Cocaine
23 Ele decide testar os limites da minha sanidade
Notas iniciais
– Daniel. – murmurei, não conseguindo impedir a minha língua.
– Oi garota dos cabelos roxeados... ou devo antes chamar-lhe Harley? – perguntou Daniel, o irmão do namorado de Chad e o garoto que há muito tempo atrás me tentara seduzir num bar de jazz.
Engoli em seco, sentindo os músculos de Julian ficarem tensos.
[…]
Afastei-me de Julian rápido demais. O garoto não pareceu muito satisfeito com isso e rodeou a minha cintura com um braço puxando-me contra si. Encarei-o envergonhada, mas ele ignorou-me completamente. Julian parecia mais preocupado em trocar olhares de desdém com Daniel.
Bufei irritada. O que é isso? Uma guerra de testosterona? Hades, me dê paciência.
– Onde está o Chad? – perguntou uma voz meio tímida, quebrando o silêncio. Procurei o dono da voz e finalmente reparei em Logan que se escondia atrás do corpo enorme de Daniel. Sorri para ele e o namorado do meu meio-irmão devolveu o sorriso enquanto seu rosto adquiria um tom avermelhado. O garoto parecia um gnomo de jardim.
Pisquei para o garoto, deixando-o ainda mais corado e apontei na direção do quarto de Chad. Logan abandonou a sala, deixando-me nas mãos de dois idiotas e uma garota endiabrada.
E falando em garota endiabrada. Essa mesma garota não sabe calar a boca quando deve. – E então, Harley… voltando ao assunto de antes! Eu já escolhi nossos vestidos para o baile! Sério, você vai ficar perfeita.
Revirei os olhos. Essa garota não desiste nunca? – Eu já falei que não vou, Jade. Em primeiro lugar, tenho que rever alguns subtemas de Física para a competição e além disso, nenhum garoto me convidou.
Os olhos da minha colega de quarto arregalaram. E mais uma vez eu pude imaginar a garota inchando e sair voando. Na verdade, eu gostaria que isso acontecesse. Assim ela não teria aberto a boca mais uma vez e arruinado a minha vida.
– O quê?! Você não tem par? – exclamou, sorrindo diabólica. – Daniel, você já convidou alguém?
Do meu lado Julian mexeu-se parecendo desconfortável. Fuzilei Jade com o olhar, mas a garota simplesmente deu de ombros e encarou Daniel com uma falsa inocência. Ela ainda me paga.
– Não, eu não convidei. – respondeu o garoto, desviando o seu olhar para mim.
– Aposto que a Harley arranjará um par bom o suficiente para ela. – a voz rouca de Julian arrepiou-me a nunca. Nela eu conseguia localizar uma ameaça direcionada a Daniel. Engoli em seco e belisquei o braço de Julian fazendo-o lançar-me um olhar indignado.
Revirei os olhos e levantei-me do sofá. – Comida! Vocês devem estar com fome. Vou preparar alguma coisa para vocês.
Eu era horrível na cozinha, mas tudo era melhor que ficar aqui sendo o prémio que dois garotos disputavam com tanto afinco. Ouvi o corpo de Julian seguir os meus movimentos. – Vou fumar um cigarro.
E dizendo isso, passou por mim batendo de leve nossos ombros. Ok, ele estava aborrecido. Poucos segundos depois ouvimos a porta do quarto de Julian bater com força.
Segui para a cozinha. E para piorar a minha situação, Daniel seguiu-me também. Jade ficou na sala assistindo um filme qualquer e suspirando sempre que o protagonista surgia sem camisa. Além de endiabrada é tarada, hein?!
Respirei fundo antes de abrir a geladeira. Encarei os ingredientes sentindo-me perdida. Que merda. De repente uma ideia brilhante atingiu a minha mente. Se tinha uma coisa que eu sabia fazer era pipocas. Fechei a geladeira e preparei os ingredientes, sentindo o olhar de Daniel cravado nas minhas costas.
Pouco tempo depois, o garoto decidiu quebrar o silêncio.
– Eu sinceramente não espera te reencontrar desse jeito. – disse. Senti o seu corpo aproximar-se mais de mim. Mordi o lábio, tentando concentrar-me nas pipocas. – Você saiu tão de repente naquele dia que nem pude saber sequer seu nome. E olha só isso, o suposto irmão do Chad é afinal a primeira garota que me recusou na minha vida.
Soltei uma risada de completo escárnio. – Oh, me desculpe se magoei os seus sentimentos. Não era a minha intenção.
– Não é isso, Harley. O problema aqui é que desde que eu vi você que não consigo pensar em mais ninguém. Você mexeu comigo, deveria assumir a responsabilidade. – murmurou, segurando o meu pulso e virando o meu corpo na sua direção.
Soltei meu pulso e tentei afastar-me de Daniel, mas ele não permitiu. Engoli uma torrente de xingamentos que subiram por minha garganta e olhei no fundo dos seus olhos castanhos e incrivelmente brilhantes. Não vacila agora, Harley Adams! – Daniel, eu sou só sua amiga ou nem isso. Acho que deixei isso bem claro no bar. Procure outra garota para lançar esse seu charme.
– Então você me acha charmoso? – desconversou, enquanto se aproximava mais uma vez e pegava uma das minhas mechas roxeadas levando-a aos lábios e beijando-a. Os seus olhos além de sedutores, transmitiam-me um desafio silencioso. Trinquei o maxilar e cruzei os braços. Não respondi. E não era necessário, pois minha expressão facial respondeu por mim. É claro que eu achava Daniel charmoso. Por Hades, o garoto era alto, levemente bronzeado e repleto de músculos trabalhados. Seus cabelos castanhos caiam em seus olhos dando-lhe um ar meio misterioso. Além disso, seus lábios rosados eram convidativos e pareciam prometer mil sensações. Mas na minha mente habitava um nome e apenas um nome. Julian.
– Esse maldito Grant não é a pessoa indicada para você. Ele nunca te poderá… satisfazer como eu posso. – continuou Daniel como se pudesse ler meus pensamentos. Enquanto me olhava no fundo dos meus olhos, passou um dedo por toda a extensão do meu braço direito deixando a minha pele arrepiada com o seu toque. As pipocas já há muito tempo estavam esquecidas.
Agora mais do que nunca eu quis bater em alguém. Daniel estava testando os meus limites de paciência. Levantei uma mão já preparada para desferir um soco nos seus dentes quando alguém pigarreou, chamando a minha atenção.
– Dá para se afastar da minha garota? – rosnou Julian, aproximando-se vagarosamente. O seu corpo tremia de raiva. Tinha o maxilar tenso e os seus olhos agora negros como a noite, permaneciam estreitos e ameaçadores. Quase fugi da cozinha com medo. Nunca tinha visto Julian tão irritado.
Logan e Chad escolheram esse exato momento para entrar na cozinha e interromper o homicídio que iria ali acontecer a qualquer momento.
– Porque cheira a queimado? – perguntou o meu meio-irmão fazendo-me arregalar os olhos. Nem tinha notado o cheiro intenso a queimado.
– Merda. – xinguei virando-me novamente na direção do fogão, desligando-o rapidamente. As pipocas, coitadas, não tinham salvação possível.
– Acho melhor irmos embora, Logan. – resmungou Daniel afastando-se finalmente de mim. Imediatamente consegui respirar.
– O quê? Mas porquê? – questionou Logan confuso. Daniel lançou-me um último olhar e saiu sem dar qualquer explicação ao seu irmão. Logan seguiu-o poucos minutos depois. Chad lançou-me um olhar interrogativo, mas acabou por seguir o caminho dos dois irmãos.
Respirei fundo e encostei-me na pia. Encarei o chão durantes alguns segundos e só depois levantei o olhar na direção de Julian. O garoto ainda estava tenso. Sua expressão continuava perigosa e seu corpo ainda tremia um pouco. Aproximei-me dele e abracei-o pelos ombros. Eu era um pouco mais baixa que ele alguns centímetros por isso tive que me esticar levemente para poder depositar um leve selinho nos seus lábios.
Seus braços não rodearam a minha cintura como sempre faziam. Suspirei e desci na direção do seu pescoço. Imediatamente senti o cheiro masculino e forte da sua colónia misturado com o perfume subtil do cigarro. Distribui uma linha de beijos molhados pelo seu pescoço, fazendo com que a tensão ali contida diminuísse. Afastei-me dele para olhar nos seus olhos.
– O que você estava fazendo sozinha com ele, Harley? – reclamou, colocando as suas mãos na minha cintura e puxando-me violentamente contra si. – Eu não gosto de partilhar aquilo que é meu.
Gemi, sentindo seus mãos subirem lentamente pelas minhas costas, parando nos meus cabelos. Julian os agarrou e puxou-os levemente fazendo-me atirar a cabeça para trás. Logo de seguida, o garoto deixou um rastro de marcas vermelhas no meu pescoço. Gemi novamente quando senti uma das suas mãos deslizar pelo meu ventre e abrir o botão da minha calça. Minhas forças estavam reduzidas a zero e aposto que se não fosse o aperto de Julian, eu cairia de joelhos no chão.
– Eu odeio a maneira como ele te olha. – continuou, vidrando o seu olhar no meu. E ele ainda se queixa do olhar de Daniel?! O dele é mil vezes pior! Julian me encarava como se eu fosse comida e ele um leão esfomeado. – Eu o odeio.
Humedeci os lábios, sentindo-os incrivelmente secos. Não consegui impedir um sorriso debochado. – O quê? Não sei porquê. Daniel é tão legal.
É claro que era mentira. Mas eu tinha que ver o brilho de ciúmes que imediatamente cruzou o olhar de Julian. Os olhos do garoto ficaram ainda mais escurecidos. Tremi levemente quando senti seus dentes arranharem o meu ombro. A mão que antes acariciava o meu ventre desceu um pouco entrando na minha calça. Parei de respirar, sentindo os seus dedos brincar na barra da minha calcinha.
– Eu sou mais. – e dizendo isso, Julian empurrou o meu corpo contra a bancada e deslizou os seus dedos mais para baixo, acariciando-me lentamente. Finquei minhas unhas nos seus ombros e abri lentamente as pernas dando-lhe mais espaço para continuar.
A minha boca foi parar na sua orelha. Gemi baixinho, sentindo Julian aumentar a velocidade.
– Hum… Não sei não. – sussurrei, mordendo a sua orelha com força. Julian gemeu de dor e sem aviso, colocou um dedo dentro de mim. Quase gritei pelo choque e pelo êxtase. Mordi o lábio quando o garoto começou a fazer movimentos de vai e vem. Os seus olhos encontraram os meus. Vi neles desejo e um brilho muito intenso de malícia.
Seus lábios chocaram-se contra os meus, produzindo estalidos molhados. Tremi quando a sua língua adentrou a minha boca, explorando-a e guerreando com a minha. Ao mesmo tempo, Julian aumentava a velocidade dos seus dedos e eu estava começando a sentir uma grande tensão acumular-se no meu baixo-ventre.
Era só uma questão de tempo até eu atingir o orgasmo. Rodeei o quadril de Julian com as minhas pernas, trazendo-o para mais perto de mim. Eu queria algo mais. Eu o queria por inteiro e não apenas os seus dedos. Estava começando a ficar louca. Louca por Julian Grant.
Julian sorriu maliciosamente e mordeu-me o lábio incentivando-me a gemer. A gemer por ele. Passei minhas unhas por seu abdómen parando assim que atingi a barra da calça do garoto. Ele não atendeu ao meu pedido silencioso. Em vez disso, afastou o meu cabelo e lambeu o lóbulo da minha orelha. Tremi, sentindo a pressão aumentar.
O garoto deu mais algumas estocadas e sussurrou no meu ouvido:
– Esse é seu castigo por me deixar louco.
Estava quase chegando ao ápice, mas Julian não me deixou. Senti seus dedos saírem de mim. Julian afastou-se um pouco e contemplando a minha figura sem fôlego e completamente confusa, lambeu os dedos lentamente. Um sorriso travesso irrompeu nos seus lábios e sem falar mais nada, Julian saiu da cozinha deixando-me ali completamente insatisfeita. E humilhada. Xinguei Hades com tudo e fechei a minha calça.
Oh certo, Julian decidiu tirar uma com a minha cara e me humilhar… tudo porque Daniel o enfureceu. Então e eu?! Eu estava puta da vida! Como é que um garoto me conseguia deixar desse jeito? Indefesa. Confusa. Frustrada.
Ah, mas isso não iria terminar desse jeito! Não mesmo! Julian provocou uma parte de mim que estava adormecida. E não estou falando das minhas partes baixas! Julian provocou a minha fúria. E isso não vai sair barato. Isso posso prometer.
E foi com inúmeras promessas de vingança e tortura que eu corri na direção do banheiro. Eu estava necessitando de um banho gelado. Bem gelado. Só assim eu poderia esfriar a mente e acalmar o meu corpo que ainda parecia sentir os toques inusitados de Julian.
Entrei no banheiro e fechei a porta com toda a minha força. Logo depois ouvi uma risada alta do outro lado da porta. Os cabelos da minha nuca arrepiaram com a simples presença da sua voz.
Eu ainda vou acabar matando esse filho da puta.
– Quer ajuda, amor? – perguntou Julian, rindo da minha desgraça. Respondi com um xingamento nada educado e ouvi a sua risada rouca de novo. Logo depois, ouvi os seus passos afastarem-se.
Mordi o lábio e deslizei pela porta do banheiro.
Um dia quem acaba morrendo sou eu.
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