Coda

8 Mágoas


Notas iniciais
O novo grupo parece estar indo por um bom caminho, até encontrarem alguém que pode deixar tudo diferente.

Frio e escuridão. Jimmy abandonou tudo de novo. Agora ele estava com duas pessoas, como no começo. Tyler e Milla Burchfield parecem ser tão bem treinados quanto uma porta, isso preocupava o novo líder. Todas as luzes estão apagadas e Jimmy precisa economizar a bateria da lanterna. Estavam apenas sob a iluminação da lua. O pior de toda a situação era o frio, as mãos pareciam ficar congeladas, as pernas travavam e a neve caía. Depois de alguns minutos caminhando pelas ruas, eles encontram uma loja de eletrônicos com as portas entreabertas, era o que tinham agora.

— É o seguinte, eu sei que já devem ter ouvido isso antes, mas ninguém vai poder ser um peso morto — Jimmy tenta ser direto enquanto verificam o lugar.

— Claro. Adam falou isso para a gente quando chegamos naquele grupo, eu ajudava eles a procurarem comida. A Milla ajudava a lavar as roupas — o jovem parece estar animado em falar sobre as tarefas.

— Tyler, por que você sempre quer falar por mim? Eu sei falar, sabia? — e Milla estava irritada.

— Foi mal, eu fiz isso de novo — ele passa a mão no cabelo e sorri embaraçosamente.

Milla não ri. Jimmy percebe.

— Tyler, como você ajudava a pegar comida? Você usava alguma arma?

— Ah, na verdade não, eu usava uma faca.

— Tudo bem. Você vai precisar aprender a usar uma arma.

— Não! — Milla parece desesperada — Se ensinar a ele... ensine a mim também!

— Ok, porque está tão nervosa? — Jimmy acha a atitude da garota estranha.

Milha olha para Tyler

— Nada — ela ri, mas Jimmy percebe que a risada é forçada.

— Beleza. Mudando de assunto, parece que esse lugar está limpo, a gente pode dormir aqui — ele olha ao redor do cômodo.

— Certo — Tyler coloca sua mochila no chão. Milla faz a mesma coisa, ela ainda parece estranha.

Por volta das três horas da madrugada, Jimmy acorda com o barulho da porta se fechando. Ele se levanta, veste sua camisa e sai do quarto onde Tyler ainda está dormindo. Ao entrar no corredor Jimmy vê Milla sentada com as costas apoiadas na parede.

— Por que saiu do quarto?

— Eu precisava ficar um tempo sozinha, sabe? Pensando em tudo que está acontecendo.

— Na verdade eu também preciso — ele percebe os olhos da garota cheios de lágrimas — Olha Milla, se precisar conversar com alguém sobre alguma coisa que não quer falar ao Tyler, eu posso te ajudar.

Ela ri e enxuga os olhos azuis.

— Obrigada, mas eu não tenho nada para contar, é só... o mundo destruído dessa forma. Quando tudo começou, meu pai me dizia que era o apocalipse, que era a vontade de Deus — Milla olha para Jimmy — Você acredita que foi Deus que fez tudo isso?

Os olhos da garota fazem Jimmy se lembrar de Mallory e ele sente um aperto no coração.

— Não, eu não acredito que Deus existe.

Ela suspira, em seguida olha para o chão e depois para ele novamente.

— Bom, eu acredito. Eu acho que se ainda estamos vivos, é porque ele ainda está com a gente.

Eles se olham por alguns segundos.

— Você se parece muito com a Mallory. Conheceu ela? — Jimmy sorri depois de fazer a pergunta.

— Não, eu não me lembro de como era o rosto dela.

— Seus olhos são muito parecidos. E os olhos dela eram muito bonitos.

— Isso foi um elogio? — Ela ri e passa a mão nos cabelos que pendiam no rosto.

— Eu acho que sim — Ele também ri — Se você gostou, foi.

— Muito obrigada então — a risada vai acabando aos poucos — A conversa foi legal, mas vou voltar a dormir.

— Tudo bem, eu vou ficar aqui mais algum tempo.

— Boa noite — Milla fecha a porta. Jimmy fica olhando o corredor vazio.

Um mês depois daquela noite os dois já estavam muito próximos, eles conversaram bastante depois daquela noite. Tyler não conversava muito quando Milla estava por perto, mas também estava muito próximo de Jimmy. O inverno estava na metade, era difícil encontrar comida, todos estavam ficando cada vez mais magros, muito esforço físico e pouca alimentação. A direção do grupo era o interior do estado. Eles imaginavam — apesar de não terem notícias — que lá seria mais tranquilo.

Em uma noite, uma tempestade muito forte se formou sobre o lugar que estavam. Um posto de gasolina na beira da estrada. Eles haviam encontrado um carro esportivo que ainda funcionava e depois de algumas horas de viagem resolveram procurar por gasolina no posto e nos carros estacionados, mas a tempestade fez com que se trancassem dentro da conveniência até ela acabar.

Tyler estava olhando pelas janelas ao lado de Jimmy.

— Que estrando uma chuva assim no inverno.

— Do jeito que o mundo vai, tudo é possível — Jimmy olha para o carro estacionado na estrada. Então ele percebe uma silhueta perto do carro, um garoto.

— Gente, tem alguém lá fora! — ele fala aceleradamente para os dois.

Tyler olha para o mesmo lugar que Jimmy olhava e vê o garoto.

— Jimmy! Jimmy é o Josh!

— Quem é Josh? — ele saca sua arma e corre em direção a porta de entrada.

— O filho do vizinho da Carolina, a garota que... — ele não completa a frase, percebe que não era algo a se falar.

Jimmy olha Tyler com uma cara de desaprovação. Ele sai da conveniência e corre até o garoto na estrada. Milla observa a ação, mas não se move, seu rosto tinha expressões aflitas. Tyler segue Jimmy.

— Garoto! Josh! O que aconteceu com você? — Jimmy para de correr quando chega ao lado do menino, estava muito frio e chuvoso lá fora.

— Você vai congelar, é melhor o levarmos para dentro do posto até a chuva passar — Tyler pega a mão de Josh e o puxa. O menino parecia em estado de choque.

Alguns minutos depois, todos estavam mais calmos, e os homens foram tentar conseguir entender o que aconteceu com Josh.

— Como veio parar aqui? No meio de uma estrada, não conseguiria andar tanto nesse frio — Jimmy pergunta se sentando em um banco perto da mesa que o garoto estava sentado.

— Foi... foi muito rápido... alguns dias depois de vocês três deixarem o grupo, uma mulher morreu durante a noite. Ela estava infectada, mas não contou para ninguém. Ela se transformou em uma dessas coisas e matou outra pessoa. A coisa foi virando um... um caos. Em algumas horas já haviam muitos feridos, alguns acordavam como mais deles e mordiam as outras pessoas — ele conta encarando Jimmy e Tyler.

— Mas ninguém tinha uma arma para matar a primeira infectada? Como chegou a esse nível? — Tyler parece desconfiado.

— Tínhamos armas, mas estávamos todos dormindo, não ouvimos o primeiro ataque, não sei como, mas o Adam não fez nenhum barulho quando foi mordido.

— Droga! O Adam foi mordido? — Jimmy se preocupa porque ele sabia que Adam era um dos mais experientes com armas daquele grupo.

Tyler e Milla olham um para o outro. Quando Milla vê que ele olhou para ela, vira o rosto para outro lado e Tyler semicerra os olhos para ela.

— Enfim, quando a Nora viu o Adam morto ela entrou em desespero e também foi mordida. As pessoas começaram a gritar e eu não entendia mais nada, alguns atiravam, outros eram mordidos e o resto fugia — ele faz uma pausa e olha para o chão — Quando minha mãe foi mordida, meu pai parou de tentar matar os mordedores e correu comigo para o carro.

— Eu sinto muito — Jimmy olha com pena para o garoto, que abaixa a cabeça e uma lágrima cai no chão — Mas depois de entrarem no carro, o que aconteceu?

— Dirigimos até aqui perto, quando um zumbi apareceu na estrada. Meu pai perdeu o controle e bateu o carro em uma árvore, ele está inconsciente. Sai do carro e fui procurar ajuda.

— E agora está aqui. Certo. Pode me levar até o seu pai?

— Sim, eu posso.

— Ok, quando a chuva acabar nós saímos.

— O quê? Não, não, não! Temos que ir agora! Ele vai morrer se esperar! — subitamente Josh entra em desespero.

— Ok. Vamos então — Jimmy olha para Tyler e Milla.

Josh e Jimmy saem do posto, a chuva afastou a neblina, ficando melhor para enxergar o caminho. Josh olha em volta e começa a correr na direção que o grupo chegou ao posto. Depois de correrem cem metros aproximadamente, o menino para, respira e olha para as árvores ao lado da pista. O carro de seu pai bateu em uma delas.

— Josh, você matou o errante que fez seu pai perder o controle do carro? — Jimmy pergunta ao garoto, mas antes de receber a resposta ele vê o corpo atropelado no meio da estrada — Ah, entendi.

O menino começa a correr em direção ao carro.

— Não! Espera! Eu vou primeiro — Jimmy alcança ele e segura seu ombro.

Josh fica em silêncio. O homem caminha até a porta do carro e vê John morto. Ele olha para o garoto e abaixa a cabeça e ouve o barulho de o cão de uma pistola sendo puxado. Ele olha para o menino, Josh está com uma pistola apontada para o peito de Jimmy.

— Eu pensei que você havia superado a morte da Carol — o Homem coloca as mãos para cima.

— Você só trouxe desgraça para todo mundo, e sempre vai levar para onde for. Isso tem que acabar. E vai acabar aqui.

Notas finais
Espero que tenha gostado do capítulo. A historia vai acabar em breve. Comenta o que você achou, eu fico muito feliz!