Coexist
24 Capitulo 24
Notas iniciais
O dia amanheceu ensolarado, mas meu estado de ânimo não era dos melhores. Acordei antes de Temari e fiz café pra gente. Ela logo notou como eu não estava no meu normal e uma olhada de relance no calendário a fez entender o que acontecia. Ela me olhou, sem saber bem o que fazer ou dizer e eu só fiz um gesto como quem diz que não precisa dizer nada.
—Só... Fica comigo hoje? –eu pedi, sabia que ela tinha o compromisso dela com a menina de Suna e era um tanto egoísta da minha parte pedir pra ela ficar comigo, mas ela assentiu.
—Fico. –respondeu e mandou um clone para avisar que estava cancelando o treinamento para a garota de Suna.
Sorri, mas sabia que meu sorriso não chegava aos olhos. Pouco tempo depois, saímos de casa e passamos pela floricultura Yamanaka. Ino estava atendendo, mas ela também não estava nada animada. Ela fez uma gracinha sobre a flor que eu tinha levado no dia anterior, fazendo Temari corar, tentando animar um pouco o clima, mas sem efeitos. Perguntei se ela ia com a gente e ela negou, avisando que ia depois que fechassem a floricultura junto com a mãe dela. Eu e Temari nos despedimos e encontramos minha mãe na entrada do cemitério.
Faziam dois anos que a Quarta Guerra Ninja tinha acabado. Fazia dois anos que meu pai, tio Inochi, Neji e tantos outros tinham morrido. O cemitério estava um tanto movimentado e encontramos Mirai e Kurenai por lá. Minha mãe ficou pouco tempo, voltando pra casa sozinha, como ela preferia ficar quando estava triste, e nós fomos com Kurenai levar Mirai no parquinho, ela não entendia direito ainda todo esse clima de tristeza e eu podia dizer que estar com ela era uma das poucas coisas que podia me arrancar um sorriso e fazer meu peito se aquecer nesse dia tão inóspito para sentimentos bons.
Já tinha passado da hora do almoço quando Kurenai se despediu com a filha e eu e Temari fomos pra casa. Eu mal fechei a porta atrás de mim, e os braços dela me envolveram. Temari e seu carinho era outra coisa que aquecia meu coração, mesmo que meus olhos se enchessem de lágrimas naquele momento e eu começasse a chorar a falta que me fazia meu velho. Acabamos com ela sentada na cama e eu com a cabeça em seu colo por horas, em silêncio. Ela me permitiu chorar sem qualquer comentário, apenas suas mãos percorrendo meu cabelo que ela mesma soltou e sua presença reconfortante. Eu sempre procurei estar sozinho quando estava triste. Eu era como minha mãe. Mas Temari do meu lado me consolava de uma forma que a presença de ninguém o fazia. Me lembrei que meu velho era a única pessoa que minha mãe permitia do seu lado quando ela não estava bem e me peguei pensando por alguns momentos como eu tinha isso dela.
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O resto de nossa folga pareceu verdadeiramente voar e eu acordei no dia que começava a organização da terceira fase do Exame Chuunin com preguiça, fazendo Temari me dar travesseiradas para me tirar da cama. Eu levantei um pouco mal-humorado, mas a risada dela me fez recuperar o bom humor rapidamente. Resolvemos tomar café da manhã em uma casa de chá próxima ao prédio do Hokage antes de irmos para a reunião com Kakashi sobre toda a programação da terceira fase. Geralmente, algum Kage de outra vila vinha assistir as batalhas e era preciso um reforço de segurança em conjunto com os ninjas da vila em questão e isso demandava algumas reuniões e acordos. Também era necessário alinhar a segurança da vila como um todo, visto que muitos estrangeiros vinham para Konoha assistir as finais.
A reunião começou logo pela manhã, mas eu e Temari não participamos da primeira parte, que era sobre a segurança geral da vila e ficava sob encargo da ANBU. Quando foi nossa vez de entrar na sala junto dos outros representantes e examinadores, já tinha passado da hora do almoço. Kakashi estava sentado na ponta da mesa da sala de reuniões e nós ocupamos as outras cadeiras. Foi anunciado que o Kage de Suna viria assistir as finais e eu olhei para Temari, que me lançou um olhar apreensivo e eu engoli em seco. Porém, continuamos como se nada tivesse acontecido. Kakashi designou Temari e Shiranui Genma para a organização da segurança dos kages e entregou uma lista com os ninjas de Suna que viriam com o Kazekage. A reunião encerrou-se pouco depois do pôr-do-sol, junto com nosso expediente de trabalho.
Iniciamos a caminhada do prédio do Hokage para meu apartamento em silêncio, mas ele durou poucos passos, sendo quebrado por Temari:
—Kankuro também vem. –ela avisou – O nome dele está na lista da guarda pessoal do Gaara.
Suspirei pesadamente.
—Eu não esperava ter que encarar seus irmãos até depois do exame. –confessei.
—Sinceramente, esperava falar com eles apenas quando chegasse em Suna. –ela disse –Não tenho ideia de como vão reagir. Nunca tive um namorado.
—Você sabe que além de tudo, você estar morando comigo não vai melhorar as coisas, né? –perguntei.
Ela olhou para mim.
—Você... Quer que eu vá para um hotel? –ela perguntou, soando um pouco magoada.
—Eu não disse isso. –respondi –Por mim, você fica em casa. Vou sofrer tentativas de assassinato de qualquer forma.
Temari riu.
—Tem razão.-ela afirmou –É bom que eu fique na sua casa e proteja você dos meus irmãos malvados.
Revirei os olhos.
—Você se acha muito engraçada, né?
Ela tornou a rir.
—É hilário ver você nervoso com isso, Shika. – ela respondeu
—Agora é engraçado. –eu comecei –Quando minha mãe ficou sabendo da gente, não foi.
Ela revirou os olhos, mas parou de tirar sarro. Fomos o resto do caminho conversando sobre a reunião, mas eu estava um pouco disperso. Eu não tinha exatamente medo dos irmãos dela, porém, além de serem ninjas de elite, eram irmãos dela. Era no mínimo para se ficar nervoso, principalmente por ela não saber como exatamente eles iriam reagir a novidade dela ter um namorado. Mais especificamente um namorado de outra vila e com quem ela estava morando.
Quando chegamos no meu apartamento, Temari falou que iria fazer a janta enquanto eu tomava banho. Entrei no banheiro ainda pensando na situação, a mente um pouco travada com isso. Enfiei a cabeça embaixo d’agua, tentando fazer com que minha mente funcionasse e me desse uma solução.
A porta do banheiro abriu e pude distinguir a silhueta de Temari através do vidro fume do box. Ela tirou a roupa e abriu a porta do box, entrando embaixo d’agua junto comigo.
—Deixei o arroz no fogo –ela disse enlaçando meu pescoço –Temos pouco tempo se você não quer comer queimado.
Eu sorri de canto, observando as bochechas coradas dela. Eu não cansava de pensar o quanto ela era linda e adorável. Beijei de leve seus lábios e disse:
—Vamos só tomar um banho juntos, então.
Ela franziu o cenho, estranhando minha recusa para o sexo.
—O que foi? –ela perguntou
—Desculpa, Tema. –suspirei, encostando minha testa na dela. –Só não to com cabeça...
Ela assentiu.
—Tudo bem, Shika. –ela respondeu –Eu só não entendo porque todo esse nervoso com isso. Isso é porque estou morando com você? Se você está tão incomodado assim com isso, eu vou para um hotel.
Suspirei de novo, pegando a bucha e o sabonete e virei ela de costas pra mim, ensaboando suas costas.
—Você foi enfática quando disse que não se importa com o que os outros acham... Isso inclui seus irmãos?
—Não exatamente. –ela respondeu –Me importo com a opinião deles, sim. Porém, ainda assim, quem decide minha vida sou eu. E não acho que seja nada demais eu estar hospedada na casa do meu namorado.
—Então, não. –respondi –Não quero que você vá para um hotel. Só quero que você esteja a vontade com a situação e o que vai ser a gente se vira. Se você não vê problema em estar aqui, então tá. Queremos a mesma coisa.
Ela se colocou em baixo do chuveiro, tirando o sabão de suas costas e pegou a bucha de minha mão, sorrindo.
—Então tá. –ela repetiu –Fique tranquilo, Shikamaru. Não vou deixar meus irmãos machucarem você. –ela disse irônica.
—Problemática. –resmunguei e ela riu, ainda esfregando minhas costas. Era uma sensação gostosa e eu fiquei em silêncio apreciando um pouco antes de perguntar: –Você já pensou em como contar?
—Não. –ela respondeu –Mas acho que não tem muito mistério, né?
—É... –murmurei –Pensei em pedir para minha mãe fazer um jantar... E, bem... Apresentamos nossas famílias.
—É uma boa ideia. –ela respondeu –Vem. –ela chamou e me puxou para debaixo d’agua. –Vamos logo, se não o arroz vai mesmo queimar.
Eu assenti e terminamos de tomar banho rapidamente. Desliguei a panela do arroz antes de me trocar e, depois de nós dois vestidos, eu a ajudei a terminar de fazer a comida e comemos conversando, mas seus irmãos e nossa situação não saíram de minha cabeça até a hora de dormir.
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Eu sentei na cama de uma vez, ofegante e suando frio, sem saber onde eu estava ou o que acontecia, a sequência de imagens que eu acabara de viver passando todas novamente em minha mente. Olhei em volta, o quarto estava levemente iluminado pela luz que adentrava pela cortina e encontrei olhos verdes e arregalados me encarando. Por um momento, quase não reconheci Temari, que me fitava sem entender o que estava acontecendo. Demorei até que minha respiração estabilizasse e ela colocou a mão no meu braço.
—O que foi? –ela perguntou preocupada.
—Eu... –comecei, ainda um pouco perturbado, também um pouco envergonhado.
—Teve um pesadelo? –ela perguntou quando não continuei por um longo tempo.
Eu umedeci os lábios com a língua e desviei os olhos do rosto dela, minha respiração se acalmava e meu coração parava de bater tão acelerado, voltando ao ritmo normal. Ela tocou meu rosto, seu cenho franzido de preocupação. Meu rosto corou quando meus olhos encontraram os dela e sua expressão mudou para confusão e depois seu rosto corou.
—O quê? –perguntei, pensando rapidamente em que tipo de conclusão ela poderia ter chegado com o meu silêncio.
—Você... Estava tendo um sonho... indecente? –ela perguntou um tanto envergonhada.
—Não! –respondi rapidamente –Não, eu não estava!
—Então porque você ficou tão vermelho me olhando? –ela perguntou, ainda vermelha.
—Eu... –suspirei. –Droga, é vergonhoso.
Ela levantou as duas sobrancelhas, esperando que eu dissesse o que diabos eu tinha sonhado para ficar com vergonha. Eu continuei sem responder por mais algum tempo, a respiração e o coração finalmente o ritmo normal.
—Shikamaru, se você não estava tendo um sonho indecente, porque então está com vergonha? –ela perguntou novamente.
—Sonhei com seus irmãos. –eu respondi por fim.
—O... quê? –ela perguntou confusa.
Olhei para os olhos verdes, me perguntando se ela tinha conhecimento do incidente envolvendo Gaara, eu, Naruto e Lee no exame chuunin ao qual participamos juntos. Umedeci os lábios de novo, notando como eu estava com sede.
—Pera. –pedi –Preciso beber água.
Ela me deu espaço para levantar, ainda confusa, e foi atrás de mim quando fui para cozinha. Enchi o copo e bebi devagar. Encostei na pia e olhei para Temari, ela me fitava de volta.
Suspirei, finalmente afastando a maior parte do frio na espinha que a sensação do sonho tinha deixado.
—Eu e você estávamos dormindo na minha cama. –comecei a contar o sonho. –De repente, a porta abriu e Kankuro entrou por ela, gritando com você. Você e ele começaram a discutir e eu sentia a aura assassina e estava de volta a floresta do exame chuunin, Gaara estava atacando o Lee com o Sabaku Kyo e então ele se virou para mim, com aquele olhar que ele tinha quando o Shukaku estava no corpo dele. A areia dele começou a me envolver e então eu acordei quando ele invocou o jutsu novamente.
Temari arregalou os olhos, espantada.
—Eu... Esqueço que você conheceu o Gaara nessa época. –ela murmurou.
Suspirei.
—Eu não sei se você sabe disso, mas Gaara quase matou eu o Naruto. –disse, os olhos dela voltaram a se arregalar. Contei para ela sobre o incidente e ela me encarou com um olhar estranho o tempo todo.
—Eu não sabia disso. –ela cruzou os braços. –Isso explica o porquê você está tão nervoso.
—Não entenda mal. –comecei a me explicar –Eu não vejo seu irmão com esses olhos mais, eu vi os esforços dele na Guerra e ele não é mais a mesma pessoa. Mas esse incidente me causou pesadelos por algum tempo quando eu era um adolescente bundão e, inconscientemente, acho que associei a situação a um confronto com ele.
Ela assentiu e sorriu de leve, vindo até mim e abraçando meu pescoço.
—Pare de pensar um pouco nisso. –ela mandou, com aquela voz autoritária e o cenho franzido –Você pensa demais. Tudo vai se resolver como tem que ser. -eu sorri e beijei o topo de sua cabeça. –Vem, vamos voltar e dormir mais um pouco.
Ela pegou minha mão e me levou de volta pra cama. Em vez dela deitar como sempre em meus braços, ela fez eu deitar a cabeça no em seu peito e acariciou meu cabelo por um tempo. Eu me senti um pouco mais tranquilo e adormeci
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