BASE (23) DE NAÇÃO ESTADUNIDENSE


Na cela de paredes e piso branco, uma parede e a porta se destacavam pela transparência do vidro, tão mais resistente quanto não aparentava, com lâmpadas de LED o quarto bem iluminado tinha apenas o estritamente necessário, a cama e os poucos móveis também em branco pediam vida, a porta com o pequeno banheiro quase sumia na presença de tantas cores em uma única, assim sendo o branco, e com tanta serenidade, passada na imagem clara, quase não se nota a menina que, deitada na cama e quieta, quase se perde pela pele tão pálida e os cabelos de um loiro branco

— Levante-se! Vamos, é hora do seu treinamento, hoje será ao ar livre — Berrava o guarda, enquanto abria a porta

— Não se pode chamar de "ao ar livre" se de qualquer maneira haverão cercas e guardas por todos os lados, não é mesmo? — A garota limitou-se a respondê-lo, antes de se levantar — Ainda são cinco horas e pouco, quase não amanheceu, não está muito cedo para treinamento, não? — Seus olhos focados no relógio de pulso do guarda, para então o seguir

Saindo da cela outro guarda se juntou aos dois em seu caminho, seguiram até um grande gramado murado, onde havia um campo já preparado para seu treinamento. Com suas instruções para descobrir os planos dos que deveriam ser seus inimigos, a garota passou por alguns obstáculos e se posicionou no alto de uma árvore à 45 metros dos "inimigos" que conversavam, enquanto um mostrava a planta de algum local.

Com a visão de uma águia, a garota observava em cima da árvore o plano dos "inimigos", seu rosto manchado em vermelho, sua precisão em entender cada passo apenas com a visão era impressionante, mas perdeu o foco quando ouviu um enorme barulho vindo de dentro da base, pareciam gritos de guerra e luta, logo ela entendeu, pois vários prisioneiros como ela se soltaram de alguma maneira, muitos lutavam e iam de encontro com os guardas, como quem tem sede de sangue, outros apenas tentavam fugir da base, o que também era um problema para a segurança do local.

Com o caos se espalhando, vários do guardas que estavam de prontidão nas cercas, e mesmo os que cuidavam de seu treinamento, abandonaram seu posto para tentar conter o que poderia ser dito como uma rebelião. Mesmo sendo mais fácil arriscar fugir pelas cercas, já que estavam sem vigilância forte, uma dupla entre toda a confusão despertou a curiosidade da menina, que limpou o rosto e os seguiu na calada, encontrando-os tentando acesso para o escritório do diretor da base... Porém, com pouco tempo os seguindo foi descoberta

— Você já pode deixar de nos seguir — A garota morena de olhos verdes se limitou a falar, sem a procurar

— Como sabia que eu estava aqui?

O breve diálogo das garotas roubou a atenção do rapaz, que se virou encontrando ambas em sua visão

— A quanto tempo? — Questionou à sua amiga

— Desde pouco depois que passamos pelo campo cercado, tenho sentido sua curiosidade cada vez mais forte, Menina

— O que você quer? Por que nos seguiu? — Foi rápido, logo o garoto já tinha a espiã presa contra a parede

— Ei, ei, ei — A morena pôs uma mão no ombro dele — Se acalme, preste atenção nas roupas dela... É uma de nós

Ainda demorou alguns segundos com ele a encarando, antes de solta-la irritado e dando as costas. O aperto incrivelmente forte doeu e deixou seus braços vermelho intenso, graças a pele pálida

— Tanto faz! Precisamos terminar isso logo — O rapaz voltou a se aproximar da porta trancada

— Desculpa pelo meu amigo, às vezes ele pode ser paranóico, mas é do bem — Riu

— Tudo bem — Sorriu a alva, segurando os braços — Posso ajudar vocês com isso

Se aproximando da tranca com senha, digitou alguns números e a porta se abriu, deixando os outros dois surpresos

— Como sabia a senha? — O rapaz questionou e ele tinha uma pose de líder tão forte

— Esse é o caminho para o meu campo de treinamento mais frequente, então pude presenciar muito o diretor digitar a senha, digamos que ter uma excelente visão também ajudou um pouco — Sorriu desconcertada

— Interessante. E a propósito, eu sou a Raquel e ele se chama Erick

— Me chamo Sara

— Ótimo, já que já foram feitas as apresentações, que tal vigiarem enquanto eu faço o trabalho?! — O rapaz foi impaciente

Sem olha-las de novo, ele deu as costas para as garotas, que o obedeceram

BASE (40) DA CORÉIA DO SUL


Maya estava acordada, ouvia a respiração tranquila de Lucca, que ainda dormia, enquanto lembrava-se que teria treinamento hoje, todavia o que a assustava era lembrar que no dia seguinte era dia de teste. Claro, às vezes, os cientistas saiam da "programação" dependendo de suas necessidades para os projetos no momento, mas a morena já gravara um tipo de padrão que eles costumavam seguir com ela e Lucca.

O ruivo só teria teste daqui há um ou dois dias, já ela era amanhã e isso a deixava nervosa, não que não estivesse conformada, apenas não se acostumara com alguns testes que doíam muito. Respirando fundo, concentrou-se no respirar do amigo, tranquilo e leve, a acalmando e confortando, quando uma guarda aparece destrancando sua cela, ela se levantada de prontidão.

A guarda nada precisa dizer, Maya vai até ela e aceita as algemas, nada necessárias na opinião da morena, que o regulamento exige para seu caso. Ela é guiada por alguns corredores da base, chegando em frente a porta conhecida, sendo empurrada para dentro do cômodo, Maya encara a enorme e funda piscina, enquanto alguns cientistas colocam o equipamento necessário nela, alguns monitores de pulsos, batimentos, velocidade, etc.

Com a ordem dada, Maya entra na piscina e com a água a morena encontra sensações de alívio por finalmente estar de volta a água, como também de cansaço adiantado pela situação de cobaia. Conformando-se com o pensamento de que tudo isso é para o melhor das pessoas vivendo lá fora, para que pudessem desenvolver meios de salvá-las de doenças fatais e dá melhor condição de vida a elas.

Com o sinal, Maya mergulhou e nadou livremente, seguindo as instruções dos cientistas: "Use toda a velocidade que puder" ou "Pare, vá devagar" ou "Desvie ou pule dos obstáculos". No final, Maya estava exausta das exigências, das mudanças constantes de velocidade, como que ela acelere e de repente deve parar rápido, entre outros, a forçava demais às vezes. Porém, a morena ainda teve que durar mais um pouquinho, antes de poder ser levada de volta à cela.

BASE (23) DE NAÇÃO ESTADUNIDENSE


Do lado de fora, Sara, Raquel e Eric alcançavam a saída com outros prisioneiros que fugiam, na saída encontrando quatro jovens lutando, uma das meninas, com aparência mais velha acabava com grupos de guardas de uma só vez, parecia incrivelmente forte, qualquer soco ou chute não a parava e Sara se questionou se a mulher era como ela própria, incapaz de sentir dor.

Um garoto mais a frente não parecia ter grandes dons surpreendentes, já que lutava especialmente com facas, mas sua habilidade com o objeto era incrível, dizimando dois grupos de guardas por vez. Os outros dois jovens, uma garota e uma garoto, ambos pareciam lutar de forma similar, senão igual, atingiam os inimigos com golpes que não pareciam realmente forte, porém por algum motivo devia causar um dor insuportável e o adversário caía ao chão, incomumente, seu bater era sempre de palma, assim como usavam pouco menos dos pés para ataque, eles pareciam servir mais para esquivar de ataques inimigos, etc.

— Eric!! — O grito tirou Sara de seu transe e ela viu que fora a moça mais velha — Precisamos ir!

O moreno assentiu e deu sinal para que o seguissem, então assim o fizeram, ele os levava direto a um grande grupo de guardas, porém ele parou todos atrás dele e seguiu uma parte do caminho só, quando perto o suficiente, ele juntando as mãos socou o chão com uma força absurda, o que causou um desequilíbrio em muitos que caíram...

— Agora! — Eric deu sinal

Então os guardas que continuavam em pé logo tinham facas voando direto aos seus pescoços e os mandando ao chão. E assim ele nos deu sinal para continuar, logo aquele quarteto se juntava a nós e Eric quebrou com sua força anormal o muro que cercava a base, nos permitindo escapar

BASE (40) DA CORÉIA DO SUL


Quando acordei e notei que Maya já havia sido levada, soube que só a veria novamente de noite, me senti tão desolado enquanto o tempo passava e nada de treinamento para mim, passei todo o dia esperando Maya e já estava aflito sem saber qual seria seu treinamento de hoje, pedia silenciosamente que não fosse o da regeneração, odiava vê-la mal.

POUCO LONGE DA BASE (23) DE NAÇÃO ESTADUNIDENSE


— É isso — Eric parava de andar e voltava-se para o enorme grupo atrás de si — Nós já estamos fora do alcance daqueles guardas. Sei que alguns de vocês podem ter objetivos já formados e muitos pensados sobre o que fazer com sua liberdade se um dia a tivessem, assim como sei que muitos não tem nem ideia ou nem imaginaram que um dia estariam mesmo livres, mas aconteceu. Nós somos um grupo de rebeldes como as próprias nações de bases chamam, nós em especial nos denominamos a CoMor! Nosso grupo está centrado com o objetivo de reescrever a história dessa ex-nação, nossa luta é pela liberdade do nosso povo, pela volta de uma terra sem título de laboratório, todavia com título de lar. Para os que não sabem aqui não só tem laboratório, mas também indústrias de recursos naturais e comunidades para a família dos que foram mandados a trabalho para cá, vocês também encontraram ruínas do que antes eram cidades! Agora que já sabem o necessário, a escolha é de vocês, os que forem ficar conosco tenho certeza que são pouquíssimos, porém sei que os que não forem vão buscar fazer o melhor com sua liberdade.

— Não é nem opção me separar de vocês — Sorriu Sara e se adiantou ao lado de Raquel

Assim como o esperado, praticamente todos decidiram por não ficar, muitos tinham objetivos certos e decidiram por continuar seu caminho sozinho ou com sua família, alguns com um companheiro ou dois, mas o maior grupo decidiu ir com três homens...

— Nós seguiremos em busca de um lugar para ser nosso lar, vamos seguir atrás de uma vida tranquila para toda a nossa gente — Um deles começou e apertou a mão de Eric

— Talvez um dia nos encontremos de novo, seremos eternamente gratos por nos libertarem — O segundo também cumprimentou o mais novo

— Pode contar com nosso apoio se um dia realmente precisar — Com o cumprimento do terceiro, o povo de despediu e saíram rumo ao destino

Entre todos aqueles que foram, apenas um garoto continuou lá, calado, apenas os olhando

— E você? — Questionou Eric confuso

— O quê? Você não disse que era nossa escolha ir ou ficar? — Respondeu, parando em frente ao grupo de rebeldes — Acho que vou ficar

Raquel sorriu, se aproximando dele

— Você é muito bem-vindo, Lindo!

Poderia ser o sorriso... Ou o modo de agir, mas ele se sentiu confuso com ela