BASE (40) DA CORÉIA DO SUL


Mais um dia. Lucca já havia sido levado para treinamento, eu estava sentada na cama, esperando que ele voltasse ou, talvez, que outro guarda viesse me buscar, afinal hoje é dia de teste para mim. Respirei fundo, ouvindo a minha cela ser aberta...

—Vamos? — Soou como uma pergunta, mas ele me puxou pelo braço e eu não emiti nenhum som

Sendo levada para algum teste maluco e imprevisível, sentia a apreensão e o receio me invadirem, enquanto meu braço era puxado como quem segura um objeto de decoração de ambiente, sem nenhum tipo de prevenção para uma tentativa de fuga minha ou o que seja, ele estava quebrando o código de segurança não me algemando, todavia, para quê precisariam, eu já tinha consciência sobre o meu papel neste lugar, também não é como se eu fosse o mais perigoso dos seus experimentos, o que podia fazer? Longe da água sou como qualquer outra garotinha fraca, como as das histórias que Lucca me conta, meninas que são salvas por rapazes fortes. Essa não é minha história, meu herói está tão preso quanto eu, mesmo assim já me salva mais que eu poderia pedir.

EM ALGUM LUGAR DO CENTRO-OESTE BRASILEIRO


O grupo se aproximava do que parecia um esconderijo, de repente dois homens pularam na frente deles, de onde eles surgiram era incerto dizer, mas não pareciam ser uma ameaça, visto que se mantiveram mais precisamente na frente de Eric e pareciam conhecê-lo

— Fomos avisados de que iriam parar por aqui da sua última missão — Um deles iniciou o diálogo e Eric assentiu

— Onde está Beatriz? — Foi tudo o dito pelo líder

— No escritório — Mais um aceno de cabeça e Eric passou por eles com o grupo seguindo-no

Agora mais próximos, Sara e Victor notaram que aparentava caber uma boa quantidade de pessoas confortavelmente naquele abrigo, embora quão simples parecesse. Adentrando-no, notaram uns dois ou quatro guardas que pareciam fazer a segurança interna do lugar, além disso viram algumas pessoas comendo ou passando o tempo tranquilamente, enquanto algumas outras trabalhavam em algo, chegando finalmente ao escritório, Eric entrou sozinho e os outros se espalharam, alguns já haviam separado-se desde a entrada do local, eles conversavam com pessoas dali ou iam comer, Bruno se jogou em um sofá e pareceu se preparar para dormir...

— E agora? — Sara perguntou ao Victor, que com a feição indiferente olhava nada específico — Victor?

— Ah, você tá falando comigo? — O moreno se voltou para a garota, sem emoção alguma em sua fala, então retornou ao encarar do nada — Vou me perder por aí

Sara falaria algo, quando ele foi saindo, porém uma mão puxou fracamente seu braço, a fazendo se virar na direção oposta da seguida pelo garoto

— Oi, 'tá' sozinha? — Uma garota cabelo castanho ondulado e olhos castanhos, muito sorridente, se apresentou para mim — Sou Thalia, tudo bem?

BASE (40) DA CORÉIA DO SUL


O guarda mantinha o aperto forte em meu braço e eu o seguia sem questionar, chegamos em frente àquela porta e estremeci inconscientemente, o medo do que estava por vir crescendo em meu ser e quando a porta foi aberta, que fui deitada numa maca de laboratório e pude notar os utensílios devidamente separados para esta sessão, o sentimento só se alastrou mais rápido e intenso, como se o meu corpo tivesse congelado tive a rápida percepção que era mais uma sessão de extração das minhas células, especificamente as que ordenavam e faziam minha regeneração.

Fui deitada na maca e presa nela, para que não me movesse bruscamente, atrapalhando a extração. Observei o cientista responsável pelo meu experimento ao meu lado

— Olá, Maya, pronta para mais uma tentativa de evoluir a humanidade? — Seu sorriso enorme e paranóico

— Esse teste dói, Dr. Araújo — Meu receio facilmente notável em minha voz

— Ah, minha linda criação, pense nas milhares de pessoas que você estará salvando se eu conseguir adaptar suas células para aceitarem qualquer tipo de sangue e achar um meio de fazer delas capazes de se adaptar a um novo corpo!

Assenti calada e me pus a mirar o teto, enquanto o cientista começava o procedimento, limpando o lado acima de minha cintura, a mesma região que costumava ser escolhida para essas sessões em específico, ele primeiro aplicou aquela substância, por uma injeção, que parecia ser para facilitar de algum modo a extração, então pegou aquela enorme agulha de biópsia e fechei os olhos fortemente sentindo o metal penetrar minha pele, não demorou muito desta vez para quê eu pudesse sentir e uma lágrima de dor percorreu por meu rosto. 'É para que outras pessoas possam viver mais e melhor, é para isso que existo' minha mente repetia como uma forma de me confortar.