Coda
7 Assassinato
Notas iniciais

Sangue quente corria dentro da garota que parecia um anjo. Ela agora está enfurecida e inconformada. Carolina jura que sua melhor amiga não estava infectada, ela não acredita na história contada.
— Cuidado! — Nora grita em pânico quando percebe o que a garota está prestes a fazer.
Jimmy se vira para trás e vê Carol vindo em sua direção segurando uma faca. Rapidamente ele chuta a garota com bastante força. Ela cai, a faca escapa de sua mão e desliza alguns centímetros para longe.
Carol olha para Jimmy e em seguida para a faca, volta a focar no seu objetivo e começa a se arrastar para alcança-la. Ele percebe e puxa a garota pelos pés. Ela se sacode e consegue livrar um pé. Um chute como um coice acerta o maxilar dele.
— Ah! — ele exclama de dor e cai para trás. A garota volta se levanta.
A mulher velha e rechonchuda tenta pegar a faca antes da menina, ela corre, mas antes de alcançar a faca, é empurrada com força. Carol recupera sua faca e olha para Jimmy novamente, ele está se levantando um pouco tonto. Ela começa a correr na direção dele com a faca. Jimmy começa a andar para trás enquanto pega sua arma. Carol nem percebe o que ele está fazendo, ela só pensa em acertar o golpe, ele tenta sacar a arma desesperadamente e de repente a faca penetra seu ombro esquerdo.
A menina puxa a faca e a arranca do ombro de Jimmy, ela tenta enfia-la novamente, mas antes que conseguisse o homem encosta a arma nela e dispara três vezes em sua barriga. A respiração de Carol para, ela está em choque. O único som que se escuta é o das capsulas das balas caindo no chão. Jimmy empurra a garota e ela cai de costas no chão.
— Socorro! Ela levou um tiro! — Nora grita desesperadamente. O resto do grupo corre para saber o que aconteceu, o barulho dos tiros e os gritos deixaram todos preocupados.
— Jimmy! O que você fez?! — os olhos de Nora enchem d’água.
Ele não diz nada, apenas olha para a garota no chão, depois olha para as outras pessoas. Jimmy sabe que eles estavam o julgando, porém não esperava que entendessem.
— Ela tentou me matar! EU ESTAVA ME DEFENDENDO! — ele está bravo, se sentindo um monstro sendo olhado daquela maneira espantada.
Nora se ajoelha ao lado de Carol e pede que Adam pegue o Kit de primeiros socorros, a garota tenta respirar. Ela está sangrando.
— Você acha que ela vai morrer?! — pergunta Nora enquanto tenta estancar o sangue.
— Ela levou três tiros a queima roupa, eu acho muito difícil ela sair disso viva.
A mulher não sabe o que dizer, ela escuta em silêncio enquanto faz os curativos, e fica tão focada que nem percebe Adam chamando sua atenção.
— Nora! Nora!
— O que? — Ela responde ainda não prestando atenção no homem.
— Nora, a Carol está morta. Ela morreu. Você sabe o que tem que ser feito agora. — Adam coloca a mão sobre o ombro dela. Ela olha para o rosto da garota, está paralisado, a boca aberta, os olhos arregalados olhando fixamente para o horizonte. A menina confusa e órfã está morta.
Jimmy está parado de pé olhando o corpo.
O vizinho de Carolina chegou no lugar quando ela já estava no chão. Junto de sua mulher e seu filho, ele vê o corpo baleado e a arma na mão de Jimmy, então olha para ele, caminha até Carol e se abaixa ao seu lado.
— Nora, Adam, muito obrigado, eu assumo daqui.
O casal de idosos acena para o homem, se levanta e caminha para sua barraca. As pessoas sabiam o que iria acontecer agora, ninguém queria ver aquilo, então aos poucos todos vão se virando e voltando para o que estavam fazendo, exceto a família de John Rollins, o vizinho. O filho de John, Joshua Rollins, o menino com a mesma idade de Carolina, está parado ao lado do pai, ele olha para ela e sente vontade de chorar, uma ardência presa em sua garganta, tristeza.
— Eu não posso ficar aqui mais nenhum minuto — Jimmy fala olhando estranhamente para a morta.
— Isso, vai embora, você não é mais bem-vindo aqui! — Josh aponta o dedo indicador para Jimmy e em seguida para as escadas. Ele não o conhece, mas sabe que nunca vai deixar de odiá-lo. Josh gostava da garota mais do que como um amigo, e agora ela está morta.
— Se afasta de mim!
— Ou o quê? — O pai de Josh se levanta, ele tenta intimidar Jimmy — Vai matar meu filho também?
— Então é isso o que eu sou agora, um assassino?
— Você sempre foi um. Acha que não sabemos o que fez com seu irmão e sua namorada? — John se aproxima.
— Cala a boca! — Jimmy se estressa.
— Você não pode negar, não é? — ele encara Jimmy — Vem filho — ele coloca a mão sobre o ombro de Josh — vou precisar de ajuda com a Carol.
Os dois se viram e vão até o corpo. Jimmy fica pensando em alguma coisa para falar em sua defesa, mas decide que é melhor ficar em silêncio, responder não vai ajudar em nada agora, ele precisa se acalmar. Ao anoitecer Jimmy já estava pronto para partir, pegou tudo o que tinha — a pistola, a munição dela, três latas de feijão, uma garrafa d’água cheia, uma lanterna com bateria fraca, sua faca, a faca de Mallory e um colchonete rasgado — e colocou tudo em duas mochilas. Quando estava saindo, ele passa pelo centro do estacionamento, todo mundo olha para ele, alguns tentam disfarçar. Então aquela sensação de se sentir um monstro retorna.
Jimmy sabe que as pessoas pensam que ele é um assassino, ele sabe que a maioria delas devem pensar como John, até mesmo todas elas e é por isso que ele tem que ir embora. Quando Jimmy chega na rua ele escuta uma voz familiar.
— Espera! Jimmy!
Ele se vira e vê Tyler, o menino que falou com ele sobre Carol.
— O que você quer? Quem é essa? — havia uma garota ao lado dele.
— O nome dela é Milla. Nós queremos ir com você. — Milla acena com a cabeça e esfrega as mãos, está muito frio.
— Não cara, vocês são muito novos, não podem ir comigo, vocês vão ficar bem nesse lugar.
— A gente sabe como você se sente e a gente sabe o que a Carol fez. Nós não vamos ficar aqui, só estamos perguntando se podemos ir com você.
— Espera, você está me dizendo que vão sair de qualquer jeito?
— É, ou a gente sai com você ou a saímos sozinhos.
Jimmy pensa por um instante.
— E aí, podemos ir com você?
— Vocês têm algum conhecido aí dentro, vocês podem sair assim?
— Não, nós tínhamos um irmão mais novo, mas ele morreu alguns meses atrás.
— Droga... já pegaram tudo o que vão levar? — Jimmy olha as mochilas nas costas dos dois.
— Sim, está tudo aqui.
— Bom, então vamos.
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