikamaru –ela respondeu com uma sobrancelha arqueada.
—E o que ela está fazendo em cima da cama? –eu perguntei.
—Eu larguei aí depois de tomar banho hoje cedo. –ela respondeu como se não fosse nada.
—Temari, não se deixa a toalha molhada em cima da cama! –eu ralhei.
Ela riu.
—Você está brigando comigo por causa da toalha em cima da cama? –ela perguntou e eu assenti –Virou uma velha agora? Eu sempre deixei a toalha por aí, se quer saber.
—Você nunca fez isso aqui em casa. –eu respondi, pois ela sempre pendurava a toalha.
—Isso quer dizer que já estou me sentindo em casa. –ela respondeu com ironia, pegando a toalha de cima da cama e saindo com ela. Voltou alguns segundos depois sem ela –Pronto, está no banheiro. Mais alguma coisa, mamãe?
Eu bufei.
—A cama ainda está molhada –resmunguei –E do meu lado.
—Ah, Shikamaru –ela exclamou –Vai te catar! Até irmos dormir essa porcaria já está seca! –e saiu do quarto novamente.
—Problemática! –resmunguei.
—Idiota! –ela respondeu da cozinha.
OoOoOoOoOoOoOo
Acordei sozinho na cama, ouvindo o barulho do chuveiro. Chutei o cobertor e levantei, já sentindo como o dia de hoje seria quente.
Esperei Temari sair do banheiro encostado na parede, de frente para a porta. Quando ela a abriu, levou um pequeno susto comigo ali.
—Eu já disse pra você ir assustar a sua mãe! –ela ralhou comigo e eu ri.
Ela ia passar por mim para entrar novamente no quarto, mas eu segurei seu braço. Ela virou o rosto e eu roubei um beijo rápido, soltando-a e entrando no banheiro, mas não sem antes ver um sorriso bobo brotando nos lábios dela.
Fomos para o prédio do Hokage rapidamente, o sol da manhã já quente demais. Nos encontramos com os representantes das outras vilas e começamos a trabalhar.
Karui nos acompanhou no almoço em uma casa de chá próxima ao prédio. Fizemos o pedido e eu e Temari estávamos discutindo por causa do tempo, que ela afirmava nem estar tão quente assim, quando Karui me chamou:
—Shikamaru-san...
—Hum? –virei-me para ela, pois até o momento eu olhava para Temari que estava do meu lado.
—Você é... Amigo do Chouji-san a muito tempo né? –ela perguntou.
—Bem... –cocei a cabeça –Sim, desde pirralhos.
—Hum... –ela não continuou e nossa comida chegou.
Começamos a comer. Me perguntei se Karui queria perguntar alguma coisa sobre Chouji e se ela estava com vergonha por causa de Temari. Percebi pelo olhar de Temari que ela pensava a mesma coisa que eu e, quando estávamos quase terminando de comer, ela pediu licença e se levantou.
Karui me encarou por alguns momentos e desviava o olhar sempre que eu a olhava.
—Você quer me perguntar alguma coisa, não é? –eu disse.
Ela corou.
—Na verdade, quero sim. –ela respondeu depois de um tempo.
—Então pergunte logo antes que a Temari volte.
—Vocês são namorados?
Eu arregalei os olhos e corei. Não esperava que ela fosse fazer alguma pergunta não relacionada ao Chouji. Pigarrei, pensando se devia mentir ou não. Dei de ombro. No fim, nosso relacionamento não era nenhum segredo.
—Sim. –respondi. –É tão obvio? –perguntei fazendo uma careta.
Karui deu uma risada.
—Não muito –respondeu –Só da pra notar se prestar atenção sabe... Vocês meio que parecem já saber o que e outro vai falar ou fazer e quando parecem que não sabem vocês se comunicam com olhares e expressões.
—Ah! –exclamei –Mas isso é porque a gente trabalha junto a muito tempo.
Karui deu um sorriso que me dizia que ela não acreditava naquilo.
-E isso é normal por aqui? –ela perguntou- Shinobis de vilas diferente e etc.?
—Bem... Não sei te dizer. Meus amigos próximos têm relacionamentos com pessoas daqui da vila mesmo.
Ela assentiu. Temari já estava voltando e eu já tinha dado o assunto como encerrado quando ela voltou a falar:
—Posso fazer mais uma pergunta?
—Pode –respondi dando de ombro novamente.
—Você disse que seus amigos próximos tem relacionamentos com pessoas da vila...
—Sim....
—O Chouji-san... –ela corou –Ele tem uma namorada?
Eu segurei uma risada, Temari voltou a sentar do meu lado.
—Não. –eu respondi.
Temari me lançou um olhar curioso quando Karui abaixou o olhar para o prato. Eu sorri de canto para ela e ela assentiu. Eu segurei outra risada. A kunoichi de Kumo estava certa, eu e Temari realmente nos comunicávamos facilmente sem palavras.
OoOoOoOoOoOoO
Temari tinha teimado que não estava tão quente comigo o dia todo, mas quando chegamos no apartamento depois do trabalho, ela se enfiou no banheiro e só saiu de lá depois de um banho e com um pijama com a blusa de alcinha e o short muito mais curto do que o que ela tinha usado nos outros dias.
Eu não falei nada e fui para o banheiro enquanto ela arrumava a mesa para comermos o lámen que tínhamos comprado, já pensando em como eu iria dormir com Temari naquele short que deixava mais da metade das coxas dela pra fora. Eu suspirei enquanto a água molhava meu rosto, e que coxas!
Quando sai do banho, ela estava sentada no sofá me esperando para comermos. Sentamos novamente em volta da minha mesa de centro e ela me olhou com curiosidade.
—O que Karui queria tanto te perguntar? –ela perguntou rindo.
—Se a gente está namorando. –eu respondi.
A cara de Temari fechou e ela me encarou com aquela expressão assustadora. Eu senti um frio na espinha.
—Não é isso que você está pensando, problemática! –eu disse antes que minha namorada de áurea assassina pensasse em matar a provável futura namorada do meu melhor amigo –Ela queria saber se por aqui relacionamento entre shinobis de outras vilas era normal. Quando você voltou, ela tinha acabado de perguntar se Chouji tinha namorada.
A expressão de Temari se suavizou.
—Ah! –ela exclamou –Então ela está interessada mesmo no Akimichi?
Eu revirei os olhos.
—Está. –respondi –E não venha me dizer que você, além de problemática, é ciumenta?
Ela me encarou com aquela expressão assustadora de novo, seu cenho se franziu e os olhos estreitaram.
—Tsc, problemática. –reclamei, mas sorri pra ela –Você sabe que não precisa ter ciúmes, não é?
Ela corou. Eu ri.
—Idiota! –ela xingou. –Não preciso mesmo, quem iria querer namorar um preguiçoso como você?
—Você! –respondi rindo.
—Realmente tenho um mau gosto terrível!
Ela se levantou com os pratos na mão e eu me levantei também, tirei os pratos das mãos dela e devolvi pra mesa, a abraçando.
—Você eu não sei, mas eu tenho muito bom gosto! –sussurrei antes de beijá-la.
Ela teimou um pouco, mas cedeu ao beijo. Seguimos a rotina de lavar a louça e deixar tudo em ordem antes de irmos dormir. Quando Temari caminhou para cama depois de apagar a luz, tentei não pensar muito no tamanho de seu short.
OoOoOoOoOoOoOo
O quarto estava levemente iluminado pelos raios de sol que conseguiam vencer a cortina. Temari estava deitada de costas para mim, o lençol cobria tudo, menos os cabelos loiros espalhados pelo travesseiro. Levantei um pouco para olhar o relógio na escrivaninha que ficava de frente para a porta e suspirei: Já estava na hora de levantar.
Me aproximei de Temari e a abracei.
—Hey, problemática! –chamei em seu ouvido –Está na hora de levantar.
Temari se virou no meu abraço, os olhos piscando sonolentos, bocejou. Eu sorri pra ela.
—Olhe lá fora e vê se não está chovendo. –ela resmungou.
—Hã? –perguntei franzindo o cenho.
—Você acordou antes de mim. –ela continuou resmungando –Se não estiver chovendo, provavelmente vai começar logo.
Revirei os olhos para ela e Temari riu. Soltei-a para que pudéssemos levantar e ela sentou-se na cama, se espreguiçando. A alça direita da blusa de seu pijama deslizou pelo braço quando ela os abaixou, expondo quase todo seu seio. Eu corei, dividido entre olhar descaradamente ou desviar os olhos, a curiosidade quase falou mais alto, mas decidi tarde demais por desviar: Temari me pegou no flagra.
Ela estreitou os olhos, o rosto corou. Eu não entendia como alguém podia parecer ameaçador e com vergonha ao mesmo tempo, mas Temari conseguia.
—Você não precisa disfarçar desse jeito. –ela disse –Eu sei o que você estava olhando.
—E-e-eu... -gaguejei olhando tudo menos ela.
Ela ajeitou a alça e sentou-se na cama com as pernas cruzadas. Pegou meu rosto pelo queixo e me fez olhar para ela.
—Shikamaru –me chamou –Eu sei que disse pra você que não me sinto confortável ainda e, bem, eu não me sinto. Você disse que não precisamos ter pressa e eu concordo, mas não ter pressa não significa não fazer nada, certo?
Eu a fitei confuso.
—Não entendi.
Ela riu
—Isso é uma novidade! –ela tocou meu rosto com carinho –Estou dizendo que quero te conhecer aos poucos e que você me conheça também. Que não fazer –ela deu uma engasgada na palavra, corando, mas disse: -sexo, não quer dizer que você não possa me olhar ou... me tocar... E, quando acontecer, vai ser... Natural.
Eu a encarei por um momento, encaixando as palavras dela em minha mente, entendendo e concordando com o que ela falava. Assenti com a cabeça e ela sorriu, seu rosto se aproximou do meu enquanto seus olhos se fechavam. Nos beijamos devagar.
Eu queria mesmo conhecer Temari em todos os sentidos, de todos os jeitos, e, como ela própria estava dizendo, não tinha como ser se não aos poucos. Ela estava me expondo quem era, seu coração, sua alma e seus medos, pouco a pouco, e eu retribuía fazendo o mesmo. Aos poucos íamos conhecendo as manias um do outro, as que irritavam e as que apenas estavam presentes, e as que agradavam... Não havia mesmo qualquer outra forma de nós nos sentirmos confortáveis em estar como homem e mulher um com o outro se não aos poucos também.
Temari suspirou contra meus lábios e se afastou lentamente, sorrindo corada.
—Vamos trabalhar, seu preguiçoso. –ela disse.
Eu concordei e começamos a já estabelecida rotina da manhã. O clima entre nós mais leve. Beijei-a de surpresa duas vezes antes de sairmos de casa, sem medo de que ela entendesse minhas ações como pressão. Ela riu e corou as duas vezes.
Faltavam dois dias para o começo do Exame Chuunin e, enquanto fazíamos o caminho do apartamento até o prédio do Hokage, eu já identificava alguns genins e jounins responsáveis por eles pela vila. Temari cumprimentou seu ex-sensei, Baki, que acabara de chegar com seu novo time.
—Kankuro também vai vir com a equipe dele? –perguntei um pouco apreensivo, me lembrando sobre ela comentando do irmão que estava treinando um time de genins em algum momento de nossas conversas. Eu não havia lido o nome dele entre os professores dos inscritos, mas queria ter certeza. Kankuro não era uma pessoa previsível e eu não tinha ideia de qual seria sua reação ao saber que, mais do que namorando a irmã dele, ela estava praticamente morando comigo.
Ela riu.
—Está com medo do meu irmão, Nara? –ela perguntou com uma sobrancelha arqueada.
—Tsc! –exclamei –Não estou com medo. Seu irmão é um tanto imprevisível, não quero acabar com um dardo venenoso na bunda porque ele não gosta de mim ou algo do tipo.
Temari riu mais alto.
— Pode ficar sossegado, ele não inscreveu a equipe dele. Não é o mais paciente dos professores, mas sabe que eles não estão prontos pra isso ainda. Sua bunda nem nenhuma parte do seu corpo corre qualquer risco... Por enquanto.
Revirei os olhos e ela sorriu. Eu tentei, mas não consegui não sorrir de volta. Essa mulher me desarmava de todas as maneiras e eu achava isso muito problemático, mas me perguntava se era isso que meu pai sentia por minha mãe. Se era sobre isso que ele tinha me avisado.
OoOoOoOoOoOoOoOo
A véspera do Exame chegou e terminamos de preparar tudo quando o sol já estava se pondo, divididos entre tarefas burocráticas finais, a organização na academia da primeira prova e do local da segunda prova. Jantamos em um restaurante próximo ao apartamento.
—Amanhã você precisa chegar cedo na academia, Shikamaru. –Temari me lembrou enquanto secava o cabelo com uma toalha depois de seu banho. Eu acabara de tomar o meu próprio, entrando no quarto.
—Eu sei. –suspirei parando próximo a ela –Que problemático. Não gosto de supervisionar a prova escrita, é um saco.
—Você não gosta pois preferia estar dormindo. –ela disse, se aproximando de mim. Sorriu irônica e seus braços laçaram meu pescoço.
—Tsc –resmunguei –Preferia mesmo. Quanto mais cedo acordo, menos tempo fico na cama com você.
Eu abracei sua cintura e a trouxe para mais perto do meu corpo enquanto falava. Ela corou, o sorriso irritante deixou seus lábios.
—Preguiçoso! –ela me acusou.
—Deixe der ser chata! –eu resmunguei – Você vai ver quando estivermos de folga! Não vai querer sair da cama tanto quanto eu!
—Tsc –ela me imitou e eu achei graça –A cama é macia, talvez você tenha razão.
Eu ri e a beijei lentamente antes de soltá-la e deitar na cama. Temari me encarou por um momento já deitado e eu levantei uma sobrancelha. Ela sorriu pra mim suavemente e o sorriso brotou automaticamente como resposta em meu rosto. Ela apagou a luz e deitou em meu peito. Como todas as noites, ela me abraçou como se eu fosse um ursinho de pelúcia gigante. E como todas as noites, eu sorri pro nada como o idiota apaixonado que eu sou.
Fale com o autor