Cocaine

25 Eu não serei o seu prémio


Notas iniciais
Hey viciados! Eu sei, eu estou levemente atrasada! Como sempre né. Enfim. É habitual. Em primeiro lugar, eu quero agradecer a Elena e a Little Ass Kicker pelas recomendações perfeitas que fizeram! Eu fiquei rindo como uma idiota durante umas duas horas! Agora minha vó desconfia que eu uso drogas! Culpa vossa por serem tão maravilhosas! Obrigada meninas! Ah verdade, Little Ass Kicker, eu queria responder sua MP, mas você me bloqueou. Sua bitch AHAH Sendo assim, garotas esse capítulo é inteiramente vosso! Desfrutem! Obrigada também a todos os meus maravilhosos leitores que deixam reviews perfeitos! Eu os leio com muito carinho e guardo cada um deles no meu coração gordo de escritora AHAH Não desprezando os meus leitores fiéis, mas eu gostaria de saber onde estão as minhas antigas leitoras! Eu sinto saudade! Ah, e fantasmas! Eu estou de olho, hein! Esse capítulo é uma pequena introdução para a grande vingança da Harley (vocês vão me matar)! Ebaaaa!! Boa leitura!

– Sim, eu preciso de você. E preciso muito. – murmurei, tentando fazer uma voz no mínimo sensual.

– Onde e quando?

Sorri vitoriosa. Ah, isso vai ser divertido.

– Cafetaria. Agora.

Não esperei uma resposta. Eu sabia que ele estaria lá. Agora eu tinha outro problema maior. Onde diabos fica a cafetaria mesmo?

[…]

Ah Harley! Excelente ideia! Excelente ideia mesmo! Manda o garoto encontrar-se com você na cafetaria e não faz nem ideia de onde fica. Por favor, essa situação merece um prémio de inteligência! Um diploma pelo menos. Mais lerda que eu não existe.

– Idiota é o meu nome do meio… Na verdade, é Rosemary. Qual deles o melhor? Sério, eu desconfio que mamãe não gosta de mim. Onde já se viu isso?! Harley Rose…

– Falando sozinha? – algum desgraçado murmurou interrompendo a minha tagarelice. Quis amaldiçoar todas as futuras gerações do bastardo mas assim que pus meus olhos no maldito, não fui capaz. Eu só posso estar sonhando. Dei um tapa em mim própria com toda a força que consegui reunir. Não, eu não estou sonhando. E minha face dói pra caramba. Mais pontos de inteligência para mim!

– Você. O que está fazendo aqui? – perguntei, sentindo o meu coração quase sair pela garganta.

O garoto riu mostrando a fileira de dentes brancos e bonitos. — Eu estudo aqui.

– Errado, Jackson. Você estudava aqui.

Jackson Morgan cruzou os braços parecendo divertido com a minha confusão. Observei cada traço do seu rosto. Ele é muito parecido com a irmã. É até meio assustadora a semelhança.

– Só porque minha irmã abandonou East River, isso não significa que eu faça o mesmo. – revirei os olhos.

– Eu imaginei que esse seria o caso dado que você sempre foi o cachorrinho leal da Jane. – resmunguei, vendo o tempo passar. Eu preciso fugir desse cara e encontrar a maldita cafetaria. Jackson ficou alguns minutos calado. Acho que é a minha chance!

Poucos segundos mais tarde, baixou levemente a cabeça escondendo os seus olhos com a franja comprida. Oh porra, ele está chorando?! Meu Hades, eu sou um monstro.

Aproximei-me dele calmamente. Jackson levantou a cabeça assim que percebeu meus movimentos. Suspirei e encarei outro ponto do campus. Tudo para não olhar esses olhos tristes. Um sentimento repentino de culpa invadiu o meu coração frio. Ah, eu sou tão fraca.

– Eu lamento imenso que tudo isso tenha acontecido. É só que a sua irmã é… ela é meio… ela é uma…

– Megera? – sugeriu o Morgan, voltando ao humor inicial.

Abafei uma risada histérica.

– Eu iria falar que ela é uma garota complicada mas megera soa muito melhor.

O garoto riu e passou uma mão pelo cabelo brilhante. A sombra do garoto de olhar triste desaparecera completamente.

– Hum… Harley? – chamou, parecendo um pouco envergonhado. Entortei a cabeça, incentivando-o a continuar. – Eu peço desculpa por tudo o que Jane fez. Ela no fundo é uma pessoa bem mais agradável do que parece.

– Sim, lá bem no fundo mais profundo que o oceano. – Jackson riu novamente e assim que terminou, ficámos olhando um para o outro. O tempo continuava passando e eu ainda precisava de respostas.

Uma ideia brilhante aflorou a minha mente. E quando falo brilhante… é brilhante versão Harley Adams. Aproximei-me um pouco mais do garoto e agarrei o seu antebraço. – Eu só perdoo todos os pecados da sua irmã se você me levar na cafetaria agora!

Jackson devolveu-me um olhar confuso, mas aceitou. Acho que ele tem medo de mim. O garoto começou a andar na direção da cafetaria – eu espero — e eu segui-o tentando decorar o trajeto. É, eu não consegui decorar porra nenhuma. Sério, eu devo estar amaldiçoada!

Andámos uns 100 metros e finalmente, cheguei na maldita cafetaria. Eu não acredito que eu estava tão perto. Nota mental: Bater minha cabeça na parede várias vezes. Jackson acenou em despedida e tentou afastar-se de mim. Ah, isso mesmo! Ele tentou.

Agarrei-o pelo ombro e arrastei-o comigo. Eu preciso de uma testemunha se Daniel tiver um surto e tentar me matar ou pior, me obrigar a pagar a conta sozinha. Sim, porque eu estou com uma puta fome. E sou pobre. Vida de universitária é uma merda.

Entrámos na cafetaria e logo localizei Daniel, bebendo um café descontraidamente. Assim que me viu, abriu um sorriso sedutor. Depois ele reconheceu Jackson e parou de sorrir como um pervertido tarado. Aproximei-me do garoto sendo seguida pelo irmão do capeta. Empurrei o Morgan para uma das cadeiras e sentei na frente de Daniel.

– Você. Quieto. – ordenei para Jackson, voltando logo depois a minha atenção para o outro idiota.

– Pensei que viria sozinha. Você falou que precisava muito de mim. – reclamou Daniel, cruzando os braços como um garotinho contrariado. Oh Hades, que vontade de socar o rosto dele.

– E eu preciso. – sussurrei, pousando minha mão sobre a sua. Baixei um pouco o meu busto, dando-lhe uma visão privilegiada do meu decote. Sim, eu estou sendo uma vadia miserável. Mas é um sacrifício necessário para a causa. – Ignora o Morgan.

Nesse momento, Miriam aproximou-se da mesa e encarou nossas mãos unidas com seus olhos esbugalhados. A garota abanou a cabeça como se espantasse alguma ideia assustadora e endireitou as costas, retirando um pequeno bloquinho do bolso do avental.

– O que vão querer? – perguntou. Respirei fundo e pedi quase metade do cardápio. O quê? Acha exagerado? Eu estava com fome. Daniel e Jackson encaravam-me como se eu fosse de outro planeta. Tanto faz. Antes de se afastar da nossa mesa, a minha amiga lançou-me um olhar interrogador. Pisquei para ela.

Respirei fundo e novamente dei minha atenção para Daniel. O garoto tinha um imenso sorriso presunçoso na face. Ódio. – Eu fiquei realmente surpreendido quando você me chamou. Eu não esperava que você viesse correndo para mim tão rápido. Eu sabia que Julian não é o garoto certo para as suas necessidades.

Finquei minhas unhas na sua mão. Filho da puta. Maldito. Vou arrancar a pele dele com o poder da minha mente!

– Sim, mas vamos admitir… Julian tem mais experiência.

Daniel semicerrou os olhos.

– O que quer dizer com isso?

Senti um sorriso cruel nascer nos meus lábios. Parece que alguém vai ficar com o orgulho ferido. – Tem uma grande diferença entre 98 e 110, sabe?

Daniel retirou imediatamente a sua mão que antes estava debaixo da minha. Endireitei-me na cadeira e empinei o nariz.

– Ah, então Julian te contou…

Senti uma raiva incontrolada possuir o meu corpo. Tenho a certeza que o meu rosto ficou rosado. Um sorriso debochado apareceu na boca do garoto na minha frente.

– Não, ele não contou. Você descobriu sozinha. Como?

Cruzei os braços com força quase derrubando o cardápio que estava pousado sobre a mesa. – Eu encontrei a listinha dele. Sério isso?! Qual é o objetivo? Saberem quem é o mais babaca?

– É uma questão de honra masculina. – Daniel fez uma pausa e o sorriso debochado aumentou. Ah, que raiva. – Mas espera um pouco, 110? Você ainda não se tornou a número 111?

– E nem penso me tornar. – quase me tornei, mas ele não precisa ter conhecimento desse pequeno detalhe.

– Isso quer dizer que quer se tornar a minha 99? – perguntou, mordendo o lábio inferior. Revirei os olhos e aproximei-me subtilmente dele.

– Nem em um milhão de anos.

Daniel passou uma mão pelo cabelo arrancando alguns fios. Esse garoto tem sérios problemas. Sérios mesmo. Mais sérios que os meus. – Então o que você quer comigo?

Mordi o lábio, sentindo as mãos tremerem.

– Eu só quero saber uma coisa… Vocês estavam competindo por mim?

Daniel levantou um dos cantos da boca, fazendo um sorriso estranho. Ofeguei em expetativa. Jackson remexeu-se do meu lado parecendo desconfortável.

– Sim. Nós estávamos competindo. Mas acho que por motivos diferentes.

Respirei fundo, sentindo um nó na garganta formar-se.

– Como assim?

– Julian tem um problema. Ele envolve-se demasiado e acaba se fodendo. Já aconteceu. E tenho a certeza que irá acontecer com você.

Eu estava ficando cada vez mais confusa. Envolve-se demasiado?! Eu que me envolvi demasiado e caí na sua armadilha!

– Se explica, seu otário. Eu não entendi nada e saiba que minha paciência se esgota facilmente.

Daniel segurou uma risada e aproximou o seu rosto do meu como se fosse me beijar. – Se você está assim tão curiosa, porque não pergunta para o seu namoradinho?

Levantei-me com raiva. Miriam chegou nessa hora carregando todos os meus pedidos. Olhei para a comida maravilhosa com pena. Fiquei sem apetite.

Peguei no braço de Jackson, obrigando-o a se levantar também.

– Eu não sou a namorada dele. – rosnei, arrastando o irmão da minha arqui-inimiga para fora.

– Quem vai pagar tudo isso, Harley?! – gritou Miriam, fazendo-me parar e olhar para trás com um sorriso malicioso.

Encarei o garoto que ainda estava sentado na mesa. – Daniel.

Ele abriu a boca e tentou protestar, mas eu dei de ombros e saí da cafetaria. Jackson seguia-me como um cachorro. Decidi libertá-lo. Vai cachorro, já pode correr livremente pelas montanhas!

– Você é completamente louca! – murmurou Jackson com seus olhos castanhos completamente esbugalhados.

Sorri amigavelmente e coloquei uma mão no seu ombro. – Ah, obrigada. Muito gentil da sua parte.

Jackson abanou a cabeça e retirou a mão que eu pousara no seu ombro.

– Não. Você compreendeu tudo errado. Você é louca por estar envolvida com esses dois.

Minhas mãos tremeram novamente.

– Porque você diz isso?

O Morgan deu um passo em frente, parecendo nervoso.

– Porque da última vez que uma garota esteve na sua situação, houve um banho de sangue.

Abri a boca. As palavras estavam presas na garganta. Houve um banho de sangue? Tipo… sangue? Sangue mesmo sangue?! Vermelho e tudo? Oh Hades.

– Jackson Morgan, me conta tudo o que você sabe! – implorei, achocalhando-o pelos ombros. Jackson mordeu o lábio pensativo. Ele estava decidindo se contava ou não. Argh! – Conta logo!

– Hum… No primeiro ano, eles eram os melhores amigos. Só que teve uma garota – muito bonita por sinal – que se interessou pelo Grant.

Não compreendi o problema. Jackson ficou me encarando como se eu fosse adivinhar a continuação. Eu sou lerda, lembra?

– E? Isso é normal. Julian é muito… er… desejado pelas garotas. – falei, sentindo o rosto aquecer. Que merda.

– O problema aqui é que a garota namorava Julian, mas secretamente se encontrava com Daniel. – Jackson mediu minha reação e depois de um tempo continuou. – Um dia, o Grant encontrou eles juntos e teve uma briga bem feia. Julian colocou Daniel no hospital.

Engoli em seco enquanto brincava nervosamente com uma mecha roxa que teimava em cair nos meus olhos. O Morgan não esperou a minha aprovação para continuar.

– Desde esse dia, os dois não se suportam e vivem competindo.

– E a garota? – perguntei. Sinceramente, eu estava com inveja. Com muita inveja. Essa foi a única garota que conseguiu chegar no coração de Julian e perdeu essa oportunidade. Que idiota.

Jackson começou a andar e eu segui-o mesmo não sabendo o seu destino. Estava na hora da primeira aula da manhã. Que merda, vou chegar atrasada.

Tanto faz.

– Bom, a garota pouco tempo depois desapareceu. Provavelmente mudou de cidade.

Mordi uma unha enquanto pensava em milhares de coisas ao mesmo tempo. Um quebra-cabeças completava-se na minha mente. – Será… que ela morreu?

Jackson abanou a cabeça. – Não sei.

A garota do violão e a vadia que enganou Julian seriam a mesma pessoa?

Hum…

Poucos minutos depois, chegámos no prédio de Física. Olhei para Jackson, sentindo-me agradecida pelo seu gesto simpático.

– Um conselho… aconteça o que acontecer, você tem que se afastar desses dois. Eles só irão trazer problemas.

Acenei concordando. Jackson sorriu em forma de despedida e afastou-se de mim. Gritei um enorme “obrigada” para as suas costas e o garoto acenou desaparecendo do meu campo de visão.

Minha mente estava cada vez mais confusa. Eu gostaria de me afastar. Eu gostaria de esquecer, de deixar pra lá. Existem muitos garotos, certo? Errado. Existem garotos e depois existe Julian.

Suspirei pesadamente.

E novamente, aqui estou eu presa entre dois garotos. Eu devo ser a pessoa com mais azar no universo. Ou não. Eu não sei. Talvez essa seja a minha sorte.

Eu só sei que finalmente descobri algo sobre a enorme incógnita que Julian é para mim. E isso seria legal se eu não estivesse tão zangada por ser tratada como um prémio. E apesar de ser muito doloroso para mim, eu precisava fazer alguma coisa. Magoá-lo como ele me magoou a mim. Tratá-lo como algo sem valor.

E eu iria fazer isso. Mesmo que me fosse tornar uma vadia sem coração.

Eu só não quero ser o troféu de uma disputa idiota. Só isso. Dessa vez, eu só quero me proteger.

O segundo sinal tocou ferindo os meus ouvidos. Entrei rapidamente no prédio e dirigi-me para a sala 102 onde eu assistiria a aula de Física Quântica Avançada. A aula já começara obviamente. Os meus colegas – todos garotos – ouviam atentamente a explicação detalhada do velho professor. Bati na porta e logo senti um formigueiro alastrar-se pelo meu corpo.

Eu esqueci que esse era o meu primeiro dia de aula como uma garota normal. Uma garota normal de cabelos roxeados. A única garota cursando Física.

O professor abriu a porta com uma carranca mal-humorada e ordenou um “entre” amargo. Entrei o mais rápido que pude e todos os olhares viraram-se para mim. Engoli em seco.

Pela primeira vez, eu realmente quero ser um garoto de verdade. Merda.

Notas finais
Eu gostaria de falar que estou MUITO orgulhosa de mim e de vocês! Chegámos nas 14 recomendações, 523 comentários, 111 favoritos (AHAH, Harley seria a número 111) e 263 leitores! Quero muito aumentar essa família de viciados, então... comentários, recomendações, favoritar e até MP's são MUITO bem-vindos! Eu respondo tudo com muito carinho e juro que não sou uma Alien! Amén.