Coexist

27 Capitulo 27


Notas iniciais
Olá pessoas! Sumi? Sumi! Demorei pra postar? Demorei pra postar! Mas voltei? Voltei ahuhauha' Vamos ao capitulo que no final eu dou explicações =D

Encontramos Gaara e Kankuro de novo algumas horas depois, na porta do hotel. Os dois estavam vestidos de forma casual e eu quase não reconheci Kankuro sem a maquiagem e o gorro com orelhas. Ele lançou um olhar mortal para nossas mãos entrelaçadas e Temari o olhou duramente, fazendo-o revirar os olhos.

—Acho que não conheço sua mãe. –Gaara comentou, andando do lado de Temari. –Ela é uma kunoichi?

—É sim. –respondi –É uma chuunin. Mas ela não participou da Guerra.

Gaara assentiu.

—Entendo... –ele disse.

—Yoshino-san é uma pessoa incrível. –Temari disse para o irmão.

Eu sorri, gostava da forma como ela e minha mãe se davam e se queriam bem. Gaara escutou atentamente enquanto Temari continuava a falar sobre minha mãe e eu vi pelo canto dos olhos Kankuro revirar os olhos de novo. Suspirei, meio disfarçadamente para Temari não notar. Talvez a noite fosse um pouco mais difícil do que eu imaginava.

Konoha estavam um tanto movimentada essa noite, estando a última fase do Exame Chuunin tão perto, várias pessoas chegavam para ver a prova. Por mais de uma vez, vi pessoas pelas ruas que eram com certeza estrangeiros, passeando pelo centro da vila ou comendo nos restaurantes. Esses tipos de eventos ajudavam a movimentar a economia da vila tanto quanto eram bons para testar o poder de nossos ninjas. Voltando a me concentrar em Temari e Gaara, notei que eles tinham parado de conversar e que andávamos em um silencio que não era desconfortável, mas também não era cômodo. Gaara não era um cara de falar muito e Temari estava habituada a isso e eu não ligava para isso. Kankuro estava caminhando mais atrás e, mesmo sentindo seus olhos nos fuzilando as vezes, ele permaneceu calado. Temari as vezes lançava alguns olhares para o irmão do meio, um tanto aborrecida. Apertei levemente a mão dela em dado momento e ela desviou os olhos para mim e sorriu com o apoio.

—Já estamos dentro do bairro do Clã Nara. –observei para Gaara quando viramos na rua que adentrava o bairro, a casa da minha mãe a poucos minutos, ela esperava a gente do lado de fora

As apresentações foram feitas, apesar de minha mãe já saber quem era Gaara e quem era Kankuro. Ela estava empolgada e foi agradável com os dois irmãos, Kankuro se mostrou cordial também e Gaara pediu que ela dispensasse as formalidades quando ela o chamou pelo título. Entramos e minha mãe avisou que o jantar estava pronto e que ela só precisava botar à mesa e eu guiei a todos para a sala. Sentamos eu, Temari e Gaara em um sofá e Kankuro sentou na poltrona a frente, olhando feio para nós novamente. Ali, o clima ficou um tanto pesado, Temari parecia irritada, trocando olhares atravessados com o irmão do meio. Gaara suspirou, e eu pensei como talvez ter trazido eles naquele momento ali não tenha sido a melhor das ideias.

Depois do que pareceram horas, mas não foram mais do que alguns minutos, minha mãe finalmente chamou-nos.

Lá pelo meio do jantar, dei graças aos céus por minha mãe existir.

Ela havia feito o que Temari tinha dito ser a comida favorita dos dois e, de quebra, ainda fez o prato preferido de minha namorada. Também envolveu todos numa conversa agradável, apesar de Kankuro ainda se recusar a se comunicar comigo. Percebi que ele e Gaara observaram Temari e minha mãe interagir por um longo tempo e eu pude adivinhar o que se passava na cabeça deles, pois era algo que eu mesmo notava: Temari estava feliz. Mesmo tendo brigado com o irmão mais cedo e mesmo parecendo que ele não aceitaria nunca nosso relacionamento, estar sentada ali comigo, minha mãe e os irmãos a deixou com um ar leve e tranquilo fácil de observar para quem a conhecesse bem. Ela sorria, brincava e conversava, me deixava um pouco bobo com seu olhar brilhante cada vez que ele se dirigia a mim. Yoshino tratava Temari melhor do que a mim mesmo e eu imaginava se essa seria a relação de minha mãe se ela tivesse tido uma filha, meu peito se aquecia com esse pensamento, pois eu gostava de achar que ela tinha Temari dessa forma. Àquela altura, Gaara e Kankuro já eram tratados com familiaridade por ela e o clima na mesa era agradável e leve.

Quando acabamos de comer, ela pediu para eu ajudar a tirar as coisas da mesa e buscar a sobremesa, o que fez Kankuro soltar uma exclamação feliz. Fui para a cozinha com ela, e ela me lançou um olhar quando chegamos lá que eu já sabia que ela tinha sacado que não era tudo que estava bem por ali.

—Você e Kankuro-kun brigaram? –ela perguntou baixo.

—Mais ou menos. –resmunguei e lá estava aquele olhar questionador, suspirei –Ele não gostou de saber que, mais do que namorando, Temari está na minha casa. –cocei o pescoço –Ele quis me bater, pra falar a verdade. Gaara segurou ele e Temari e ele discutiram. Ele falou algumas coisas meio ofensivas e Temari se chateou, mas Gaara mostrou seu apoio.

—Que encrenca, em? –ela levantou as duas sobrancelhas. –E isso não é problemático demais pra você? –ela riu.

Revirei os olhos, mas o riso dela me contagiou e eu sorri de lado.

—Ela vale a pena. –respondi, corando.

Minha mãe se aproximou e colocou a mão no meu ombro.

—Você está se tornando um homem, Shikamaru. –ela disse –Já tinha notado isso com a guerra, e agora ainda mais. Seu pai teria orgulho de você. Eu sei que eu tenho.

Corei mais, sentindo uma mistura de sentimentos bons junto ao constrangimento. Ela abriu a geladeira e tirou os doces que tinha feito, me entregando um prato de dangos caseiros e levando ela mesma uma travessa.

OoOoOoOoOoOoOo

O clima no caminho de volta ao hotel algumas horas depois foi muito mais tranquilo. Apesar de ainda estar um pouco carrancudo, Kankuro participou da conversa com Gaara e Temari. O Kazekage elogiou a comida da minha mãe e disse que Temari não havia exagerado ao dizer que ela uma pessoa incrível. Paramos na porta do hotel parecendo que tínhamos andado muito menos do que na ida.

—A casa de Shikamaru é longe? –Gaara perguntou. –Vocês desviaram o rumo para nos acompanhar?

—Não. –Temari respondeu. – O apartamento é caminho, duas quadras daqui.

Gaara assentiu e eu olhei para o irmão do meio de soslaio, me perguntando se ele iria fazer outro escândalo. Temari também olhou para ele, mas Kankuro não nos encarava.

—Boa noite. –ele disse e entrou no hotel, sem esperar por Gaara.

Levantei as sobrancelhas, um pouco espantado. Olhei para Gaara e Temari e nós três nos entreolhamos.

—Eu acho que ele está um pouco arrependido da forma como tratou vocês. –Gaara comentou.

—Pois ele que peça desculpas, então. –Temari cruzou os braços. –Ser estupido ele sabe, pedir desculpas não?

Gaara deu de ombro.

—Você conhece nosso irmão. –ele disse –E vocês são bem parecidos nisso. São orgulhosos iguais.

Temari não respondeu, altiva. Suspirei.

—De qualquer forma, ele não parece disposto a dizer nada agora. –eu disse –Vamos, Temari? Amanhã temos que acordar cedo, você sabe. –ela concordou e eu me virei para Gaara –Vou lembrar Kakashi-sensei de escalar alguém pra te guiar pela vila amanhã, já que todos estaremos ocupados.

—Obrigado. –Gaara disse e acenou com a cabeça –Boa noite.

Eu e Temari nos despedimos dele e ele entrou, nós tomamos o rumo do meu apartamento.

—Até que as coisas foram melhores do que se podia esperar. –Temari comentou quando já estávamos quase chegando.

—É, foram sim. –respondi –Eu fico feliz com isso. Minha mãe parece ter agradado mais seu irmão do que eu, isso deve ser bom.

Ela riu.

—Kankuro é um idiota. –ela resmungo.

—Você tem bastante idiotas em sua vida, pelo que você fala. –observei irônico.

—Sim. –ela respondeu no mesmo tom –Meu irmão, meu namorado. Estou totalmente cercada por idiotas.

Nesse momento, tínhamos chegado na porta do apartamento. Peguei a chave no bolso e abri a porta, dando espaço para ela entrar. Entrei, fechei a porta e ela estava indo para a cozinha, mas a puxei para mim pelo braço.

—Posso ser idiota, mas sou seu idiota preferido. –murmurei antes de beija-la.

Ela riu entre os beijos que trocávamos e quando nos soltamos disse:

—Isso não resta dúvidas.

OoOoOoOoOoOoOoOo

Acordei no dia seguinte com Temari sentando na beira da cama. Fiquei admirando ela enquanto se espreguiçava, sem perceber que eu estava acordado, com um sorriso bobo no rosto. Ela levantou e saiu do quarto ainda sem perceber que eu acordara. Fitei o teto por um momento, tentado a voltar a dormir. Ela teria uma reunião agora de manhã, mas eu não tinha compromisso algum até depois do almoço quando iriamos fiscalizar a arena. Peguei no sono de novo e acordei só quando ela depositou um beijo leve nos meus lábios, já pronta para sair.

—Nos encontramos na casa de chá na hora do almoço? –ela perguntou, ainda inclinada na cama.

—Sim. –respondi com a voz embargada pelo sono.

—Ta bom. –ela respondeu –Vê se não vai dormir demais e se atrasar, preguiçoso.

Bufei e revirei os olhos sonolentamente e ela saiu do quarto com uma risada. Realmente voltei a dormir, a preguiça me dominando e, como se Temari tivesse colocado uma praga, acordei atrasado. Levantei em um pulo, tomei um banho correndo e me vesti o mais rápido possível, mas quando sai de casa já estava quase meia hora além do horário que costumávamos almoçar. Torci para que a reunião tivesse atrasado e que Temari tivesse ficado presa por mais tempo e quando eu chegasse na casa de chá ela ainda não estivesse lá.

Mas a sorte não estava ao meu favor. Pude ver os cabelos loiros de costas pra mim antes de chegar, assim que virei a esquina da rua. Ela estava de pé em frente ao estabelecimento e eu franzi o cenho quando percebi Genma a sua frente, apoiando a mão no braço dela. Me aproximei um pouco mais devagar, tentando entender do que falavam pelo movimento dos lábios dele, mas a senbon atrapalhava. Cheguei mais perto e pigarrei, fazendo Genma tirar a mão do braço dela e Temari se virar para mim com o cenho franzido.

—Deixa eu adivinhar... –ela começou irônica–Dormiu de mais?

—Desculpe. –pedi, mas minha voz não soou arrependida.

—Oe, Shikamaru. –Genma cumprimentou e eu dirigir meu olhar para ele, respondendo com um aceno seco.

Temari suspirou.

—Obrigada pela companhia, Genma. –ela disse –Eu e Shikamaru vamos almoçar.

—Sempre que precisar ou quiser, Temari-hime. –ele respondeu e deu um sorriso sacana, acenando e colocando as mãos no bolso, se virou e foi embora.

A audácia dele me fez querer enfiar aquele senbon goela a baixo. Temari olhou para mim e levantou as duas sobrancelhas.

—Você me deixa esperando e ainda fica irritado? –ela perguntou.

—Já pedi desculpas –eu respondi secamente.

Ela estreitou os olhos.

—Não comece a ser grosso comigo. –ela mandou –Você viu muito bem onde isso dá depois daquela sua missão.

Engoli uma resposta atravessada, eu realmente não queria brigar com ela. Peguei sua mão com suavidade e entramos na casa de chá. Sentamos um de frente para o outro e eu bufei.

—Você deu liberdade pra ele te chamar desse jeito? –perguntei, com uma careta, menos seco.

—Ele quem? –ela perguntou confusa por um momento. –Ah, Genma? Um saco, né? Ele ouviu Oberu me chamando assim e agora não para, e eu já pedi. –ela bufou.

Uma senhora apareceu para anotar nossos pedidos e eu desfiz a carranca. Eu sabia que Temari não daria trela para o chaveco de Genma, mas isso me deixava irritado. Notei que ela não percebeu que era isso que ele estava fazendo e, mesmo a fama o perseguindo, Temari parecia não saber que tipo de homem ele era. Como o bom cafajeste que Genma era, ele não perderia a oportunidade de tentar levar a irmã do Kazekage. Achei melhor deixar o assunto de lado, afinal, ela ia embora logo e eu não queria gastar o pouco tempo que eu tinha com ela falando de um babaca.

—Resolveram todas as questões de segurança para a prova? –perguntei.

—Ah, sim. –ela respondeu –O que me dizia respeito, pelo menos, sim. Agora é com Kankuro, Oberu e Genma.

—Onde eles foram? Kankuro e Oberu? –perguntei tentando soar despreocupado, sondando para saber como ela ficou sozinha com Genma ali na frente.

Ela me olhou, desconfiada.

—Shika... –ela começou depois de quase um minuto em silencio –Você... Está com ciúmes?

—O que? –perguntei espantado, meu rosto se avermelhou, me entregando.

Ela continuou me encarando, sem dizer nada de novo e então riu.

—Não acredito nisso. –ela disse.

Suspirei pesadamente.

—Eu não estou com ciúmes... –comecei, mas ela olhou-me como quem diz “conta outra”. –Ta, não é exatamente ciúmes. Genma não tem boa fama com a mulherada na vila. Eu só... Não gostei que ele estava tentando ganhar logo minha namorada.

—Idiota. –ela me chamou com aquela voz autoritária –Como se eu fosse dar trela para o babaca que fica me chamando de princesa e anda com aquele senbon ridículo na boa.

Revirei os olhos.

—Sei que não, Tema. –respondi e nessa hora nossos pratos chegaram. Esperei a senhora se distanciar para continuar: -Confio em você, não teria como darmos certo morando a três dias de distância se eu não confiasse.

Foi a vez dela revirar os olhos, sem responder. Começamos a comer.

—Eu também confio em você. –ela murmurou em um momento –Mas minha vontade é te arrastar comigo pra Suna.

Eu ri.

—A minha é não te deixar ir. –respondi.

Ela sorriu um pouco tímida. Continuamos a comer em silencio, trocando olhares cumplices e apreciando um a companhia silenciosa do outro por um longo tempo. Terminamos a refeição e ainda ficamos algum tempo ali, dessa vez conversando. Quando decidimos que já era hora de ir para a arena, pagamos a conta e saímos.

—Você lembrou o Kakashi de mandar um guia para seu irmão? –perguntei já no caminho.

—Sim. –ela respondeu –Ele já tinha feito.

Assenti.

—Quem ele mandou? –perguntei

—Lee. –ela respondeu –Ele e meu irmão são amigos, então ele meio que se ofereceu antes mesmo do Kakashi escolhe-lo.

—Ah, sim. –respondi –Estranho que todos nos tornamos amigos de algum dos adversários do nosso primeiro exame chuunin né?

—Único, para você. –ela observou –Mas não acho estranho. É reconfortante saber que não somos inimigos mais. Quer dizer, o fomos por pouco tempo. Só por causa do Orochimaru. Mas, mesmo assim, é bom que seja dessa forma.

Concordei.

—Você tem razão. –suspirei –É bom estar em paz.

—É sim. –ela respondeu.

—Falando em paz, e Kankuro? –perguntei, me lembrando que ele estava estranho no dia anterior.

Ela bufou.

—Fingiu que nada tinha acontecido. –ela respondeu –Inclusive nem falou comigo depois da reunião, pegou o Oberu e se mandou. Por isso acabei sozinha com o Genma, ele insistiu em me acompanhar.

—Entendi. –respondi –Que problemático.

—Não é? –ela concordou. –Quando chegarmos em Suna, vou surra-lo para ele aprender a falar direito comigo e a pedir desculpas.

—Eu sinceramente tenho dó dos nossos filhos, Temari. –brinquei, rindo.

Ela estacou. Demorei um momento para entender porque, parando também. Lembrei de como isso era um assunto delicado para ela e como eu prometi que não iria pressionar e me senti muito babaca. Eu abri minha boca para me desculpar por isso, mas ela sorriu de canto e deu um riso irônico, começando a andar de novo.

—Alguém vai ter que colocar os pirralhos na linha, certo? –ela disse.

Senti meu peito se aquecer. Eu sabia que aquilo não tinha sido um “Oh, claro, vamos ter filho!” Mas ela tinha se mostrado tão desconfortável com o assunto que minha maior certeza era nem mesmo mencionar o assunto novamente, estava quase conformado em ter que lidar com isso, com sua negativa dela em querer ser mãe. Me senti um pouco bobo e isso deve ter se refletido na minha cara, porque quando ela olhou para trás para ver se eu a acompanhava, ela corou e fez franziu o cenho, fingindo irritação para esconder o constrangimento.

—Vamos logo, Shikamaru. –ela mandou –A arena até vai ficar lá o dia todo, mas temos mais o que fazer.

Voltei a andar também. Ela ficou calada por alguns minutos, mas logo voltamos a assuntos corriqueiros.

Notas finais
Então, é isso ai! Tivemos coisinhas legais nesse capitulo né? Sei que pode não ter sido maravilhoso, mas o bloqueio me pegou de jeito e esse capitulo não saia de jeito nenhum :v Demorei duas semanas e uns dias pra escreve-lo e, mesmo não sendo exatamente do jeito que eu queria (queria ter feito um jantar mais legal, sorry D:) aqui está. Beijos e deixem comentarios!