Coexist
31 Capitulo 31
Notas iniciais
Passei o fim de semana com Mirai. Kurenai deixou que ela dormisse em casa e a pequena me distraiu com suas brincadeiras e algazarras. Perguntou de Temari mais de uma vez e se ela demoraria a voltar. Passou algum tempo em um monologo sobre as brincadeiras novas que queria fazer com a “tia Tema” e cantou algumas musiquinhas de seus desenhos. Tudo era sempre muito agitado com Mirai e o fim de semana passou voando. Antes de sua mãe busca-la no domingo, ela me entregou um desenho e pediu que eu colocasse nome nos rabiscos que ela indicou serem eu, ela, Temari, minha mãe e Kurenai. Quando eu terminei e estendi para ela, ela olhou para mim e disse:
—Presente, tio Shika!
Eu sorri bobamente e bateram na porta. Era Kurenai para leva-la embora. No dia seguinte, comprei uma moldura para o desenho, mesmo que não fosse mais do que um monte de rabiscos com nomes, e o coloquei na minha escrivaninha no quarto. Aproveitei e comprei uma moldura nova para a foto que Mirai tinha quebrado quando Temari estava em casa e eu tinha esquecido totalmente.
O resto da semana pareceu se arrastar, só porque eu queria logo o fim dela.
Jantei com Ino e Chouji na terça à noite como combinado. Sai estava em uma missão curta antes de pegar a folga que lhe permitiria ficar livre dois dias antes do casório e pela lua de mel e Ino estava um tanto neurótica com os preparativos finais, falando pelos cotovelos, ainda mais do que o seu normal. Eu e Chouji escutávamos tudo em silencio, sem realmente querer saber, mas solidários com ela. Ino sempre sonhou em se casar, desde antes de sermos um time, era algo que ela divagava as vezes. Vê-la realizando esse sonho nos deixava feliz também. A loira deu gritinhos de alegria quando avisei que Temari chegaria na véspera do casamento e Chouji também confirmou a presença de Karui. Fiquei curioso se Sakura tinha dado alguma notícia sobre comparecer ao casamento, mas como a rosada era assunto tabu com Ino desde que tinha ido embora, deixei minha curiosidade escondida para não magoar minha amiga.
Passei o resto da semana contando os minutos, quase distraído do trabalho. Kakashi me chamou a atenção no fim do dia na quarta e riu logo em seguida, dizendo como nós jovens ficávamos engraçados quando estávamos apaixonados. Naruto estava junto no momento, e não se segurou ao tirar barato da minha cara. Tive que lembrar ele da cara de dor de barriga que ele estava nas vésperas do casamento com a Hinata e ele se calou, mas Kakashi não perdoou nenhum de nós dois e continuou suas provocações. Me perguntei se ele nunca tinha se sentido assim, enquanto resmungava que estava prestando atenção em tudo o que ele dizia. Eu realmente estava, mas só com metade da atenção. A outra metade estava junto da loira que, a àquela altura, provavelmente estava cruzando o deserto para vir me ver.
Antes de irmos embora, ainda na quarta, Kakashi me chamou de canto e me disse que eu poderia tirar uma folga de quatro dias a partir de sexta. Ele, como Hokage, obviamente sabia que Temari vinha para o casamento de Ino e me perguntei se ele tinha dado aquela quantidade de dias por saber quanto tempo ela ficaria, ou se era o que ele poderia me dar. Quando me despedi dele na quinta, ele disse para eu mandar lembranças para Temari, e eu sorri, sem graça. Agradeci novamente pela folga e ele riu e fez uma piada maliciosa, me deixando constrangido.
Depois do trabalho, na quinta, passei na casa da minha mãe e avisei que Temari chegaria no dia seguinte. Ela se animou e disse para leva-la para jantar lá. Na volta para casa, passei no mercado e comprei as coisas que Temari gostava de comer. Cheguei no apartamento, que estava limpo e organizado desde o dia anterior, e guardei as comprar. Eu sabia que Temari tiraria comigo se estivesse sujo ou limpo, porque minha namorada era assim mesmo, mas preferi deixar tudo limpo, até porque ela chegaria cansada e no dia seguinte teríamos o casamento. Deitei no sofá, me sentindo bobo e ansioso, quase angustiado. Fitei a parede onde estavam as fotos, focando na única foto que eu tinha com ela, onde brincávamos com Mirai, que eu tinha finalmente comprado a moldura e voltado para a parede. Suspirei, vendo seu rosto feliz estampado no papel e peguei-me pensando como eu queria uma foto só sua.
Eu quase não dormi aquela noite e antes mesmo do sol nascer sai do apartamento em direção a entrada da vila. Eu nem sabia que horas Temari chegaria, mas, já não me importava de parecer um idiota apaixonado e ansioso. A única coisa que realmente importava era que até o fim do dia eu teria ela em meus braços novamente. Quando cheguei nos portões, estava tudo deserto e o céu clareava aos poucos. Sai para fora dos portões, passando pelo posto de segurança e vendo o vigia dormindo sentado. Eu revirei os olhos, mas me compadeci do homem. Eu também dormiria se me dessem a missão chata de ficar ali a noite toda. Encostei no muro que cercava a vila e acendi um cigarro, procurando manter as mãos ocupadas.
Eu estava pronto para esperar a maior parte da manhã e até mesmo um pouco da tarde, mas mal tinha acabado de fumar meu cigarro quando vi uma silhueta conhecida surgir no horizonte. Meu estomago deu uma cambalhota e minhas mãos começaram a suar conforme a figura de Temari foi se tornando mais clara e mais nítida, ela parecia vir com o sol que nascia e iluminava o dia, só que ela iluminava mais que meu dia. Seus olhos encontraram os meus de repente e ela parou de andar por um momento. Nos encaramos, ainda um pouco de longe. Ela começou a andar de novo, vindo devagar em minha direção, como se tudo estivesse em câmera lenta. Desencostei do muro e passei a caminha até ela também, sem pressa. Por mais que eu estivesse aflito para abraça-la, não parecia certo acelerar aquele momento.
Então, estávamos frente a frente. Os lábios dela repuxaram e ela abriu seu lindo sorriso pra mim e deu mais um passo à frente, rodeando meu pescoço com os braços e afundando seu rosto em meu ombro. Eu soltei o ar que eu não tinha percebido que segurava e envolvi ela com meus braços, sentindo o calor e cheiro só dela, que dominaram todos os meus sentidos. Senti a saudade, uma bola incomoda no meu peito e na minha garganta, que estavam ali desde que eu a deixei ir embora, se dissiparem e ela me apertou mais forte.
—Que saudade. –ela murmurou baixinho no meu ouvido.
—Nem me fale. –respondi, aspirando seu cheiro mais uma vez.
Não soube dizer quanto tempo ficamos abraçados. Mas quando ela me soltou por fim e me olhou com aqueles olhos verdes, senti o resto da sensação que sua ausência causou ir embora e sorri pra ela.
—Vem, vamos entrar. –eu disse, pegando sua mão.
Ela corou, como se fosse a primeira vez que eu pegava sua mão assim, mas segurou a minha de volta. Começamos a andar para dentro da vila, seu braço quase colado no meu. Eu olhava-a a todo instante, sem acreditar que ela estava ali de novo, o sorriso não saia do meu rosto.
—Né... –ela chamou e eu prestei atenção nela –Você está parecendo um bobo alegre com esse sorriso na cara, Shikamaru.
Revirei os olhos.
—Não posso ficar feliz mais? –resmunguei.
—Pode. –ela respondeu e sorriu –E eu não posso mais te provocar?
Soltei uma risada pelo nariz
—Adianta eu falar que não?
Ela negou com a cabeça e riu.
—Estou tão cansada. –ela suspirou –Sai de Suna um pouco mais tarde do que eu gostaria, tive que correr muito para conseguir chegar cedo aqui.
Levantei as duas sobrancelhas.
—Não precisava de tudo isso pra chegar cedo. –eu disse –O casamento é só amanhã.
Ela me olhou.
—Eu sei. –respondeu, desviando os olhos para frente –Mas quanto mais rápido eu chegasse, mais tempo poderia passar com você.
Ela corou no final da fala e eu a achei adorável. Passei o braço por seu pescoço e trouxe pra mim, andando abraçado com ela. Ela se espantou num primeiro momento, mas passou o braço por minha cintura. Era um pouco intimo andar dessa forma, mas não tinha muita gente na rua para ver e eu estava com saudades, então não liguei.
—Você vai querer dormir um pouco, não? –perguntei –Minha mãe quer que vamos jantar na casa dela, mas você pode descansar tranquilamente até lá.
Ela assentiu.
—Você vai trabalhar hoje? –ela perguntou.
—Não. –respondi –Estou de folga até segunda à noite.
Ela sorriu.
—Ótimo. –respondeu –Então vai ficar no hotel comigo?
Parei de andar por um momento e ela parou um passo depois, percebendo um segundo mais tarde, nos soltamos do abraço, ficando só de mãos dadas. Ela me olhou confusa.
—Tenho uma péssima notícia sobre isso. –eu disse com uma careta.
—Hã? –ela perguntou franzindo o cenho.
—Esqueci de fazer sua reserva no hotel de novo. –respondi, fazendo drama.
Ela piscou, me encarando. Demorou um pouco até que ela entendesse e riu. Não havia motivos para fazer uma reserva. Os hotéis de Konoha só lotavam próximos a festivais ou poucos dias antes do Exame Chuunin. Era minha forma de dizer que queria que ela ficasse em minha casa, comigo.
—Como você é distraído, seu preguiçoso! –ela me acusou com ironia – Vou ter que me apossar do seu apartamento de novo.
—Tsc –resmunguei e deixei um sorriso se desenhar nos meus lábios –Que problemático!
OoOoOoOoOoOoOo
Namorar a distância era um pouco exaustivo, como eu já tinha ideia que seria. Os tempos sem se ver eram de no mínimo um mês e os dias juntos eram poucos, não passado de três ou quatro por vez. Mesmo assim, isso não impediu que os laços entre eu e Temari se estreitassem cada vez mais. Estar com ela, quando ela vinha para Konoha e ficava alguns dias no meu apartamento, era uma rotina gostosa e eu sentia tanto a falta dela ali quando estava longe que parecia faltar parte de mim. Ir para Suna se tornou algo recorrente também. Sempre que era necessário que alguém fosse para a lá por motivos diplomáticos ou missões em que eu poderia me enquadrar, Kakashi não hesitava em me mandar. Além de confiar plenamente no meu profissionalismo em relação as missões, por mais que eu quisesse ver muito minha namorada, ele também dizia que eu ficava menos reclamão quando voltava.
E assim um ano se passou. Conseguimos alguns dias juntos e uma viagem no nosso aniversario de namoro. Foi a melhor uma semana da minha vida. Fomos para o País do Ferro bem na época do festival de patinação, o que rendeu boas risadas e alguns tombos. Concentrar chakra para andar sobre a agua era muito mais fácil do que se manter em cima de um patins. Também rendeu boas noites onde aquecemos um ao outro.
Depois daquela semana, voltar pra casa sem Temari foi mais difícil. Os dias passaram sem que nós conseguíssemos uma oportunidade para viajarmos um para vila do outro para nos vermos. Quando finalmente Temari conseguiu vir para Konoha, tinha se passado dois meses, o maior tempo que ficamos um sem o outro desde que começamos a namorar.
Agora estávamos deitados em minha cama depois de matarmos a saudade. Temari dormia serenamente e eu a observava, acariciando seu rosto, um leve sorriso nos meus lábios.
Aquela mulher era uma problemática. Era mandona, agressiva, possessiva, altiva, severa. Era uma kunoichi excepcional, cruel, corajosa e lutava como uma bravura descomunal. Tinha dons estratégicos como poucos, era uma diplomata e parecia nunca ter medo de nada, encarando todo e qualquer inimigo com um olhar ferino e seu leque e jutsus de vento. Ao mesmo tempo, ela corava sempre que eu a beijava de surpresa, cuidava de mim, se preocupava, era doce e carinhosa, sorria de uma forma que iluminava meu mundo e fazia amor comigo de maneira totalmente apaixonada e entregue todas as vezes. Aquela mulher era minha namorada, era dona do meu coração e eu, dentre todas as pessoas do mundo, ela escolheu para ter ao seu lado. Eu era o único que conhecia essa sua face tão bonita e serena, eu era o único que a via sem suas máscaras e armaduras.
Depois daquela viagem, eu já estava com a ideia formada em minha mente. Dois meses sem nos vermos me fez fortalecer ainda mais minha decisão: Ainda hoje, provavelmente quando ela acordasse e me beijasse, corando adoravelmente ao notar que ainda estávamos nus, eu pediria para ela não ir mais embora.
Ainda hoje, antes de sairmos para jantar com nossos amigos, eu pediria para Temari ser minha esposa.
Fim.
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