BASE (40) DA CORÉIA DO SUL

Notei a aproximação de alguém e vi um guarda apenas trazendo Maya de volta para a cela. Era incrível como eles não acreditavam na capacidade dela para tentar fugir, mas estava mais focado no quão exausta ela parecia, embora ela trouxesse um ar satisfeito e feliz. Já imaginava qual tinha sido seu treinamento hoje e sorri grande, quando o guarda se afastou. Corri e, quase em um pulo, cheguei até o vidro que nos separava e toquei minhas mãos na transparência gélida...

— Vai me contar o que era o de hoje, Linda?

Maya sorriu para mim e se aproximou, se ajoelhando em minha frente, me levando a abaixar

— Foi treinamento na piscina, desviei de obstáculos e acho que eles estavam medindo minha velocidade e minha ecolocalização. Sentir a água me imergir totalmente foi tão aliviante e tranquilo

EM ALGUM LUGAR DO CENTRO-OESTE BRASILEIRO


Observando o vermelho já mais claro em seus braços, sentada no que parecia restos de um muro, a novata no grupo de rebeldes, Sara, sentiu a aproximação da mais nova amiga, que parara em pé ao seu lado...

—Está doendo? Eu trouxe uma pomada — A morena entregou o pequeno pote

Passando a pomada na vermelhidão em seus braços, a alva questionou

— Então... CoMor, não é? Como é exatamente isso?

— Ah, você já sabe nosso objetivo, o que mais poderia te contar? Não somos apenas nós, a CoMor é uma enorme organização, nos dividimos em equipes oficiais e essa é a equipe do Eric, o líder do nosso grupo. Somos bem unidos, já temos anos juntos, então já somos uma família. Trabalhamos todos juntos e cada um sabe qual o seu papel e no que se encaixa melhor para ajudar — Deu de ombros e sorriu

— Raquel, né? — Ela assentiu — E sobre o pessoal? — Mordeu o lábio, tentando não deixar o grupo desconfortável, afinal, queria conhecer mais daquelas pessoas que ela julgou incríveis

— Fica tranquila, posso sentir sua curiosidade, mas seu nervosismo e ansiedade estão um tanto fora de controle — Riu e a menina ficou surpresa, tinha se esforçado para disfarçar — Ah, desculpa! — Coçou a nuca, como que envergonhada — Eu não me apresentei direito, sou Raquel Souza e tenho a habilidade de sentir e ler emoções, assim como persuadir-las, tipo...

— Ou seja, ela é uma empata! — A interrompendo, um garoto deitado em alguns panos no chão tentou simplificar a explicação e isso pareceu afeta-la, que suspirou

— Eu não sou uma empata — Olhou feio para o garoto

— É claro que é, até nos relatórios diziam... — A garota pulou em cima dele e tapou sua boca, sorrindo amarelo para Sara

— Que relatórios? — Questionou confusa e a outra se fez de desentendida — Ah, entendi, não sou totalmente confiável ainda, não é?

Raquel deu de ombros com um sorriso de desculpas

— Tudo bem, acho que faz parte, com o tempo espero que eu possa ser uma de vocês — Sorriu

— É claro que pode! — A morena se levantou, indo até Sara

— Ah, é que não sei se chegarei ao nível que vocês tem... — A alva saiu andando com Raquel, deixando o garoto entediado para trás

— Ainda não confio nela — Assustando o garoto, a mais velha do time surgiu

— Ah, isso é só porquê ela surgiu com a Raquel e o Eric, você não suporta a ideia de uma garota perto do seu irmãozinho, não é, Adri? — Provocou ainda tedioso

— É claro que não é isso! Eu deixo a Raquel e a Jess, não deixo?! — Entrou na ofensiva

— Isso é só porquê a Raquel depois de tudo só vê ele como um irmão... e a Jess nem é concorrência! Ela assusta até o Eric — Riu — Arr, mas isso não me importa — Revirou os olhos e se acomodou

— Quero que você fique de olho nela — Cruzou os braços, determinada

— O quê?! — O garoto se sentou repentinamente — Espionagem? Você tá falando sério?! Arr — Se jogou frustrado nos cobertores — Mas isso é muito trabalhoso, Adri

— Vamos, Bruno, não é hora de descansar, já está para anoitecer, precisamos nos abrigar — Eric se aproximou, brigando com o jovem deitado e interrompendo a conversa

Em pouco tempo de caminhada, eles chegaram a uma casa grande e abandonada, estava caindo aos pedaços e o mato já a invadia, mas serviria. Todos se acomodaram e puderam descansar.