Cobaias - A Luta Pelo Amanhã
12 Capítulo 11
Notas iniciais
BASE (12) — COMOR
Acordei muito cedo, tudo estava silencioso e eu só sabia que era de manhã pelo laranja quase abandonando o céu, a cor domava parte do corredor pelas janela protegidas.
Vendo as árvores aproveitarem da luz com a qual o sol nascente as banhava, enquanto ouvia o canto frenético dos pássaros que pareciam gritar para todos que já era dia. Depois de anos vendo tudo isso por uma televisão monitorada, me sinto tão bem em poder testemunhar assim essa cena.
Eric se sentou ao meu lado no muro e quase me assustei, não o ouvi chegar
—Por que já está de pé?
—Hm, acho que me acostumei com o barulho da troca de turno dos guardas, digamos que o guarda da manhã não era o mais silencioso
Ele assentiu e voltei a falar
—Parece que eles são menos paranóicos que você aqui — Ri — Já estou aqui a algum tempo, não vi ninguém vigiando
Ele sorriu antes de me responder
—Pelo contrário, tem muita vigilância aqui, mas eles são treinados exatamente para não serem notados
Então quando ele direcionou seu sorriso para mim, eu me desequilibrei para trás e só não caí porquê ele me segurou, ri sem graça
—Detalhe sobre mim: posso ser um pouco atrapalhada
—Uma espiã atrapalhada? — Ele levantou uma sobrancelha e eu lhe dei um tapa no braço
—Não, só sou atrapalhada se fico nervosa
—E quando eu te deixei nervosa?
Não respondi, apenas foquei meu olhar na paisagem em nossa frente, durou um tempo o silêncio, antes que ele o quebrasse...
—Por quanto tempo você já vem sendo treinada para ser espiã deles?
Parei um pouco para meditar sobre sua pergunta
—Então é isso? — Ri fraco — Você só está falando comigo por isso, não é? Você acha que eu sou uma ameaça
Ele não falou, mas assentiu brevemente
—Ótimo, então não vou te responder — Sorri — Quero que você corra bem muito atrás da sua querida verdade sobre mim
Pulei do muro e o deixei lá
BASE (40) DA CORÉIA DO SUL
Hoje foi treinamento do Lucca, ele chegou cansado
—Treinamento de velocidade? — Supus e ele assentiu
—Eu fiquei naquela esteira maluca por 2 horas e como se não bastasse depois eles ainda ficaram testando minha audição, fazendo eu correr em direção a um som distante ou levava choque
—Eles exageram às vezes — Tentei amenizar, embora não gostasse das poucas marcas escuras por sua pele, que, embora fracas, eu conhecia a sensação dos choques que as fizeram, felizmente elas sairiam em pouco tempo, pois pelo que notei, eles não abusaram no número de volts
—Sim, exageram, mas um dia eles vão ver! Eu vou sair daqui e então vou destruir esse lugar!
—Vingança? — Falei insegura, a ideia de dar o troco me parecia tão errada
—Não, não vingança, eu só quero que possamos viver de verdade, como os personagens dos livros
Eu sorri triste
—Você realmente acha que um dia sairemos daqui?
Ele me olhou por algum momento, como se não entendesse como eu poderia achar que não
—É claro que sim! Nós vamos sair, eu vou tirar a gente daqui e então conheceremos tudo que existe lá fora, eu vou te levar para vermos de perto cada pedacinho do mundo, então vamos viver aventuras como os personagens que conhecemos! — Ele estava tão esperançoso que me limitei a sorrir feliz com seu jeito otimista
Sinceramente eu não sei se um dia sairemos, nem sei se é o certo. Nosso lugar é aqui, não é? Não. O meu lugar é aqui, onde eu serei útil para devolver a saúde de pessoas, crianças que estão doentes em estado terminal, sendo útil para estudos que avancem a medicina ou mesmo as capacidades humanas. Mas Lucca não, o lugar dele é em liberdade, lá fora, onde ele poderá correr e rir, viver suas aventuras e ser muito feliz, um lugar onde ele não seja machucado, um lugar onde ele possa ser livre. O que eu mais quero é ficar ao lado dele, porém, se ele tiver a chance de ir, eu quero que vá, mas ainda não sei se posso ser egoísta ao ponto de deixar este lugar e a minha utilidade...!
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